{"id":180563,"date":"2025-12-08T21:16:10","date_gmt":"2025-12-08T21:16:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/180563\/"},"modified":"2025-12-08T21:16:10","modified_gmt":"2025-12-08T21:16:10","slug":"habitacao-apoios-aos-jovens-ajudaram-quem-nao-precisava-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/180563\/","title":{"rendered":"Habita\u00e7\u00e3o. Apoios aos jovens &#8220;ajudaram quem n\u00e3o precisava&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>As medidas de apoio aos jovens na compra de casa, desde a isen\u00e7\u00e3o de IMT at\u00e9 \u00e0 garantia p\u00fablica, \u201c<strong>puseram mais press\u00e3o na procura<\/strong>\u201d num mercado imobili\u00e1rio onde h\u00e1 pouca oferta e, na maioria dos casos, s\u00f3 \u201c<strong>ajudaram a poupan\u00e7a dos jovens que j\u00e1 iam aceder \u00e0 compra de casa de qualquer forma<\/strong>\u201c. Ricardo Sousa, diretor-geral da consultora Century 21, uma das principais a operar no mercado portugu\u00eas, diz que as medidas trouxeram uma \u201c<strong>avalancha<\/strong>\u201d de compras de casa mas n\u00e3o ajudaram quem realmente precisa.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Observador, Ricardo Sousa pede medidas menos \u201cgeneralistas\u201d para ajudar quem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para comprar ou arrendar casa a custos suport\u00e1veis \u2013 solu\u00e7\u00f5es \u201cestruturais\u201d que v\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica at\u00e9 \u00e0 \u201caposta clara\u201d nos transportes p\u00fablicos dentro das \u00e1reas metropolitanas. Mas tamb\u00e9m faz outras propostas mais concretas, incluindo <strong>produtos inovadores na concess\u00e3o de cr\u00e9dito por parte dos bancos<\/strong>.<\/p>\n<p>A poucas semanas de o Governo apresentar, como est\u00e1 prometido, novas iniciativas de regula\u00e7\u00e3o do setor da media\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, o diretor-geral da Century 21 reconhece que <strong>\u201c\u00e9 essencial\u201d regular<\/strong> este setor onde trabalham largos milhares de pessoas. Quantas, exatamente? Ningu\u00e9m sabe. E isso \u00e9 um dos problemas.<\/p>\n<p><strong>Os \u00faltimos dados sobre o mercado imobili\u00e1rio dizem-nos que os <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/10\/22\/precos-das-casas-disparam-19-em-portugal-no-segundo-trimestre-na-comparacao-homologa-diz-o-ine\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">pre\u00e7os na habita\u00e7\u00e3o continuam a subir<\/a> em Portugal, a um ritmo elevado, nos dois d\u00edgitos \u2013 em m\u00e9dia. Est\u00e1 a ver algum sinal de abrandamento em algum segmento ou em algumas zonas do pa\u00eds?<\/strong><br \/>Neste momento continuamos com uma procura muito forte, sustentada, sobretudo, pela troca de casa dos portugueses, que viram o seu patrim\u00f3nio valorizar-se. E, com um mercado de trabalho bastante din\u00e2mico, gera-se uma procura de casas muito alta, o que est\u00e1 a suster os pre\u00e7os em todo o territ\u00f3rio nacional. Nos mercados mais tensionados, como Lisboa, Cascais ou Oeiras, j\u00e1 estamos a ver uma estabiliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. A subida real dos pre\u00e7os j\u00e1 est\u00e1 mais nas cidades secund\u00e1rias e na periferia da cidade de Lisboa e da cidade do Porto.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 v\u00ea, ent\u00e3o, uma estabiliza\u00e7\u00e3o nos mercados mais caros\u2026<\/strong><br \/>Nas cidades secund\u00e1rias e nos mercados das periferias vamos continuar a assistir ainda a esta press\u00e3o sobre os pre\u00e7os e a uma subida de pre\u00e7os, porque de facto h\u00e1 muita procura para aquilo que \u00e9 a oferta dispon\u00edvel no mercado. O que j\u00e1 estamos a verificar \u2013 e os nossos dados de setembro, outubro e mesmo novembro j\u00e1 o mostram \u2013 \u00e9 uma contra\u00e7\u00e3o no n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es. Se virmos durante um per\u00edodo continuado de tempo estas varia\u00e7\u00f5es hom\u00f3logas com contra\u00e7\u00e3o de n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es, a\u00ed sim, podemos j\u00e1 esperar uma estabiliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e mesmo alguma corre\u00e7\u00e3o, sobretudo, no mercado de segunda m\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Os dados do INE, para j\u00e1, ainda est\u00e3o a apontar para um aumento do n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es, mas possivelmente s\u00e3o dados algo datados, j\u00e1 que s\u00e3o relativos ao segundo trimestre. Voc\u00eas, no terreno, j\u00e1 notam uma mudan\u00e7a? E isso acontece porqu\u00ea?