{"id":174607,"date":"2025-12-03T21:00:17","date_gmt":"2025-12-03T21:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/174607\/"},"modified":"2025-12-03T21:00:17","modified_gmt":"2025-12-03T21:00:17","slug":"o-strava-e-o-novo-tinder-os-run-clubs-ajudam-a-geracao-z-a-fazer-amigos-geracao-z","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/174607\/","title":{"rendered":"\u201cO Strava \u00e9 o novo Tinder.\u201d Os run clubs ajudam a gera\u00e7\u00e3o Z a fazer amigos | Gera\u00e7\u00e3o Z"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o dez da manh\u00e3 e o frio faz-se sentir na baixa do Porto. O ponto de encontro \u00e9 a Pra\u00e7a D. Jo\u00e3o I, onde Victoria Palmieri e Diogo Castro est\u00e3o \u00e0 espera de mais de cem pessoas com sapatilhas de corrida. Desta vez, s\u00e3o eles que v\u00e3o guiar uma corrida de cinco quil\u00f3metros pelo centro do Porto.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/porto.canrunclub\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Can Run Club<\/a>, destinado a jovens dos 18 aos 35 anos, come\u00e7ou em 2023. Matilde Santos corria h\u00e1 pouco mais de dois meses quando o criou, sem saber o que esperar. \u201cSabia s\u00f3 que n\u00e3o queria correr sozinha\u201d, diz. Dois anos depois, a comunidade que criou no Telegram conta com mais de 2000 pessoas. As corridas, que acontecem todos os s\u00e1bados \u00e0s 10h30, juntam entre 100 e 200 pessoas \u2014 o recorde foram 300. No final, h\u00e1 um momento de socializa\u00e7\u00e3o, que Mia, como \u00e9 conhecida, acha \u201ct\u00e3o importante para a sa\u00fade como a corrida\u201d.<\/p>\n<p>Os participantes v\u00e3o chegando sozinhos e em duplas. Pelas 10h20, chegam Joana e C\u00e1tia. As jovens, de 27 e 26 anos, vieram de F\u00e1tima para passar o fim-de-semana no Porto. \u201cMal marc\u00e1mos a viagem dissemos logo que t\u00ednhamos de vir\u201d, conta C\u00e1tia. J\u00e1 costumam correr em grupo em F\u00e1tima e Leiria, \u201cmas nada com esta dimens\u00e3o\u201d. Descobriram o Can Run Club atrav\u00e9s do Tiktok, o que Mia diz ser o mais comum. O v\u00eddeo da primeira corrida alcan\u00e7ou mais de 35 mil visualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Percurso da corrida do Can Run Club do dia 29 de Novembro de 2025&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>Durante os primeiros minutos a timidez mant\u00e9m as pessoas separadas por pequenos grupos, mas quando come\u00e7a o aquecimento em conjunto j\u00e1 se ouvem as primeiras interac\u00e7\u00f5es. \u201cOl\u00e1, \u00e9 a primeira vez que vens?\u201d e \u201cj\u00e1 n\u00e3o te via h\u00e1 imenso tempo!\u201d s\u00e3o os principais quebra-gelos. O ingl\u00eas e o portugu\u00eas misturam-se entre os participantes, sendo que &#8220;h\u00e1 sempre muitos estrangeiros que est\u00e3o de passagem por c\u00e1 e aparecem&#8221;, diz Diogo. Os membros do staff volunt\u00e1rios d\u00e3o especial aten\u00e7\u00e3o aos que chegam sozinhos.<\/p>\n<p>A corrida pela baixa do Porto \u00e9 \u201ca mais desafiante\u201d e acontece uma vez por m\u00eas. H\u00e1 quatro grupos, do mais r\u00e1pido para o mais lento: 5min\/km; 5,30; 6 e 6,30.<\/p>\n<p>O grupo mais lento \u00e9 o \u00faltimo a arrancar, pelas 11h da manh\u00e3. S\u00e3o cerca de 15 pessoas a correr a este ritmo, algumas pela primeira vez. Perto da Trindade, param \u00e0 espera de uma parte do grupo, que intercalou corrida e caminhada. \u201cBoa, est\u00e1s a ir bem\u201d, diz a guia Solange Sampaio \u00e0 jovem que chegou por \u00faltimo. Uma das participantes quer motivar uma iniciante a voltar: &#8220;Esta corrida \u00e9 a mais dif\u00edcil, vais ver que em Matosinhos fazes tranquilamente&#8221;, garante.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n            &#13;<br \/>\n            &#13;<br \/>\n                Os membros do staff do Can Run Club orientam o aquecimento na Pra\u00e7a dom Jo\u00e3o I&#13;<br \/>\nNelson Garrido            &#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n<p><b>Uma forma &#8220;mais org\u00e2nica&#8221; de conhecer pessoas<\/b><\/p>\n<p>O objectivo de um run club \u00e9, claro, correr, cuidar da sa\u00fade, e at\u00e9 treinar para maratonas. Mas n\u00e3o s\u00f3. Cada vez mais os clubes de corrida s\u00e3o um uma ocasi\u00e3o para fazer amigos. Por vezes, s\u00e3o um primeiro encontro. Victoria Palmieri diz entre risos que \u201co Strava [aplica\u00e7\u00e3o onde se registam corridas] \u00e9 o novo Tinder\u201d. \u201cJ\u00e1 recebi algumas mensagens por l\u00e1.\u201d A arquitecta brasileira, 27 anos, juntou-se ao Can Run Club em 2023, tamb\u00e9m depois de ver um v\u00eddeo no TikTok. \u201cJ\u00e1 fomos viajar juntos, treinamos juntos e fazemos jantares\u201d, conta. Tornou-se membro do staff para \u201cretribuir a esta comunidade\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 surpreendente que estes grupos surjam como forma de conhecer pessoas com interesses semelhantes, num momento em que a frustra\u00e7\u00e3o com as aplica\u00e7\u00f5es de encontros \u00e9 crescente. Um <a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/health\/dating\/dating-app-fatigue\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo da Forbes <\/a>de Maio de 2025 revelou que 78% dos utilizadores sentem \u201cburnout de aplica\u00e7\u00f5es de encontros\u201d, sendo que esse sentimento \u00e9 mais frequente nas mulheres do que nos homens.