{"id":179473,"date":"2025-12-08T02:09:08","date_gmt":"2025-12-08T02:09:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/179473\/"},"modified":"2025-12-08T02:09:08","modified_gmt":"2025-12-08T02:09:08","slug":"o-que-o-primeiro-coco-do-bebe-pode-revelar-sobre-a-saude-dele-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/179473\/","title":{"rendered":"O que o primeiro coc\u00f4 do beb\u00ea pode revelar sobre a sa\u00fade dele no futuro"},"content":{"rendered":"\n<p>O ano \u00e9 2017. Dois t\u00e9cnicos do laborat\u00f3rio de\u00a0patologia\u00a0do Queen&#8217;s Hospital de Londres aguardam ansiosamente o correio do dia.<\/p>\n<p>Em um dia bom, o laborat\u00f3rio pode receber 50 pacotes individuais, firmemente embalados, cada um contendo um tesouro: uma min\u00fascula amostra de\u00a0coc\u00f4\u00a0de beb\u00ea, cuidadosamente raspada das fraldas de crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas pelos seus pais amorosos.<\/p>\n<p>Estes t\u00e9cnicos s\u00e3o os soldados da linha de frente do estudo denominado\u00a0Bioma do Beb\u00ea. Seu objetivo \u00e9 compreender como o\u00a0microbioma intestinal\u00a0dos beb\u00eas (os trilh\u00f5es de micr\u00f3bios que vivem no seu trato digestivo) afetam sua sa\u00fade futura.<\/p>\n<p>Entre 2016 e 2017, o laborat\u00f3rio analisou as fezes de 3,5 mil rec\u00e9m-nascidos. \u00c9 muito coc\u00f4, mas os resultados foram reveladores.<\/p>\n<p>&#8220;Somente em cerca de tr\u00eas ou quatro dias ap\u00f3s o parto, voc\u00ea come\u00e7a a ter realmente uma boa assinatura dos\u00a0micr\u00f3bios no intestino. Eles levam dois dias para come\u00e7ar a coloniza\u00e7\u00e3o&#8221;, explica o professor de epidemiologia de doen\u00e7as infecciosas Nigel Field, do University College de Londres, chefe do projeto Bioma do Beb\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea nasce, \u00e9 essencialmente est\u00e9ril&#8221;, explica ele.<\/p>\n<p>&#8220;Por isso, este \u00e9 um momento extraordin\u00e1rio para o sistema imunol\u00f3gico, pois, at\u00e9 aquele momento, as superf\u00edcies corporais n\u00e3o entram em contato com micr\u00f3bios.&#8221;<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s, depois de passarmos pelos primeiros dias de vida, desenvolvemos nosso microbioma intestinal. Os cientistas acreditam que essa comunidade de bact\u00e9rias, fungos e v\u00edrus desempenha\u00a0papel fundamental na nossa sa\u00fade.<\/p>\n<p>Na idade adulta, o microbioma intestinal ajuda a decompor as\u00a0fibras de dif\u00edcil digest\u00e3o\u00a0e fornece as enzimas necess\u00e1rias para sintetizar\u00a0certas vitaminas.<\/p>\n<p>Esses micro-organismos nos protegem contra pat\u00f3genos nocivos, simplesmente por estarem ali. Alguns deles at\u00e9 liberam\u00a0antibi\u00f3ticos naturais\u00a0para matar os invasores. E os benef\u00edcios do microbioma intestinal saud\u00e1vel v\u00e3o muito al\u00e9m disso.<\/p>\n<p>Pesquisas recentes indicam que o bom funcionamento do microbioma intestinal poder\u00e1 proteger contra condi\u00e7\u00f5es como ansiedade,\u00a0depress\u00e3o\u00a0e at\u00e9 doen\u00e7as neurodegenerativas, como o\u00a0mal de Alzheimer.<\/p>\n<p>Mas o outro lado da moeda \u00e9 que o microbioma intestinal &#8220;n\u00e3o saud\u00e1vel&#8221; na idade adulta est\u00e1 relacionado a uma longa\u00a0lista de condi\u00e7\u00f5es, como doen\u00e7as cardiovasculares, c\u00e2ncer colorretal, doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, diabetes, doen\u00e7a intestinal inflamat\u00f3ria e\u00a0obesidade.