{"id":179228,"date":"2025-12-07T21:36:08","date_gmt":"2025-12-07T21:36:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/179228\/"},"modified":"2025-12-07T21:36:08","modified_gmt":"2025-12-07T21:36:08","slug":"arquiteto-e-educador-foi-militante-da-luta-pela-igualdade-07-12-2025-cotidiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/179228\/","title":{"rendered":"Arquiteto e educador, foi militante da luta pela igualdade &#8211; 07\/12\/2025 &#8211; Cotidiano"},"content":{"rendered":"<p>Geraldo Vespaziano Puntoni, o Vespa, como era conhecido, nasceu em Brotas, no interior paulista, em 1932. Depois de perder o pai em 1935, passou a viver na casa do seu av\u00f4, com a m\u00e3e e duas irm\u00e3s. Aos 14 anos, completou o prim\u00e1rio e se mudou sozinho para <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sao-paulo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">S\u00e3o Paulo<\/a> para continuar os estudos.<\/p>\n<p>Em 1953, ingressou na Faculdade de Urbanismo e Arquitetura da USP, onde se formou arquiteto e passou a trabalhar para o Departamento de Obras P\u00fablicas, onde permaneceu como servidor at\u00e9 se aposentar. Tamb\u00e9m foi professor na mesma FAU-USP at\u00e9 2002, e nos \u00faltimos anos, da Faap e Escola da Cidade, da qual foi um dos fundadores e grande entusiasta.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2025, perdeu sua grande companheira, Tiche Puntoni, pianista e musicista com quem viveu por 62 anos. Foi exatamente quando come\u00e7ou a perder a mem\u00f3ria em fun\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/06\/confundida-com-alzheimer-hidrocefalia-de-pressao-normal-tem-tratamento-cirurgico-pelo-sus.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">hidrocefalia<\/a>. Num domingo de sol, dia 30 de novembro, ele tamb\u00e9m se foi. Tinha 93 anos.<\/p>\n<p>Era um artista, um humanista. Arquiteto e educador, definiu-se, tamb\u00e9m, como militante pela igualdade \u2014social, racial e de g\u00eanero. Enfrentou, como muitos de sua gera\u00e7\u00e3o, a brutalidade da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ditadura\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ditadura<\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\nComo educador, se definia como um aprendiz persistente; como artista, um apaixonado pela express\u00e3o popular. Quando recebeu em 2013 o t\u00edtulo de professor em\u00e9rito da Escola da Cidade, afirmou: &#8220;Temos de ser ousados, para transformar a nossa realidade e o nosso mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2 de abril de 1979, esteve no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/andancas-na-metropole\/2024\/03\/a-sinistra-memoria-do-dops.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Dops (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social)<\/a> para prestar esclarecimentos &#8220;sobre sua vida de universit\u00e1rio&#8221;. \u00c9 o que diz seu prontu\u00e1rio, guardado no Arquivo do Estado de S\u00e3o Paulo. O documento mostra como ele procurou se esquivar das perguntas sobre colegas e amigos; sem saber, provavelmente, o quanto a pol\u00edcia pol\u00edtica j\u00e1 sabia da sua milit\u00e2ncia como quadro da base dos arquitetos do PCB, como presidente do Sindicato dos Arquitetos de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o foi preso.<\/p>\n<p>Na ficha do Dops, \u00e9 poss\u00edvel ver as marcas dos seus dedos, um registro exato do gesto intimidado de quem, no momento, n\u00e3o tinha garantia dos seus direitos. No canto direito superior, sua assinatura, um rabisco r\u00e1pido, tra\u00e7o seguro, que denota a t\u00e9cnica do professor de desenho.<\/p>\n<p>O documento \u00e9 apenas um tra\u00e7o que marca sua presen\u00e7a no mundo. Permaneceram diversas outras pistas da sua exist\u00eancia como a casa no Morumbi, que projetou e construiu nos anos 1970 (e que serviu para in\u00fameras festas de amigos da fam\u00edlia), a cole\u00e7\u00e3o de 400 lamparinas que formou ao longo do seu trabalho percorrendo obras no interior do estado, uma grande biblioteca e as esculturas que fazia com jornal e fita crepe, conformando figuras impens\u00e1veis e dando vida a mat\u00e9ria inerte.<\/p>\n<p>At\u00e9 o fim seguiu transformando a &#8220;sucata&#8221;, como gostava de definir, em obra de arte.<\/p>\n<p>Deixa, al\u00e9m dos dois filhos (ambos professores da USP) e as noras Malu e Fernanda, os netos Jo\u00e3o Pedro, Matias, Beatriz, Ant\u00f4nio e Bruno, que ser\u00e3o condutores da sua presen\u00e7a entre n\u00f3s.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2025\/12\/mailto:coluna.obituario@grupofolha.com.br\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">coluna.obituario@grupofolha.com.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/mortes\/mortes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Veja os an\u00fancios de mortes<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/mortes\/missas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Veja os an\u00fancios de missa<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Geraldo Vespaziano Puntoni, o Vespa, como era conhecido, nasceu em Brotas, no interior paulista, em 1932. 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