{"id":18083,"date":"2025-08-06T08:15:12","date_gmt":"2025-08-06T08:15:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/18083\/"},"modified":"2025-08-06T08:15:12","modified_gmt":"2025-08-06T08:15:12","slug":"guerra-contra-a-russia-fara-de-sines-o-centro-do-mundo-e-de-portugal-o-ponto-de-maior-risco-de-estrangulamento-logistico-da-nato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/18083\/","title":{"rendered":"Guerra contra a R\u00fassia far\u00e1 de Sines o centro do mundo e de Portugal o ponto de maior risco de estrangulamento log\u00edstico da NATO"},"content":{"rendered":"<p>\t                H\u00e1 duas solu\u00e7\u00f5es que t\u00eam problemas log\u00edsticos urgentes por resolver. E desta vez n\u00e3o podemos fazer como Salazar, que mandou pintar os bacalhoeiros de branco para n\u00e3o ser atacado pela Alemanha. &#8220;Agora n\u00e3o d\u00e1 para pintar nada, at\u00e9 podemos pintar os bacalhoeiros de cor de laranja ou de cor de rosa&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Um tanque Leopard 2A6, ou carro de combate como lhe chamam os especialistas militares, \u00e9 um excelente ve\u00edculo b\u00e9lico, est\u00e1 armado com um canh\u00e3o Rheinmetall L\/55 de 120 mm, tem uma blindagem reativa e modular com alto n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 no habit\u00e1culo, tem um motor MTU MB 873 Ka-501 com 1.500 cavalos de pot\u00eancia, consegue atingir os 68 km\/h e tem uma autonomia de 450 quil\u00f3metros por dep\u00f3sito. O problema &#8211; neste caso para a Europa &#8211; \u00e9 que pesa aproximadamente 62 toneladas, tem 10,97 metros de comprimento &#8211; incluindo o canh\u00e3o &#8211; e 3,76 metros de largura.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"523\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/688b30d6d34ef72ee448f0b2.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Desenho t\u00e9cnico com as dimens\u00f5es de um tanque Leopard 2A6 (Fonte: Ex\u00e9rcito portugu\u00eas) <\/p>\n<p>O comiss\u00e1rio europeu dos Transportes Sustent\u00e1veis e do Turismo, Apostolos Tzitzikostas, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ucrania\/uniao-europeia\/ue-admite-sistema-de-transportes-nao-esta-preparado-para-uma-guerra-com-a-russia\/20250729\/6888852bd34ef72ee448d5df\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">alertou<\/a> que o sistema de transportes europeu n\u00e3o est\u00e1 preparado para comportar as movimenta\u00e7\u00f5es das colunas militares dos 27 Estados-membros para a fronteira com a R\u00fassia, em caso de guerra, antevendo que os tanques iriam ficar presos nos t\u00faneis e causariam colapsos de pontes devido ao peso que comportam.<\/p>\n<p>Em caso de guerra com a R\u00fassia, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que Portugal fosse uma das principais liga\u00e7\u00f5es entre a Europa e os Estados Unidos. Portanto, fica a d\u00favida: est\u00e3o as estradas, pontes e t\u00faneis nacionais preparados para serem atravessadas por colunas militares, sendo que tal nunca aconteceu em nenhuma das grandes guerras? (E se est\u00e1 a pensar que aconteceu quando o capit\u00e3o Salgueiro Maia saiu de Santar\u00e9m rumo ao Terreiro do Pa\u00e7o, desengane-se, porque uma chaimite pesa cerca de 7,5 toneladas, ou seja, cerca de nove vezes menos do que um Leopard 2A6 e quase dez vezes menos do que um M1 Abrams utilizados pelo ex\u00e9rcito norte-americano).