{"id":176101,"date":"2025-12-05T00:24:12","date_gmt":"2025-12-05T00:24:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/176101\/"},"modified":"2025-12-05T00:24:12","modified_gmt":"2025-12-05T00:24:12","slug":"o-jogo-de-vladimir-putin-entre-ameacas-aos-europeus-e-negociacoes-de-paz-com-os-americanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/176101\/","title":{"rendered":"O jogo de Vladimir Putin entre amea\u00e7as aos europeus e negocia\u00e7\u00f5es de paz com os americanos"},"content":{"rendered":"<p>Quase cinco horas de reuni\u00e3o, mas com que resultado? O encontro entre o enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e o Presidente russo, Vladimir Putin, no Kremlin, na ter\u00e7a-feira, 2 de dezembro, n\u00e3o produziu qualquer progresso concreto. Segundo a Presid\u00eancia russa, as discuss\u00f5es, descritas como &#8220;construtivas&#8221;, giraram principalmente em torno das concess\u00f5es territoriais pedidas a Kiev e da ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 NATO.\u00a0<br \/>\n<b>Todos estes pontos de disc\u00f3rdia d\u00e3o aos europeus a impress\u00e3o de estarem a andar em c\u00edrculos, mas n\u00e3o impediram o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, de afirmar que Moscovo est\u00e1 disposta a encontrar-se com os respons\u00e1veis americanos &#8220;tantas vezes quantas as necess\u00e1rias&#8221; para encontrar uma sa\u00edda para a guerra. Que sa\u00edda? <\/b>Entre sorrisos com os diplomatas americanos, Vladimir Putin, que se julga em vantagem no campo de batalha, mant\u00e9m os seus objetivos em mente.<b><br \/>&#13;<br \/>\n<\/b><br \/>\n<br \/>\nCom uma vantagem no terreno, <b>o Kremlin acredita que pode ganhar a guerra. <\/b>As tropas russas est\u00e3o em vantagem no Leste da Ucr\u00e2nia. <b>De acordo com os dados analisados pela AFP do Instituto Americano para o Estudo da Guerra, conquistaram uma m\u00e9dia de 467 km2 por m\u00eas durante 2025<\/b>, uma acelera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2024<b>.<\/b> Na segunda-feira, Moscovo reivindicou a captura de Pokrovsk, um importante centro log\u00edstico para o ex\u00e9rcito ucraniano.Poupar tempo para ganhar terreno<br \/>\n<b>Por mais pesadas que sejam as perdas da R\u00fassia &#8211; cerca de 150 mil soldados foram mortos desde fevereiro de 2022, segundo a BBC e o meio de comunica\u00e7\u00e3o russo Mediazona &#8211; o autocrata russo acredita que pode atingir os seus objetivos militares na Ucr\u00e2nia, a come\u00e7ar pela anexa\u00e7\u00e3o total do Donbass.\u00a0<\/b>&#8220;Esta quest\u00e3o foi amplamente levantada na ter\u00e7a-feira \u00e0 noite pelo Kremlin, que exige a evacua\u00e7\u00e3o das tropas ucranianas do Donbass, uma exig\u00eancia que Kiev recusou&#8221;, sublinha Igor Delano\u00eb, investigador associado do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Estrat\u00e9gicas (Iris).<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o do Donbass \u00e9 altamente simb\u00f3lica e Vladimir Putin teria dificuldade em declarar vit\u00f3ria sem obter este territ\u00f3rio&#8221; disse \u00e0 Franceinfo.<\/p>\n<p><b>Os russos esperam tamb\u00e9m que o campo americano apoie o seu pedido de n\u00e3o ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 NATO, tal como exigido por Kiev. <\/b>Esta quest\u00e3o &#8220;foi discutida&#8221;, segundo Yuri Ushakov, conselheiro diplom\u00e1tico da presid\u00eancia russa, e fazia parte do plano de paz elaborado por Washington. &#8220;Esta quest\u00e3o \u00e9 muito importante para Vladimir Putin, que n\u00e3o quer ver tropas estrangeiras em territ\u00f3rio ucraniano&#8221;, observa Igor Delano\u00eb.<br \/>&#13;<br \/>\nTranquilizar os russos<br \/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n<br \/>&#13;<br \/>\n<b>A reuni\u00e3o foi tamb\u00e9m uma oportunidade para Vladimir Putin enviar um sinal \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica russa.<\/b> Uma sondagem realizada em outubro mostrava que 83% dos russos se diziam &#8220;cansados&#8221; ou &#8220;muito cansados&#8221; da guerra e que 52% eram a favor de &#8220;negocia\u00e7\u00f5es de paz&#8221;, como referiu o meio de comunica\u00e7\u00e3o social russo Vot-Tak. &#8220;Esta reuni\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de comunicar com o povo russo, que est\u00e1 pronto para a cessa\u00e7\u00e3o das hostilidades&#8221;, resume Igor Delano\u00eb.<b>&#8220;H\u00e1 um desejo de mostrar que est\u00e1 a ter discuss\u00f5es com os americanos, entre grandes pot\u00eancias, com toda uma encena\u00e7\u00e3o antes desta sequ\u00eancia&#8221;.<br \/>&#13;<br \/>\n<\/b>&#13;<br \/>\n<br \/>&#13;<br \/>\nEm todo o caso, o <b>impasse das negocia\u00e7\u00f5es \u00e9 favor\u00e1vel a Moscovo<\/b>. &#8220;Os russos v\u00e3o jogar o jogo da diplomacia enquanto sentirem que \u00e9 do seu interesse, sobretudo porque det\u00eam a iniciativa estrat\u00e9gica no terreno&#8221;, diz Igor Delano\u00eb.