{"id":172826,"date":"2025-12-02T08:47:21","date_gmt":"2025-12-02T08:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/172826\/"},"modified":"2025-12-02T08:47:21","modified_gmt":"2025-12-02T08:47:21","slug":"violencia-e-desigualdade-tornam-mulheres-mais-vulneraveis-ao-hiv-cut","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/172826\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia e desigualdade tornam mulheres mais vulner\u00e1veis ao HIV &#8211; CUT"},"content":{"rendered":"<p>                <strong>Publicado:<\/strong> 01 Dezembro, 2025 &#8211; 13h11 | <strong>\u00daltima modifica\u00e7\u00e3o:<\/strong> 01 Dezembro, 2025 &#8211; 13h30       <\/p>\n<p>Data estipulada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, 1\u00b0 de Dezembro \u00e9 o Dia Internacional de Combate ao HIV\/AIDS, que faz parte de um contexto maior, o Dezembro Vermelho, em que s\u00e3o realizadas diversas campanhas e a\u00e7\u00f5es sobre o tema. No entanto, a data tamb\u00e9m faz parte do calend\u00e1rio dos <strong>21 Dias de Ativismo pelo Fim da Viol\u00eancia Contra a Mulher<\/strong>. Apesar dos estigmas associados ao HIV, a infec\u00e7\u00e3o n\u00e3o se restringe \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+. Homens e <strong>mulheres<\/strong> heterossexuais tamb\u00e9m s\u00e3o afetados.<\/p>\n<p>De acordo com a Unaids, <strong>44% das novas infec\u00e7\u00f5es por HIV no mundo em 2023 foram entre mulheres e meninas<\/strong>. A vulnerabilidade se acentua entre <strong>mulheres jovens de 15 a 24 anos<\/strong>, com <strong>570 novas infec\u00e7\u00f5es todos os dias<\/strong> em 2024, em n\u00edvel global.<\/p>\n<p>No Brasil, os dados mais recentes mostram que cerca de <strong>350 mil mulheres<\/strong> vivem com HIV atualmente. O \u00faltimo boletim epidemiol\u00f3gico do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade divulgado no fim no ano passado (2024), mostrava que no ano anterior, foram 16.281 novos casos de infec\u00e7\u00f5es, sendo <strong>4.702 em mulheres.<\/strong><\/p>\n<p>A viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 um dos principais fatores que ampliam o risco de infec\u00e7\u00e3o por HIV entre mulheres. No Brasil, uma mulher sofre viol\u00eancia sexual a cada <strong>46 minutos<\/strong>, de acordo com o Atlas da Viol\u00eancia 2024. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) classifica essa viol\u00eancia como um problema de sa\u00fade de <strong>propor\u00e7\u00f5es epid\u00eamicas<\/strong>, que pode afetar at\u00e9 <strong>sete em cada dez mulheres<\/strong> em alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>Essa realidade impacta diretamente sua sa\u00fade e autonomia: muitas mulheres, sob amea\u00e7a ou medo de repres\u00e1lias, <strong>n\u00e3o conseguem exigir o uso de preservativos<\/strong> ou mesmo recusar rela\u00e7\u00f5es sexuais quando seus parceiros se op\u00f5em \u00e0 prote\u00e7\u00e3o. A viol\u00eancia sexual tamb\u00e9m provoca <strong>ferimentos e traumas f\u00edsicos<\/strong>, que aumentam a chance de transmiss\u00e3o do HIV.<\/p>\n<p>A ONU Mulheres ressalta que esse tipo de viol\u00eancia causa <strong>mais mortes e incapacidades<\/strong> entre mulheres em idade reprodutiva do que c\u00e2ncer, mal\u00e1ria, acidentes de tr\u00e2nsito e guerras somados. Entre aquelas que vivem com HIV, o trauma decorrente da viol\u00eancia ainda pode <strong>dificultar o diagn\u00f3stico, o acesso e a perman\u00eancia no tratamento<\/strong>.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais severo para <strong>mulheres trans e pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias<\/strong>, que enfrentam n\u00edveis extremos de viol\u00eancia motivada pela transfobia e, por isso, maior vulnerabilidade \u00e0 infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, especialistas refor\u00e7am um alerta essencial: <strong>n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel reduzir novas infec\u00e7\u00f5es por HIV entre mulheres sem enfrentar a viol\u00eancia de g\u00eanero<\/strong>, garantindo autonomia, prote\u00e7\u00e3o e direitos para todas.