<\/p>\n<p>O major-general Jorge Saramago considera que a &#8220;primeira coisa que \u00e9 preciso fazer, em termos nacionais, \u00e9 avaliar a capacidade das estradas, das pontes e dos t\u00faneis\u00a0&#8211; quer em termos de altura como de largura &#8211; para suportar ve\u00edculos muito pesados e longos&#8221;, lembrando que, para al\u00e9m da tara dos carros de combate, ser\u00e1 preciso ter tamb\u00e9m em conta que estes t\u00eam de ser &#8220;municiados e equipados com toda a palamenta de combate&#8221;. &#8220;Estamos a falar de pesos brutais, que podem variar entre 70 a 80 toneladas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>\u00c9 perto disso que pesa cada um dos 37 Leopard 2A6 que Portugal tem na sua Brigada Mecanizada, que os adquiriu entre 2007 e 2009. Desses, tr\u00eas est\u00e3o ao servi\u00e7o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O especialista militar recorda que nem todos os cami\u00f5es TIR t\u00eam capacidade para rebocar este tipo de cargas e que, quer por via rodovi\u00e1ria como ferrovi\u00e1ria, s\u00e3o necess\u00e1rias plataformas de dimens\u00f5es especiais, mais largas e com maior comprimento do que \u00e9 normal para transportar este tipo de ve\u00edculos militares. &#8220;Estas plataformas s\u00e3o conhecidas como\u00a0flat cars\u00a0e s\u00e3o usadas para transportar viaturas militares e carros de combate&#8221;, explica Jorge Saramago, garantindo que duvida que este tipo de estruturas exista em n\u00famero significativo em Portugal: &#8220;Estamos a falar do transporte log\u00edstico num cen\u00e1rio de guerra, n\u00e3o estamos a falar em transportar um ou dois carros de combate; estamos a falar em transportar 100, 200, 300 e isso \u00e9 uma brutalidade&#8221;.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"387\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/688a43e1d34e3f0baea11d65.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Tanque M60TM turco &#8211; com dimens\u00f5es inferiores \u00e0s do Leopard 2A6 &#8211; a ser transportado para a fronteira com a S\u00edria, em 2014 (Getty) <\/p>\n<p>Agostinho Costa lembra que esta \u00e9 uma quest\u00e3o que dificilmente se colocar\u00e1, mas \u00e9 &#8220;importante&#8221; que seja feita para que &#8220;n\u00e3o se comece a pensar como \u00e9 que v\u00e3o os carros de combate, se pela A5, pela A25 ou pela A1&#8221;. &#8220;N\u00e3o \u00e9 assim&#8221; que a log\u00edstica de uma guerra funciona&#8221;, explica o\u00a0especialista militar da CNN Portugal,\u00a0porque &#8220;para\u00a0material com este volume e com este peso processa-se fundamentalmente por via mar\u00edtima e, por terra, o movimento destas viaturas\u00a0para grandes dist\u00e2ncias faz-se pela ferrovia, depois nas curtas dist\u00e2ncias \u00e9 que se usam semi-atrelados&#8221;.<\/p>\n<p>A justifica\u00e7\u00e3o prende-se no facto de um Leopard 2A6 &#8211; tal como qualquer outra viatura com mais de 60 toneladas &#8211; &#8220;ter um consumo de combust\u00edvel absolutamente brutal&#8221; e, tendo em conta este quociente custo\/benef\u00edcio, s\u00e3o ve\u00edculos que &#8220;tendencialmente n\u00e3o se deslocam por si s\u00f3&#8221;. &#8220;Este tipo de equipamentos militares pesados s\u00e3o transportados at\u00e9 \u00e0 zona de combate&#8221;, explica Agostinho Costa.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/688a3e79d34e3f0baea11d19.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Leopard 2A6 em a\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia em 2023 (Getty) <\/p>\n<p>No caso de haver um alastramento do conflito na Ucr\u00e2nia, isso significar\u00e1 uma guerra entre Moscovo e Washington DC, garante sem rodeios Agostinho Costa. Tendo isso em mente e olhando para a geografia do Hemisf\u00e9rio Norte, vai haver uma divis\u00e3o entre tr\u00eas setores: o territ\u00f3rio da Europa ser\u00e1 o &#8220;zona de combate ou teatro operacional&#8221;, os EUA s\u00e3o a &#8220;zona do interior &#8211; onde se faz a log\u00edstica de produ\u00e7\u00e3o -&#8221; e, por fim, a &#8220;zona de comunica\u00e7\u00f5es&#8221; ser\u00e1 o Oceano Atl\u00e2ntico. Resta a d\u00favida: &#8220;Qual \u00e9 o papel de Portugal? Estamos na zona de comunica\u00e7\u00f5es ou na zona de combate?