<b>&#8220;Os russos est\u00e3o a divertir-se muito&#8221;<\/b>, observa Carole Grimaud, especialista em geopol\u00edtica russa e professora na Universidade Paul-Val\u00e9ry de Montpellier.<b>&#8220;Esta \u00e9 a sexta reuni\u00e3o deste g\u00e9nero com o enviado americano e n\u00e3o discutiram os pormenores, mas concordaram em estar mais de acordo&#8221;<\/b>, sublinha.<\/p>\n<p>Enquanto Moscovo acredita que pode esperar, o apoio dos EUA continua a ser crucial para Kiev, apesar da cessa\u00e7\u00e3o da ajuda militar e humanit\u00e1ria direta desde o in\u00edcio do ano. Os servi\u00e7os secretos americanos continuam a partilhar muitas informa\u00e7\u00f5es com o ex\u00e9rcito ucraniano. Mas Donald Trump amea\u00e7ou v\u00e1rias vezes manter os ucranianos na ignor\u00e2ncia. O Presidente americano, que se encontrou a s\u00f3s com o hom\u00f3logo russo no Alasca, em agosto, tamb\u00e9m se mostrou aberto ao levantamento das san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia. Isto \u00e9 suficiente para assustar os europeus, que t\u00eam tentado manter Washington do seu lado desde que foi apresentada a primeira vers\u00e3o de um plano de paz favor\u00e1vel a Moscovo.Manter a Ucr\u00e2nia e a Europa separadas<br \/>&#13;<br \/>\n<b>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o Kremlin promete a Donald Trump parcerias financeiras em caso de paz.<\/b>&#8220;O encontro de ter\u00e7a-feira tamb\u00e9m se centrou nas possibilidades de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica&#8221;, sublinha Carole Grimaud. Tudo isto deve agradar ao autoproclamado rei americano dos neg\u00f3cios, que aponta frequentemente o dedo ao custo financeiro do conflito.<b>\u00a0Tudo isto alimenta os receios europeus de que a administra\u00e7\u00e3o Trump sacrifique a soberania da Ucr\u00e2nia e ponha em causa a seguran\u00e7a do velho continente.<\/b><\/p>\n<p>Ao excluir os europeus das negocia\u00e7\u00f5es, a <b>R\u00fassia est\u00e1 a tentar desestabilizar a Uni\u00e3o Europeia e os seus vizinhos, como j\u00e1 est\u00e1 a fazer com a sua guerra h\u00edbrida.<\/b> &#8220;N\u00e3o temos qualquer inten\u00e7\u00e3o de travar uma guerra contra a Europa, mas se a Europa quiser faz\u00ea-lo e come\u00e7ar, estamos prontos para o fazer agora&#8221;, declarou Vladimir Putin algumas horas antes da reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Vladimir Putin considera que a Europa n\u00e3o tem uma palavra a dizer, porque \u00e9 a parte que est\u00e1 a impor restri\u00e7\u00f5es e a impedir que este processo de paz se concretize. Os russos v\u00eaem os europeus como co-beligerantes, mas tamb\u00e9m acreditam que a UE \u00e9 impotente e que os 27 Estados membros est\u00e3o divididos&#8221;, acrescenta Igor Delano\u00eb.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00f3gico, portanto, que os europeus, diretamente afetados pela guerra na Ucr\u00e2nia, sejam os grandes ausentes da reuni\u00e3o de Moscovo. <b>&#8220;Os russos querem chegar a um acordo com os americanos, em detrimento dos ucranianos e dos europeus&#8221;<\/b>, observa Igor Delano\u00eb. O especialista sublinha que a diplomacia russa considera que Washington, &#8220;com raz\u00e3o ou sem ela&#8221;, &#8220;tem a chave das negocia\u00e7\u00f5es&#8221;.<b>&#8220;Para os russos, os europeus acabar\u00e3o por ser obrigados a adotar a posi\u00e7\u00e3o americana&#8221;.<\/b><\/p>\n<p>Um c\u00e1lculo que \u00e9 &#8220;bastante arriscado, dado o foco das capitais europeias neste momento&#8221;, acrescenta Delano\u00eb. Diplomatas alem\u00e3es afirmaram que a R\u00fassia n\u00e3o est\u00e1 &#8220;em modo de negocia\u00e7\u00e3o&#8221; para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica para o conflito. &#8220;\u00c9 mais um disparate do Kremlin, vindo de um presidente que n\u00e3o leva a paz a s\u00e9rio&#8221;, foi a rea\u00e7\u00e3o do porta-voz do primeiro-ministro brit\u00e2nico, Keir Starmer, na quarta-feira. A Uni\u00e3o Europeia e os seus parceiros t\u00eam trabalhado intensamente com os ucranianos nos \u00faltimos dias para influenciar as conversa\u00e7\u00f5es russo-americanas.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nAinda na quarta-feira, o negociador de Kiev, Rustem Ummyerov, explicou que se tinha reunido em Bruxelas (B\u00e9lgica) com representantes europeus, nomeadamente de Fran\u00e7a, Alemanha e Reino Unido, bem como da UE e da NATO. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou por seu lado que, para contrariar a narrativa russa, iria ent\u00e3o come\u00e7ar a &#8220;preparar&#8221; um encontro nos Estados Unidos com os emiss\u00e1rios de Donald Trump.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nFabien Jannic-Cherbonnel \/ 4 dezembro 2025 05:06 GMT&#13;<br \/>\n&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o e Tradu\u00e7\u00e3o \/ Joana B\u00e9nard da Costa &#8211; RTP&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quase cinco horas de reuni\u00e3o, mas com que resultado? 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