<\/p>\n<p>Os cientistas j\u00e1 realizaram muitos estudos sobre a influ\u00eancia das bact\u00e9rias intestinais na sa\u00fade dos adultos. Mas, at\u00e9 recentemente, eles tinham pouco conhecimento sobre o seu impacto na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Agora, isso come\u00e7ou a mudar.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Os primeiros micr\u00f3bios que colonizam o intestino do beb\u00ea s\u00e3o como os arquitetos do sistema imunol\u00f3gico&#8221;, segundo a professora Archita Mishra, da Universidade de Sydney, na Austr\u00e1lia. Ela estuda o papel do microbioma no desenvolvimento imunol\u00f3gico entre rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p>&#8220;Eles ajudam a &#8216;treinar&#8217; o corpo a diferenciar amigos e inimigos, ensinando as c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas a tolerar ant\u00edgenos alimentares e micr\u00f3bios inofensivos, preparando defesas contra os pat\u00f3genos&#8221;, explica ela.<\/p>\n<p>Mishra afirma que as comunidades bacterianas que se estabelecem nos primeiros seis a 12 meses de vida s\u00e3o respons\u00e1veis pelo\u00a0risco de alergias, pela\u00a0rea\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e0s vacinas\u00a0e pelo funcionamento da\u00a0barreira intestinal\u00a0(a camada que separa o conte\u00fado do intestino do resto do corpo).<\/p>\n<p>&#8220;Aparentemente, os primeiros dias de vida s\u00e3o uma janela em que o microbioma intestinal deixa uma marca que dura d\u00e9cadas&#8221;, segundo a professora.<\/p>\n<p><strong>Rosto cheio de coc\u00f4<\/strong><\/p>\n<p>De forma geral,\u00a0acredita-se\u00a0que a placenta seja uma\u00a0regi\u00e3o livre de micro-organismos. Ou seja, os beb\u00eas n\u00e3o t\u00eam microbioma intestinal quando est\u00e3o dentro do \u00fatero.<\/p>\n<p>Mas, aparentemente, eles herdam a maior parte das bact\u00e9rias do trato digestivo da m\u00e3e \u2014 e n\u00e3o da vagina, como se acreditava anteriormente.<\/p>\n<p>&#8220;A natureza tem um m\u00e9todo muito refinado de criar o microbioma intestinal em beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos&#8221;, explica o professor Steven Leach, especializado em microbioma intestinal, da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea pensar no processo do parto, o beb\u00ea nasce com a cabe\u00e7a voltada para baixo, de frente para a espinha da m\u00e3e&#8221;, prossegue ele.<\/p>\n<p>&#8220;Por isso, observando a anatomia, a cabe\u00e7a do beb\u00ea est\u00e1 retirando o conte\u00fado do intestino da m\u00e3e. Fundamentalmente, quando o beb\u00ea nasce, ele est\u00e1 com o rosto cheio de coc\u00f4.&#8221;<\/p>\n<p>Aparentemente, as bact\u00e9rias intestinais come\u00e7am a influenciar nossa sa\u00fade praticamente no momento em que nascemos.<\/p>\n<p>As\u00a0pesquisas de Field sobre as fezes dos beb\u00eas, por exemplo, demonstraram que ter as bact\u00e9rias intestinais corretas nos primeiros dias de vida poder\u00e1 ajudar a proteger os beb\u00eas contra infec\u00e7\u00f5es virais na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A equipe analisou o coc\u00f4 de 600 beb\u00eas com quatro, sete e 21 dias de vida. Alguns deles foram acompanhados aos seis meses e um ano de idade.<\/p>\n<p>&#8220;A maior diferen\u00e7a, de fato, \u00e9 na forma do parto&#8221;, segundo Field. &#8220;Os beb\u00eas que nascem de cesariana apresentam muitas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos nascidos de parto normal.&#8221;<\/p>\n<p>Isso faz sentido, pois os beb\u00eas nascidos de cesariana n\u00e3o t\u00eam o mesmo &#8220;rosto cheio de coc\u00f4&#8221; dos que nascem de parto natural.