{"id":173699,"date":"2025-12-03T00:12:13","date_gmt":"2025-12-03T00:12:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/173699\/"},"modified":"2025-12-03T00:12:13","modified_gmt":"2025-12-03T00:12:13","slug":"revelacoes-e-surpresas-da-arvore-genealogica-do-almirante-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/173699\/","title":{"rendered":"Revela\u00e7\u00f5es e surpresas da \u00e1rvore geneal\u00f3gica do almirante \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Exclusivo assinantes: Ofere\u00e7a artigos aos seus amigos.<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XVIII, Nicola Andrea Passalacqua instalou-se na ilha da Madeira com a mulher, Cecilia, e o filho Paolo. A fam\u00edlia italiana deixou para tr\u00e1s a sua casa, na ent\u00e3o Rep\u00fablica de G\u00e9nova, para passar a viver no Funchal, onde Paolo arranjou emprego como tesoureiro na alf\u00e2ndega do Funchal. L\u00e1, casou-se com a madeirense Rosa Maria Telo de Menezes e, na gera\u00e7\u00e3o seguinte, o apelido italiano entrou em Portugal numa vers\u00e3o adaptada: Passal\u00e1qua. Agora, cerca de 250 anos depois, a julgar pela generalidade das sondagens, um tetraneto de Paolo e Rosa \u2014 Henrique Eduardo Passal\u00e1qua de Gouveia e Melo \u2014 poder\u00e1 tornar-se o pr\u00f3ximo Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A poucas semanas das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, as \u00fanicas em que os eleitores s\u00e3o chamados a escolher uma pessoa concreta e n\u00e3o um partido ou um movimento pol\u00edtico, o Observador tra\u00e7ou a \u00e1rvore geneal\u00f3gica dos principais candidatos presidenciais para conhecer a hist\u00f3ria familiar de cada um. Atrav\u00e9s de uma parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Genealogia, que desenvolveu a investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e cient\u00edfica, foi poss\u00edvel recuar v\u00e1rios s\u00e9culos para descortinar a sucess\u00e3o de acasos hist\u00f3ricos e familiares que conduziram ao nascimento de cada um dos candidatos.<\/p>\n<p>No caso de Henrique Gouveia e Melo, foi poss\u00edvel recuar at\u00e9 ao s\u00e9culo XVII e documentar cerca de uma centena de ascendentes diretos, cuja mem\u00f3ria permite reconstituir o percurso de uma fam\u00edlia com grande dispers\u00e3o geogr\u00e1fica. Al\u00e9m do apelido vindo diretamente de It\u00e1lia, h\u00e1 todo um ramo em Angola e presen\u00e7a familiar em v\u00e1rios pontos de Portugal continental e ilhas. Foram encontrados v\u00e1rios cruzamentos entre pessoas de diferentes estratos sociais \u2014 do mais humilde campon\u00eas ao nobre com bras\u00e3o de armas. E at\u00e9 refer\u00eancias com relevo para a vida profissional de Gouveia e Melo \u2014 um oficial da Marinha Mercante e um general de sucesso.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore geneal\u00f3gica de Gouveia e Melo revela, tamb\u00e9m, uma s\u00e9rie de rela\u00e7\u00f5es familiares inesperadas: na fam\u00edlia alargada do almirante encontramos figuras de destaque como um antigo diretor da Casa da Moeda, o grande impulsionador do Espiritismo no pa\u00eds, m\u00fasicos c\u00e9lebres e at\u00e9 liga\u00e7\u00f5es familiares a alguns dos seus mais famosos primos, que incluem dois dos seus advers\u00e1rios nas presidenciais e at\u00e9, por via do ramo madeirense, Cristiano Ronaldo. Navegue pela \u00e1rvore geneal\u00f3gica do almirante para descobrir as hist\u00f3rias que se escondem por tr\u00e1s de quatro s\u00e9culos de linhagem familiar.