{"id":176808,"date":"2025-12-05T16:18:09","date_gmt":"2025-12-05T16:18:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/176808\/"},"modified":"2025-12-05T16:18:09","modified_gmt":"2025-12-05T16:18:09","slug":"quando-o-isto-nao-e-o-bangladesh-chega-a-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/176808\/","title":{"rendered":"Quando o &#8220;Isto n\u00e3o \u00e9 o Bangladesh&#8221; chega \u00e0 escola"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201cA minha filha tem 13 anos, anda numa escola p\u00fablica em Lisboa e conta-me que os colegas, sobretudo os rapazes, cantam \u2018Chega, Chega\u2019 e a m\u00fasica \u2018Isto n\u00e3o \u00e9 o Bangladesh\u2019 no recreio.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o vem de uma mulher de 43 anos cuja identidade o DN entende ocultar. A turma da filha, informa, tem muitas crian\u00e7as filhas de imigrantes, v\u00e1rias delas de origem indost\u00e2nica. N\u00e3o s\u00e3o essas que cantam a m\u00fasica em causa, <strong>em cujo refr\u00e3o se ouve, a rimar com Bangladesh, \u201ctira os teus putos castanhos da minha creche\u201d<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Criada por um\u00a0youtuber\u00a0e divulgada num v\u00eddeo feito com recurso a Intelig\u00eancia Artificial, <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.dn.pt\/edicao-impressa\/autor-de-bangladesh-admite-que-este-foi-um-daqueles-casos-em-que-se-pensa-criei-um-monstro\" rel=\"nofollow noopener\">alegadamente com o intuito de satirizar o discurso xen\u00f3fobo e racista de Andr\u00e9 Ventura e do Chega<\/a> (em alus\u00e3o \u00e0 men\u00e7\u00e3o, pelo l\u00edder e uma deputada do partido, de nomes de crian\u00e7as alegadamente\u00a0 matriculadas num jardim de inf\u00e2ncia lisboeta, <strong>para \u201cprovarem\u201d <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/tviplayer.iol.pt\/programa\/tvi-jornal\/63ef5eb50cf2665294d5f87a\/video\/6867d9d70cf20ac1d5f33da9\" rel=\"nofollow noopener\">tratar-se de crian\u00e7as \u201czero portuguesas\u201d<\/a> que teriam preced\u00eancia sobre as \u201cnacionais\u201d<\/strong>, men\u00e7\u00e3o essa que foi <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/ensino\/2025-07-07-associacoes-de-pais-divulgam-carta-de-repudio-a-declaracoes-xenofobas-e-exposicao-indevida-de-menores-pelo-chega-b6f86cd6\" rel=\"nofollow noopener\">objeto de uma carta de rep\u00fadio de seis associa\u00e7\u00f5es de pais<\/a>, de uma <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/expresso.pt\/politica\/partidos\/2025-08-06-nomes-de-criancas-expostos-mp-abre-inquerito-a-andre-ventura-e-rita-matias-lider-do-chega-acredita-que-sera-arquivado-6350b85a\" rel=\"nofollow noopener\">queixa-crime<\/a> e de um processo c\u00edvel), a can\u00e7\u00e3o foi apropriada pelo partido, que colocou o t\u00edtulo num cartaz (ato que foi igualmente <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.dn.pt\/pol%C3%ADtica\/andr-ventura-vai-responder-em-tribunal-por-causa-de-cartazes-sobre-bangladesh-e-ciganos-na-qualidade-de-ru\" rel=\"nofollow noopener\">objeto de a\u00e7\u00f5es judiciais<\/a>).<\/p>\n<p>A crer nos relatos que esta aluna do 8\u00ba ano faz \u00e0 m\u00e3e, as crian\u00e7as alvo da cantoria (ou seja, as oriundas do Bangladesh) n\u00e3o reagem: \u201cOu ignoram ou, se n\u00e3o ignoram, n\u00e3o fazem qualquer tipo de queixa.