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que a cesariana \u00e9 um procedimento m\u00e9dico frequentemente necess\u00e1rio para salvar vidas. Mas as pesquisas demonstram que os beb\u00eas que nascem desta forma perdem bact\u00e9rias ben\u00e9ficas que poderiam proteg\u00ea-los contra infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p>O\u00a0estudo de 2019\u00a0concluiu que, na primeira semana ap\u00f3s o parto, uma das tr\u00eas principais esp\u00e9cies pioneiras de bact\u00e9rias normalmente aparece no intestino do beb\u00ea:\u00a0Bifidobacterium longum\u00a0(B. longum),\u00a0Bifidobacterium breve\u00a0(B. breve) ou\u00a0Enterococcus faecalis\u00a0(E .faecalis).<\/p>\n<p>&#8220;A esp\u00e9cie que for encontrada define a trajet\u00f3ria para as outras esp\u00e9cies que ir\u00e3o colonizar o beb\u00ea&#8221;, segundo Field.<\/p>\n<p>No s\u00e9timo dia, beb\u00eas nascidos de parto normal costumam ter\u00a0B. longum\u00a0ou\u00a0B. breve\u00a0no seu trato digestivo. J\u00e1 os nascidos de cesariana apresentam maior propens\u00e3o a serem\u00a0colonizados por\u00a0E. faecalis.<\/p>\n<p>O microbioma intestinal de beb\u00eas nascidos de parto normal costuma coincidir com o das m\u00e3es. Isso confirma que as bact\u00e9rias s\u00e3o transmitidas principalmente pelo intestino da m\u00e3e, n\u00e3o pela vagina.<\/p>\n<p>Paralelamente, os beb\u00eas nascidos de cesariana apresentaram mais bact\u00e9rias associadas ao ambiente hospitalar.<\/p>\n<p>&#8220;E. faecalis\u00a0\u00e9 uma bact\u00e9ria associada a infec\u00e7\u00f5es oportunistas&#8221;, explica Field. &#8220;Por isso, se o seu sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o estiver em bom funcionamento, ela pode causar doen\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p>Os pesquisadores conclu\u00edram que a diferen\u00e7a das bact\u00e9rias intestinais entre beb\u00eas nascidos de parto normal e de cesariana, em grande parte, desaparecem quando a crian\u00e7a completa um ano de idade.<\/p>\n<p>Mas existem sinais de que ter boas bact\u00e9rias desde o parto pode oferecer benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade dos beb\u00eas.<\/p>\n<p>A equipe acompanhou mais de 1 mil beb\u00eas para saber se algum deles passou por interna\u00e7\u00e3o hospitalar.<\/p>\n<p>&#8220;Conseguimos observar que os beb\u00eas cujo intestino foi dominado por\u00a0B. longum\u00a0tinham cerca de\u00a0metade da probabilidade\u00a0de interna\u00e7\u00e3o hospitalar por infec\u00e7\u00f5es do trato respirat\u00f3rio nos dois primeiros anos de vida, em compara\u00e7\u00e3o com os beb\u00eas que tinham\u00a0B. breve\u00a0e\u00a0E. faecalis&#8221;, segundo Field.<\/p>\n<p>Em outras palavras, ter\u00a0B. longum\u00a0aparentemente protege alguns dos beb\u00eas nascidos de parto normal contra condi\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que a aus\u00eancia de bact\u00e9rias intestinais ben\u00e9ficas, como\u00a0B. longum, explique por que os beb\u00eas nascidos de cesariana apresentam\u00a0risco levemente elevado\u00a0de desenvolver certas condi\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias, como asma, alergias, doen\u00e7as autoimunes e obesidade. Mas \u00e9 preciso realizar mais estudos para confirmar esta possibilidade.<\/p>\n<p><strong>A digest\u00e3o dos a\u00e7\u00facares<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe por que as bact\u00e9rias intestinais do beb\u00ea podem proteg\u00ea-los contra infec\u00e7\u00f5es. Mas uma das principais teorias \u00e9 que\u00a0Bifidobacterium, como\u00a0B. longum, ou outra bact\u00e9ria ben\u00e9fica chamada\u00a0Lactobacillus\u00a0s\u00e3o especialistas em decompor os a\u00e7\u00facares complexos encontrados no leite humano, conhecidos como\u00a0oligossacar\u00eddeos.