<\/p>\n<p>Foi poss\u00edvel identificar v\u00e1rios antepassados de Gouveia e Melo nascidos no s\u00e9culo XVII \u2014 o per\u00edodo hist\u00f3rico mais recuado a que conseguimos chegar.<\/p>\n<p>O mais antigo antepassado do almirante que foi poss\u00edvel identificar pelo nome nasceu h\u00e1 400 anos, por volta do ano 1625. (Tamb\u00e9m foi poss\u00edvel identificar um casal de nonos av\u00f3s, ou seja, uma gera\u00e7\u00e3o acima, mas que nasceram mais tarde.)<\/p>\n<p>Trata-se de Domingos Jo\u00e3o, oitavo av\u00f4 de Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe muito sobre este homem sem apelido, que viveu em Oliveira do Conde, povoa\u00e7\u00e3o do concelho de Carregal do Sal (distrito de Viseu).<\/p>\n<p>Chegamos at\u00e9 ele seguindo aquilo a que os genealogistas chamam \u201clinha masculina pura\u201d \u2014 ou seja, procurando sempre o pai do pai do pai e por a\u00ed adiante. Cientificamente, encontramos nesta linha a transmiss\u00e3o ininterrupta do cromossoma Y.<\/p>\n<p>Do casamento de Domingos Jo\u00e3o com Catarina Francisca nasceu Ant\u00f3nio Jo\u00e3o, s\u00e9timo av\u00f4 de Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o casou-se em 1680 com Ana Francisca em Lajeosa do D\u00e3o, povoa\u00e7\u00e3o a alguns quil\u00f3metros a norte de Oliveira do Conde, onde o casal se fixou.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, este ramo familiar continuou a viver em Lajeosa do D\u00e3o. Curiosamente, ao longo de algumas gera\u00e7\u00f5es, esta fam\u00edlia permaneceu sem apelido.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso avan\u00e7ar mais de um s\u00e9culo para encontrar pela primeira vez um apelido neste ramo: Vieira. Crist\u00f3v\u00e3o Vieira, quarto av\u00f4 de Gouveia e Melo, recebeu este apelido da parte da fam\u00edlia da sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Duas gera\u00e7\u00f5es depois, por\u00e9m, o apelido Vieira foi substitu\u00eddo pelos mais sonantes Melo Borges e Castro, ap\u00f3s o casamento do trisav\u00f4 Leandro com D. Ana Am\u00e1lia de Melo Borges e Castro \u2014 que j\u00e1 teria ascend\u00eancia real.<\/p>\n<p>O apelido Melo haveria, depois, de chegar ao almirante e candidato presidencial.<\/p>\n<p>Apesar de conhecermos o candidato, sobretudo, pelos apelidos Gouveia e Melo, a verdade \u00e9 que h\u00e1 toda uma hist\u00f3ria internacional que se esconde por tr\u00e1s do seu apelido menos conhecido: Passal\u00e1qua.<\/p>\n<p>Trata-se de um apelido que o almirante recebeu da parte da sua m\u00e3e, Maria Helena Pereira Passal\u00e1qua \u2014 e que tem origem na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Mais concretamente, em G\u00e9nova. Foi naquela rep\u00fablica da pen\u00ednsula italiana que nasceu, em 1720, Nicola Andrea Passalacqua, quinto av\u00f4 de Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XVIII, Nicola Andrea Passalacqua mudou-se de G\u00e9nova para a ilha da Madeira.<\/p>\n<p>Antes disso, ainda em G\u00e9nova, casou-se com Cecilia Cesare, de quem teve um filho: Paolo Maria Passalacqua.<\/p>\n<p>Com a chegada da fam\u00edlia ao Funchal, o nome do filho ter\u00e1 sofrido um aportuguesamento para Paulo Maria Passal\u00e1qua \u2014 a origem do apelido do almirante.<\/p>\n<p>Na Madeira, Paulo Maria Passal\u00e1qua trabalhou como tesoureiro na Alf\u00e2ndega do Funchal. Os registos da \u00e9poca ainda guardam a assinatura deste tetrav\u00f4 de Gouveia e Melo nos livros com as entradas e sa\u00eddas de dinheiro da Alf\u00e2ndega.