<\/strong><br \/>Nesta viragem do segundo para o terceiro trimestre e neste quarto trimestre, penso que j\u00e1 vamos come\u00e7ar a ver varia\u00e7\u00f5es hom\u00f3logas ou negativas ou, ent\u00e3o, muito em linha com o que tivemos no ano passado, at\u00e9 porque vamos comparar com um trimestre muito forte (o \u00faltimo trimestre do ano passado). E o principal motivo que justifica esta contra\u00e7\u00e3o do n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es \u00e9 o poder de compra dos portugueses. A evolu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o das casas est\u00e1 a ser a um ritmo muito acelerado face ao rendimento dispon\u00edvel dos portugueses. N\u00f3s vimos no ano passado uma procura que estava, digamos, segurada, \u00e0 espera dos apoios \u00e0 compra pelos jovens \u2013 que trouxe uma avalancha que foi importante e que agora come\u00e7a a desvanecer-se. E, tamb\u00e9m, h\u00e1 o efeito da descida das taxas de juro, a corre\u00e7\u00e3o da taxa stressada na recomenda\u00e7\u00e3o macroprudencial do Banco de Portugal, tudo isto criou um efeito de melhoria no poder de compra dos portugueses, que tamb\u00e9m se come\u00e7a agora a desvanecer, atingindo j\u00e1 o seu limite. Por esse motivo, vimos j\u00e1 este final de ano [o n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es] a abrandar e acreditamos que se vai prolongar durante 2026.<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         O que \u00e9 a &#8220;taxa stressada&#8221; do Banco de Portugal? <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>Ricardo Sousa faz refer\u00eancia ao impacto (positivo) que teve no mercado imobili\u00e1rio a \u201ccorre\u00e7\u00e3o da taxa stressada na recomenda\u00e7\u00e3o macroprudencial do Banco de Portugal\u201d. O que est\u00e1 em causa \u00e9 o acr\u00e9scimo que \u00e9 aplicado \u00e0 taxa de esfor\u00e7o dos clientes quando se avalia a concess\u00e3o de um cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>No caso do cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, quando as taxas de juro estavam em n\u00edveis muito baixos (at\u00e9 negativos) esse acr\u00e9scimo era de tr\u00eas pontos percentuais, o que significava que o banco testava at\u00e9 que ponto o cliente conseguiria suportar, sem exceder a taxa de esfor\u00e7o, um poss\u00edvel aumento da Euribor em tr\u00eas pontos percentuais.<\/p>\n<p>Com a subida r\u00e1pida dos indexantes de cr\u00e9dito, em 2022\/2023, esse acr\u00e9scimo foi reduzido para 1,5 pontos percentuais, o que tornou muito mais f\u00e1cil tornar vi\u00e1vel um cr\u00e9dito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais recentemente, por\u00e9m, em finais de 2024, uma administradora do Banco de Portugal, Francisca Guedes de Oliveira, admitiu que a tal \u201ctaxa stressada\u201d poderia voltar a subir, dada a descida dos indexantes que existiu a partir do final de 2023 e in\u00edcio de 2024.<\/p>\n<p><strong>Mas falar numa corre\u00e7\u00e3o negativa nos pre\u00e7os, uma descida, faz sentido nos pr\u00f3ximos tempos, em alguns segmentos ou em algumas zonas?