<\/p>\n<p>Esses a\u00e7\u00facares s\u00e3o importantes componentes do leite de peito humano, mas as enzimas do beb\u00ea n\u00e3o conseguem digeri-las.<\/p>\n<p>B. longum\u00a0transforma os a\u00e7\u00facares em mol\u00e9culas chamadas \u00e1cidos graxos de cadeia curta (AGCC, na sigla em ingl\u00eas). Acredita-se que essas mol\u00e9culas regulem o sistema imunol\u00f3gico, potencialmente ajudando o beb\u00ea a combater melhor eventuais infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os AGCC tamb\u00e9m podem ajudar a ensinar o sistema imunol\u00f3gico do beb\u00ea a ignorar e tolerar est\u00edmulos inofensivos e in\u00f3cuos. Em outras palavras, eles ajudam a orientar o sistema imunol\u00f3gico para que suas rea\u00e7\u00f5es sejam mais tolerog\u00eanicas.<\/p>\n<p>&#8220;Nas sociedades ocidentais, na verdade, n\u00e3o somos mais expostos a bact\u00e9rias mortais&#8221;, segundo Leach. &#8220;Por isso, os problemas de sa\u00fade que estamos observando na popula\u00e7\u00e3o ocidental como um todo s\u00e3o mais relacionados \u00e0\u00a0superativa\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es imunol\u00f3gicas.&#8221;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se acredita que\u00a0Bifidobacterium\u00a0ajude a criar um\u00a0ambiente intestinal mais hostil\u00a0para as bact\u00e9rias patog\u00eanicas, causadoras de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos adultos, o intestino dos beb\u00eas \u00e9 aer\u00f3bico, ou seja, ele cont\u00e9m oxig\u00eanio. Isso ocorre para sustentar o intestino, quando ele come\u00e7ar a\u00a0absorver nutrientes\u00a0pela primeira vez.<\/p>\n<p>No nascimento, os intestinos tamb\u00e9m t\u00eam pH neutro. Eles n\u00e3o s\u00e3o \u00e1cidos, nem alcalinos.<\/p>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que os tipos de bact\u00e9rias que, potencialmente, podem prejudicar os beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos gostam dessas condi\u00e7\u00f5es aer\u00f3bicas sob pH neutro&#8221;, explica Leach.<\/p>\n<p>&#8220;Bifidobacterium\u00a0ajuda consumindo rapidamente o oxig\u00eanio e criando um ambiente anaer\u00f3bico que reduz o pH. Isso limita o crescimento de bact\u00e9rias potencialmente nocivas.&#8221;<\/p>\n<p>Mas os cientistas est\u00e3o apenas come\u00e7ando a entender como tudo isso se encaixa.<\/p>\n<p>&#8220;Pode haver mais varia\u00e7\u00f5es do que dizer que &#8216;o parto de cesariana \u00e9 pior e o parto normal \u00e9 melhor'&#8221;, segundo Field.<\/p>\n<p>&#8220;Nem todos os beb\u00eas que nascem de parto normal conseguem os micro-organismos associados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos riscos e nem todos os beb\u00eas nascidos de cesariana sofrem os problemas de sa\u00fade que nos preocupam.&#8221;<\/p>\n<p>Engenharia de micro-organismos<br \/>Mas a descoberta levanta uma quest\u00e3o: devemos intervir para fornecer aos beb\u00eas (especialmente aos nascidos de cesariana) um refor\u00e7o microbiano que possa ser \u00fatil para eles?<\/p>\n<p>&#8220;As cesarianas salvam vidas&#8221;, defende Archita Mishra. &#8220;Por isso, nosso trabalho \u00e9 reconstruir o microbioma que est\u00e1 faltando, com seguran\u00e7a e precis\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 como fazer para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma op\u00e7\u00e3o que, \u00e0s vezes, \u00e9 considerada \u00e9 a &#8220;semeadura vaginal&#8221;. Um swab de fluido vaginal \u00e9 esfregado na pele e na boca do rec\u00e9m-nascido, na esperan\u00e7a de que micr\u00f3bios ben\u00e9ficos ingressem no corpo do beb\u00ea, indo at\u00e9 o intestino.