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/passalaqua4.jpg\"\/><\/p>\n<p>Em 1779, Paulo Maria Passal\u00e1qua casou-se na S\u00e9 do Funchal com Rosa Maria Telo de Menezes, de quem teve, quatro anos depois, um filho batizado em homenagem ao av\u00f4: Nicolau Maria Passal\u00e1qua.<\/p>\n<p>J\u00e1 idoso, em 1850, Nicolau Maria Passal\u00e1qua teve um filho com D. Constantina Vieira Cabral, natural do Funchal.<\/p>\n<p>Esse filho, Viriato Zeferino Passal\u00e1qua, foi inicialmente batizado como filho de pais inc\u00f3gnitos na S\u00e9 do Funchal.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/viriato.jpg\"\/><\/p>\n<p>S\u00f3 aos dez anos foi reconhecido como filho de Nicolau e Constantina \u2014 depois de os seus pais terem casado de urg\u00eancia, por Nicolau, de 77 anos, estar em perigo de vida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/viriato2.jpg\"\/><\/p>\n<p>Viriato Zeferino Passal\u00e1qua \u00e9 um dos mais not\u00e1veis antepassados de Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>Logo na juventude, Viriato entrou para o Ex\u00e9rcito, onde fez uma longa carreira militar at\u00e9 chegar ao posto de General de Brigada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/general-viriato-zeferino-passalaqua.jpg\"\/><\/p>\n<p>Entre o final do s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, Viriato Zeferino Passal\u00e1qua ocupou importantes cargos na prov\u00edncia ultramarina de Angola, incluindo os de governador provincial do Namibe e de governador de Benguela.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Viriato foi um dos principais pioneiros do Espiritismo em Portugal.<\/p>\n<p>Profundamente interessado pelos textos b\u00edblicos, aproximou-se do Movimento Esp\u00edrita, doutrina religiosa nascida em Fran\u00e7a no s\u00e9culo XIX, que sobrep\u00f5e elementos do Cristianismo e ideias reencarnacionistas \u2014 e que encontraria, posteriormente, grande popularidade no Brasil.<\/p>\n<p>Viriato Passal\u00e1qua presidiu ao primeiro Congresso Esp\u00edrita Portugu\u00eas, em maio de 1925, e lan\u00e7ou as bases para a cria\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita Portuguesa \u2014 institui\u00e7\u00e3o que ainda hoje congrega os esp\u00edritas portugueses. Nesse congresso, como orador, apresentou duas teses: uma sobre espiritualismo e espiritismo e outra sobre \u201cloucura esp\u00edrita\u201d.<\/p>\n<p>Durante a sua passagem por Angola, Viriato Passal\u00e1qua casou-se com Mariana da Concei\u00e7\u00e3o Anapaz, nascida em Luanda.<\/p>\n<p>Deste casamento nasceu, em 1895, ainda em Luanda, Eduardo Virg\u00edlio Zeferino da Concei\u00e7\u00e3o Anapaz Passal\u00e1qua \u2014 o av\u00f4 materno de Henrique Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>Depois do bisav\u00f4 com uma influente carreira militar, tamb\u00e9m este av\u00f4 poder\u00e1 ter ajudado a moldar o futuro do almirante Gouveia e Melo: Eduardo Virg\u00edlio passou a sua vida nos mares, como oficial da Marinha Mercante.<\/p>\n<p>Nascido em Angola, Eduardo Virg\u00edlio mudar-se-ia, mais tarde, para a metr\u00f3pole. Em 1926, casou-se com Maria Gabriela Alcobia Soares da Silva Pereira, com quem teve uma filha em junho de 1934: Maria Helena Pereira Passal\u00e1qua, a m\u00e3e de Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>Mas voltemos a subir neste ramo da fam\u00edlia de Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>Lembra-se de D. Constantina Vieira Cabral, a madeirense que se casou com Nicolau Maria Passal\u00e1qua e com quem teve o filho Viriato?