<\/p>\n<p><strong>Desigualdades de g\u00eanero nos resultados de sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>O gr\u00e1fico abaixo mostra que as mulheres t\u00eam menos acesso a diagn\u00f3sticos e tratamentos. Apesar de o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) proporcionar todo apoio para testagem, acolhimento e tratamento, h\u00e1 fatores que ainda as impedem de buscar ajuda.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/assets.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/Sem-T%C3%ADtulo-1.jpg\" target=\"_blank\" class=\"dd-lightbox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/systemuploadscksem-tc3adtulo-1jpg-700x460xfit-390b3.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"460\"\/><\/a><\/p>\n<p>Isso significa que <strong>mulheres &#8211; especialmente as mais jovens e negras &#8211; demoram mais para receber diagn\u00f3stico, iniciam mais tarde o tratamento e enfrentam maior estigma e abandono<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia que aumenta a vulnerabilidade ao HIV<\/strong><\/p>\n<p>Entre os fatores que colocam mulheres em risco est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Viol\u00eancia sexual e coer\u00e7\u00e3o que impedem o uso de preservativos<\/li>\n<li>Depend\u00eancia econ\u00f4mica que dificulta a ruptura com parceiros violentos<\/li>\n<li>Estigmas que afastam do acesso a testagem e preven\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Tabus culturais que afetam autonomia sexual e reprodutiva<\/li>\n<\/ul>\n<p>Hist\u00f3ricos de viol\u00eancia f\u00edsica ou sexual, sobretudo desde a inf\u00e2ncia, <strong>t\u00eam associa\u00e7\u00e3o direta com maior probabilidade de infec\u00e7\u00e3o<\/strong>, conforme organismos internacionais apontam.<\/p>\n<p><strong>\u201cA desigualdade de g\u00eanero est\u00e1 na raiz do problema\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT Nacional, <strong>Amanda Corcino<\/strong>, refor\u00e7a:<\/p>\n<p>\u201cA desigualdade de g\u00eanero est\u00e1 na raiz do problema. O enfrentamento \u00e0 incid\u00eancia das infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis e HIV\/AIDS entre mulheres, especialmente, as mais jovens, deve ter como base uma pol\u00edtica p\u00fablica que envolva n\u00e3o apenas o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. \u00c9 preciso enfrentar, por exemplo, no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o, posi\u00e7\u00f5es retr\u00f3gradas que dificultam a abordagem da educa\u00e7\u00e3o sexual nas escolas\u201d.<\/p>\n<p>Amanda destaca que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamento essencial para combater discrimina\u00e7\u00e3o e preconceitos associados ao HIV. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica e de direitos humanos, que afeta diretamente a vida das trabalhadoras e a sua capacidade de se manterem inseridas no mercado de trabalho de forma digna\u201d.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es sindicais salvam vidas<\/strong><\/p>\n<p>Amanda destaca a atua\u00e7\u00e3o do movimento sindical como fundamental na conscientiza\u00e7\u00e3o. \u201cAo promover a\u00e7\u00f5es e campanhas, a CUT pode contribuir para reduzir o impacto do HIV na vida das mulheres, fortalecer sua autonomia e garantir que o ambiente de trabalho seja um espa\u00e7o de acolhimento e respeito\u201d.