{"id":175194,"date":"2025-12-04T10:35:13","date_gmt":"2025-12-04T10:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/175194\/"},"modified":"2025-12-04T10:35:13","modified_gmt":"2025-12-04T10:35:13","slug":"o-discurso-de-odio-e-o-medo-dos-pobres-reduz-a-capacidade-de-combater-a-pobreza-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/175194\/","title":{"rendered":"\u201cO discurso de \u00f3dio e o medo dos pobres reduz a capacidade de combater a pobreza\u201d | Entrevista"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza em Portugal e Elizabeth Santos, do Observat\u00f3rio da Luta Contra a Pobreza da Rede Europeia Anti-Pobreza, n\u00e3o acredita numa melhoria. A soci\u00f3loga destaca que o custo da habita\u00e7\u00e3o est\u00e1 a empurrar fam\u00edlias para situa\u00e7\u00f5es limite, entende que o Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o (RSI) deve ser melhorado, e alerta para os riscos do discurso populista, que alimenta a a aporofobia \u2014 preconceito em rela\u00e7\u00e3o aos pobres \u2014 e reduz a capacidade de combater a pobreza.<\/p>\n<p><strong>Em 2024, a taxa de pobreza foi de 19,7%, o valor mais baixo desde 2015, mas a taxa de pobreza nos idosos era de 21,1%. Neste m\u00eas de Dezembro, o INE [<\/strong><strong>Instituto Nacional de Estat\u00edstica] <\/strong><strong>ir\u00e1 actualizar os dados, mas qual \u00e9 a sua percep\u00e7\u00e3o da realidade actual?<\/strong><br \/>De facto, os idosos s\u00e3o um dos grupos com maior risco de pobreza e mais vulner\u00e1vel, n\u00e3o s\u00f3 na dimens\u00e3o humanit\u00e1ria por causa das baixas presta\u00e7\u00f5es sociais, mas noutras que n\u00e3o s\u00e3o analisadas pelos dados estat\u00edsticos, desde o isolamento \u00e0 dificuldade no acesso a servi\u00e7os essenciais como a sa\u00fade. N\u00e3o acredito que a tend\u00eancia nas condi\u00e7\u00f5es de vida seja de melhoria, apesar de ter havido um aumento, introduzido pelo Governo, do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/05\/09\/sociedade\/noticia\/aumento-tecto-complemento-solidario-abrange-22500-idosos-estima-governo-2089911\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Complemento Solid\u00e1rio para Idosos<\/a> (CSI). N\u00e3o acredito que seja suficiente para retirar estatisticamente da pobreza, mas foi um aumento importante, e houve acesso a outros bens, nomeadamente ao n\u00edvel dos <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/05\/08\/sociedade\/noticia\/beneficiarios-complemento-solidario-idosos-vao-medicamentos-gratuitos-2089657\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">medicamentos<\/a>.<\/p>\n<p><strong>O actual Presidente da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu sentir-se frustrado perante os n\u00fameros da pobreza. Partilha tamb\u00e9m deste sentimento?<\/strong><br \/>Sem d\u00favida nenhuma. Os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/07\/local\/noticia\/crise-habitacao-fez-aumentar-numero-semabrigo-amadora-loures-2153805\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">custos da habita\u00e7\u00e3o<\/a> est\u00e3o a levar a que pessoas, que at\u00e9 a\u00ed n\u00e3o estavam em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo, entrem em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, inclusive, segundo not\u00edcias, fam\u00edlias com crian\u00e7as. O risco de pobreza tem vindo a diminuir, de acordo com os dados at\u00e9 ao ano passado, mas quando deduzimos o custo da habita\u00e7\u00e3o esse risco aumenta. As pessoas com custos com a habita\u00e7\u00e3o t\u00eam estado com um constrangimento or\u00e7amental muito maior. H\u00e1 o problema dos <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/01\/local\/noticia\/associacao-semabrigo-sonhou-faz-dez-anos-continua-abracar-porto-2152922\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sem-abrigo<\/a>, que t\u00eam vindo a aumentar, e isso \u00e9 extremamente grave, porque sair da condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que