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/constantina.jpg\"\/><\/p>\n<p>Vale a pena subir pela \u00e1rvore dos ascendentes de D. Constantina, uma fam\u00edlia que encontramos sempre na ilha da Madeira.<\/p>\n<p>Cinco gera\u00e7\u00f5es acima, chegamos a Francisca de Viveiros, que nasceu no lugar de Po\u00e7o do Gil, em Machico, por volta do ano 1680.<\/p>\n<p>Francisca de Viveiros casou-se em 1703 com Manuel Fernandes e, atrav\u00e9s desse casamento, gerou uma sucess\u00e3o de descendentes que chega at\u00e9 Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Francisca n\u00e3o casou apenas uma vez: ter\u00e1 casado novamente, agora com Manuel Nunes. E esse outro casamento deu origem a toda uma outra sucess\u00e3o de descendentes.<\/p>\n<p>Esse ramo liga Gouveia e Melo ao madeirense mais famoso do mundo.<\/p>\n<p>Por via desse casamento, Francisca de Viveiros, que \u00e9 oitava av\u00f3 de Gouveia e Melo, \u00e9 tamb\u00e9m ascendente de outra figura bem conhecida dos portugueses, por duas vias: nona av\u00f3 por um ramo e s\u00e9tima av\u00f3 por outro.<\/p>\n<p>Isto porque dois dos filhos de Francisca de Viveiros no segundo casamento, Jos\u00e9 e Jo\u00e3o, s\u00e3o ascendentes de Cristiano Ronaldo, uma vez que algumas gera\u00e7\u00f5es depois, em 1914, houve um casamento entre dois primos afastados: Sofia Fernandes Ribeiro (descendente de Jos\u00e9) e Jos\u00e9 Nunes de Viveiros (descendente de Jo\u00e3o).<\/p>\n<p>Desse casamento nasceu Jos\u00e9 Nunes Viveiros, pai de Dolores Aveiro e av\u00f4 materno de Cristiano Ronaldo.<\/p>\n<p>Mas a \u00e1rvore geneal\u00f3gica de Henrique Gouveia e Melo conta muitas outras hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Reparemos, por exemplo, naquilo a que os genealogistas chamam \u201clinha feminina pura\u201d, que se encontra procurando a m\u00e3e da m\u00e3e e por a\u00ed em diante.<\/p>\n<p>Seguindo essa linha, chegamos at\u00e9 Rita Ang\u00e9lica, quinta av\u00f3 de Gouveia e Melo, nascida em Santar\u00e9m por volta do ano 1775. \u00c9 a antepassada mais recuada a que \u00e9 poss\u00edvel chegar atrav\u00e9s desta via.<\/p>\n<p>Rita Ang\u00e9lica casou-se por volta do ano 1800, em Santar\u00e9m, com Diogo da Silva, com quem teve v\u00e1rios filhos.<\/p>\n<p>Logo no princ\u00edpio do s\u00e9culo XIX, a fam\u00edlia mudou-se para Lisboa, onde nasceu uma das suas filhas, Maria Jos\u00e9 da Silva.<\/p>\n<p>Em Lisboa, Maria Jos\u00e9 da Silva casou-se com o pintor Lu\u00eds Jos\u00e9 de Lima. Entre os filhos deste casal contam-se Maria Am\u00e1lia da Silva de Lima, trisav\u00f3 de Gouveia e Melo\u2026<\/p>\n<p>\u2026mas tamb\u00e9m Casimiro Jos\u00e9 de Lima, que na juventude estudou desenho, pintura e escultura \u2014 e que come\u00e7ou a trabalhar como gravador na Casa da Moeda, institui\u00e7\u00e3o de que se tornaria diretor em 1906.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/casimiro-jose-de-lima.jpg\"\/><\/p>\n<p>Em 1862, Maria Am\u00e1lia casou-se com o estofador Ernesto Jos\u00e9 Alcobia, oriundo de uma fam\u00edlia com fortes liga\u00e7\u00f5es \u00e0 m\u00fasica.<\/p>\n<p>O seu pai, por exemplo, era o violinista Jos\u00e9 Maria Alcobia, que a dada altura chefiou a orquestra do Teatro D. Maria II, enquanto o seu av\u00f4 era o cantor bar\u00edtono Francisco Jos\u00e9 Alcobia.