{"id":175589,"date":"2025-12-04T16:24:08","date_gmt":"2025-12-04T16:24:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/175589\/"},"modified":"2025-12-04T16:24:08","modified_gmt":"2025-12-04T16:24:08","slug":"chefe-da-espionagem-em-portugal-alerta-para-o-inimigo-interno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/175589\/","title":{"rendered":"Chefe da espionagem em Portugal alerta para &#8220;o inimigo interno&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                Est\u00e3o ao nosso lado e s\u00e3o cada vez mais uma preocupa\u00e7\u00e3o das autoridades. O l\u00edder das secretas alerta para o regresso de uma tend\u00eancia no mundo da espionagem, numa reflex\u00e3o em que o diretor da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria volta a pedir acesso aos metadados e os especialistas alertam que Portugal deve passar ao ataque<\/p>\n<p>As amea\u00e7as cibern\u00e9ticas s\u00e3o cada vez mais poderosas, com capacidade de travar por completo infraestruturas cr\u00edticas ou criar preju\u00edzos astron\u00f3micos em empresas, num combate que as autoridades apelidam &#8220;desonesto&#8221; e &#8220;cego&#8221; devido \u00e0 falta de ferramentas. Para o diretor do Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a (SIS), Ad\u00e9lio Neiva da Cruz, uma das principais amea\u00e7as a Portugal e \u00e0s empresas vem de dentro &#8211; trata-se dos &#8220;velhos idiotas \u00fateis&#8221;, que recolhem informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e comprometem as institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das principais amea\u00e7as que n\u00f3s enfrentamos s\u00e3o os inimigos internos. S\u00e3o aqueles que, por diversos motivos, no quadro de uma organiza\u00e7\u00e3o ou por iniciativa pr\u00f3pria, por descontentamento, passam a ter a\u00e7\u00f5es perniciosas, passando dados para o exterior&#8221;, alerta o l\u00edder da espionagem portuguesa, durante a segunda confer\u00eancia Ciberseguran\u00e7a e Transforma\u00e7\u00e3o Digital num mundo multipolar.<\/p>\n<p>S\u00f3 que ao contr\u00e1rio do cibercrime comum, onde o objetivo \u00e9 na maior parte das vezes obter lucro imediato, o diretor do SIS admite que a amea\u00e7a que os pa\u00edses ocidentais enfrentam \u00e9 bem mais complexa e perigosa a longo prazo. Ad\u00e9lio Neiva da Cruz destaca que \u00e9 f\u00e1cil esquecer que existem unidades especializadas estrangeiras que procuram n\u00e3o apenas roubar segredos industriais, mas que operam com objetivos pol\u00edticos claros de &#8220;ciberespionagem, cibersabotagem e desinforma\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Estes &#8220;atores&#8221; operam a coberto do anonimato digital, mas dependem frequentemente de colaboradores dentro das institui\u00e7\u00f5es e das organiza\u00e7\u00f5es para conseguirem obter &#8220;informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica fundamental&#8221; para &#8220;comprometerem as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas&#8221;, alerta o diretor do SIS.<\/p>\n<p>&#8220;Os atacantes agem a coberto do anonimato digital e utilizando tamb\u00e9m os velhos &#8216;idiotas \u00fateis&#8217;. O objetivo principal \u00e9 a recolha de informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica fundamental para comprometer, de alguma forma, as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas&#8221;, afirma Neiva da Cruz.<\/p>\n<p>E nem o facto de Portugal ser um pa\u00eds de dimens\u00e3o reduzida e relativamente perif\u00e9rico parece ser suficiente para que o pa\u00eds caia no &#8220;esquecimento&#8221; de pa\u00edses hostis. Segundo Neiva da Cruz, o nosso pa\u00eds raramente \u00e9 atacado isoladamente, acabando por ser &#8220;atingido em simult\u00e2neo com muitos outros pa\u00edses&#8221; ocidentais.\u00a0<\/p>\n<p>Um combate &#8220;desigual e desonesto&#8221;\u00a0 <\/p>\n<p>Mas, para quem combate o crime organizado no terreno, lutar contra o cibercrime \u00e9 mais dif\u00edcil do que parece e, para o diretor da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, existe uma frustra\u00e7\u00e3o palp\u00e1vel. Apesar de todas as melhorias que foram feitas nos \u00faltimos anos no campo do combate ao cibercrime, Lu\u00eds Neves continua a alertar que as autoridades encontram-se a combater num campo de batalha desigual, amarrados por leis que n\u00e3o acompanharam a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um combate absolutamente desigual e desonesto n\u00f3s continuarmos a ter esta diferencia\u00e7\u00e3o entre os meios que os criminosos t\u00eam e os que n\u00f3s temos. As organiza\u00e7\u00f5es criminosas t\u00eam dinheiro, t\u00eam expertise, t\u00eam comunica\u00e7\u00f5es encriptadas, comunica\u00e7\u00f5es por sat\u00e9lite, utilizam o sistema banc\u00e1rio de uma forma global&#8230; e as pol\u00edcias est\u00e3o com os mesmos meios legais&#8221;, lamenta Lu\u00eds Neves, que descreve um cen\u00e1rio em que as autoridades est\u00e3o tecnicamente um passo atr\u00e1s perante a sofistica\u00e7\u00e3o dos grupos que perseguem.