<\/p>\n<p>Maria Rita Silva come\u00e7ou a correr em grupo no Porto em 2024 e foi aqui que conheceu o namorado. Com 31 anos, admite que \u201cdepois de come\u00e7ar a trabalhar pode ser dif\u00edcil conhecer pessoas\u201d. \u201cEu n\u00e3o sou nada de aplica\u00e7\u00f5es de encontros, por isso achei que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/05\/23\/p3\/noticia\/honestidade-menos-ghosting-geracao-z-mudar-relacionamentos-2050761\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">isto seria uma boa ideia<\/a>\u201d, conta ao P3. &#8220;Aqui aconteceu tudo naturalmente, \u00e9 mais org\u00e2nico porque \u00e0 partida j\u00e1 temos algo em comum&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Em 2023, a Archer, uma aplica\u00e7\u00e3o de encontros, desenvolveu um estudo de mercado sobre como a gera\u00e7\u00e3o Z v\u00ea as rela\u00e7\u00f5es. Um dos l\u00edderes da marca, Marcus Lofthouse, disse que \u201ca <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/06\/29\/p3\/reportagem\/geracao-z-namora-moda-antiga-sera-futuro-aplicacoes-encontros-2054883\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">gera\u00e7\u00e3o Z <\/a>namora de uma forma mais parecida \u00e0 dos nossos pais\u201d.<\/p>\n<p>Em Portugal, os clubes de corrida existem h\u00e1 v\u00e1rios anos e com prop\u00f3sitos e grupos muito diferentes.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Corrida Can Run Club na baixa do Porto&#13;<br \/>\nNelson Garrido                    &#13;<\/p>\n<p>O Miles and Vibes est\u00e1 por todo o pa\u00eds e \u201ctem um car\u00e1cter mais competitivo, as pessoas v\u00eam mesmo treinar\u201d, explica a fundadora Beatriz Moura. O Miles funciona de formas diferentes em todas as cidades, h\u00e1 um respons\u00e1vel para cada grupo e a frequ\u00eancia depende tamb\u00e9m da procura. No Porto e em Lisboa h\u00e1 corridas quase todos os dias, incluindo treinos de s\u00e9ries onde a corrida \u00e9 levada mais a s\u00e9rio, conta Beatriz, para quem organizar o clube \u00e9 \u201cs\u00f3 um passatempo, uma paix\u00e3o, por enquanto\u201d.<\/p>\n<p>\u200bO Can Run Club tem v\u00e1rias parcerias e um patroc\u00ednio. A corrida a que o P3 se juntou \u00e9 apoiada por uma marca de gelados, que oferece uma bola a todos os participantes. Matilde Santos, psic\u00f3loga, despediu-se do emprego na C\u00e2mara Municipal do Porto para se dedicar ao clube. \u201cEu nunca pensei que isto fosse crescer tanto, na primeira vez apareceram tr\u00eas pessoas e eu j\u00e1 achei um sucesso\u201d, confessa.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade e o desporto s\u00e3o uma prioridade para os jovens da gera\u00e7\u00e3o Z. Um estudo deste ano, desenvolvido pela maior cadeia de gin\u00e1sios brit\u00e2nica, revelou que <a href=\"https:\/\/www.tggplc.com\/news-and-media\/press-releases\/fitness-tops-gen-z-spending-priorities-as-working-out-fuels-productivity-and-well-being\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">44% dos jovens da gen Z <\/a>p\u00f5em a actividade f\u00edsica em primeiro ou segundo lugar na lista de prioridades.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Em Portugal, os dados n\u00e3o mostram um interesse t\u00e3o grande pelo desporto. Segundo o <a href=\"https:\/\/apptiva.ipdj.gov.pt\/campanha\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">IPDJ<\/a>, 73% dos portugueses afirmam nunca praticar exerc\u00edcio f\u00edsico. Mas Mia Santos e Beatriz Moura dizem que esta preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade pode ser \u201cexcessiva e gerar objectivos irrealistas\u201d. A jovem psic\u00f3loga considera que \u00e9 &#8220;uma tend\u00eancia promovida em grande parte pelas redes sociais&#8221;, e encara essa realidade com preocupa\u00e7\u00e3o. Beatriz Moura alerta para a necessidade de ouvir o corpo e n\u00e3o ter pressa. \u201cEu estou sempre a avisar que t\u00eam de ir com calma, que n\u00e3o podem exagerar nos treinos, porque as les\u00f5es aparecem.\u201d<\/p>\n<p>De volta ao The Social Hub, no fim da corrida e com um copo de gelado na m\u00e3o, os participantes parecem conhecer-se h\u00e1 bem mais do que duas horas. Falam sobre o qu\u00e3o dif\u00edcil foi o percurso, os ritmos que conseguiram, se voltar\u00e3o. Trocam n\u00fameros e perfis no Strava. Depois, \u00e9 um passo de cada vez. Vicky lembra-se de como aconteceu tudo de forma natural: &#8220;De repente, os meus amigos mais pr\u00f3ximos eram todos do run club&#8221;.<\/p>\n<p>            <script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"S\u00e3o dez da manh\u00e3 e o frio faz-se sentir na baixa do Porto. 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