prevenir estas condi\u00e7\u00f5es, e o impacto social \u00e9 tamb\u00e9m muito maior. Mas [mesmo] as pessoas que n\u00e3o est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de grande complexidade. Uma das quest\u00f5es \u00e9 a priva\u00e7\u00e3o material e social severa. Dentro dessa priva\u00e7\u00e3o h\u00e1 v\u00e1rios itens e um deles \u00e9 o da alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma propor\u00e7\u00e3o pequena da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o consegue comer carne ou peixe de dois em dois dias, mas onde houve maior aumento foi em fam\u00edlias com crian\u00e7as, e obviamente que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/17\/sociedade\/noticia\/vejome-neste-papel-pobre-2151104\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o<\/a> pode ter aqui um impacto importante.<\/p>\n<p><strong>E ao Presidente, o que lhe diria para transformar essa frustra\u00e7\u00e3o em ac\u00e7\u00f5es concretas?<\/strong><br \/>Que, de facto, temos que trabalhar as pol\u00edticas como um todo porque n\u00e3o s\u00e3o problemas sectoriais, s\u00e3o problemas que impactam diferentes dimens\u00f5es. A habita\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser trabalhada isoladamente. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um combate pol\u00edtico, \u00e9 tamb\u00e9m um combate social. E \u00e9 importante que o Presidente traga esse debate, e esse combate, para a sociedade.<\/p>\n<p><strong>Estamos em per\u00edodo de pr\u00e9-campanha para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Considera que tem havido um debate profundo sobre as condi\u00e7\u00f5es de pobreza em que dois milh\u00f5es de portugueses vivem?<\/strong><br \/>N\u00e3o. Falamos muito pouco de pobreza e falamos muito pouco de pobreza de forma consciente e informada. Falamos muito de pobreza e o debate sobre a pobreza tem surgido, mas muito atr\u00e1s de um discurso populista que vem refor\u00e7ar preconceitos que existem sobre a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p><strong>E prejudicar o combate?<\/strong><br \/>Obviamente. Se temos uma sociedade que olha para a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza como uma popula\u00e7\u00e3o que prefere ser subsidiodependente, que n\u00e3o quer trabalhar, que \u00e9 marginal, n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es para a inser\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, porque um empres\u00e1rio n\u00e3o quer incluir nos seus quadros uma popula\u00e7\u00e3o desta. Por isso, a inclus\u00e3o social e os mecanismos de inclus\u00e3o social n\u00e3o podem estar separados do olhar que a sociedade tem sobre esta popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 essencial trabalhar a forma como a popula\u00e7\u00e3o apoia as medidas de combate \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Estamos constantemente na imin\u00eancia de crises e, se n\u00e3o tivermos uma sociedade resiliente a n\u00edvel de sal\u00e1rios e das presta\u00e7\u00f5es sociais, rapidamente aumentamos a pobreza na popula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p><strong>Que tipo de compromisso entende que deve haver por parte destes candidatos presidenciais, tanto para tentar diminuir como erradicar este problema?<\/strong><br \/>Deve haver um compromisso pol\u00edtico \u00e0 volta disto. Ou seja, termos entre os v\u00e1rios partidos uma vis\u00e3o mais informada e correcta do que \u00e9 a pobreza, quais s\u00e3o as causas, e tamb\u00e9m um compromisso de manter o combate \u00e0 pobreza, trabalhando nos sal\u00e1rios e na protec\u00e7\u00e3o social. Temos agora uma Estrat\u00e9gia Nacional de Combate \u00e0 Pobreza e haver\u00e1 um novo plano de ac\u00e7\u00e3o para 2026 a 2030. \u00c9 essencial que esse plano tenha um or\u00e7amento, coisa que o anterior n\u00e3o tinha. Esse compromisso \u00e9 essencial para haver financiamento, recursos e uma abordagem da pobreza que v\u00e1, de facto, \u00e0s suas causas. Estamos constantemente na imin\u00eancia de crises e, se n\u00e3o tivermos uma sociedade resiliente a n\u00edvel de sal\u00e1rios e das presta\u00e7\u00f5es sociais, rapidamente aumentamos a pobreza na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 falou do populismo e do mal que pode fazer ao combate \u00e0 pobreza. O discurso de \u00f3dio contribui para a menor solidariedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza?<\/strong><br \/>Sem d\u00favida nenhuma. O discurso de \u00f3dio, a aporofobia, que \u00e9 o medo das pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, \u00e9 um factor essencial para reduzir a capacidade de combater a pobreza. N\u00e3o temos dados, obviamente, mas [a aporofobia] tem vindo a aumentar no discurso pol\u00edtico, o que vem legitimar o discurso da sociedade e de v\u00e1rias classes sociais. A pr\u00f3pria \u00e1rea do combate \u00e0 pobreza, da inclus\u00e3o social, n\u00e3o \u00e9 imune a isto. Em per\u00edodos de crise, muitas vezes ouvimos, por parte inclusive de quem combate a pobreza, os discursos sobre os bons e os maus pobres.<\/p>\n<p><strong>Mas uma coisa \u00e9 o discurso de \u00f3dio, outra \u00e9 a aporofobia ou o medo dos pobres. Ou uma contribui para a outra?<\/strong><br \/>Uma contribui para a outra. Os dois discursos est\u00e3o juntos. As pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza falam da viol\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 em termos sociais, mas falam inclusive em termos institucionais, ou seja, a forma como s\u00e3o tratados quando v\u00e3o aos servi\u00e7os, quando est\u00e3o perante as institui\u00e7\u00f5es. Estas tamb\u00e9m s\u00e3o formas de viol\u00eancia que ocorrem junto das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p><strong>Na sua opini\u00e3o, o que explica que, mesmo com crescimento econ\u00f3mico e emprego em m\u00e1ximos, ainda tenhamos mais de dois milh\u00f5es de pessoas em risco de pobreza ou exclus\u00e3o social?<\/strong><br \/>O risco de pobreza tem vindo a diminuir por via do aumento dos sal\u00e1rios mais baixos e do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, e da redu\u00e7\u00e3o do desemprego. O emprego ajuda a reduzir a vulnerabilidade \u00e0 pobreza, mas n\u00e3o a resolve por si s\u00f3. Temos cerca de 9,2% dos trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e exclus\u00e3o social. O trabalho \u00e9 importante, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente quando a ele est\u00e1 associada uma precariedade laboral, quando n\u00e3o temos forma\u00e7\u00e3o para garantir que, perante altera\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho, as pessoas consigam manter-se noutras fun\u00e7\u00f5es, quando n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para conciliar a vida familiar e o trabalho, e quando n\u00e3o h\u00e1 acesso a protec\u00e7\u00e3o social. Somos o terceiro pa\u00eds que menos reduz a pobreza com as presta\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>O emprego ajuda a reduzir a vulnerabilidade \u00e0 pobreza, mas n\u00e3o a resolve por si s\u00f3. Temos cerca de 9,2% dos trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e exclus\u00e3o social<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p><strong>O RSI est\u00e1 nos 242,23 euros. Entende que esta presta\u00e7\u00e3o ainda cumpre a sua fun\u00e7\u00e3o, ou \u00e9 preciso rever a forma como \u00e9 calculada?