{"id":180525,"date":"2025-12-08T20:45:44","date_gmt":"2025-12-08T20:45:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/180525\/"},"modified":"2025-12-08T20:45:44","modified_gmt":"2025-12-08T20:45:44","slug":"anita-guerreiro-1936-2025-fadista-e-actriz-que-sempre-teve-o-fado-na-alma-obituario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/180525\/","title":{"rendered":"Anita Guerreiro (1936-2025), fadista e actriz que sempre teve o fado na alma | Obitu\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Desde o passatempo radiof\u00f3nico Tribunal da Can\u00e7\u00e3o, onde fez sucesso em 1952, que o nome e a voz de Anita Guerreiro n\u00e3o deixaram de se ouvir, com maior ou menor intensidade. Fadista, actriz, cantadeira, residia desde 2018 na Casa do Artista, onde morreu, durante o sono, depois da meia-noite deste domingo, 7 de Dezembro. Tinha 89 anos e deixa-nos a mem\u00f3ria de d\u00e9cadas de intensa vida art\u00edstica, da r\u00e1dio aos fados, do teatro de revista \u00e0s marchas de Lisboa e \u00e0 televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Nascida Bebiana Guerreiro Rocha no bairro da Pena, em Lisboa, no dia 13 de Novembro de 1936, tinha apenas 16 anos quando concorreu ao Tribunal da Can\u00e7\u00e3o, um passatempo do programa de r\u00e1dio Comboio das Seis e Meia, com produ\u00e7\u00e3o e locu\u00e7\u00e3o de Marques Vidal. Este, surpreendido com sua voz, arranjou forma de a estrear no Caf\u00e9 Luso com o nome art\u00edstico de Anita Guerreiro.<\/p>\n<p>Num texto autobiogr\u00e1fico publicado pela Casa do Artista em 16 de Setembro de 2023, explicou ela assim o sucedido: \u201cAproveitaram o Guerreiro, para dar luta, e juntaram-lhe Anita, mais carinhoso. At\u00e9 aos meus 12 anos, \u00e9ramos cinco l\u00e1 em casa: os meus pais e as tr\u00eas filhas. Nessa altura pass\u00e1mos a quatro, porque a nossa m\u00e3e faleceu de febre tifoide. Nunca tive desgosto maior.\u201d Antes de se dar a conhecer naquele programa de r\u00e1dio que acabou por lhe abrir as portas \u00e0 fama, em Dezembro de 1952, Bebiana j\u00e1 come\u00e7ara a cantar. \u201cPelos 14 anos, j\u00e1 cantava na colectividade Sport Clube Do Intendente. Entrei l\u00e1 numa revistinha e j\u00e1 n\u00e3o me largaram.\u201d<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>E foi no palco no Teatro Maria Vit\u00f3ria que, j\u00e1 como Anita Guerreiro, se estreou na revista, em \u00d3 Z\u00e9 Aperta o La\u00e7o (1955), seguindo-se Festa \u00e9 Festa. N\u00e3o tardaria a estrear-se no cinema, a cantar Lisboa antiga (de Raul Portela e Jos\u00e9 Galhardo\/Amadeu do Vale) no <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/10\/19\/culturaipsilon\/opiniao\/lisboa-cidade-musa-fotografos-filmes-2067180\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">filme Lisbon<\/a>, do norte-americano Ray Milland, que nele participou como actor ao lado de Maureen O\u2019Hara, Claude Rains (o gendarme de Casablanca) e Yvonne Furnaux. Estreado em 1956, foi filmado em Lisboa e arredores, ainda que a \u201ccasa de fados\u201d onde canta Anita Guerreiro fosse encenada em est\u00fadio.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Anita Guerreiro no filme Lisbon, de Ray Milland (1956)&#13;<br \/>\nDR                    &#13;<\/p>\n<p>Fados, cantou-os em v\u00e1rias casas de Lisboa, integrando o elenco d\u2019O Faia, no Bairro Alto. Mas foi no teatro de revista que ela teve, \u00e0 data, maior projec\u00e7\u00e3o, a par dos fados: \u201cFiz muita revista, cantei e lancei muitos fados originais, mas talvez o mais conhecido \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JHEuFlrazuc&amp;list=RDJHEuFlrazuc&amp;start_radio=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Cheira bem, cheira a Lisboa<\/a>, com letra do C\u00e9sar de Oliveira\u201d, recordou ela no texto j\u00e1 citado. \u201cTamb\u00e9m fui Madrinha de muitas marchas populares de Lisboa, entre elas a Marcha dos mercados. Fiz teatro, cinema, televis\u00e3o e muita avenida abaixo nos Santos Populares. Abri ainda um restaurante e casa de fados, a casa t\u00edpica Adega da Anita, \u00e0 entrada do Parque Mayer. Em tudo fui feliz, porque me entreguei com toda a minha alma. Ainda gosto muito de cantar. A voz pode n\u00e3o ser a mesma, mas a alma \u00e9.