{"id":176230,"date":"2025-12-05T03:19:12","date_gmt":"2025-12-05T03:19:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/176230\/"},"modified":"2025-12-05T03:19:12","modified_gmt":"2025-12-05T03:19:12","slug":"pesquisadores-descobrem-um-mesmo-conjunto-de-neuronios-responsavel-pela-febre-e-pelo-torpor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/176230\/","title":{"rendered":"Pesquisadores descobrem um mesmo conjunto de neur\u00f4nios respons\u00e1vel pela febre e pelo torpor"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Neurobiologia\n                            <\/p>\n<p>                            Pesquisadores descobrem um mesmo conjunto de neur\u00f4nios respons\u00e1vel pela febre e pelo torpor<\/p>\n<p class=\"summary\">Grupo internacional de cientistas vislumbra agora a busca de um f\u00e1rmaco que induza o estado em que fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas e metab\u00f3licas s\u00e3o reduzidas ao extremo, o que poderia favorecer novos tratamentos para AVC e at\u00e9 mesmo auxiliar astronautas em longas viagens espaciais<\/p>\n<p>\n                                 Neurobiologia\n                            <\/p>\n<p>                                                        Pesquisadores descobrem um mesmo conjunto de neur\u00f4nios respons\u00e1vel pela febre e pelo torpor<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Grupo internacional de cientistas vislumbra agora a busca de um f\u00e1rmaco que induza o estado em que fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas e metab\u00f3licas s\u00e3o reduzidas ao extremo, o que poderia favorecer novos tratamentos para AVC e at\u00e9 mesmo auxiliar astronautas em longas viagens espaciais<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/56666.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(56666,'files\/post\/56666.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Imagens t\u00e9rmicas de camundongo que teve torpor induzido. \u00c0 dir., barra indica cores e temperaturas correspondentes. Ap\u00f3s seis horas da indu\u00e7\u00e3o, animal ficou em estado de dorm\u00eancia (primeira imagem da esquerda, abaixo); depois de 24 horas, tinha praticamente retornado ao estado original (imagens: Nat\u00e1lia Machado\/BIDMC-HMS)<\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Juli\u00e3o | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Estudo liderado por uma brasileira na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, encontrou uma popula\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios que pode controlar tanto a febre quanto o torpor, estado em que fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas e metab\u00f3licas s\u00e3o reduzidas ao extremo. <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09056-1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Publicado<\/strong><\/a> na revista Nature, o trabalho, apoiado pela FAPESP, pode dar origem a novos tratamentos para diversas condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, como o acidente vascular cerebral (AVC), e at\u00e9\u00a0ajudar a viabilizar longas viagens espaciais.<\/p>\n<p>\u201cEssa popula\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios, localizados na regi\u00e3o do hipot\u00e1lamo conhecida como n\u00facleo mediano pr\u00e9-\u00f3ptico, pode ser identificada pela express\u00e3o do receptor de prostaglandina E2 do tipo EP3. Quando esses neur\u00f4nios\u00a0s\u00e3o inibidos, produzem febre; quando ativados, induzem o que chamamos de torpor, um estado caracterizado por uma queda profunda e prolongada na temperatura corporal e no metabolismo\u201d, explica <a href=\"https:\/\/research.bidmc.org\/machado-lab\/people\/dr-natalia-machado\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Nat\u00e1lia Machado<\/strong><\/a>, professora assistente na Escola de Medicina de Harvard e pesquisadora do Beth Israel Deaconess Medical Center, que coordenou conjuntamente com o professor <a href=\"https:\/\/brain.harvard.edu\/?people=clifford-saper\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Clifford Saper<\/strong><\/a> o estudo.<\/p>\n<p>\u201cNossa ideia agora \u00e9 identificar alguma mol\u00e9cula circulante que seja respons\u00e1vel por essas respostas e que possa ser futuramente convertida em f\u00e1rmacos, abrindo possibilidades para novos tratamentos m\u00e9dicos em humanos\u201d, completa.<\/p>\n<p>O trabalho tem entre os autores <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/667144\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Lu\u00eds Henrique Angenendt da Costa<\/strong><\/a>, que realizou <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/192389\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>p\u00f3s-doutorado<\/strong><\/a> na Faculdade de Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FORP-USP) e fez est\u00e1gio no laborat\u00f3rio de Machado com <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/206150\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>bolsa<\/strong><\/a> da FAPESP.<\/p>\n<p>Os pesquisadores explicam que algumas esp\u00e9cies, como os camundongos, chegam ao estado de torpor quando submetidos simultaneamente \u00e0 fome e ao frio. Os humanos n\u00e3o chegam ao torpor naturalmente, mas os autores acreditam que o grupo de neur\u00f4nios identificado estaria evolutivamente conservado tamb\u00e9m em n\u00f3s. O est\u00edmulo certo poderia faz\u00ea-los serem ativados ou inibidos, induzindo \u00e0 febre ou ao torpor. Durante o torpor, os camundongos chegam a reduzir em 80% seu metabolismo.<\/p>\n<p><strong>Indu\u00e7\u00e3o do torpor<\/strong><\/p>\n<p>\u201cInduzir a redu\u00e7\u00e3o da temperatura corporal e o metabolismo pode ser uma estrat\u00e9gia muito interessante para o tratamento do AVC, por exemplo, fazendo o tecido afetado tolerar por mais tempo a falta de oxig\u00eanio, aumentando o tempo para se realizar uma interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u201d, exemplifica Costa.