\u201d Ao contr\u00e1rio, a filha de Sofia \u2014 vamos chamar-lhe assim \u2014 deu, em fam\u00edlia, conta do seu inc\u00f3modo. A m\u00e3e acha que essa sensibilidade se dever\u00e1 em parte ao facto de terem sido elas pr\u00f3prias imigrantes no Reino Unido. \u201cEstivemos sete anos no norte do pa\u00eds, e <strong>quando l\u00e1 vivemos era a minha filha, como \u00fanica portuguesa, a menina \u2018diferente\u2019. Dizia-nos que queria ser loira e de olhos azuis, queria ser igual \u00e0s outras crian\u00e7as. Pelo que acho que ela sente isto de uma forma mais pessoal.<\/strong>\u201d\u00a0<\/p>\n<p>A consci\u00eancia da mi\u00fada tamb\u00e9m advir\u00e1, cr\u00ea a m\u00e3e, de l\u00e1 em casa, \u00e0 hora do jantar, quando a fam\u00edlia se re\u00fane, falarem \u201cmuitas vezes destas quest\u00f5es da discrimina\u00e7\u00e3o e do racismo sist\u00e9mico\u201d. Conversas que, sup\u00f5e Sofia, n\u00e3o ocorrer\u00e3o nas fam\u00edlias dos mi\u00fados que protagonizam os referidos c\u00e2nticos, e que a filha descreve como \u201cn\u00e3o imigrantes\u201d. <strong>\u201cEles s\u00e3o um pouco papagaios nestas idades, repetem muito aquilo que ouvem\u201d, reflete. \u201cE a escola n\u00e3o faz nada em rela\u00e7\u00e3o a isto.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cConhecem mais o Chega do que tudo o resto\u201d<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 bem assim. Ou melhor, depende. Dependendo de Rita (tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o nome dela), 25 anos, professora de economia no secund\u00e1rio, na Grande Lisboa, a coisa n\u00e3o passa em claro. \u201cNo outro dia, numa turma que se porta particularmente mal, come\u00e7aram a cantar o \u2018Isto n\u00e3o \u00e9 o Bangladesh\u2019 durante uma aula. Exprimi o meu desagrado e quiseram saber porqu\u00ea. Falei-lhes do estafeta imigrante que foi assassinado [Shamin Bhai, de 32 anos, natural do Bangladesh, <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.jn.pt\/justica\/artigo\/estafeta-foi-morto-a-facada-ao-tentar-recuperar-bicicleta-furtada-momentos-antes\/18013908\" rel=\"nofollow noopener\">mortalmente esfaqueado a 28 de setembro na Costa da Caparica<\/a>, quando tentava recuperar a sua bicicleta, que lhe fora furtada]. Ficaram um bocado calados mas a seguir houve quem perguntasse \u2018mas ent\u00e3o o que \u00e9 que ele estava a fazer?\u2019\u201d<\/p>\n<p>Rita tem um sorriso amargo na voz. \u201cNoutra turma est\u00e1vamos a falar de literacia financeira e uns alunos perguntaram <strong>\u2018Sabe o que \u00e9 que andam a fazer? O Andr\u00e9 Ventura falou disso, os imigrantes est\u00e3o a tirar as coisas da Seguran\u00e7a Social\u2019. Perguntei \u2018Est\u00e3o a tirar o qu\u00ea?\u2019, responderam: \u2018Est\u00e3o a tirar dinheiro.\u2019 Quando questionei como tiravam o dinheiro n\u00e3o me souberam responder, porque n\u00e3o percebem sequer do que est\u00e3o a falar.<\/strong> Estes mi\u00fados n\u00e3o veem debates, n\u00e3o veem TV, n\u00e3o veem not\u00edcias. Veem coisas de 10 segundos descontextualizadas, no TikTok. E t\u00eam uma grande tend\u00eancia para dizer que \u00e9 tudo corrup\u00e7\u00e3o, que \u00e9 tudo roubar.\u201d<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nota Rita, aqui n\u00e3o se trata de pr\u00e9-adolescentes, como no caso da escola da filha de Sofia, mas de jovens no 12\u00ba ano, alguns j\u00e1 com idade para votar. \u201cT\u00eam uma conversa bastante aberta comigo, dizem o que veem, quem seguem. E conhecem mais o Chega do que tudo o resto. Levam muito mais tempo a dizer o nome do primeiro-ministro do que o do l\u00edder do Chega. <strong>Para eles \u00e9 tudo uma brincadeira, s\u00e3o um bocado infantis, n\u00e3o t\u00eam a consci\u00eancia de que estas coisas t\u00eam um car\u00e1cter pol\u00edtico.