\u201d<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Anita Guerreiro em 1967 e na capa de dois dos seus \u00e1lbuns&#13;<br \/>\nMUSEU DO FADO                    &#13;<\/p>\n<p>Assim sintetizou Anita Guerreiro uma vida cheia. Na vida pessoal, teve \u201cum primeiro casamento demasiado cedo\u201d, que n\u00e3o lhe deu filhos. S\u00f3 depois estabilizou, acrescentando ao seu nome de baptismo o apelido do segundo marido: \u201cCasei pela segunda vez com o Pepe Cardinali, cantor e ilusionista do Circo Cardinali, com quem tive dois filhos e me fez muito feliz.\u201d Viveram juntos durante muitos anos. \u201cEle adoeceu de Alzheimer e uma parte de mim adoeceu como ele. Quando o perdi, ficaram muitas saudades e a certeza de que nunca iria dar espa\u00e7o a mais ningu\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>O \u00eaxito de Anita Guerreiro n\u00e3o se ficou por Portugal, tendo actuado em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, no Canad\u00e1 e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Ap\u00f3s v\u00e1rias temporadas no estrangeiro, Portugal come\u00e7ou a v\u00ea-la na televis\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 em novelas (Primeiro Amor, 1995; Roseira Brava, 1996) mas tamb\u00e9m em s\u00e9ries de humor como A Loja do Camilo (1999), ou Os Batanetes (2004). Com um primeiro \u00e1lbum lan\u00e7ado em 1970 (Cheira a Lisboa), gravou v\u00e1rios discos, com fados e marchas que viriam a ser parcialmente reunidos em colect\u00e2neas lan\u00e7adas pela Movieplay, em 1994 e em 2005, esta intitulada Anita Guerreiro &#8211; Antologia 50 Anos de Teatro em Revista (1955-2000).<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Em 2004, no dia 17 de Fevereiro, Anita Guerreiro foi homenageada num espect\u00e1culo no Teatro Municipal S\u00e3o Luiz, durante o qual recebeu da C\u00e2mara Municipal de Lisboa a Medalha Municipal de M\u00e9rito, Grau de Ouro, distin\u00e7\u00e3o a juntar \u00e0s v\u00e1rias que foi recebendo ao longo da vida. Vinte anos mais tarde, em Junho de 2024, foi inaugurada em Lisboa, por iniciativa da Junta de Freguesia de Avenidas Novas, uma exposi\u00e7\u00e3o intitulada Retratos Contados de Anita Guerreiro, percorrendo a sua vida e obra. A exposi\u00e7\u00e3o esteve no Centro Comercial Campo Pequeno durante um m\u00eas.<\/p>\n<p>No texto publicado em 2023, Anita Guerreiro escreveu: \u201cA Casa do Artista \u00e9 hoje a minha casa\u201d, concluindo: \u201ce o fado sempre foi a minha alma\u2026\u201d Afirma\u00e7\u00e3o certeira, que a vida confirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde o passatempo radiof\u00f3nico Tribunal da Can\u00e7\u00e3o, onde fez sucesso em 1952, que o nome e a voz&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":180526,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[36985,315,1413,114,115,2131,797,150,1535,25396,32,33],"class_list":{"0":"post-180525","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-bairro-alto","9":"tag-cultura","10":"tag-cultura-ipsilon","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-fado","14":"tag-lisboa","15":"tag-musica","16":"tag-obituario","17":"tag-parque-mayer","18":"tag-portugal","19":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115685905175578417","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180525"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180525\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/180526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}