&#8221;, questiona o major-general, referindo que \u00e9 nesta mesma pergunta que as opini\u00f5es dos analistas se dividem.<\/p>\n<p>Agostinho Costa defende que Portugal acabar\u00e1 por fica inserido na zona de comunica\u00e7\u00f5es, justificando a antevis\u00e3o com o exemplo do que acontece na Ucr\u00e2nia desde o in\u00edcio da invas\u00e3o, em que a Pol\u00f3nia tem sido desde o in\u00edcio a zona de comunica\u00e7\u00f5es do conflito, onde est\u00e3o localizados tanto o APOD &#8211; Aerial Port of Debarkation,\u00a0Porto A\u00e9reo de Desembarque &#8211; e o SEAPOD &#8211;\u00a0Seaport of Debarkation,\u00a0Porto Mar\u00edtimo de Desembarque &#8211; atrav\u00e9s dos quais chega a territ\u00f3rio ucraniano todo o tipo de apoio b\u00e9lico.<\/p>\n<p>&#8220;Se fosse eu a fazer o planeamento militar dos EUA, qual seria o SEAPOD? Sines, naturalmente. Qual seria o APOD? As bases a\u00e9reas\u00a0Maceda &#8211; Ovar, Beja e, eventualmente, Monte Real; nunca Lisboa, porque sen\u00e3o ter\u00edamos m\u00edsseis a aterrar em Lisboa&#8221;, diz Agostinho Costa. &#8220;Se houver um conflito, n\u00f3s fazemos parte da zona de comunica\u00e7\u00f5es. N\u00f3s temos uma barreira natural que funciona como prote\u00e7\u00e3o que s\u00e3o os Pirin\u00e9us, Portugal e Espanha ser\u00e3o os terminais para o refor\u00e7o \u00e0 Europa e depois, a partir daqui, a log\u00edstica ser\u00e1 feita por via f\u00e9rrea&#8221;, detalha, lembrando que o Mediterr\u00e2neo \u00e9 &#8220;um mar fechado&#8221; cuja a rota mar\u00edtima ser\u00e1 cortada por submarinos russos no Estreito de Gibraltar, tirando da equa\u00e7\u00e3o grande parte dos portos espanh\u00f3is, franceses, italianos e gregos. Resta o Reino Unido, mas por esta via todo o equipamento militar teria de atravessar o Canal da Mancha, o que tamb\u00e9m \u00e9 pouco vi\u00e1vel. Ent\u00e3o resta Portugal: &#8220;N\u00f3s somos a linha da frente, somos a frente ribeirinha da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica&#8221;, remata.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/688a3e9ad34ef72ee448ebe8.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   EUA movimentam 150 ve\u00edculos militares do Texas para Washingto D.C. em 2025 (Getty) <\/p>\n<p>O plano do experiente major-general esbarra somente num detalhe: a bitola ib\u00e9rica dos caminhos ferros da pen\u00ednsula que \u00e9 diferente do resto da Europa. Este \u00e9 um problema que pode ser contornado atrav\u00e9s das linhas de alta velocidade com bitola europeia entre Espanha e Fran\u00e7a ou com sistemas de troca de eixos, o que de qualquer modo transforma este num processo bem mais moroso do que poderia ser com uma bitola comum. Esta \u00e9, ali\u00e1s, uma quest\u00e3o, como destaca Agostinho Costa, que j\u00e1 mereceu a aten\u00e7\u00e3o de Bruxelas no programa PESCO (Coopera\u00e7\u00e3o Estruturada Permanente entre Estados-membros) que engloba a mobilidade militar, a que j\u00e1 se associou tamb\u00e9m a NATO. &#8220;Acaba por ser um programa misto UE-NATO para o qual j\u00e1 se direcionaram alguns milhares de milh\u00f5es de euros&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do porto de Sines para a NATO e para Uni\u00e3o Europeia (UE) \u00e9 inquestion\u00e1vel. Mas este elevad\u00edssimo potencial de ser uma mais-valia durante uma guerra convencional\u00a0parece ser linearmente proporcional \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es de que se transforme num ponto de estrangulamento log\u00edstico de toda a opera\u00e7\u00e3o de fornecimento de armamento militar ocidental.