<\/strong>\u201d<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, informa esta professora, h\u00e1 jovens imigrantes que alinham nesse discurso. <strong>\u201cTenho muitos alunos cujos pais s\u00e3o oriundos dos PALOP, e um dos que disse que os imigrantes est\u00e3o a tirar dinheiro da Seguran\u00e7a Social \u00e9 imigrante ou filho de imigrantes. Claro que n\u00e3o lhe chamei a aten\u00e7\u00e3o para isso, mas pensei.\u201d<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Como se lida com isso? \u201cEu sou o mais imparcial poss\u00edvel, como tem de ser\u201d, responde Rita. \u201cTento ensinar pensamento cr\u00edtico, dar informa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u201cOs ciganos n\u00e3o s\u00e3o de Portugal\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Os testemunhos de Sofia e Rita surgiram na sequ\u00eancia do <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.dn.pt\/sociedade\/agrupamento-de-escolas-de-souselo-em-cinfes-investiga-situao-que-levou-amputao-de-dedos-de-aluno\" rel=\"nofollow noopener\">notici\u00e1rio sobre a agress\u00e3o, numa escola do distrito de Viseu, a uma crian\u00e7a brasileira de 10 anos, a qual perdeu parte dos dedos de uma m\u00e3o<\/a>, entalada por colegas na porta da casa-de-banho.\u00a0<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia, recorde-se, ocorreu a 10 de novembro e, dada a nacionalidade da v\u00edtima e o clima de hostilidade contra imigrantes de determinadas proveni\u00eancias (entre as quais o Brasil, pa\u00eds de onde vem a maioria da imigra\u00e7\u00e3o para Portugal) que tem vindo a ser alimentado por certos discursos pol\u00edticos, surgiu de imediato a <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/dnbrasil.dn.pt\/be-questiona-governo-sobre-criana-que-teve-dedos-amputados-em-escola-advogadas-vo-apoiar-me-na-justia\" rel=\"nofollow noopener\">suspeita de que poderia ter sido motivada por discrimina\u00e7\u00e3o<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>Uma suspeita que a m\u00e3e, Nivia Estevam, viria a adensar, narrando epis\u00f3dios anteriores: a 5 de novembro, afirmou aos media, o filho aparecera em casa com o pesco\u00e7o marcado, tendo contado que um colega lhe puxara os cabelos e lhe dera pontap\u00e9s; antes disso j\u00e1 comentara que a forma como falava portugu\u00eas (com sotaque brasileiro) lhe era apontada ami\u00fade por outros meninos, que se queixariam de n\u00e3o o perceber.<\/p>\n<p>Para j\u00e1, n\u00e3o h\u00e1 uma vers\u00e3o oficial dos motivos da ocorr\u00eancia: o caso est\u00e1 a ser investigado pelas autoridades e \u00e9 objeto de um inqu\u00e9rito interno na escola. Mas Nivia garante que os seus alertas anteriores, referindo os epis\u00f3dios citados, foram ignorados. E que no pr\u00f3prio dia em que o filho teve os dedos mutilados <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/dnbrasil.dn.pt\/be-questiona-governo-sobre-criana-que-teve-dedos-amputados-em-escola-advogadas-vo-apoiar-me-na-justia\" rel=\"nofollow noopener\">lhe disseram na escola que se tratara de \u201cuma brincadeira que correu mal\u201d<\/a>, nem sequer a advertindo logo de que o menino, que quando a m\u00e3e chegou estava com a m\u00e3o ligada, perdera parte dela (foi, diz, um bombeiro que, na ambul\u00e2ncia para o hospital, lhe deu os dedos decepados do filho).<\/p>\n<p>Face a estes relatos de Nivia, surgiram, no Instagram e Twitter\/X, <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DRMS780iErz\/\" rel=\"nofollow noopener\">publica\u00e7\u00f5es<\/a> dando testemunho de situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o protagonizadas quer por alunos quer por professores, assim como do entusiasmo de crian\u00e7as e adolescentes com o partido de extrema-direita e os seus slogans e discurso anti-imigrantes.