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque, no atual contexto, h\u00e1 uma mistura cada vez maior entre os cibercriminosos comuns, que buscam o lucro r\u00e1pido na internet, e os operadores estatais, que recorrem aos servi\u00e7os dos cibercriminosos para levar a cabo a\u00e7\u00f5es de desinforma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o pa\u00eds tamb\u00e9m tem de lidar com &#8220;estados que usam o cibercrime para se financiarem&#8221;.<\/p>\n<p>Para o homem que chefia a investiga\u00e7\u00e3o criminal em Portugal, o principal ponto continua na incapacidade que as autoridades portuguesas t\u00eam de aceder aos registos de tr\u00e1fico e a localiza\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m conhecidos como &#8220;metadados&#8221;. A medida \u00e9 criticada por muitos como sendo a abertura da porta ao autoritarismo, mas Lu\u00eds Neves rejeita que este seja um &#8220;fetiche das pol\u00edcias&#8221;, defendo que esta medida pode ser fundamental para a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Espero estar muito enganado, mas um dia, se n\u00f3s n\u00e3o agirmos coletivamente, um dia v\u00e3o entrar as medidas de exce\u00e7\u00e3o. E as medidas de exce\u00e7\u00e3o chamam-se &#8216;ditaduras'&#8221;, avisa.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Pac\u00edficos mas n\u00e3o indefesos&#8221; <\/p>\n<p>Para Jo\u00e3o Annes, do Observat\u00f3rio de Seguran\u00e7a e Defesa, as capacidades defensivas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para fazer frente \u00e0s amea\u00e7as que Portugal enfrenta. Para este especialista em ciberseguran\u00e7a, a realidade geopol\u00edtica mudou de forma t\u00e3o dr\u00e1stica que Portugal est\u00e1 obrigado a abandonar a ingenuidade e desenvolver capacidades ofensivas no ciberespa\u00e7o.\u00a0<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Annes alerta que o perfil do atacante sofreu uma muta\u00e7\u00e3o perigosa. J\u00e1 n\u00e3o se trata apenas do pirata inform\u00e1tico que bloqueia um sistema para pedir um resgate financeiro. Hoje, o ciberespa\u00e7o est\u00e1 povoado por &#8220;mercen\u00e1rios contratados, tipo hitmen&#8221;, cuja miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 negociar, mas sim &#8220;entrar em infraestruturas cr\u00edticas nacionais para as destruir&#8221;.<\/p>\n<p>Perante estes &#8220;assassinos&#8221; digitais, as barreiras defensivas convencionais como firewalls ou antiv\u00edrus s\u00e3o insuficientes. &#8220;A superf\u00edcie de ataque \u00e9 indefens\u00e1vel&#8221;, argumenta Jo\u00e3o Annes, defendendo que \u00e9 imposs\u00edvel fechar todas as portas de todas as empresas e organismos p\u00fablicos. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o, explica, \u00e9 a dissuas\u00e3o: fazer com que o inimigo tenha medo da resposta.<\/p>\n<p>&#8220;Temos de usar a dissuas\u00e3o para levar outros Estados, que t\u00eam estrat\u00e9gias contr\u00e1rias aos nossos interesses, a adequarem os seus interesses aos nossos. Fazermos saber, como dizia o sr. Presidente da Rep\u00fablica: &#8216;pac\u00edficos mas n\u00e3o indefesos&#8217;. Temos de ter um enquadramento legal para sermos capazes de fazer das palavras atos.&#8221;<\/p>\n<p>Sem essa regula\u00e7\u00e3o clara, o especialista avisa que corremos dois riscos: ou continuamos a ser um alvo f\u00e1cil onde os atacantes operam impunemente ou caminhamos para um &#8220;Faroeste digital&#8221;, onde empresas privadas, em desespero, podem tentar fazer justi\u00e7a pelas pr\u00f3prias m\u00e3os, cometendo elas mesmas crimes inform\u00e1ticos ao tentarem contra-atacar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Est\u00e3o ao nosso lado e s\u00e3o cada vez mais uma preocupa\u00e7\u00e3o das autoridades. 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