<\/p>\n<p>A infraestrutura da Costa Vicentina \u00e9 o \u00fanico porto de \u00e1guas profundas com liga\u00e7\u00e3o a um mar aberto da margem oeste da Europa continental\u00a0e \u00e9 crucial para receber embarca\u00e7\u00f5es norte-americanas perante eventuais bloqueios no Estreito de Gibraltar e no Canal da Mancha. Contudo, as limita\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias e a dist\u00e2ncia a que se encontra do previs\u00edvel teatro de opera\u00e7\u00f5es diminui a relev\u00e2ncia e levanta receios sobre o protagonismo que o porto de Sines possa vir a ter.\u00a0<\/p>\n<p>Estas mesmas d\u00favidas t\u00eam vindo a ser indiretamente expressadas tanto pela Comiss\u00e3o Europeia como pela pr\u00f3pria NATO em sucessivos relat\u00f3rios como no Plano de Mobilidade Militar da UE, que refere a necessidade de liga\u00e7\u00f5es entre o porto de Sines e a fronteira com Espanha.<\/p>\n<p>Em 2022, Bruxelas j\u00e1 tinha apresentado at\u00e9 o projeto &#8220;Eixo Priorit\u00e1rio n.\u00ba 16&#8221;, que perspetivava tr\u00eas liga\u00e7\u00f5es f\u00e9rreas de alta capacidade: Sines &#8211; Badajoz, Algeciras &#8211; Bobadilla e uma \u00faltima que atravessava os Piren\u00e9us. Para cumprir a ambi\u00e7\u00e3o de criar de &#8220;um eixo ferrovi\u00e1rio de alta capacidade para o transporte de mercadorias, ligando os portos de Algeciras, no sul de Espanha, e de Sines, no sudoeste de Portugal, ao centro da UE&#8221;, foram alocados 1,27 milh\u00f5es de euros dos cofres europeus para realizar estudos com vista &#8220;a aumentar a sua capacidade atrav\u00e9s de um prolongamento do quebra-mar existente, reorganizar e melhorar a acessibilidade ferrovi\u00e1ria e rodovi\u00e1ria e as liga\u00e7\u00f5es multimodais&#8221; do Porto de Sines, podia ler-se no <a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/ten\/transport\/priority_projects_minisite\/PP16EN.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">comunicado<\/a> da Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/688a3e9ad34e3f0baea11d1f.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Comboio carregado com armamento militar norte-americano atravessa esta\u00e7\u00e3o de\u00a0Magdeburg-Sudenburg, nos EUA (Getty) <\/p>\n<p>&#8220;As novas linhas Sines-Badajoz e Algeciras-Bobadilla s\u00e3o cr\u00edticas para o desenvolvimento dos portos de Sines e Algeciras e ir\u00e3o\u00a0fomentar o tr\u00e1fego entre Lisboa, Set\u00fabal, Sines e Algeciras e o centro de Espanha e o resto da Europa. A sua constru\u00e7\u00e3o de acordo com as novas normas de velocidade mais elevadas, e utilizando travessas de bitola dupla, permitir\u00e1, no futuro, a plena interoperabilidade entre as redes portuguesas e espanholas de transporte de mercadorias e o resto da rede ferrovi\u00e1ria transeuropeia&#8221;, alertava Bruxelas em 2022.<\/p>\n<p>Volvidos mais de tr\u00eas anos, aquela que \u00e9 uma das infraestruturas estrat\u00e9gicas da NATO permanece isolada da ferrovia. Mas o que travou ou atrasou as inten\u00e7\u00f5es europeias? Na realidade, foi um pouco de tudo, mas essencialmente obst\u00e1culos t\u00e9cnicos, problemas de interoperabilidade e atrasos no cumprimento de prazos.<\/p>\n<p>A dificuldade recorrente prende-se com as diferen\u00e7as entre a bitola ib\u00e9rica &#8211; dist\u00e2ncia entre carris de\u00a01.668 mm &#8211; e a europeia &#8211; dist\u00e2ncia entre carris de 1.435\u00a0mm\u00a0-, mas tamb\u00e9m o facto de terem sido identificadas grandes necessidades de eletrifica\u00e7\u00e3o ou a incompatibilidade dos sinais ferrovi\u00e1rios geram anticorpos ao projeto ferrovi\u00e1rio europeu.