\u00a0<\/p>\n<p>Publica\u00e7\u00f5es que, por sua vez, suscitaram coment\u00e1rios como o desta \u201cm\u00e3e de tr\u00eas\u201d, encontrado na conta de Instagram de @volksvargas: \u201cOs mais velhos (13 e 11 anos) contam hist\u00f3rias de arrepiar sobre os colegas da turma gritarem \u2018Chega\u2019 no meio das aulas e andarem pelos corredores a cantar \u2018O Ventura \u00e9 o dono desta merda!\u2019. <strong>A mais nova, de cinco anos, ontem chegou a casa a dizer que uma amiga da turma tinha dito que os ciganos n\u00e3o eram de Portugal. Com muita calma explic\u00e1mos que na verdade os ciganos s\u00e3o de Portugal e que mesmo que n\u00e3o fossem isso n\u00e3o importa. Importa serem humanos. Isto assusta-me muito.<\/strong>\u201d<\/p>\n<p>Outra, identificada como \u201cm\u00e3e de um aluno do 10\u00ba, com 14 anos\u201d, corrobora: \u201c\u00c9 verdade, <strong>mi\u00fados repetem as frases xen\u00f3fobas do Chega e gritam &#8216;Chegaaaa&#8217; por tudo e mais alguma coisa<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>No mesmo local, o funcion\u00e1rio de uma escola de Tavira assevera ser o \u201cIsto n\u00e3o \u00e9 o Bangladesh\u201d a m\u00fasica mais cantada, e um professor de Educa\u00e7\u00e3o Visual do 8\u00ba ano comenta: \u201c\u00c9 assustadora a quantidade de mi\u00fados que ouvi a cantarem o refr\u00e3o da m\u00fasica em diferentes turmas\u201d.\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u201cSe n\u00e3o percebes a pergunta, vai para a tua terra\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se, alegadamente, de cidad\u00e3os preocupados com aquilo que veem como um alastrar de\u00a0slogans\u00a0e ideias xen\u00f3fobas e racistas entre os mais jovens \u2014 aquilo que, na <a aria-label=\"content\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/ensino\/2025-07-07-associacoes-de-pais-divulgam-carta-de-repudio-a-declaracoes-xenofobas-e-exposicao-indevida-de-menores-pelo-chega-b6f86cd6\" rel=\"nofollow noopener\">citada carta de associa\u00e7\u00f5es de pais e encarregados de educa\u00e7\u00e3o em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de nomes de crian\u00e7as pelo Chega<\/a>, \u00e9 denominado de \u201cnarrativa de \u00f3dio\u201d \u2014 e que o DN tentou ouvir, conseguindo chegar \u00e0 fala com v\u00e1rios\u00a0 (outros n\u00e3o responderam aos pedidos de contacto do jornal).\u00a0<\/p>\n<p>Entre os que responderam, para al\u00e9m das j\u00e1 citadas Sofia e Rita, est\u00e1 Maria (outro nome fict\u00edcio), de 48 anos, com um filho de 13 no 8\u00ba ano da escola secund\u00e1ria Pedro Nunes, em Lisboa. Este contou-lhe que <strong>numa aula de Matem\u00e1tica a professora respondeu \u201cse n\u00e3o percebes a pergunta, vai para a tua terra\u201d a um aluno cuja l\u00edngua materna n\u00e3o \u00e9 o portugu\u00eas<\/strong>.<\/p>\n<p>Os colegas, narra Maria, protestaram de imediato e queixaram-se \u00e0 dire\u00e7\u00e3o, assim como aos respetivos pais, que pediram explica\u00e7\u00f5es \u00e0 diretora de turma. O DN contactou a escola, identificando a professora e perguntando se se confirmam os factos relatados, O jornal quis tamb\u00e9m saber quais os procedimentos, se alguns, adotados. A primeira resposta, assinada pelo diretor, agradeceu o interesse do jornal mas foi pouco esclarecedora: \u201cNeste momento estamos a diligenciar no sentido de saber efetivamente o que se passou na sala de aula, apesar de no momento do seu contacto j\u00e1 estarmos a acompanhar a situa\u00e7\u00e3o\u201d. O DN insistiu e a