<\/strong><br \/>\u00c9 preciso, sem d\u00favida nenhuma, fazer uma reavalia\u00e7\u00e3o, mas no sentido de a melhorar e n\u00e3o [para a] terminar. O RSI \u00e9 um mecanismo importante de combate \u00e0 pobreza, n\u00e3o s\u00f3 pelo valor, mas tamb\u00e9m pelo acompanhamento que deveria garantir. Agora, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/17\/sociedade\/noticia\/rede-antipobreza-pede-aumento-rsi-garantir-vida-digna-pobres-2151232\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">esse valor<\/a> est\u00e1 muito longe do limiar de pobreza. As v\u00e1rias presta\u00e7\u00f5es do sistema n\u00e3o contributivo s\u00e3o m\u00ednimos sociais que est\u00e3o muito abaixo do limiar de pobreza e n\u00e3o permitem retirar as pessoas da situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Isso significa que, em situa\u00e7\u00f5es de crise \u2014 seja desemprego, doen\u00e7a, div\u00f3rcio, seja em crise social, como pandemia, guerra \u2014, quando o mercado de trabalho falha, as pessoas entram imediatamente em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Por isso, \u00e9 essencial criarmos uma resili\u00eancia na sociedade a esses factores de crise para que n\u00e3o sejamos t\u00e3o vulner\u00e1veis, e somos dos pa\u00edses mais vulner\u00e1veis a esse n\u00edvel dentro da Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m j\u00e1 disse que o CSI, apesar do aumento, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente. <\/strong><strong>Qual seria o valor m\u00ednimo?<\/strong><br \/>Nunca sabemos, porque os dados est\u00e3o sempre atrasados dois anos. Quando se define o valor para um ano n\u00e3o sabemos qual vai ser o limiar. Por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o conv\u00e9m trabalhar para m\u00ednimos. Temos que trabalhar para garantir condi\u00e7\u00f5es dignas de vida, e isso passa por um aumento dos rendimentos, obviamente, mas tamb\u00e9m por trabalhar diferentes \u00e1reas que impactam a vida das pessoas: um <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/07\/sociedade\/noticia\/envelhecimento-acelerado-perfil-populacao-completamente-diferente-2144571\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">envelhecimento mais activo<\/a>, o combate ao idadismo, \u00e0 solid\u00e3o, garantir condi\u00e7\u00f5es de mobilidade para que as pessoas n\u00e3o fiquem limitadas no seu conv\u00edvio, garantir que as pessoas possam <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/09\/22\/sociedade\/noticia\/especialistas-defendem-apoio-domiciliario-pilar-politicas-envelhecimento-2147934\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">envelhecer nas suas pr\u00f3prias casas<\/a>. Isso vai para al\u00e9m do valor em si que o CSI poder\u00e1 garantir.<\/p>\n<p><strong>Em Portugal, as mulheres t\u00eam 14% mais probabilidade de estar em situa\u00e7\u00e3o de pobreza do que os homens. <\/strong><strong>Teme que algumas das propostas de altera\u00e7\u00e3o \u00e0 lei laboral possam empurrar mais trabalhadores para esta realidade?<\/strong><br \/>Sim. O risco de pobreza entre trabalhadores \u00e9 de 9,2%. Nas fam\u00edlias monoparentais ultrapassa os 20%. Ou seja, ter s\u00f3 um adulto num agregado com dependentes leva a que o rendimento seja insuficiente e aumenta o risco de pobreza. Normalmente, nas fam\u00edlias monoparentais est\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/17\/sociedade\/noticia\/retrato-trabalhadores-sociais-mulheres-envelhecidas-salarios-pobres-2150353\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mulheres<\/a>. Quando pensamos em mudar a flexibilidade do hor\u00e1rio [de trabalho], vamos fazer com que muitas dessas mulheres tenham que optar entre estar com os filhos ou manterem os seus trabalhos, porque n\u00e3o h\u00e1 respostas ao fim-de-semana nem em hor\u00e1rios nocturnos. H\u00e1 mudan\u00e7as que criam maior fragilidade, e essa fragilidade \u00e9 tanto maior conforme as fam\u00edlias s\u00e3o ou n\u00e3o monoparentais e se existe ou n\u00e3o uma rede de apoio que permita garantir condi\u00e7\u00f5es de concilia\u00e7\u00e3o entre a vida familiar e o mercado de trabalho.<\/p>\n<p><strong>As institui\u00e7\u00f5es sociais e de solidariedade t\u00eam sentido um aumento de press\u00e3o relativamente aos pedidos de ajuda, em particular da classe m\u00e9dia?