\u00a0 Ainda assim, o obst\u00e1culo maior parece ter ocorrido na falta de coordena\u00e7\u00e3o supranacional entre Portugal, Espanha e Fran\u00e7a. Lisboa foi incapaz de cumprir o programa Ferrovia 2020 lan\u00e7ado por Pedro Nuno Santos &#8211; depois da demiss\u00e3o do ministro das Infraestruturas e do governo de Costa desabar -, em Espanha grande parte das sec\u00e7\u00f5es do Corredor do Atl\u00e2ntico foram-se atrasando e, em Paris, o corredor trans-Piren\u00e9us e a liga\u00e7\u00e3o ao Pa\u00eds Basco tamb\u00e9m n\u00e3o tiveram quaisquer avan\u00e7os.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/688a3e9bd34ef72ee448ebea.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Fran\u00e7a movimenta carros de combate para miss\u00e3o da NATO na Rom\u00e9nia em 2022 (Getty) <\/p>\n<p>Para al\u00e9m da localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, Agostinho Costa destaca que o porto de Sines cumpre dois dos requisitos necess\u00e1rios para este tipo de cen\u00e1rio: tem uma entrada de grande dimens\u00f5es e\u00a0\u00e1guas profundas capazes de comportar navios de grandes dimens\u00f5es. &#8220;Agora, isto implica que uma linha de caminho de ferro de liga\u00e7\u00e3o do porto de Sines \u00e0 Europa seja urgente e com bitola europeia e sem fantasias&#8221;, diz Agostinho Costa.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 um problema&#8221;, acrescenta Jorge Saramago, que vai obrigar a que haja mudan\u00e7as de carruagens em algum momento antes do armamento sair da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. &#8220;Agora imagine-se fazer isto com cargas de 80, 160 e at\u00e9 mais toneladas, \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o dific\u00edlima que demorar\u00e1 dias para apenas um comboio, o que numa frente de batalha far\u00e1 toda a diferen\u00e7a&#8221;, admite, rematando: &#8220;\u00c9 impens\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>O major-general lembra ainda que, em todos os pontos do trajeto entre Sines e o teatro de opera\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o exista uma alternativa f\u00e9rrea, as &#8220;pontes e viadutos t\u00eam de ser alvo de refor\u00e7os estruturais para suportar pesos deste tipo&#8221;. Jorge Saramago defende que &#8220;toda esta categoriza\u00e7\u00e3o das infraestruturas deve estar feita desde o tempo de paz&#8221; para que, no pior dos cen\u00e1rios, os militares saibam &#8220;at\u00e9 que ponto se pode utilizar este ou aquele itiner\u00e1rio em face da carga que est\u00e1 a ser transportada&#8221;.<\/p>\n<p>Agostinho Costa desvaloriza ainda a narrativa de Apostolos Tzitzikostas, porque o problema de os tanques passarem em pontes e t\u00faneis s\u00f3 se coloca na frente de combate e a\u00ed \u00e9 &#8220;peanuts&#8221;. Na Ucr\u00e2nia, por exemplo, nunca se veem movimentos de brigadas mecanizadas, quando s\u00e3o deslocadas for\u00e7as russas do centro da Sib\u00e9ria v\u00eam sempre por caminho de ferro e o mesmo acontece tamb\u00e9m sempre que se realizam exerc\u00edcios da NATO. &#8220;Nada \u00e9 por estrada, \u00e9 tudo por caminho de ferro, porque o caminho de ferro \u00e9 o grande meio log\u00edstico para transportar material de artilharia, contentores ou carros de combate&#8221;, explica, lembrando que &#8220;um comboio permite transportar quase uma brigada inteira,\u00a0podem ir todos os carros de combate que se queira, porque caso uma locomotiva n\u00e3o chegue, metem-se duas, como se pode ver por exemplo nas imagens de colunas infind\u00e1veis de T-90 russos que v\u00eam da f\u00e1brica\u00a0Uralvagonzavod nos Montes Urais &#8211; a maior f\u00e1brica de tanques no mundo&#8221;.