<\/p>\n<p>Do casamento entre Maria Am\u00e1lia e Ernesto nasceu, em 1873, Gertrudes Laura de Lima Pereira \u2014 que casou aos 25 anos com Isidro Soares da Silva Pereira. Estes foram os bisav\u00f3s do almirante.<\/p>\n<p>Desta rela\u00e7\u00e3o, nasceria Maria Gabriela Alcobia Soares da Silva Pereira \u2014 a av\u00f3 de Gouveia e Melo, que se viria a casar com o oficial da Marinha Mercante Eduardo Passal\u00e1qua, av\u00f4 do almirante.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 dois ramos da \u00e1rvore geneal\u00f3gica de Gouveia e Melo que vale a pena explorar: os que lhe trouxeram os dois apelidos pelos quais o conhecemos.<\/p>\n<p>Neste ramo, \u00e9 poss\u00edvel recuar quase 400 anos, at\u00e9 meados do s\u00e9culo XVII, e viajar at\u00e9 Paranhos da Beira, em Seia, para encontrar Jo\u00e3o Ferr\u00e3o de Gouveia, oitavo av\u00f4 do almirante.<\/p>\n<p>Os registos mostram que Jo\u00e3o Ferr\u00e3o de Gouveia se casou em 1677, em Paranhos da Beira, com Ana \u00c1lvares.<\/p>\n<p>Esta fam\u00edlia manteve-se naquela freguesia durante tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A neta daquele casal, D. Paula Maria de S\u00e3o Pedro e Gouveia, ainda nascida em Seia, vai mudar-se para Mort\u00e1gua, na sequ\u00eancia do seu casamento com Manuel Ferreira Frias, natural de Santa Comba D\u00e3o e estabelecido naquela vila.<\/p>\n<p>Manuel Ferreira Frias chegou a ser Capit\u00e3o-Mor de Mort\u00e1gua \u2014 ou seja, o principal respons\u00e1vel militar da povoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deste casamento nasceu, em 1754, Jo\u00e3o Ferreira de Frias e Gouveia. Bacharel em C\u00e2nones (estudos de Direito Can\u00f3nico, que antecederam os atuais cursos de Direito) pela Universidade de Coimbra, Jo\u00e3o seria, tal como o seu pai, Capit\u00e3o-Mor de Mort\u00e1gua.<\/p>\n<p>Foi nesta gera\u00e7\u00e3o que a fam\u00edlia ganhou estatuto de nobreza: em 1792, a Rainha D. Maria I concedeu a Jo\u00e3o Ferreira de Frias e Gouveia a carta de bras\u00e3o de armas para as fam\u00edlias Frias e Gouveia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/carta-dona-maria-i.jpg\"\/><\/p>\n<p>Nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, a fam\u00edlia Gouveia mant\u00e9m-se em Mort\u00e1gua \u2014 concretamente no lugar do Barril.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Ferreira de Frias e Gouveia casou-se em 1793 com D. Maria M\u00e1xima de Carvalho e Sousa, natural de Arganil.<\/p>\n<p>Tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es depois, encontramos uma trineta deste casal: Maria S\u00e2ncia de Gouveia Henriques Gomes, nascida ainda no lugar do Barril, em Mort\u00e1gua.<\/p>\n<p>Trata-se da av\u00f3 paterna do almirante. Casou-se com \u00c1lvaro de Melo Borges, natural de Viseu \u2014 e foi este casamento que deu origem \u00e0 jun\u00e7\u00e3o dos dois apelidos (Gouveia e Melo) pelos quais conhecemos o candidato.<\/p>\n<p>Mas, antes de explorar o ramo dos Melos, vale a pena voltar a subir no ramo dos Gouveias e regressar ao casamento de Jo\u00e3o Ferreira de Frias e Gouveia com D. Maria M\u00e1xima de Carvalho e Sousa.