{"id":179541,"date":"2025-12-08T03:34:08","date_gmt":"2025-12-08T03:34:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/179541\/"},"modified":"2025-12-08T03:34:08","modified_gmt":"2025-12-08T03:34:08","slug":"homens-jovens-lideram-internacoes-por-saude-mental-08-12-2025-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/179541\/","title":{"rendered":"Homens jovens lideram interna\u00e7\u00f5es por sa\u00fade mental &#8211; 08\/12\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Os homens de 15 a 29 anos representam 61,3% das interna\u00e7\u00f5es por problemas de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/nova-escala-ajuda-a-triagem-e-a-estruturar-atendimento-a-saude-mental-no-sus.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sa\u00fade mental no SUS<\/a> (Sistema \u00danico de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a>), com taxa de 708,4 por 100 mil habitantes \u201457% maior que a das mulheres (450), aponta estudo da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/fiocruz\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Fiocruz<\/a> (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz) divulgado nesta segunda-feira (8).<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/12\/cracolandia-nao-morreu-e-esta-dispersa-diz-medica-que-atende-usuarios-de-drogas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">abuso de subst\u00e2ncias psicoativas<\/a> \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/05\/depressao-masculina-muitas-vezes-se-esconde-sob-vicio-e-violencia-diz-terapeuta.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">principal causa das interna\u00e7\u00f5es de homens jovens<\/a> (38,4%). A maioria dos casos (68,7%) decorre do uso de m\u00faltiplas drogas, seguido pela coca\u00edna (13,2%) e pelo \u00e1lcool (11,5%). Entre homens e mulheres, o abuso de drogas e os<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/brasil-tem-mais-de-547-mil-pessoas-com-esquizofrenia-aponta-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> transtornos esquizofr\u00eanicos<\/a> respondem por 31% e 32% das interna\u00e7\u00f5es na rede p\u00fablica, respectivamente.<\/p>\n<p>Coordenador da Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e um dos autores do estudo, Andr\u00e9 Sobrinho relaciona esse cen\u00e1rio a fatores culturais, como padr\u00f5es de masculinidade, e \u00e0 precariedade no trabalho e na educa\u00e7\u00e3o. Acesso facilitado a subst\u00e2ncias, press\u00e3o por desempenho e expectativas sociais tamb\u00e9m influenciam o adoecimento.<\/p>\n<p>Os dados foram levantados por pesquisadores da AJF e da Escola Polit\u00e9cnica de Sa\u00fade Joaquim Ven\u00e2ncio (EPSJV\/Fiocruz). Foram utilizados os n\u00fameros de 2022 a 2024 dispon\u00edveis das bases do SUS sobre interna\u00e7\u00f5es hospitalares, \u00f3bitos e atendimentos na APS (Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade) entre jovens de 15 a 19 anos, al\u00e9m do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) para o c\u00e1lculo das taxas de mortalidade e interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre mulheres e homens de 15 a 29 anos, as interna\u00e7\u00f5es por quest\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude-mental\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade mental<\/a> chegam a 579,5 casos por 100 mil habitantes, com 262.606 registros no per\u00edodo. As taxas s\u00e3o ainda maiores entre 20 e 24 anos (624,8) e entre 25 e 29 anos (719,7), superando inclusive as de adultos acima de 30 anos (599,4).<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>As principais causas de interna\u00e7\u00e3o na juventude s\u00e3o esquizofrenia e similares (31,9%), como transtornos delirantes persistentes, al\u00e9m de abuso de subst\u00e2ncias psicoativas (31,0%) e transtornos do humor, como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/11\/depressao-se-tornou-mais-aceita-como-doenca-de-causas-biologicas-diz-psiquiatra-philip-gold.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">depress\u00e3o <\/a>e ansiedade.<\/p>\n<p>J\u00e1 os transtornos do humor s\u00e3o a principal causa de interna\u00e7\u00e3o (36,7%) entre mulheres jovens, sendo a depress\u00e3o respons\u00e1vel por 61% dos casos. Os registros est\u00e3o associados a fatores como jornadas exaustivas, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/07\/quase-95-dos-cuidadores-de-pessoas-com-demencia-no-brasil-sao-mulheres-diz-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sobrecarga de cuidados<\/a>, ass\u00e9dio no trabalho e inseguran\u00e7a nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>&#8220;As mulheres s\u00e3o as que mais relatam queixas ligadas ao estresse e ao ass\u00e9dio. Isso aparece de forma muito forte&#8221;, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Para Luciane Ferrareto, pesquisadora da EPSJV\/Fiocruz e especialista em juventude e sa\u00fade, os dados refletem o impacto do machismo estrutural na vida de meninas e mulheres desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Ela cita a tutela familiar excessiva, a repress\u00e3o comportamental e a limita\u00e7\u00e3o da autonomia como elementos que marcam a adolesc\u00eancia feminina. Na vida adulta, a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/maternar\/2025\/11\/mulheres-negras-dedicam-mais-horas-a-tarefas-de-cuidados-e-ainda-sao-elas-que-criam-filhos-de-brancos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">sobrecarga do cuidado<\/a>, com filhos, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/10\/mulheres-sao-92-dos-cuidadores-de-idosos-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">idosos <\/a>ou tarefas dom\u00e9sticas, agrava o adoecimento, especialmente quando leva ao abandono dos estudos, \u00e0 sa\u00edda do trabalho ou \u00e0 perda de v\u00ednculos sociais.