escola, desta vez num email assinado por toda a dire\u00e7\u00e3o, certificou que &#8220;<strong>foram ouvidos todos os intervenientes e contextualizada a situa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Mais: n\u00e3o existiu\/verifica, at\u00e9 ao momento presente, a entrada de qualquer queixa formal nos servi\u00e7os da Escola Secund\u00e1ria Pedro Nunes&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, na resposta, qualquer esclarecimento sobre o que significa a &#8220;contextualiza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o&#8221;, t\u00e3o-pouco a confirma\u00e7\u00e3o ou infirma\u00e7\u00e3o, que o jornal pediu logo de in\u00edcio, dos factos relatados, ou qualquer posicionamento sobre os mesmos. <\/p>\n<p>Maria nem quer acreditar. \u201cSe n\u00e3o houve queixa como ouviram os intervenientes? Adivinharam o que se passou na aula? O que \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o considera uma queixa? \u00c9 uma participa\u00e7\u00e3o \u00e0 Inspe\u00e7\u00e3o Geral da Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia? Se \u00e9 o que querem, v\u00e3o ter.&#8221; Suspira. &#8220;Que hist\u00f3ria. Ainda assim, <strong>o que me animou foi a indigna\u00e7\u00e3o geral dos mi\u00fados. Porque vai sendo raro acontecer<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>Teresa, 41 anos, professora do 3\u00ba ano de escolaridade numa escola da Grande Lisboa, acredita, como a outra docente ouvida pelo DN, que s\u00f3 \u00e9 derrotado quem desiste. E ela n\u00e3o desiste de tentar que os seus alunos aprendam a distinguir entre o certo e o errado \u2014 entre avaliar cada um pelo que faz e diz ou decidir que h\u00e1 grupos de pessoas, definidas pela origem, cor, etnia, nacionalidade, ou outra caracter\u00edstica identit\u00e1ria, que merecem, \u00e0 partida, animosidade e discrimina\u00e7\u00e3o. Pelo que quando, em outubro, apanhou um deles, no regresso do recreio, a entoar \u201cisto n\u00e3o \u00e9 o Bangladesh\u201d no meio da risada de alguns, disse-lhes para parar. \u201c<strong>Ainda por cima tenho uma menina do Bangladesh naquela turma. Ela ficou um bocado parada, n\u00e3o sei se estava a assimilar a situa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Mas creio que depois, penso que pela forma como tratei do assunto, levou como uma brincadeira de mau gosto, sem outra inten\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA minha filha tem 13 anos, anda numa escola p\u00fablica em Lisboa e conta-me que os colegas, sobretudo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":176809,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[3386,27,28,1736,539,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,11099,17,18,29,30,31,21377],"class_list":{"0":"post-176808","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-andre-ventura","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-chega","12":"tag-educacao","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-portugal","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-pt","28":"tag-racismo","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias","34":"tag-xenofobia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115667868479201850","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=176808"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176808\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/176809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=176808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=176808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=176808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}