<\/strong><br \/>N\u00e3o vemos isso como uma possibilidade no curto prazo. Estamos a assistir, de facto, a esta contra\u00e7\u00e3o do n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es que, se se prolongar por um per\u00edodo continuado no tempo \u2013 dois trimestres, tr\u00eas trimestres \u2013, a tend\u00eancia ser\u00e1 que o propriet\u00e1rio que tem uma casa para vender, que tem como ponto de compara\u00e7\u00e3o transa\u00e7\u00f5es dos seus vizinhos e dos seus familiares, possa come\u00e7ar a ajustar o seu pre\u00e7o. Neste momento, estamos com tempos m\u00e9dios de venda de casas inferiores a 120 dias e, tipicamente, para que os particulares, que t\u00eam a sua pr\u00f3pria casa \u00e0 venda, comecem a ceder e a descer o pre\u00e7o, a casa tem de estar no mercado seis meses ou mais para come\u00e7armos a ver esse efeito. Portanto, temos pelo menos mais um semestre pela frente onde n\u00e3o \u00e9, de todo, expect\u00e1vel que haja corre\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>Faz-se muito a compara\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os com os rendimentos l\u00edquidos dos portugueses, que colocam em Portugal numa das piores posi\u00e7\u00f5es entre as economias desenvolvidas. Os pre\u00e7os das casas em Portugal est\u00e3o em n\u00edveis sustent\u00e1veis ou h\u00e1 risco de uma bolha, sobretudo nos grandes centros urbanos?<\/strong><br \/>Todos os indicadores levam-nos a concluir que n\u00e3o, seja pelos r\u00e1cios de financiamento existentes, a forma como foi feito o financiamento nos \u00faltimos anos\u2026 Todos os indicadores disponibilizados pelo Banco Portugal mostram que temos um mercado saud\u00e1vel. Por outro lado, tendo os portugueses a sua casa \u2013 a maioria \u2013, em muitos casos, praticamente paga, o que houve foi uma valoriza\u00e7\u00e3o do seu patrim\u00f3nio. E quando eu troco a minha casa beneficio dessa valoriza\u00e7\u00e3o para comprar uma de valor superior, ou eventualmente fico em melhor situa\u00e7\u00e3o para fazer um downgrade porque os filhos sa\u00edram de casa, por exemplo\u2026<\/p>\n<p><strong>Sim, mas essa valoriza\u00e7\u00e3o consistente pode n\u00e3o durar para sempre, n\u00e3o \u00e9? Pode haver uma invers\u00e3o\u2026<\/strong><br \/>Esse \u00e9 o desafio. Porque estamos num mercado que assenta numa rota\u00e7\u00e3o do imobili\u00e1rio e n\u00e3o numa cria\u00e7\u00e3o de valor \u2013 e por isso esse \u00e9 o desafio. Havendo um abrandamento no n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es, o impacto ir\u00e1 existir.<\/p>\n<p><strong>Usou a express\u00e3o \u201cavalancha\u201d para falar do impacto das medidas que foram aplicadas pelo Governo para ajudar os jovens. Primeiro, a isen\u00e7\u00e3o de IMT, que se iniciou no ver\u00e3o de 2024. Depois, na viragem do ano, chegou ao terreno a garantia p\u00fablica para o financiamento a 100% que fez com que mais jovens conseguissem comprar casa\u2026<\/strong><br \/>A nossa cr\u00edtica a estas medidas tem a ver com o facto de n\u00f3s defendermos que as pol\u00edticas da habita\u00e7\u00e3o se deviam concentrar em quem realmente precisa de apoio para aceder \u00e0 habita\u00e7\u00e3o. O desequil\u00edbrio que existe n\u00e3o ser\u00e1 resolvido no curto prazo, precisa de medidas estruturais porque n\u00e3o \u00e9 conjuntural aquilo que estamos a ver atualmente no mercado. Estas s\u00e3o medidas que puseram mais press\u00e3o na procura e ajudaram a poupan\u00e7a dos jovens que j\u00e1 iam aceder \u00e0 compra de casa de qualquer forma. Muitos deles esperaram o momento de estas pol\u00edticas estarem aprovadas para comprar \u2013 da\u00ed o tal efeito \u201cavalancha\u201d que referi. Mas n\u00e3o se resolve o problema de base que \u00e9 o dos jovens que precisavam de apoio para aceder ao mercado continuarem fora do mercado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As medidas de apoio aos jovens na compra de casa, desde a isen\u00e7\u00e3o de IMT at\u00e9 \u00e0 garantia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":180564,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,476,89,90,8020,4307,57,32,33,58],"class_list":{"0":"post-180563","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economia","10":"tag-economy","11":"tag-empresas","12":"tag-habitau00e7u00e3o-e-urbanismo","13":"tag-mercado-imobiliu00e1rio","14":"tag-pau00eds","15":"tag-portugal","16":"tag-pt","17":"tag-sociedade"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115686027053413900","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180563\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/180564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}