<\/p>\n<p>Olhando para os antepassados de D. Maria M\u00e1xima, \u00e9 poss\u00edvel subir v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es \u2014 numa fam\u00edlia que se manteve sempre em Arganil \u2014 at\u00e9 encontrar os seus bisav\u00f3s, Maria das Neves e Sim\u00e3o das Neves, nascidos no final do s\u00e9culo XVII naquela povoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Maria e Sim\u00e3o tiveram uma filha, Maria das Neves, que nasceu por volta de 1720 e que \u00e9 s\u00e9tima av\u00f3 de Henrique Gouveia e Melo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, aquele casal teve mais filhos. Outra filha, Bebiana das Neves, nascida por volta do ano 1725, deu origem a todo um outro ramo familiar.<\/p>\n<p>Durante cinco gera\u00e7\u00f5es, os descendentes de Bebiana das Neves mantiveram-se em Arganil.<\/p>\n<p>J\u00e1 no final do s\u00e9culo XIX, encontramos Joaquina Dias, tetraneta de Bebiana. Ainda nasceu em Arganil, mas mudou-se para Lisboa, onde se casou com Manuel Ferreira dos Santos.<\/p>\n<p>Os descendentes deste casal manter-se-iam na Grande Lisboa. Foi na capital que nasceu, em 1956, uma bisneta de Joaquina e Manuel: Ana Maria da Cruz Claro.<\/p>\n<p>Ana Maria casou-se em 1977 com Jo\u00e3o Manuel dos Santos Ventura, com quem teve um filho em 1983: Andr\u00e9 Ventura, l\u00edder do partido Chega e advers\u00e1rio de Gouveia e Melo nas presidenciais de 2026.<\/p>\n<p>Esta \u00e1rvore comum a Gouveia e Melo e a Ventura revela ainda uma outra liga\u00e7\u00e3o familiar: ambos os candidatos s\u00e3o parentes, atrav\u00e9s de Sim\u00e3o das Neves, do pol\u00edtico e historiador dos s\u00e9culos XVIII e XIX Jos\u00e9 Ac\u00farsio das Neves, destacado miguelista que morreu na zona de Arganil durante a guerra entre absolutistas e liberais.<\/p>\n<p>Falta ainda explorar a origem do apelido Melo, que chegou ao almirante pelo av\u00f4 paterno.<\/p>\n<p>Neste caso, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel recuar at\u00e9 \u00e0 primeira metade do s\u00e9culo XVII para encontrar a mais antiga antepassada de Gouveia e Melo com este apelido: Maria do Amaral e Melo, nascida por volta de 1645 na freguesia de Cunha Alta, em Mangualde.<\/p>\n<p>Maria do Amaral e Melo casou-se com Jer\u00f3nimo do Amaral Gouveia \u2014 mera coincid\u00eancia, j\u00e1 que este Gouveia n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o apelido que h\u00e1 de chegar ao almirante.<\/p>\n<p>A filha deste casal, Mariana Micaela de Melo, casou-se com o juiz Miguel Borges Tavares de Castro, com quem teve uma filha, Rosa Lu\u00edsa de Melo Borges e Castro.<\/p>\n<p>O apelido continuou a ser transmitido por via feminina para a filha de Rosa Lu\u00edsa com Lu\u00eds Xavier de Azevedo: Mariana Vit\u00f3ria de Melo Borges e Castro, nascida em 1737 j\u00e1 em Carregal do Sal.<\/p>\n<p>Mariana Vit\u00f3ria casou-se com Jos\u00e9 de Almeida Loureiro, com quem teve uma filha em 1776: D. Ana de Melo Borges e Castro.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1813, D. Ana de Melo Borges e Castro teve uma filha de pai desconhecido. A crian\u00e7a foi deixada na chamada \u201croda dos expostos\u201d em Tondela, um antigo sistema para abandonar filhos e os deixar ao cuidado de institui\u00e7\u00f5es de caridade ou da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/ana-amalia.jpg\"\/><\/p>\n<p>Esta filha, D. Ana Am\u00e1lia de Melo Borges e Castro, foi batizada em Tondela \u2014 onde viria, mais tarde, a conhecer o j\u00e1 referido Leandro Vieira da Silva, com quem se casou e de quem teve um filho, Ant\u00f3nio de Melo Borges e Castro.<\/p>\n<p>Do casamento de Ant\u00f3nio de Melo Borges e Castro com Gracinda Augusta Pais Soares, natural de Silgueiros, em Viseu, viria a nascer em 1876 o av\u00f4 paterno de Gouveia e Melo, \u00c1lvaro de Melo Borges. \u00c1lvaro ainda chegou a ser registado como filho de pai inc\u00f3gnito, mas foi depois reconhecido pelo seu pai.