{"id":174114,"date":"2025-12-03T11:53:09","date_gmt":"2025-12-03T11:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/174114\/"},"modified":"2025-12-03T11:53:09","modified_gmt":"2025-12-03T11:53:09","slug":"conchas-da-catalunha-entre-os-instrumentos-musicais-mais-antigos-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/174114\/","title":{"rendered":"Conchas da Catalunha entre os instrumentos musicais mais antigos do mundo"},"content":{"rendered":"<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"inread\">A capacidade sonora destas conchas pode oferecer novas pistas sobre o modo de vida das comunidades que habitaram o nordeste da Espanha h\u00e1 cerca de seis mil\u00e9nios. Contudo, o seu uso estende-se tamb\u00e9m \u00e0 hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<p>Segundo o jornal brit\u00e2nico &#8220;The Guardian&#8221;, Miquel L\u00f3pez Garc\u00eda, hoje arque\u00f3logo, music\u00f3logo e trompetista profissional, recorda-se de ouvir, em crian\u00e7a, uma concha guardada na casa de banho da fam\u00edlia, em Almer\u00eda, soprada para alertar os vizinhos sobre a subida repentina dos rios e o risco de inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As horas que passou a tentar reproduzir aquele &#8220;som caracteristicamente potente&#8221; acabaram por ganhar novo sentido no ano passado, quando testou oito trompetes pr\u00e9-hist\u00f3ricos feitos de concha. Para L\u00f3pez Garc\u00eda, as diferen\u00e7as de timbre entre elas podem ajudar a compreender a presen\u00e7a humana na regi\u00e3o h\u00e1 seis mil anos.<\/p>\n<p>Instrumentos musicais e formas de comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro1\">Num artigo assinado com a investigadora Margarita D\u00edaz-Andreu, da Universidade de Barcelona, os investigadores defendem que 12 trompetes de concha, datados entre o final do quinto e o in\u00edcio do quarto mil\u00e9nio a.C., podem ter servido como instrumentos musicais rudimentares e como meios de comunica\u00e7\u00e3o a longa dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Alguns ind\u00edcios que os levaram a estas conclus\u00f5es foram o facto de que os carac\u00f3is marinhos j\u00e1 estavam mortos quando as conchas foram apanhadas, o que exclui a utiliza\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria, e a remo\u00e7\u00e3o da ponta afiada evidencia que foram modificadas propositadamente para produzir som.<\/p>\n<p>Para testar a hip\u00f3tese, os investigadores realizaram experi\u00eancias ac\u00fasticas com as oito conchas ainda intactas. Em novembro de 2024, L\u00f3pez Garc\u00eda conseguiu extrair delas um &#8220;tom realmente poderoso e est\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro2\">&#8220;\u00c9 incr\u00edvel obter um som t\u00e3o reconhec\u00edvel a partir de um objeto t\u00e3o simples, \u00e9 apenas um corpo animal ligeiramente modificado. O instrumento mais pr\u00f3ximo, em termos de timbre, \u00e9 a trompa francesa&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A dupla procurou tamb\u00e9m avaliar o potencial musical das conchas para al\u00e9m das notas isoladas. &#8220;Quer\u00edamos perceber se havia espa\u00e7o para improvisa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o sonora&#8221;, explicou o music\u00f3logo. &#8220;Grav\u00e1mos pequenos improvisos e descobrimos que, variando a t\u00e9cnica, pod\u00edamos alterar o tom e at\u00e9 as notas.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das tecnologias sonoras mais antigas<\/p>\n<p>&#8220;Estes s\u00e3o provavelmente dos primeiros instrumentos conhecidos na hist\u00f3ria da humanidade&#8221;, acrescentou L\u00f3pez Garc\u00eda. &#8220;Funcionam com a vibra\u00e7\u00e3o dos l\u00e1bios, tal como os instrumentos de metal modernos e podem ser considerados seus antepassados diretos.&#8221;<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro3\">O estudo, <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/antiquity\/article\/signalling-and-musicmaking-interpreting-the-neolithic-shell-trumpets-of-catalonia-spain\/84EE0A2A9B8C1C11E1C6476A4F191E01\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">publicado na revista &#8220;Antiquity&#8221;<\/a>, sugere ainda que os objetos teriam servido como ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o entre povoados ou entre estes e trabalhadores que se encontravam na paisagem agr\u00edcola circundante.<\/p>\n<p>Para L\u00f3pez Garc\u00eda, trata-se de uma tecnologia sonora extremamente antiga. A concha mais remota com constru\u00e7\u00e3o semelhante foi encontrada na gruta de Marsoulas, no sul de Fran\u00e7a. &#8220;Isto significa que instrumentos quase id\u00eanticos foram usados desde h\u00e1 18 mil anos at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, quando a minha pr\u00f3pria fam\u00edlia ainda soprava a sua concha em Almer\u00eda.&#8221;<\/p>\n<p>As descobertas, acrescenta, motivam uma reflex\u00e3o mais ampla sobre as ra\u00edzes da musicalidade humana. &#8220;Estes trompetes de concha fazem-nos pensar sobre como e por que come\u00e7\u00e1mos a fazer m\u00fasica. Foi uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, como defendem algumas teorias sobre a evolu\u00e7\u00e3o musical? Ou ter\u00e1 sido por necessidades igualmente humanas: expressarmo-nos, criar la\u00e7os, mostrar afeto dentro de um grupo?&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A capacidade sonora destas conchas pode oferecer novas pistas sobre o modo de vida das comunidades que habitaram&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":174115,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[3440,109,107,108,62,150,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-174114","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-antropologia","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-mundo","13":"tag-musica","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-science","17":"tag-science-and-technology","18":"tag-scienceandtechnology","19":"tag-technology","20":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115655501602603074","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=174114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174114\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/174115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=174114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=174114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=174114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}