<\/p>\n<p>Esta pr\u00e1tica vem\u00a0ganhando popularidade, mas os especialistas alertam que ela pode\u00a0transferir pat\u00f3genos infecciosos perigosos.<\/p>\n<p>Acredita-se, por exemplo, que mais de 25% das mulheres sejam portadoras de\u00a0estreptococos do grupo B\u00a0na vagina. Eles podem ser fatais para o beb\u00ea.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o estudo do bioma dos beb\u00eas de 2019 demonstrou que os micr\u00f3bios ben\u00e9ficos n\u00e3o v\u00eam da vagina da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Existem outras op\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de\u00a0manipula\u00e7\u00e3o do microbioma, como o transplante de micr\u00f3bios fecais, tamb\u00e9m conhecido como\u00a0transplante de fezes.<\/p>\n<p>Neste processo, as fezes da m\u00e3e poderiam ser transferidas para o trato gastrointestinal do beb\u00ea. Foram realizados\u00a0testes promissores em pequena escala, mas, atualmente, a pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 recomendada.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o sabemos se o microbioma vaginal ou mesmo fecal da m\u00e3e \u00e9 o correto para fornecer ao beb\u00ea&#8221;, explica Nigel Field. &#8220;E acho que existe o risco de que ele possa n\u00e3o fazer bem e at\u00e9 prejudicar o beb\u00ea de formas que ainda n\u00e3o compreendemos.&#8221;<\/p>\n<p>Por outro lado,\u00a0j\u00e1 se demonstrou\u00a0que os\u00a0suplementos probi\u00f3ticos\u00a0s\u00e3o uma forma segura e eficaz de influenciar a flora intestinal.<\/p>\n<p>Testes cl\u00ednicos indicam que eles podem proteger beb\u00eas extremamente prematuros ou com baixo peso ao nascer contra a\u00a0enterocolite necrotizante, uma doen\u00e7a intestinal potencialmente fatal, que afeta principalmente os beb\u00eas prematuros. E outros estudos indicam que os suplementos podem reduzir o pr\u00f3prio risco de\u00a0parto prematuro.<\/p>\n<p>Mas ainda existe a quest\u00e3o de saber quais bact\u00e9rias devem ser fornecidas.<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer altera\u00e7\u00e3o no estabelecimento do microbioma de um beb\u00ea deve se concentrar na restaura\u00e7\u00e3o ou retifica\u00e7\u00e3o dos impactos da interven\u00e7\u00e3o humana no processo&#8221;, segundo Leach.<\/p>\n<p>&#8220;A semeadura vaginal e os transplantes microbianos fecais s\u00e3o, basicamente, probi\u00f3ticos sujos. Voc\u00ea simplesmente n\u00e3o sabe o que h\u00e1 neles, o que causa riscos. Por isso, os probi\u00f3ticos provavelmente s\u00e3o a melhor sa\u00edda.&#8221;<\/p>\n<p>Mishra concorda que os probi\u00f3ticos orais podem ser a t\u00e9cnica mais pr\u00e1tica e segura. Mas ela destaca que os resultados apresentam grandes varia\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que o intestino de cada beb\u00ea \u00e9 \u00fanico.<\/p>\n<p>Para ela, o futuro provavelmente est\u00e1 nas interven\u00e7\u00f5es precisas no microbioma, orientadas pelo perfil imunol\u00f3gico, gen\u00e9tico e alimentar do beb\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;Pense na solu\u00e7\u00e3o como &#8216;medicina microbiana personalizada'&#8221;, conclui a professora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ano \u00e9 2017. 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