{"id":175395,"date":"2025-12-04T13:24:19","date_gmt":"2025-12-04T13:24:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/175395\/"},"modified":"2025-12-04T13:24:19","modified_gmt":"2025-12-04T13:24:19","slug":"aos-101-anos-a-mae-de-francisco-e-das-maiores-criticas-dos-vinhos-monte-da-penha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/175395\/","title":{"rendered":"Aos 101 anos, a m\u00e3e de Francisco \u00e9 das maiores cr\u00edticas dos vinhos Monte da Penha"},"content":{"rendered":"<p>Em Portalegre, mais precisamente na Serra de S\u00e3o Mamede, existe uma propriedade com 122 hectares, 22 dos quais de vinha, que d\u00e1 nome ao Monte da Penha, projeto familiar nas m\u00e3os de Francisco Fino. Apesar de j\u00e1 contar com 30 anos, a hist\u00f3ria \u00e9 bem mais longa.\u00a0<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando Joaquim da Cruz Baptista fundou a ic\u00f3nica Tapada do Chaves. De Joaquim o projeto passou para a filha, Gertrudes Baptista Fino, e, mais tarde, para o neto Francisco Fino, que deu continuidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e fundou o Monte da Penha. Apesar de ser formado em engenharia t\u00eaxtil, o saber de Francisco tornou-o um en\u00f3logo autodidata, que hoje em dia produz vinhos diferenciadores \u2013 seja pelo interior que reflete o terroir de Portalegre, seja pelos r\u00f3tulos.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o uma homenagem a Ver\u00f3nica Beja Fino, artista e matriarca da fam\u00edlia que faleceu h\u00e1 10 anos. A perda n\u00e3o foi f\u00e1cil, mas atrav\u00e9s do legado art\u00edstico que deixou tem sido poss\u00edvel honrar o trabalho da mulher de Francisco, que foi um dos pilares do projeto Monte da Penha.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 VERSA, Francisco Fino conta-nos a hist\u00f3ria dos vinhos produzidos no Monte da Penha, entre eles os novos Harvest, Terroir, Altitude, Gertrudes e Ver\u00f3nica, que j\u00e1 contaram com a colabora\u00e7\u00e3o da reconhecida en\u00f3loga Susana Esteban. Seja que vinho for, certo \u00e9 que nenhum passa para o mercado sem ter aprova\u00e7\u00e3o de uma das maiores cr\u00edticas dos vinhos do seu tempo: a Dona Gertrudes que, aos 101 anos, continua a provar os vinhos Monte da Penha.<\/p>\n<p><strong>O Monte da Penha \u00e9 uma hist\u00f3ria de fam\u00edlia com quase um s\u00e9culo. O que mant\u00e9m dos tempos do seu av\u00f4?<\/strong><\/p>\n<p>Mantemos o essencial do tempo do meu av\u00f4, que \u00e9 o respeito pela terra e as mesmas castas que ele escolheu. Toda a vinha que plant\u00e1mos em 1987 no Monte da Penha veio com varas da Tapada dos Chaves, mantendo as mesmas castas tanto no tinto, quanto no branco. Por exemplo, a Moreto e a Trincadeira das Pratas, que us\u00e1vamos para dar acidez natural ao vinho, continuam a ser parte da nossa identidade. No fundo, mantemos essa heran\u00e7a viva na forma como trabalhamos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>A Ver\u00f3nica teve um papel fundamental no projeto. Foi dif\u00edcil dar-lhe continuidade depois desta perda?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o foi f\u00e1cil, porque a Ver\u00f3nica era realmente um grande pilar do projeto. Decidimos que a melhor forma de honrar a mem\u00f3ria dela era continuar o projeto que constru\u00edmos juntos. Ent\u00e3o, \u00e9 isso que temos feito: dar continuidade a tudo o que ela come\u00e7ou e manter viva essa parte t\u00e3o importante do Monte da Penha.<\/p>\n<p><strong>O que representa ter as obras de Ver\u00f3nica agora impressas nos r\u00f3tulos?<\/strong><\/p>\n<p>Para n\u00f3s, isso tem um significado enorme, porque \u00e9 uma forma de manter vivas as mem\u00f3rias e tamb\u00e9m as suas obras. Al\u00e9m de ajudar a fam\u00edlia no Monte da Penha, ela adorava pintar aguarelas, sobretudo de motivos bot\u00e2nicos. Ela fez v\u00e1rios cursos e essa era uma das suas grandes paix\u00f5es. Ent\u00e3o, aproveitar essas obras e traz\u00ea-las para os r\u00f3tulos foi uma maneira de ligar a natureza da Serra de S\u00e3o Mamede aos vinhos, criando uma imagem bonita, distinta, pessoal e emocional.<\/p>\n<p><strong>A Serra de S\u00e3o Mamede d\u00e1 aos vinhos Monte da Penha um car\u00e1cter muito particular. Que tra\u00e7os do terroir considera mais marcantes?<\/strong><\/p>\n<p>A Serra de S\u00e3o Mamede chega a cerca de 1.025 metros no ponto mais alto, o que cria um clima muito particular. \u00c9 realmente um Alentejo diferente, um Alentejo de altitude. Estamos numa zona de transi\u00e7\u00e3o entre plan\u00edcies e montanhas, com ver\u00f5es de noites mais frescas e um mesoclima temperado, que ajuda a manter a qualidade das uvas. Al\u00e9m disso, temos solos mistos com muita pedra: granito, argilo-calc\u00e1rios e at\u00e9 algum xisto. Tudo isso define o nosso terroir \u00fanico, que \u00e9 o que procuramos levar para dentro de cada garrafa do Monte da Penha.<\/p>\n<p><strong>Porque s\u00e3o os vinhos Monte da Penha t\u00e3o diferenciadores?<\/strong><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, quisemos utilizar castas t\u00edpicas da nossa regi\u00e3o, ou seja, castas aut\u00f3ctones que refletem o car\u00e1cter de Portalegre. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi a Touriga Nacional, que n\u00e3o \u00e9 t\u00edpica daqui, mas como \u00e9 uma casta de altitude do D\u00e3o e do Douro, ach\u00e1mos que iria combinar muito bem com as nossas outras castas e crescer bem no nosso terroir. Com essas caracter\u00edsticas de clima e solo, conseguimos fazer vinhos de grande longevidade, que lan\u00e7amos depois de alguns anos em garrafa, quando est\u00e3o prontos a beber, mas ainda com toda a sua frescura e eleg\u00e2ncia. Da\u00ed, neste momento, termos lan\u00e7ado vinhos com 10 anos, como as colheitas tintas de 2015.<\/p>\n<p><strong>A sua m\u00e3e, Gertrudes, continua a provar os vinhos aos 101 anos. Tem aprovado todos os vinhos?<\/strong><\/p>\n<p>Aos 101 anos, continuamos a procurar a opini\u00e3o da Gertrudes, porque ela \u00e9 uma excelente provadora e eu valorizo muito o seu paladar. Ela continua a provar todos os vinhos. Agora, por exemplo, dei-lhe a provar o Gertrudes 15 e o 17, que ainda est\u00e1 em est\u00e1gio, e ela acabou por gostar mais do 15.<\/p>\n<p><strong>O Monte da Penha \u00e9 um produtor pequeno. \u00c9 um desafio ou uma vantagem manter essa escala mais artesanal?<\/strong><\/p>\n<p>Dir\u00edamos que o Monte da Penha \u00e9 hoje um produtor de pequena a m\u00e9dia dimens\u00e3o, o que naturalmente traz alguns desafios, sobretudo porque h\u00e1 muita concorr\u00eancia neste segmento. Ainda assim, essa dimens\u00e3o permite-nos manter um acompanhamento muito pr\u00f3ximo de todo o processo e uma grande consist\u00eancia na qualidade.<\/p>\n<p>Este novo portef\u00f3lio foi precisamente pensado com esse equil\u00edbrio em mente: ter menos refer\u00eancias, come\u00e7ar por engarrafar cerca de 40.000 garrafas entre branco e tinto e posicionar melhor os vinhos em termos de pre\u00e7o. No fundo, queremos crescer de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Ao projeto juntou-se a en\u00f3loga Susana Esteban, uma refer\u00eancia no panorama portugu\u00eas. Que impacto espera que esta colabora\u00e7\u00e3o traga ao futuro do Monte da Penha?<\/strong><\/p>\n<p>A Susana tem uma enorme sensibilidade para o terroir de Portalegre e compreende muito bem o que queremos expressar com o Monte da Penha.<\/p>\n<p>Desde que come\u00e7ou a trabalhar connosco, em 2020, trouxe um olhar t\u00e9cnico e inovador, e contribuiu com toda a sua experi\u00eancia, mas sempre com grande respeito pela nossa hist\u00f3ria e pelo trabalho que vinha a ser feito. Esta colabora\u00e7\u00e3o tem-nos permitido refor\u00e7ar o estilo que procuramos, vinhos com longevidade, mas tamb\u00e9m frescos, elegantes e com identidade. Representa tamb\u00e9m uma nova fase do projeto, mais focada e precisa, mas fiel \u00e0s nossas origens.<\/p>\n<p><strong>O Monte da Penha tem uma hist\u00f3ria profundamente enraizada no passado, mas tamb\u00e9m um olhar no futuro. Que sonhos ou projetos ainda tem por concretizar neste territ\u00f3rio de Portalegre?<\/strong><\/p>\n<p>O nosso grande objetivo \u00e9 continuar a valorizar Portalegre com vinhos de Altitude da Serra de S\u00e3o Mamede e mostrar todo o seu potencial para produzir vinhos frescos com identidade e longevidade.<\/p>\n<p>Queremos crescer de forma sustent\u00e1vel, mantendo as ra\u00edzes familiares que sempre nos guiaram e continuar a transmitir este legado \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es. Mais do que aumentar a produ\u00e7\u00e3o, o nosso foco \u00e9 aprofundar a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Serra, e apostar sempre na qualidade.<\/p>\n<p>Mas temos outras ambi\u00e7\u00f5es. Um dos meus sonhos \u00e9 criar um pequeno hotel ou guest house ligado ao vinho, no Monte da Penha, aproveitando a ru\u00edna de uma antiga pedreira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em Portalegre, mais precisamente na Serra de S\u00e3o Mamede, existe uma propriedade com 122 hectares, 22 dos quais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":175396,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,741,15,16,36424,14,25,26,21,22,36425,12,13,19,20,9804,32,23,24,33,17,18,29,30,31,1078,3911],"class_list":{"0":"post-175395","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-entrevista","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-francisco-fino","14":"tag-headlines","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-monte-da-penha","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-portalegre","25":"tag-portugal","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-pt","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias","34":"tag-versa","35":"tag-vinho"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115661521748947641","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=175395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175395\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/175396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=175395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=175395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=175395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}