<\/p>\n<p><strong>O SUS \u00e9 do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos o SUS e que temos que valoriz\u00e1-lo sempre. A pol\u00edtica de acolhimento, preven\u00e7\u00e3o e tratamento \u00e0s pessoas que vivem com HIV Aids foi pioneira e j\u00e1 salvou milhares de vida. Devolve inclusive a autoestima para essas pessoas que s\u00e3o estigmatizadas e discriminadas na sociedade\u201d, diz Amanda Corcino.<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a que <strong>Sistema \u00danico de Sa\u00fade<\/strong> \u00e9 refer\u00eancia ao garantir tratamento gratuito para todas as pessoas que vivem com HIV; testagem r\u00e1pida e ampla oferta de preservativos, al\u00e9m de acesso a PEP e PrEP, incluindo <strong>tratamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica p\u00fablica de enfrentamento ao HIV\/AIDS foi decisiva para reduzir <strong>56% das mortes relacionadas \u00e0 AIDS<\/strong> desde 2010. Al\u00e9m disso, manteve <strong>mortalidade em 3,9 \u00f3bitos em 2023<\/strong> a menor da s\u00e9rie hist\u00f3rica e expandiu o diagn\u00f3stico em gestantes para <strong>mais de 95%<\/strong> no pr\u00e9-natal,<\/p>\n<p>Ainda assim:<\/p>\n<ul>\n<li>Apenas <strong>8,8%<\/strong> das pessoas que usam PrEP no pa\u00eds s\u00e3o mulheres<\/li>\n<li>52,9% das pessoas vivendo com HIV j\u00e1 sofreram algum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ou seja: <strong>h\u00e1 acesso, mas barreiras sociais e de g\u00eanero impedem que mulheres usufruam plenamente dos servi\u00e7os existentes.<\/strong><\/p>\n<p>O HIV pode acontecer com qualquer pessoa, independe da classe, cor, express\u00e3o ou identidade de g\u00eanero. Por medo do julgamento, muitas pessoas deixam de fazer o teste e de buscar tratamento, entre elas as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia, o que mant\u00e9m a epidemia ativa e invis\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, \u00e9 preciso que a sociedade, os parentes, amigos e amigas, as pessoas pr\u00f3ximas, cumpram o papel de ser uma rede de apoio \u00e0 mulher, denunciando casos de viol\u00eancia, orientando e dando suporte para, em casos de viol\u00eancia sexual, a mulher poder buscar al\u00e9m da puni\u00e7\u00e3o do agressor, os cuidados com o pr\u00f3prio corpo\u201d, diz Amanda.<\/p>\n<p><strong>Dados sobre Indetect\u00e1vel = Intransmiss\u00edvel (I=I)<\/strong><\/p>\n<p>Pessoas que vivem com HIV e seguem o tratamento podem alcan\u00e7ar <strong>carga viral indetect\u00e1vel,\u00a0<\/strong>o que significa <strong>zero risco de transmiss\u00e3o sexual<\/strong>.<\/p>\n<p>Esse conhecimento cient\u00edfico reduz o estigma, <strong>fortalece a dignidade e a autonomia de quem vive com HIV<\/strong>.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Informa\u00e7\u00e3o salva vidas e combate o preconceito<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Publicado: 01 Dezembro, 2025 &#8211; 13h11 | \u00daltima modifica\u00e7\u00e3o: 01 Dezembro, 2025 &#8211; 13h30 Data estipulada pela Organiza\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":172827,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[36098,7411,3215,618,116,11609,36100,32,33,9905,117,36099,18565],"class_list":["post-172826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-central-sindical","tag-cut","tag-direitos","tag-emprego","tag-health","tag-luta","tag-mobilizacoes","tag-portugal","tag-pt","tag-salario","tag-saude","tag-sindicalismo","tag-trabalhadores"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115649108193557460","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=172826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172826\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/172827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=172826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=172826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=172826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}