{"id":180598,"date":"2025-12-08T21:49:09","date_gmt":"2025-12-08T21:49:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/180598\/"},"modified":"2025-12-08T21:49:09","modified_gmt":"2025-12-08T21:49:09","slug":"cresce-apoio-popular-a-princesa-aiko-no-trono-imperial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/180598\/","title":{"rendered":"Cresce apoio popular \u00e0 Princesa Aiko no trono imperial"},"content":{"rendered":"<p>Desde que no ano passado se formou, em Literatura. na Universidade Gakushuin, a mesma onde o pai e outros membros da fam\u00edlia real do Jap\u00e3o estudaram, que <strong>a princesa Aiko tem multiplicado os compromissos oficiais. E a \u00fanica filha do imperador Naruhito e da imperatriz Masako, que celebrou h\u00e1 dias o 24.\u00ba anivers\u00e1rio<\/strong>, tem-se revelado t\u00e3o popular que t\u00eam sido v\u00e1rias as vozes a <strong>relan\u00e7ar o debate sobre a lei s\u00e1lica, que dita que apenas um homem pode herdar o trono do Jap\u00e3o<\/strong>. Num pa\u00eds com forte tradi\u00e7\u00e3o patriarcal, Sanae Takaichi quebrou em outubro passado um teto de vidro ao tornar-se na primeira mulher a chefiar um governo nip\u00f3nico. Mas mudar a lei para colocar uma mulher no trono pode ser um desafio bem maior. <\/p>\n<p>Para j\u00e1, uma coisa \u00e9 ineg\u00e1vel: o apelo da jovem princesa junto do povo. Al\u00e9m do seu trabalho junto da Cruz Vermelha japonesa, em  junho, Aiko acompanhou os pais pela primeira vez a Okinawa, numa visita para homenagear os mortos na Segunda Guerra Mundial. Em agosto, em Nagas\u00e1qui, a princesa participou numa cerim\u00f3nia de coloca\u00e7\u00e3o de coroas de flores pelas v\u00edtimas da bomba at\u00f3mica, seguindo os passos do pai, que sempre enfatizou a import\u00e2ncia de transmitir a trag\u00e9dia da guerra aos jovens. E em novembro, fez a sua primeira viagem oficial a solo ao estrangeiro, ao Laos.<\/p>\n<p>Ora na visita a Nagas\u00e1qui n\u00e3o era dif\u00edcil ouvir o nome de Aiko a ser gritado pelos populares que se deslocaram ao local para ver os imperadores. <strong>E basta olhar para duas sondagens recentes para perceber que a larga maioria dos japoneses veria com bons olhos uma mulher no trono imperial.<\/strong> Um estudo publicado no Manichi Shimbun revelou que <strong>70% dos inquiridos s\u00e3o a favor.<\/strong> Outra pesquisa realizada pela ag\u00eancia de not\u00edcias Kyodo em 2024 apontou um apoio de 90%.<\/p>\n<p>Com a lei atual, <strong>Naruhito, de 65 anos, s\u00f3 tem tr\u00eas herdeiros poss\u00edveis &#8211; o irm\u00e3o, o pr\u00edncipe Fumihito, de 60, o filho deste e seu sobrinho, o pr\u00edncipe Hisahito, de 19 anos, e ainda o tio, o pr\u00edncipe Hitachi, de 90 anos.<\/strong> <\/p>\n<p>Mas os peritos alertam que mudar as leis n\u00e3o seria f\u00e1cil, sobretudo devido \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o dos membros mais conservadores do Parlamento. E <strong>at\u00e9 a primeira-ministra Takaichi j\u00e1 se manifestou contra a mudan\u00e7a da lei de sucess\u00e3o.<\/strong> <\/p>\n<p>&#8220;Acho que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica&#8221;, admitiu \u00e0 Associated Press Hideya Kawanishi, professor da Universidade de Nagoya e especialista na monarquia. O futuro depende totalmente da capacidade de Hisahito e da sua futura mulher de terem um filho homem. &#8220;Quem vai querer casar com ele? Se algu\u00e9m quiser, ter\u00e1 de suportar uma press\u00e3o enorme para ter um herdeiro homem, ao mesmo tempo que desempenha fun\u00e7\u00f5es oficiais com uma capacidade sobre-humana.