{"id":170786,"date":"2025-11-30T17:31:42","date_gmt":"2025-11-30T17:31:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/170786\/"},"modified":"2025-11-30T17:31:42","modified_gmt":"2025-11-30T17:31:42","slug":"documentario-resgata-trajetoria-de-mulheres-que-construiram-o-forro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/170786\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio resgata trajet\u00f3ria de mulheres que constru\u00edram o forr\u00f3"},"content":{"rendered":"<p>A narrativa dominante sobre o forr\u00f3 costuma reverberar nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos. Mas a hist\u00f3ria do g\u00eanero, constru\u00edda em palcos, r\u00e1dios e bastidores, \u00e9 muito mais ampla do que o imagin\u00e1rio popular costuma registrar. \u00c9 justamente nesse ponto que o minidocument\u00e1rio A hist\u00f3ria das mulheres no forr\u00f3 finca os p\u00e9s. O desejo de revelar a presen\u00e7a constante, pioneira e decisiva das mulheres na forma\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio musical brasileiro.<\/p>\n<p>Com 55 minutos de dura\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o independente assinada pelo Igoarias Musicais, o filme est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente no YouTube e dedica aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s protagonistas potiguares que ajudaram a impulsionar o forr\u00f3 dentro e fora do Rio Grande do Norte.<\/p>\n<p>Entre elas est\u00e1 Ademilde Fonseca, nascida em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante e reconhecida nacionalmente como \u201crainha do choro\u201d. Apesar da consagra\u00e7\u00e3o no g\u00eanero, Ademilde tamb\u00e9m figura entre as primeiras mulheres da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica brasileira a gravar composi\u00e7\u00f5es que dialogavam com a matriz do forr\u00f3 e do ritmo nordestino, ainda na d\u00e9cada de 1950. Sua carreira ajudou a pavimentar caminhos para outras int\u00e9rpretes, rompendo barreiras de g\u00eanero em um mercado amplamente masculino.<\/p>\n<p>Outra voz que ecoa no filme \u00e9 a da mossoroense Hermelinda Lopes, \u00edcone da m\u00fasica potiguar. Integrante do Trio Mossor\u00f3 ao lado dos irm\u00e3os Carlos Andr\u00e9 e Jo\u00e3o Mossor\u00f3, Hermelinda foi uma das respons\u00e1veis por levar o repert\u00f3rio do sert\u00e3o potiguar a circuitos nacionais. Posteriormente, seguiu carreira solo e refor\u00e7ou a presen\u00e7a feminina em um cen\u00e1rio historicamente dominado por homens, com timbre marcante e forte presen\u00e7a c\u00eanica.<\/p>\n<p>O minidocument\u00e1rio tamb\u00e9m resgata o papel de Terezinha de Jesus, figura fundamental para a inser\u00e7\u00e3o do xote e do bai\u00e3o no circuito da MPB produzida no estado. Junto a ela, nomes como F\u00e1tima Mello e Deusa do Forr\u00f3 completam o mosaico de artistas potiguares que abriram espa\u00e7o para novas gera\u00e7\u00f5es de cantoras, compositoras e instrumentistas.<\/p>\n<p>\u201cComo mulher, esse momento de ser protagonista no movimento do forr\u00f3, onde h\u00e1 uma forte predomin\u00e2ncia masculina, \u00e9 um orgulho e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade. Mas sigo em frente, passando por cima de tudo igual a um trator na defesa do meu Forr\u00f3 de Raiz\u201d, defende Iranilda Albuquerque, a Deusa do Forr\u00f3, sobre defender um legado feminino no g\u00eanero musical.<\/p>\n<p><strong>SAIBA+<\/strong><a href=\"https:\/\/saibamais.jor.br\/2025\/09\/rn-participa-do-festival-internacional-do-forro-na-franca\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> RN participa do Festival Internacional do Forr\u00f3 na Fran\u00e7a<\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m das potiguares, a produ\u00e7\u00e3o entrevistou pesquisadoras, forrozeiras e instrumentistas de diversas regi\u00f5es do pa\u00eds. Entre elas, a jovem Anne Louise, de apenas 20 anos, primeira sanfoneira profissional da hist\u00f3ria de Roraima, e a recifense Joyce Alane, um dos principais nomes da nova MPB nordestina, que lan\u00e7ou recentemente o \u00e1lbum Casa Cora\u00e7\u00e3o, dedicado a releituras de cl\u00e1ssicos forrozeiros. \u201cEu quis dar uma repaginada de forma muito respeitosa, honrando minhas ra\u00edzes e valores ao forr\u00f3\u201d, afirmou a artista, que j\u00e1 acumula parcerias com Jo\u00e3o Gomes, Dorgival Dantas e Santana, o Cantador.<\/p>\n<p>Para o diretor Igor Marques, a pesquisa por tr\u00e1s do projeto surpreendeu at\u00e9 mesmo a equipe:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEu consegui reunir mais de 110 nomes, mas o n\u00famero real \u00e9 muito superior\u201d, afirmou. \u201cO mais impactante foi perceber que elas s\u00e3o as personagens principais n\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica, mas tamb\u00e9m nos bastidores\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O document\u00e1rio tamb\u00e9m destaca a presen\u00e7a das mulheres na salvaguarda do forr\u00f3 como patrim\u00f4nio cultural. \u00c9 o caso de Joana Alves, lideran\u00e7a fundamental no movimento que culminou no reconhecimento do forr\u00f3 como Patrim\u00f4nio Imaterial do Brasil pelo IPHAN, em 2021. O filme ainda menciona o trabalho de Marizete Nascimento, fundadora da Associa\u00e7\u00e3o Asa Branca em Salvador, e de Tereza Accioly, presidente da Sociedade dos Forrozeiros P\u00e9-de-serra em Pernambuco, mulheres que atuam na preserva\u00e7\u00e3o, na mem\u00f3ria e na continuidade do g\u00eanero.<\/p>\n<p>Resultado de uma investiga\u00e7\u00e3o sens\u00edvel e rigorosa, o minidocument\u00e1rio d\u00e1 nome, rosto e trajet\u00f3ria a mulheres que sustentaram, reinventaram e expandiram o forr\u00f3. A obra busca reafirmar o papel feminino como eixo vital de uma das express\u00f5es culturais mais fortes do Nordeste. Confira na \u00edntegra: <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A narrativa dominante sobre o forr\u00f3 costuma reverberar nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos. 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