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"292\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/688a3e9bd34e3f0baea11d23.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   R\u00fassia retira carros de combate de base militar na Ge\u00f3rgia em 2006 (Getty) <\/p>\n<p>O especialista militar da CNN Portugal recorda ainda que toda esta opera\u00e7\u00e3o log\u00edstica ter\u00e1 um problema acrescido em compara\u00e7\u00e3o com a Segunda Guerra Mundial, porque desta vez &#8211; por fazer parte da NATO &#8211; Portugal n\u00e3o poder\u00e1 ser um Estado neutral. &#8220;O\u00a0Salazar mandou pintar os bacalhoeiros de branco, como sinal de que \u00e9ramos neutros, para que pudessem continuar a pescar no Mar do Norte e os submarinos alem\u00e3es,\u00a0sempre que viam um Dory branco sabiam que era portugu\u00eas&#8221;, recorda Agostinho Costa. O problema \u00e9 que &#8220;agora n\u00e3o d\u00e1 para pintar nada, at\u00e9 podemos pintar os bacalhoeiros de cor de laranja ou de cor de rosa&#8221;.<\/p>\n<p>Perante tudo o que parece ainda estar por fazer ao n\u00edvel das infraestruturas para uma eventual guerra entre o Ocidente e a R\u00fassia, Jorge Saramago recua ao \u00faltimo grande tumulto na Europa &#8211; o SARS-CoV-2 -, para recordar que &#8220;nem em Portugal nem no mundo, estavam preparados para uma pandemia, mas a guerra \u00e9 certa&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/688ce342d34e3f0baea13270.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O porto de Sines \u00e9 um dos poucos portos de \u00e1guas profundas com liga\u00e7\u00e3o a um mar aberto na parte ocidental da Europa\u00a0(Getty) <\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o estou a dizer que vai haver guerra amanh\u00e3 ou que vai haver guerra com a R\u00fassia, mas a natureza humana \u00e9 conflitual. Aquilo que \u00e9 anormal, do ponto de vista hist\u00f3rico\u00a0\u00e9 que a Europa tenha vivido em paz durante 80 anos,\u00a0desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Isto \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 normal.\u00a0Historicamente, esperemos que\u00a0vivamos em paz 150, 200, 300 anos ou que nunca tenhamos guerra, mas, do ponto de vista hist\u00f3rico, isto \u00e9 que \u00e9 anormal&#8221;, explica Jorge Saramago.<\/p>\n<p>Quanto a evid\u00eancias em caso de guerra, Agostinho Costa garante que, em caso de guerra, &#8220;vamos ter submarinos russos no &#8216;nice, big, beautiful ocean&#8217; [como lhe chamou Donald Trump]\u00a0tal como na Segunda Guerra Mundial e qualquer refor\u00e7o miliar para a Europa ter\u00e1 de vir em colunas mar\u00edtimas com escolta&#8221;.<\/p>\n<p>O major-general culmina ainda com uma certeza: &#8220;A batalha vai estar no Atl\u00e2ntico&#8221; e isso ter\u00e1 um impacto direto nas linhas comunicacionais e de reabastecimento com a Madeira e os A\u00e7ores. &#8220;Vamos ter natural dificuldades em reabastecer os arquip\u00e9lagos e, neste momento, o\u00a0Estado-Maior-General das For\u00e7as Armadas (EMGFA) deveria estar a fazer planos de conting\u00eancia nesse sentido, porque com esta linhas amplamente comprometidas\u00a0n\u00e3o \u00e9 com dois submarinos nem com as fragatas que temos que garantimos essas comunica\u00e7\u00f5es&#8221;. E h\u00e1 efetivamente um plano de conting\u00eancia? &#8220;Acho que n\u00e3o, mas tamb\u00e9m me lembro de uma altura em que a Seguran\u00e7a Interna tinha planos para tudo, mas depois eram todos secretos&#8221;, finda Agostinho Costa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 duas solu\u00e7\u00f5es que t\u00eam problemas log\u00edsticos urgentes por resolver. 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