{"id":178014,"date":"2025-12-06T20:10:26","date_gmt":"2025-12-06T20:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/178014\/"},"modified":"2025-12-06T20:10:26","modified_gmt":"2025-12-06T20:10:26","slug":"descoberto-organismo-que-quebra-regra-dourada-da-biologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/178014\/","title":{"rendered":"Descoberto organismo que quebra regra dourada da Biologia"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/transcription-dna-messenger-rna-its-translation-598710868.html\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"exclude\" target=\"_blank\">ZAP \/\/ imagepointfr \/ Depositphotos <\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-715451\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/e20e29f2578c03dd05c86e36c47caa9c-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Uma arqueia consegue \u201ctolerar incerteza\u201d e ler o mesmo c\u00f3d\u00e3o de duas formas diferentes, pondo em causa um dogma com 60 anos. \u201c\u00c9 como acrescentar mais uma letra ao alfabeto\u201d do c\u00f3digo gen\u00e9tico, que passa a ter 21 amino\u00e1cidos em vez dos 20 que conhecemos.<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Os organismos vivos costumam ler o c\u00f3digo de ADN de forma muito r\u00edgida e previs\u00edvel. Cada <strong>c\u00f3d\u00e3o<\/strong>, o conjunto de tr\u00eas nucle\u00f3tidos num gene, corresponde a um amino\u00e1cido espec\u00edfico que passa a integrar uma prote\u00edna em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Investigadores da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, descobriram agora que um tipo de microrganismo <strong>consegue tolerar incerteza<\/strong> neste processo.<\/p>\n<p>O trabalho, apresentado num <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2517473122\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">artigo<\/a> recentemente publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences p\u00f5e em causa a ideia, defendida h\u00e1 d\u00e9cadas, de que o c\u00f3digo gen\u00e9tico tem de ser <strong>sempre interpretado com total precis\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Este microrganismo, um produtor de metano pertencente ao dom\u00ednio <strong>Archaea<\/strong>,\u00a0 microrganismos procariotas que se caracterizam por terem morfologia semelhante \u00e0 das bact\u00e9rias, mas organiza\u00e7\u00e3o molecular distinta, l\u00ea uma determinada sequ\u00eancia de tr\u00eas letras <strong>de duas maneiras diferentes<\/strong>.<\/p>\n<p>Embora o c\u00f3d\u00e3o sirva normalmente como sinal de \u201cstop\u201d, terminando a produ\u00e7\u00e3o da prote\u00edna, o organismo <strong>trata-o por vezes como indica\u00e7\u00e3o para continuar<\/strong> a construir a prote\u00edna.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de <strong>duas vers\u00f5es da mesma prote\u00edna<\/strong>, e a escolha parece ser influenciada, em parte, pelas condi\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie, Methanosarcina acetivorans, mant\u00e9m-se saud\u00e1vel enquanto funciona com este sistema de descodifica\u00e7\u00e3o flex\u00edvel, mostrando que a vida consegue operar com um <strong>c\u00f3digo gen\u00e9tico ligeiramente imperfeito<\/strong>.<\/p>\n<p>Os cientistas pensam que esta ambiguidade pode ter evolu\u00eddo para permitir ao organismo<strong> acrescentar um amino\u00e1cido raro,<\/strong> chamado <strong>pirrolisina<\/strong>, a uma enzima que o ajuda a degradar metilamina, um composto ambiental comum, detetado inclusivamente no intestino humano.<\/p>\n<p>Ambiguidade como vantagem<\/p>\n<p>\u201cObjetivamente, a ambiguidade no c\u00f3digo gen\u00e9tico <strong>deveria ser destrutiva<\/strong>; acabaria por gerar um conjunto aleat\u00f3rio de prote\u00ednas\u201d, diz <strong>Dipti Nayak<\/strong>, professora auxiliar de biologia molecular e celular na UC Berkeley e autora s\u00e9nior do artigo.