{"id":180724,"date":"2025-12-09T00:00:16","date_gmt":"2025-12-09T00:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/180724\/"},"modified":"2025-12-09T00:00:16","modified_gmt":"2025-12-09T00:00:16","slug":"cicatriz-cosmica-de-sol-e-estrela-conta-historia-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/180724\/","title":{"rendered":"&#8220;Cicatriz&#8221; c\u00f3smica de Sol e estrela conta hist\u00f3ria do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<p class=\"fitec-embcmp\"><a href=\"https:\/\/profile.google.com\/cp\/CgsvZy8xMjFqY2oxMw\" target=\"_blank\" class=\"ftecmp-button\" rel=\"nofollow noopener\">Siga o Olhar Digital no Google Discover<\/a><\/p>\n<p>Astr\u00f4nomos identificaram que o Sol teve um <strong>encontro pr\u00f3ximo<\/strong> com <strong>duas estrelas massivas<\/strong> e extremamente quentes h\u00e1 cerca de <strong>4,4 milh\u00f5es<\/strong> de anos.<\/p>\n<p>A descoberta foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma \u201c<strong>cicatriz<\/strong>\u201d deixada por esse evento em nuvens turbilhonantes de <strong>g\u00e1s e poeira<\/strong> logo al\u00e9m do Sistema Solar. A pesquisa n\u00e3o s\u00f3 ajuda a compreender melhor o ambiente celeste imediato do sistema solar como tamb\u00e9m pode lan\u00e7ar luz sobre como caracter\u00edsticas desse entorno influenciaram a <strong>evolu\u00e7\u00e3o<\/strong> da vida na Terra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"970\" height=\"546\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/cicatriz_cosmica.png\" alt=\"Mapa das nuvens interestelares locais, logo al\u00e9m do sistema solar da Terra, com setas azuis indicando a dire\u00e7\u00e3o do movimento dessas nuvens; a seta amarela indica a dire\u00e7\u00e3o do movimento do pr\u00f3prio Sol\" class=\"wp-image-1229601\"  \/>Mapa das nuvens interestelares locais, logo al\u00e9m do sistema solar da Terra, com setas azuis indicando a dire\u00e7\u00e3o do movimento dessas nuvens; a seta amarela indica a dire\u00e7\u00e3o do movimento do pr\u00f3prio Sol (Imagem: NASA\/Adler\/U. Chicago\/Wesleyan)Como os cientistas usaram a \u201ccicatriz\u201d c\u00f3smica para estudar o encontro entre Sol e estrelas<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 conclus\u00e3o, a equipe precisou considerar os movimentos das chamadas \u201c<strong>nuvens interestelares locais<\/strong>\u201d \u2014 que se estendem por cerca de <strong>30 anos-luz<\/strong> \u2014, do Sol e das estrelas intrusas, atualmente a <strong>400 anos<\/strong>-luz da Terra, localizadas nas \u201cpernas\u201d dianteira e traseira da constela\u00e7\u00e3o de <strong>C\u00e3o Maior (Canis Major)<\/strong>.<\/p>\n<p>Isso torna o estudo <strong>complexo<\/strong>, j\u00e1 que o pr\u00f3prio Sol se desloca a <strong>93 mil km\/h<\/strong>, cerca de <strong>75 vezes<\/strong> a velocidade do som ao n\u00edvel do mar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 como um <strong>quebra-cabe\u00e7a<\/strong> em que <strong>todas as pe\u00e7as est\u00e3o se movendo<\/strong>\u201c, afirmou, em <a href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/2025\/12\/01\/close-brush-2-hot-stars-millions-years-ago-left-mark-just-beyond-our-solar-system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">comunicado<\/a>, o l\u00edder da pesquisa, Michael Shull, da Universidade do Colorado Boulder (EUA). \u201cO Sol est\u00e1 se movendo. As estrelas est\u00e3o se afastando de n\u00f3s. As nuvens est\u00e3o se dispersando.