<\/p>\n<p>Atualmente, existem formas de fazer a hipotermia terap\u00eautica, como \u00e9 chamada. No entanto, reduz-se muito pouco a temperatura e ainda podem ocorrer efeitos colaterais graves, como instabilidade card\u00edaca e tremores intensos. Isso ocorre porque o corpo tenta retomar a faixa normal de temperatura a todo custo. A ativa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios descrita pelo grupo faz com que a temperatura do corpo diminua sem que haja uma contrarresposta do organismo, evitando os efeitos indesejados da hipotermia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como se tiv\u00e9ssemos mudado o termostato dos animais para uma faixa mais baixa, aproximadamente 10 \u00b0C abaixo da temperatura corporal antes da indu\u00e7\u00e3o do torpor\u201d, diz Machado.<\/p>\n<p>Numa hip\u00f3tese extrema, a redu\u00e7\u00e3o do metabolismo poderia ajudar at\u00e9 mesmo em longas viagens espaciais, como as que est\u00e3o planejadas para Marte pelas ag\u00eancias espaciais americana (Nasa) e europeia (ESA). Com o corpo em estado de torpor, haveria menor demanda por energia e, logo, por alimentos, o que pode ser essencial para suportar a jornada de cerca de mil dias entre ida e volta e ainda reduzir o estoque de alimentos necess\u00e1rios para a viagem.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o seria uma queda t\u00e3o dr\u00e1stica de fun\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica quanto a dos camundongos, mas algo pr\u00f3ximo \u00e0 hiberna\u00e7\u00e3o que os ursos fazem no inverno\u201d, ilustra a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Indu\u00e7\u00e3o de febre<\/strong><\/p>\n<p>No caso da indu\u00e7\u00e3o de febre, como a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura corporal \u00e9 uma estrat\u00e9gia para combater invasores como v\u00edrus e bact\u00e9rias, o desenvolvimento de novas terapias que facilitem sua produ\u00e7\u00e3o pode tamb\u00e9m causar um impacto positivo em indiv\u00edduos que apresentam uma resposta inadequada, como \u00e9 comumente observado em idosos.<\/p>\n<p>Para se certificarem de que essa fam\u00edlia espec\u00edfica de neur\u00f4nios podia induzir tanto a febre quanto o torpor, os pesquisadores usaram um conjunto de m\u00e9todos em camundongos geneticamente modificados que permitem manipular especificamente os neur\u00f4nios que expressam receptores de prostaglandina E2 do tipo EP3 da regi\u00e3o pr\u00e9-\u00f3ptica, localizada no hipot\u00e1lamo cerebral.<\/p>\n<p>Utilizando a t\u00e9cnica de quimiogen\u00e9tica, esses neur\u00f4nios foram infectados com um adenov\u00edrus que promove a express\u00e3o de um receptor mutado nessas c\u00e9lulas, permitindo que sejam ativadas posteriormente por meio de uma droga espec\u00edfica. Os neur\u00f4nios tamb\u00e9m foram manipulados por meio de optogen\u00e9tica, em que uma fibra \u00f3tica implantada na regi\u00e3o do c\u00e9rebro estudada emite luz em um comprimento de onda espec\u00edfico que ativa essas c\u00e9lulas. Usando t\u00e9cnicas que mensuram a atividade neuronal em tempo real, os pesquisadores observaram ainda que o c\u00e1lcio \u00e9 o principal sinalizador intracelular envolvido nas respostas de febre e torpor nesses neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>Por fim, os pesquisadores deletaram esses neur\u00f4nios, o que fez com que os animais deixassem de ter febre e de entrar em torpor. Esse dado mostra a import\u00e2ncia dessas c\u00e9lulas na regula\u00e7\u00e3o de mecanismos que levam tanto ao aumento como \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da temperatura corporal nos camundongos.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/febre-torpor-meio.jpg\" style=\"height:533px; width:800px\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nNat\u00e1lia Machado em seu laborat\u00f3rio na Escola de Medicina de Harvard (foto: Anna Olivella\/ Harvard Brain Science Initiative)<\/p>\n<p>Com o papel da fam\u00edlia de neur\u00f4nios determinado, os pesquisadores querem agora encontrar alguma forma n\u00e3o invasiva de induzir os efeitos do torpor, uma vez que as t\u00e9cnicas utilizadas nos experimentos n\u00e3o poderiam ser reproduzidas em humanos. Por exemplo, a possibilidade de um horm\u00f4nio ou pept\u00eddeo circulante realizar a sinaliza\u00e7\u00e3o seria um caminho fundamental para desenvolver novos tratamentos.<\/p>\n<p>De volta ao pa\u00eds por meio do programa Conhecimento Brasil, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), Costa segue trabalhando na linha de pesquisa de seu p\u00f3s-doutorado. Como pesquisador na Escola de Enfermagem de Ribeir\u00e3o Preto (EERP) da USP, vai investigar a fundo os mecanismos envolvidos na hipotermia causada por infec\u00e7\u00f5es graves, como a sepse, abrindo possibilidades para desenvolver novas abordagens terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>O artigo Preoptic EP3R neurons constitute a two-way switch for fever and torpor pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09056-1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>www.nature.com\/articles\/s41586-025-09056-1<\/strong><\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Neurobiologia Pesquisadores descobrem um mesmo conjunto de neur\u00f4nios respons\u00e1vel pela febre e pelo torpor Grupo internacional de cientistas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":176231,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[36505,36502,1493,16079,36501,19386,116,7187,36500,32,33,117,36503,36504],"class_list":{"0":"post-176230","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-19-27231-9","9":"tag-acidente-vascular-cerebral-isquemico","10":"tag-avc","11":"tag-camundongos","12":"tag-estrategia-terapeutica","13":"tag-febre","14":"tag-health","15":"tag-hibernacao","16":"tag-hipotermia","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-saude","20":"tag-torpor","21":"tag-viagem-espacial"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115664805466507903","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=176230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176230\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/176231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=176230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=176230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=176230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}