<\/p>\n<p>O psiquiatra Dartiu Silveira, professor da Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo) e especialista em depend\u00eancia qu\u00edmica, afirma que a epsquisa da Fiocruz confirma o que profissionais observam na pr\u00e1tica cl\u00ednica: jovens, sobretudo os mais pobres, est\u00e3o mais vulner\u00e1veis a quadros graves de sofrimento ps\u00edquico, muitas vezes invisibilizados por preconceito e falta de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um discurso de cobran\u00e7a: \u2018voc\u00ea \u00e9 jovem, se vira, aguenta\u2019. Isso faz com que sintomas graves passem despercebidos&#8221;, diz. Depress\u00e3o, psicose e abuso de \u00e1lcool e drogas s\u00e3o frequentes e, muitas vezes, subdiagnosticados nessa faixa et\u00e1ria, afirma o especialista.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m mostra baixa procura dos jovens por servi\u00e7os de sa\u00fade mental. No per\u00edodo analisado, apenas 11,3% dos atendimentos na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria foram relacionados ao tema \u2014menos da metade da propor\u00e7\u00e3o observada na popula\u00e7\u00e3o geral (24,3%).<\/p>\n<p>Sobrinho refor\u00e7a que estigmas e preconceitos ainda desqualificam o sofrimento dos jovens, frequentemente visto como frescura pelas gera\u00e7\u00f5es mais velhas. Para ele, a nova gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 apenas nomeando dores que sempre existiram, mas que agora exigem acolhimento real.<\/p>\n<p>&#8220;A juventude \u00e9 sempre associada a pot\u00eancia e mudan\u00e7a, mas n\u00e3o adianta cobrar isso sem garantir condi\u00e7\u00f5es dignas de vida. Escutar a dor desses jovens e criar estrat\u00e9gias para que vivam melhor \u00e9 responsabilidade do Estado e da sociedade&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A juventude concentra tamb\u00e9m o maior risco de suic\u00eddio: 31,2 casos por 100 mil habitantes, acima da taxa da popula\u00e7\u00e3o geral (24,7).<\/p>\n<p>Entre povos ind\u00edgenas, o cen\u00e1rio \u00e9 ainda mais grave. Essa popula\u00e7\u00e3o apresenta a maior taxa de suic\u00eddios do pa\u00eds: 62,7 por 100 mil habitantes. Entre homens ind\u00edgenas de 20 a 24 anos, o \u00edndice chega a 107,9.<\/p>\n<p>Sobrinho afirma que os dados sobre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena evidenciam tanto o impacto dos conflitos territoriais quanto as dificuldades de acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade adequados nos territ\u00f3rios tradicionais.<\/p>\n<p>Segundo Silveira, a depress\u00e3o \u00e9 o principal fator de risco para suic\u00eddio em qualquer idade, especialmente entre jovens e idosos. Muitas vezes, diz ele, o consumo de subst\u00e2ncias funciona como tentativa de automedica\u00e7\u00e3o diante do sofrimento emocional.<\/p>\n<p>&#8220;O risco de suic\u00eddio dobra quando o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/08\/ansiedade-e-depressao-podem-ser-diagnosticadas-de-formas-diferentes-dependendo-da-cultura.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">jovem com depress\u00e3o<\/a> tamb\u00e9m faz uso abusivo de \u00e1lcool ou outras drogas&#8221;, explica. Mudan\u00e7as importantes de comportamento devem acender um sinal vermelho: tristeza persistente, apatia, queda de produtividade, perda de interesse por atividades cotidianas e falta de motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso do uso de subst\u00e2ncias, a frequ\u00eancia \u00e9 um indicador fundamental. &#8220;O uso di\u00e1rio \u00e9 um alerta. E vale para qualquer subst\u00e2ncia. Se algu\u00e9m diz que fuma maconha a cada quinze dias, \u00e9 improv\u00e1vel que isso tenha grande impacto na sa\u00fade, mas se precisa usar todos os dias para se sentir bem, essa pessoa n\u00e3o est\u00e1 bem&#8221;, afirma. O mesmo vale para o \u00e1lcool ou outras subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Para Silveira, a interna\u00e7\u00e3o se torna necess\u00e1ria quando h\u00e1 sinais de depress\u00e3o grave, especialmente se houver risco de suic\u00eddio. Ele ressalta, por\u00e9m, que \u00e9 poss\u00edvel tratar fora do hospital quando existe estrutura familiar e rede de apoio.<\/p>\n<p>No caso da depend\u00eancia qu\u00edmica, alerta que a interna\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 indicada \u2014e, na maioria das vezes, n\u00e3o funciona quando \u00e9 involunt\u00e1ria. &#8220;Depend\u00eancia \u00e9 tratada melhor em regime ambulatorial. Interna\u00e7\u00f5es involunt\u00e1rias t\u00eam baixo sucesso, porque o paciente sai e volta a usar&#8221;, diz. A interna\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 recomendada quando h\u00e1 uso abusivo associado \u00e0 depress\u00e3o grave ou risco de suic\u00eddio.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/projeto-saude-publica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">projeto Sa\u00fade P\u00fablica<\/a> tem apoio da Umane, associa\u00e7\u00e3o civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os homens de 15 a 29 anos representam 61,3% das interna\u00e7\u00f5es por problemas de sa\u00fade mental no SUS&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":179542,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1031,1029,2807,236,116,32,4802,33,117,1030,896],"class_list":{"0":"post-179541","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-autocuidado","9":"tag-cuide-se","10":"tag-fiocruz","11":"tag-folha","12":"tag-health","13":"tag-portugal","14":"tag-projeto-saude-publica","15":"tag-pt","16":"tag-saude","17":"tag-saude-mental","18":"tag-saude-publica"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115681851084310892","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=179541"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/179541\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/179542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=179541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=179541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=179541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}