\u201d<\/p>\n<ul>\n<li>Al\u00e9m das nuvens interestelares locais \u2014 compostas por \u00e1tomos de <strong>hidrog\u00eanio e h\u00e9lio<\/strong> na forma de g\u00e1s e poeira \u2014 o sistema solar se encontra em uma regi\u00e3o relativamente vazia da Via L\u00e1ctea, chamada de \u201c<strong>bolha quente local<\/strong>\u201c;<\/li>\n<li>Compreender essas regi\u00f5es pode ser <strong>fundamental<\/strong> para entender como a vida encontrou as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para prosperar na Terra;<\/li>\n<li>\u201cO fato de o Sol estar dentro desse conjunto de nuvens que pode nos proteger daquela radia\u00e7\u00e3o ionizante pode ser uma <strong>pe\u00e7a importante<\/strong> do que torna a Terra habit\u00e1vel hoje\u201d, explicou Shull;<\/li>\n<li>Para investigar essa influ\u00eancia, Shull e colegas modelaram as for\u00e7as que moldaram nossa regi\u00e3o da gal\u00e1xia;<\/li>\n<li>Eles analisaram duas estrelas de C\u00e3o Maior: <strong>Epsilon Canis Majoris, ou Adhara<\/strong>, e <strong>Beta Canis Majoris, ou Mirzam<\/strong>;<\/li>\n<li>A equipe concluiu que, provavelmente, essas estrelas passaram pelo Sol h\u00e1 <strong>4,4 milh\u00f5es<\/strong> de anos, chegando a cerca de <strong>30 anos-luz<\/strong> do nosso astro;<\/li>\n<li>Embora isso represente aproximadamente <strong>281 trilh\u00f5es de quil\u00f4metros<\/strong>, trata-se de uma passagem pr\u00f3xima em termos c\u00f3smicos, especialmente em uma gal\u00e1xia com <strong>105,7 mil anos-luz<\/strong> de largura.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Segundo os cientistas, uma aproxima\u00e7\u00e3o dessa magnitude teria tornado essas estrelas bastante <strong>vis\u00edveis<\/strong> da Terra. \u201cSe voc\u00ea voltar 4,4 milh\u00f5es de anos, essas duas estrelas teriam sido de <strong>quatro a seis vezes<\/strong> mais brilhantes que <strong>Sirius<\/strong> hoje, disparado as estrelas mais brilhantes no c\u00e9u\u201d, disse Shull.<\/p>\n<p>As duas estrelas s\u00e3o muito maiores que o Sol, com cerca de <strong>13 vezes<\/strong> sua massa e muito mais quentes, atingindo at\u00e9 <strong>25 mil \u00b0C<\/strong>, temperatura que faz os <strong>5,5 mil \u00b0C<\/strong> da superf\u00edcie solar parecerem amenos, pontua o <a href=\"https:\/\/www.space.com\/astronomy\/stars\/scientists-discover-cosmic-scar-in-interstellar-clouds-left-by-a-close-shave-between-our-sun-and-2-intruder-stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Space.com<\/a>.<\/p>\n<p>Ao passarem pelo \u201cquintal c\u00f3smico\u201d do sistema solar, emitiram <strong>radia\u00e7\u00e3o ultravioleta<\/strong> capaz de <strong>arrancar<\/strong> el\u00e9trons de \u00e1tomos nas nuvens interestelares locais \u2014 processo chamado de <strong>ioniza\u00e7\u00e3o<\/strong>. A remo\u00e7\u00e3o dos el\u00e9trons deixou os \u00e1tomos de hidrog\u00eanio e h\u00e9lio com <strong>carga positiva<\/strong>: a \u201c<strong>cicatriz<\/strong>\u201d detectada pela equipe.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/cicatriz_cosmica_2-1024x576.png\" alt=\"Simula\u00e7\u00e3o da bolha quente local\" class=\"wp-image-1229602\"  \/>Bolha quente local \u00e9 um v\u00e1cuo de g\u00e1s e poeira na Via L\u00e1ctea onde o Sol se encontra (Imagem: CfA, Leah Hustak [STScI])<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<p>Resolvendo o mist\u00e9rio<\/p>\n<p>A pesquisa resolve um antigo mist\u00e9rio sobre as nuvens interestelares locais, j\u00e1 que astr\u00f4nomos haviam constatado previamente que <strong>20%<\/strong> dos \u00e1tomos de <strong>hidrog\u00eanio<\/strong> e <strong>40%<\/strong> dos de <strong>h\u00e9lio<\/strong> nesses aglomerados estavam <strong>ionizados<\/strong> \u2014 n\u00edveis <strong>incomumente altos<\/strong>, especialmente no caso do h\u00e9lio.