<\/p>\n<p>Vale tamb\u00e9m a pena determo-nos nos bisav\u00f3s de Gouveia e Melo: j\u00e1 conhecemos os ascendentes de Ant\u00f3nio de Melo Borges e Castros, mas os de Gracinda Augusta Pais Soares levam-nos a outra rela\u00e7\u00e3o familiar curiosa.<\/p>\n<p>Gracinda nasceu por volta de 1850 na freguesia de Silgueiros, em Viseu.<\/p>\n<p>Subindo pela \u00e1rvore dos seus antepassados, sempre naquela freguesia, chegamos ao seu trisav\u00f4 Manuel Fernandes, um padre nascido por volta de 1705 que teve uma rela\u00e7\u00e3o com Joana de Figueiredo.<\/p>\n<p>Este sacerdote era filho de Manuel Fernandes e de Maria Louren\u00e7a, ambos nascidos no final do s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>O casal teve outros filhos al\u00e9m do sacerdote, incluindo Francisco Fernandes de Figueiredo. Os descendentes deste irm\u00e3o do padre Manuel formam todo um novo ramo familiar.<\/p>\n<p>Francisco casou-se em abril de 1755 com Maria Louren\u00e7a, de quem teve uma filha, igualmente chamada Maria Louren\u00e7a.<\/p>\n<p>Maria Louren\u00e7a, por seu turno, casou-se em 1782, em Silgueiros, Viseu, com Lu\u00eds de Figueiredo.<\/p>\n<p>Os dois elementos deste casal s\u00e3o, na verdade, os sextos av\u00f3s de Jo\u00e3o Cotrim de Figueiredo, antigo l\u00edder da Iniciativa Liberal e advers\u00e1rio de Gouveia e Melo nas presidenciais.<\/p>\n<p>Foi, ali\u00e1s, do seu sexto av\u00f4 Lu\u00eds que o liberal recebeu o apelido Figueiredo \u2014 transmitido ao longo de cinco gera\u00e7\u00f5es sempre por via paterna.<\/p>\n<p>Mas a bisav\u00f3 Gracinda de Henrique Gouveia e Melo ainda nos permite chegar a outra rela\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>Subindo pela \u00e1rvore familiar de Gracinda, chegamos a outros ascendentes nascidos no s\u00e9culo XVII: Manuel Pais, conhecido por \u201co Panage\u201d, e Euf\u00e9mia Francisca, s\u00e9timos av\u00f3s do almirante.<\/p>\n<p>A partir destes antepassados \u00e9 poss\u00edvel ligar uma segunda vez Henrique Gouveia e Melo e o seu advers\u00e1rio Andr\u00e9 Ventura \u2014 desta vez pela via paterna do l\u00edder do Chega.<\/p>\n<p>A \u00e1rvore geneal\u00f3gica de Henrique Gouveia e Melo tra\u00e7ada pela Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Genealogia mostra exatamente 100 ascendentes do almirante, que agora se candidata \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Nessa lista, encontramos um general e pioneiro do Espiritismo, um italiano que viajou de G\u00e9nova at\u00e9 \u00e0 ilha da Madeira e se tornou tesoureiro da alf\u00e2ndega do Funchal, um violinista que liderou a orquestra do Teatro D. Maria II e antepassados que revelam primos c\u00e9lebres como Cristiano Ronaldo e os seus advers\u00e1rios Jo\u00e3o Cotrim de Figueiredo e Andr\u00e9 Ventura.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o a estes primos surpreendeu o pr\u00f3prio Gouveia e Melo \u2014 sobretudo, a rela\u00e7\u00e3o familiar com o l\u00edder do Chega, que se faz por duas vias distintas. Em 2026, haver\u00e1 uma segunda volta entre primos? Gouveia e Melo n\u00e3o arrisca previs\u00f5es. \u201cSe for esse o desejo dos portugueses.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Exclusivo assinantes: Ofere\u00e7a artigos aos seus amigos. 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