&#8221;<\/p>\n<p><strong>As regras s\u00e3o determinadas pela Lei da Casa Imperial de 1947. Em teoria, mudar essa lei \u2014 uma lei comum \u2014 \u00e9 menos complicado do que rever a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/strong> Um projeto de lei apresentado pelo executivo ou por membros do parlamento e a sua aprova\u00e7\u00e3o por maioria simples em ambas as c\u00e2maras seria suficiente, explicou ao El Pa\u00eds Makoto Okawa, professor de hist\u00f3ria da Universidade Chuo, em T\u00f3quio. <strong>\u201cNo entanto, qualquer lei relativa \u00e0 institui\u00e7\u00e3o imperial tem um peso excecional para o Estado japon\u00eas,<\/strong> por isso \u00e9 essencial chegar a um amplo consenso nacional com muito cuidado\u201d, adverte o mesmo especialista. <\/p>\n<p>Este debate em torno da lei da sucess\u00e3o surge num momento em que <strong>a casa real japonesa se confronta ao seu encolhimento, n\u00e3o s\u00f3 devido \u00e0 lei s\u00e1lica, mas tamb\u00e9m \u00e0 decis\u00e3o de retirar o seu estatuto real \u00e0s mulheres da fam\u00edlia que casem com plebeus, o que levou v\u00e1rias a sair.<\/strong> Reduzida a 16 membros, quando h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas tinha 30, a fam\u00edlia real depara-se ainda com as consequ\u00eancias da press\u00e3o para que as mulheres tenham filhos homens. A pr\u00f3pria <strong>imperatriz Masako, uma antiga diplomata formada em Harvard, sofreu uma profunda depress\u00e3o<\/strong> que a manteve afastada dos olhares e reclusa no pal\u00e1cio real durante quase uma d\u00e9cada. <\/p>\n<p>Os desafios colocados \u00e0 fam\u00edlia real japonesa s\u00e3o, no fundo, um reflexo da situa\u00e7\u00e3o que se vive atualmente no Jap\u00e3o, com uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais envelhecida e uma taxa de natalidade de 1,15 filhos por mulher, a mais baixa do mundo. <strong>A manterem-se as tend\u00eancias atuais, a popula\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o, atualmente de cerca de 124 milh\u00f5es, dever\u00e1 cair para 87 milh\u00f5es at\u00e9 2070, quando 40% da popula\u00e7\u00e3o ter\u00e1 65 anos ou mais.<\/strong><\/p>\n<p>Monarquia parlamentar, onde a figura do imperador pode ser sobretudo cerimonial, mas onde este n\u00e3o deixa de ser um s\u00edmbolo do Estado e da uni\u00e3o dos japoneses, o Jap\u00e3o j\u00e1 no passado debateu altera\u00e7\u00f5es \u00e0 lei da sucess\u00e3o. A \u00faltima vez foi em 2005, quando o governo prop\u00f4s permitir uma monarca feminina, mas o nascimento de Hisahito deu um argumento aos nacionalistas para descartarem a proposta.<\/p>\n<p>A limita\u00e7\u00e3o da sucess\u00e3o aos homens da linha paterna remonta \u00e0 Lei da Casa Imperial de 1889, que inspirou a atual, de 1947. <strong>O atual imperador subiu ao trono do Cris\u00e2ntemo em 2019 depois de o pai, Akihito, ter abdicado.<\/strong> <\/p>\n<p>Olhando para a Hist\u00f3ria, o trono japon\u00eas foi quase sempre ocupado por homens. Mas j\u00e1 houve tempos em que n\u00e3o estava vedado \u00e0s mulheres, <strong>tendo havido oito imperatrizes reinantes ao longo das dez dinastias imperiais &#8211; seis delas entre o final do s\u00e9culo VI e o final do s\u00e9culo VIII. A \u00faltima, Go-Sakuramachi, reinou h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos e meio.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde que no ano passado se formou, em Literatura. na Universidade Gakushuin, a mesma onde o pai e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":180599,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,37005,82,461,25,26,21,22,62,37004,12,13,19,20,37006,23,24,29341,17,18,37003,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-180598","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-imperador","14":"tag-internacional","15":"tag-japao","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-mundo","21":"tag-naruhito","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-princesa-aiko","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-sucessao","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-trono","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115686156835502971","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180598\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/180599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}