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acreditam que as duas estrelas receberam <strong>ajuda<\/strong> de pelo menos outras <strong>quatro<\/strong> fontes de radia\u00e7\u00e3o ultravioleta. Entre elas, <strong>tr\u00eas an\u00e3s brancas<\/strong> \u2014 remanescentes de estrelas de tamanho semelhante ao do Sol \u2014 e a pr\u00f3pria bolha quente local.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o rarefeita da bolha teria sido cavada por explos\u00f5es de supernovas de <strong>dez a 20 estrelas<\/strong>, que aqueceram o g\u00e1s e fizeram com que ele emitisse radia\u00e7\u00e3o ionizante na forma de <strong>raios X e ultravioleta<\/strong>, \u201c<strong>tostando<\/strong>\u201d as nuvens interestelares ao redor do sistema solar.<\/p>\n<p>A ioniza\u00e7\u00e3o dessas nuvens, por\u00e9m, <strong>n\u00e3o \u00e9 permanente<\/strong> e deve <strong>desaparecer<\/strong> conforme os \u00e1tomos recuperarem <strong>el\u00e9trons livres<\/strong>, voltando a um estado <strong>neutro<\/strong>. Esse processo pode durar alguns <strong>milh\u00f5es de anos<\/strong>.<\/p>\n<p>Epsilon e Beta Canis Majoris <strong>tamb\u00e9m t\u00eam tempo limitado<\/strong>. Enquanto o Sol, com <strong>4,6 bilh\u00f5es<\/strong> de anos, deve viver por mais <strong>cinco bilh\u00f5es<\/strong> antes de se apagar como uma an\u00e3 branca, estrelas t\u00e3o massivas queimam seu combust\u00edvel <strong>muito mais rapidamente<\/strong>. \u00c9 <strong>prov\u00e1vel<\/strong> que ambas explodam como <strong>supernovas<\/strong> nos pr\u00f3ximos milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Elas, entretanto, est\u00e3o <strong>longe demais<\/strong> para representar risco \u00e0 Terra. Suas mortes explosivas, por outro lado, devem produzir um espet\u00e1culo <strong>impressionante<\/strong>. \u201cUma supernova explodindo t\u00e3o perto vai <strong>iluminar o c\u00e9u<\/strong>\u201c, disse Shull. \u201cSer\u00e1 muito, muito brilhante, mas distante o suficiente para <strong>n\u00e3o ser letal<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"577\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/hidrogenio-1024x577.jpg\" alt=\"Mol\u00e9culas de hidrog\u00eanio\" class=\"wp-image-1200388\"  \/>Nuvens interestelares locais s\u00e3o compostas por \u00e1tomos de hidrog\u00eanio e h\u00e9lio na forma de g\u00e1s e poeira (Imagem: Corona Borealis Studio\/Shutterstock)<\/p>\n<p>A pesquisa foi publicada no fim de novembro no <a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ae10a6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">The Astrophysical Journal<\/a>.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Siga o Olhar Digital no Google Discover Astr\u00f4nomos identificaram que o Sol teve um encontro pr\u00f3ximo com duas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":180725,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-180724","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115686672189562546","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=180724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/180724\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/180725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=180724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=180724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=180724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}