{"id":172712,"date":"2025-12-02T05:18:16","date_gmt":"2025-12-02T05:18:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/172712\/"},"modified":"2025-12-02T05:18:16","modified_gmt":"2025-12-02T05:18:16","slug":"fungos-de-chernobyl-intrigam-cientistas-ao-crescer-com-radiacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/172712\/","title":{"rendered":"Fungos de Chernobyl intrigam cientistas ao crescer com radia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"fitec-embcmp\"><a href=\"https:\/\/profile.google.com\/cp\/CgsvZy8xMjFqY2oxMw\" target=\"_blank\" class=\"ftecmp-button\" rel=\"nofollow noopener\">Siga o Olhar Digital no Google Discover<\/a><\/p>\n<p>A Zona de Exclus\u00e3o de <strong><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/chernobyl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Chernobyl<\/a> <\/strong>continua proibida para visitantes, mas a aus\u00eancia de humanos abriu espa\u00e7o para <strong>formas de vida<\/strong> que surpreendem pesquisadores h\u00e1 d\u00e9cadas. Entre esses organismos, um <strong><a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/fungos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">fungo<\/a> <\/strong>escuro encontrado nas paredes internas de estruturas pr\u00f3ximas ao reator acidentado tem chamado aten\u00e7\u00e3o por algo incomum: ele parece <strong>crescer melhor<\/strong> quando exposto \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ionizante.<\/p>\n<p>O comportamento do Cladosporium sphaerospermum tem sido observado desde o fim dos anos 1990, quando uma equipe liderada pela microbiologista Nelli Zhdanova identificou 37 esp\u00e9cies de fungos vivendo ao redor do reator destru\u00eddo. A descoberta gerou uma s\u00e9rie de pesquisas que, at\u00e9 hoje, tentam explicar como esse microrganismo consegue se desenvolver em um ambiente extremamente hostil, como mostra um artigo do <a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/chernobyl-fungus-appears-to-have-evolved-an-incredible-ability\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Science Alert<\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/P1020059-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1225621\"  \/>Cladosporium sphaerospermum, cultivado no Centro Hospitalar Universit\u00e1rio de Coimbra, em Portugal (Imagem: Rui Tom\u00e9\/Atlas of Mycology\/Reprodu\u00e7\u00e3o)Fungos melanizados dominam a \u00e1rea afetada<\/p>\n<p>Nos primeiros levantamentos, os cientistas notaram que a maioria das esp\u00e9cies era escura, rica em <strong>melanina<\/strong>, pigmento associado \u00e0 absor\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/radiacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">radia\u00e7\u00e3o<\/a>. O C. sphaerospermum se destacou tanto pela abund\u00e2ncia quanto pelos altos n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o radioativa encontrados nas amostras coletadas.<\/p>\n<p>Pesquisas posteriores, conduzidas pela radiopharmacologista Ekaterina Dadachova e pelo imunologista Arturo Casadevall, revelaram algo ainda mais curioso: ao contr\u00e1rio do esperado, a radia\u00e7\u00e3o n\u00e3o prejudicava o fungo. Em vez disso, ele apresentava um <strong>crescimento acelerado<\/strong> quando exposto a emiss\u00f5es ionizantes, comportamento incomum entre organismos vivos.<\/p>\n<p>A equipe tamb\u00e9m observou altera\u00e7\u00f5es no comportamento da melanina do fungo sob radia\u00e7\u00e3o, levantando a hip\u00f3tese de que o pigmento poderia estar envolvido em um processo semelhante ao da fotoss\u00edntese \u2014 um mecanismo apelidado de <strong>radioss\u00edntese<\/strong>. Embora intrigante, a ideia ainda n\u00e3o p\u00f4de ser comprovada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"999\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/P1020096-1024x999.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1225623\"  \/>C. sphaerospermum em imagem de microscopia eletr\u00f4nica (Imagem: Rui Tom\u00e9\/Atlas of Mycology\/Reprodu\u00e7\u00e3o)Hip\u00f3tese da \u201cradioss\u00edntese\u201d segue sem confirma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Apesar do potencial revolucion\u00e1rio, experimentos n\u00e3o conseguiram demonstrar que o fungo realmente converte radia\u00e7\u00e3o em energia de forma semelhante \u00e0s plantas. Em artigo recente, liderado pelo engenheiro Nils Averesch, os pesquisadores refor\u00e7am que ainda falta evid\u00eancia de fixa\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/carbono\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">carbono<\/a> ou ganho metab\u00f3lico diretamente associado \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo assim, alguns resultados refor\u00e7am o interesse cient\u00edfico. Em 2022, um experimento levou o fungo ao espa\u00e7o, fixando-o na parte externa da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Sensores posicionados abaixo da amostra registraram que <strong>menos radia\u00e7\u00e3o ultrapassou<\/strong> a camada de fungo em compara\u00e7\u00e3o ao controle, o que sugere um poss\u00edvel uso como material de prote\u00e7\u00e3o em miss\u00f5es espaciais \u2014 embora esse n\u00e3o fosse o foco da pesquisa.<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<p>Resist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 universal entre fungos escuros<\/p>\n<p>Outras esp\u00e9cies melanizadas demonstram respostas distintas. O fungo Wangiella dermatitidis, por exemplo, tamb\u00e9m cresce mais sob radia\u00e7\u00e3o ionizante, enquanto o Cladosporium cladosporioides apenas intensifica a produ\u00e7\u00e3o de melanina sem apresentar crescimento adicional. Esses resultados refor\u00e7am que o comportamento do C. sphaerospermum \u00e9 singular e ainda pouco compreendido.<\/p>\n<p>Essa variabilidade levanta duas possibilidades: o fungo poderia ter desenvolvido uma adapta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para aproveitar a radia\u00e7\u00e3o como fonte de <a href=\"https:\/\/olhardigital.com.br\/tag\/energia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">energia<\/a> ou estaria apenas ativando um mecanismo de sobreviv\u00eancia para lidar com condi\u00e7\u00f5es extremas. At\u00e9 o momento, nenhuma das hip\u00f3teses pode ser confirmada.<\/p>\n<p>O microrganismo que prospera onde humanos n\u00e3o podem estar<\/p>\n<p>Mesmo sem respostas definitivas, o C. sphaerospermum continua sendo um exemplo marcante de como a vida encontra maneiras de sobreviver \u2014 e at\u00e9 prosperar \u2014 em locais considerados in\u00f3spitos. Sua capacidade de lidar com um tipo de radia\u00e7\u00e3o que \u00e9 altamente perigosa para humanos mant\u00e9m o interesse de pesquisadores e abre discuss\u00f5es sobre poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Siga o Olhar Digital no Google Discover A Zona de Exclus\u00e3o de Chernobyl continua proibida para visitantes, mas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":172713,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-172712","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115648286510642374","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=172712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172712\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/172713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=172712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=172712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=172712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}