<\/p>\n<p>\u201cMas os sistemas biol\u00f3gicos s\u00e3o mais amb\u00edguos do que lhes damos cr\u00e9dito e essa ambiguidade <strong>\u00e9, na verdade, uma caracter\u00edstica \u2014 n\u00e3o \u00e9 um erro<\/strong>\u201d, acrescenta a investigadora, citada pelo <a href=\"https:\/\/scitechdaily.com\/scientists-have-discovered-an-organism-that-breaks-biologys-golden-rule\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Sci Tech Daily<\/a>.<\/p>\n<p>As<strong> arqueias que \u201ccomem\u201d metilaminas<\/strong>, e as bact\u00e9rias que poder\u00e3o ter adquirido essa capacidade, desempenham um papel importante no organismo humano.<\/p>\n<p>No f\u00edgado, <strong>metabolitos libertados pela carne vermelha<\/strong> s\u00e3o convertidos em trimethylamine N-oxide, composto associado a doen\u00e7a cardiovascular. Dependemos destes microrganismos para remover as metilaminas antes de chegarem ao f\u00edgado.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es t\u00eam implica\u00e7\u00f5es para futuras terapias. Alguns investigadores j\u00e1 tinham sugerido que <strong>introduzir alguma imprecis\u00e3o n<\/strong>a maquinaria de tradu\u00e7\u00e3o poderia ajudar a tratar <strong>doen\u00e7as causadas por \u201cc\u00f3d\u00f5es de stop\u201d<\/strong> prematuros em genes importantes, que levam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas n\u00e3o funcionais.<\/p>\n<p>Isso inclui cerca de <strong>10% de todas as doen\u00e7as gen\u00e9ticas<\/strong>, como a fibrose qu\u00edstica ou a <strong>distrofia muscular de Duchenne<\/strong>. Tornar um \u201cc\u00f3d\u00e3o\u201d de stop um pouco \u201cperme\u00e1vel\u201d poderia permitir a produ\u00e7\u00e3o de quantidade suficiente da prote\u00edna normal para atenuar os sintomas.<\/p>\n<p>O ADN do genoma \u00e9 inicialmente transcrito em ARN e esse c\u00f3digo gen\u00e9tico \u00e9 depois <strong>lido pela maquinaria celular para produzir prote\u00ednas<\/strong>. Os \u00e1cidos nucleicos que comp\u00f5em o ARN existem em quatro variantes \u2014 adenina (A), citosina (C), guanina (G) e uracilo (U).<\/p>\n<p>Na maioria dos organismos estudados at\u00e9 hoje, grupos de tr\u00eas \u00e1cidos nucleicos, ou c\u00f3d\u00f5es, s\u00e3o <strong>atribu\u00eddos a um \u00fanico amino\u00e1cido<\/strong> ou a um chamado \u201cc\u00f3d\u00e3o de stop\u201d, que termina a s\u00edntese daquela prote\u00edna. Quando o ARN \u00e9 traduzido numa cadeia de amino\u00e1cidos, a maquinaria respeita sempre esta associa\u00e7\u00e3o de um para um.<\/p>\n<p>Nem todos os organismos descodificam o ARN da mesma maneira. Alguns atribuem <strong>um amino\u00e1cido diferente a um dado c\u00f3d\u00e3o<\/strong>, alguns t\u00eam mais do que os 20 amino\u00e1cidos \u201cpadr\u00e3o\u201d por organismo, e os c\u00f3d\u00f5es s\u00e3o redundantes \u2014 v\u00e1rios podem codificar o mesmo amino\u00e1cido.<\/p>\n<p>Mas, de forma uniforme em toda a \u00e1rvore da vida, cada c\u00f3d\u00e3o tem apenas um significado \u2014<strong> sem exce\u00e7\u00f5es<\/strong>. \u201c\u00c9 essencialmente como uma cifra\u201d, explica Nayak. \u201c<strong>Est\u00e1 a pegar-se em algo numa l\u00edngua e a traduzi-lo para outra<\/strong>, nucle\u00f3tidos para amino\u00e1cidos.\u201d<\/p>\n<p>Os cientistas sabem h\u00e1 muito tempo que muitos membros do dom\u00ednio Archaea produzem pirrolisina, o que lhes d\u00e1 <strong>21 op\u00e7\u00f5es de amino\u00e1cidos<\/strong>, em vez dos habituais 20, a partir dos quais podem fabricar prote\u00ednas. <strong>Isso traz vantagens<\/strong>, diz Nayak.<\/p>\n<p>\u201cQuando passamos a ter um novo amino\u00e1cido,<strong> o mundo abre-se<\/strong>\u201d, acrescenta o investigador. \u201cPodemos come\u00e7ar a brincar com um c\u00f3digo muito mais vasto. \u00c9 como <strong>acrescentar mais uma letra ao alfabeto<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"ZAP \/\/ imagepointfr \/ Depositphotos Uma arqueia consegue \u201ctolerar 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