<\/strong><br \/>Os pedidos de ajuda t\u00eam aumentado, inclusive de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/28\/sociedade\/noticia\/portugal-segundo-pais-ue-menor-percentagem-pessoas-incapazes-custear-refeicao-completa-2145241\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">apoio alimentar<\/a>. [As institui\u00e7\u00f5es] falam de novos perfis, mas normalmente abordam muito as quest\u00f5es dos imigrantes, popula\u00e7\u00f5es recentes que est\u00e3o a chegar com um novo perfil e com situa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m graves. Ali\u00e1s, se olharmos para os dados do ano passado, houve uma redu\u00e7\u00e3o em quase todos os grupos e houve aumento nos grupos mais vulner\u00e1veis, entre eles os trabalhadores imigrantes, a popula\u00e7\u00e3o extracomunit\u00e1ria e os desempregados. Foram tr\u00eas grupos em que o risco de pobreza aumentou, apesar de ter diminu\u00eddo nos outros grupos.<\/p>\n<p><strong>E as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam tido capacidade para responder a este aumento de pedidos?<\/strong><br \/>H\u00e1 uma dificuldade em atender todos os pedidos. Tentam atender, mas, \u00e0s vezes, aumentar o n\u00famero de apoios significa diminuir a quantidade que \u00e9 dada a cada fam\u00edlia, por isso, \u00e9 importante garantirmos tamb\u00e9m esta dimens\u00e3o da emerg\u00eancia social, que n\u00e3o \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o combate as causas, mas garante condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Entende que o Governo tem feito tudo o que pode ou tem faltado alguma coragem pol\u00edtica?<\/strong><br \/>Ainda \u00e9 preciso fazer mais. Como dizia, n\u00f3s temos uma Estrat\u00e9gia [Nacional] de Combate \u00e0 Pobreza, mas n\u00e3o temos financiamento. Temos medidas que s\u00e3o importantes, mas que muitas vezes s\u00e3o implementadas sem os recursos necess\u00e1rios. O RSI \u00e9 um exemplo de uma medida que poderia funcionar muito bem, e que tem em si diferentes dimens\u00f5es importantes para o combate \u00e0 pobreza, mas que depois falha porque o valor \u00e9 demasiadamente baixo, os recursos humanos associados n\u00e3o permitem um acompanhamento adequado, e porque n\u00e3o h\u00e1 respostas suficientes para encaminhar as pessoas para o que precisam. H\u00e1 uma aus\u00eancia de respostas, a habita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma delas, mas a sa\u00fade mental \u00e9 uma [outra] dimens\u00e3o que as organiza\u00e7\u00f5es abordam com muita preocupa\u00e7\u00e3o, e h\u00e1 uma aus\u00eancia de respostas que garantam que quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de pobreza possa, de facto, sair. E depois, culpabilizamos as pessoas por n\u00e3o sa\u00edrem, mas, no fundo, h\u00e1 uma dificuldade em fazer com que tenham acesso \u00e0quilo que \u00e9 necess\u00e1rio para ultrapassarem a situa\u00e7\u00e3o em que vivem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 dois milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza em Portugal e Elizabeth Santos, do Observat\u00f3rio da Luta&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":175195,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,18312,25,26,21,22,2623,12,13,19,20,8337,32,23,24,33,117,58,17,18,849,29,30,31],"class_list":{"0":"post-175194","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-hora-da-verdade","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-mulheres","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-pobreza","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-saude","29":"tag-sociedade","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-trabalho","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115660857230874993","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=175194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175194\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/175195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=175194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=175194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=175194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}