{"id":181438,"date":"2025-12-09T13:42:08","date_gmt":"2025-12-09T13:42:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181438\/"},"modified":"2025-12-09T13:42:08","modified_gmt":"2025-12-09T13:42:08","slug":"levar-o-planeta-a-revisao-custa-7-bilioes-por-ano-nao-fazer-nada-sai-muito-mais-caro-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181438\/","title":{"rendered":"Levar o planeta \u00e0 revis\u00e3o custa 7 bili\u00f5es por ano. N\u00e3o fazer nada sai muito mais caro | Clima"},"content":{"rendered":"<p>O que estamos a fazer ao planeta \u00e9 um pouco como ignorar de prop\u00f3sito os problemas do carro em vez de lev\u00e1-lo \u00e0 revis\u00e3o e fazer a manuten\u00e7\u00e3o recomendada: o custo de n\u00e3o fazer nada poder\u00e1 ser a inutiliza\u00e7\u00e3o ou colapso total do autom\u00f3vel, que rapidamente exceder\u00e1 o custo dos investimentos necess\u00e1rios para que o ve\u00edculo circule de forma eficiente e continue a gerar valor a longo prazo.<\/p>\n<p>O investimento anual necess\u00e1rio para atingir emiss\u00f5es l\u00edquidas zero at\u00e9 2050 e financiar a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade est\u00e1 estimado em cerca de oito bili\u00f5es de d\u00f3lares por ano &#8211; cerca de sete bili\u00f5es de euros -, descreve uma an\u00e1lise de refer\u00eancia publicada nesta ter\u00e7a-feira\u200b pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (UNEP, na sigla em ingl\u00eas). Sim, a escala \u00e9 na ordem dos milh\u00f5es de milh\u00f5es de euros (trillions, em ingl\u00eas). Em jeito de compara\u00e7\u00e3o: em 2022, os subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis totalizaram sete bili\u00f5es de d\u00f3lares (seis bili\u00f5es de euros), cerca de 7,1% do PIB global, contabilizando-se um aumento de dois bili\u00f5es de d\u00f3lares desde 2020 devido aos apoios governamentais face ao aumento dos pre\u00e7os da energia. <\/p>\n<p>Apesar dos desafios, o consenso dos investigadores \u00e9 que o custo do cen\u00e1rio business as usual traz uma factura muito superior. Se o mundo continuar a seguir a traject\u00f3ria de &#8220;mais do mesmo&#8221;, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas cortar\u00e3o 4% do PIB global anual at\u00e9 2050 e 20% at\u00e9 ao final do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias formas de conduzir esse investimento de forma equilibrada. O relat\u00f3rio Perspectivas Globais para o Ambiente: Um Futuro que Escolhemos (GEO-7), a s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o da enorme an\u00e1lise cient\u00edfica sobre o ambiente global, que resulta do trabalho multidisciplinar de 287 cientistas de 82 pa\u00edses, tra\u00e7a v\u00e1rios caminhos de &#8220;mudan\u00e7a transformadora&#8221; dos sistemas humanos para conseguir benef\u00edcios muito maiores para o planeta do que apenas faz\u00ea-lo &#8220;funcionar&#8221; como um autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>A directora executiva do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente (UNEP), Inger Andersen, observa que esta an\u00e1lise apresenta uma escolha simples para a humanidade: &#8220;continuar no caminho para um futuro devastado&#8221; ou &#8220;mudar de direc\u00e7\u00e3o para garantir um planeta saud\u00e1vel, pessoas saud\u00e1veis e economias saud\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Ac\u00e7\u00e3o sem precedentes<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico j\u00e1 \u00e9 conhecido: o caminho actual de desenvolvimento focado no crescimento econ\u00f3mico sem limites levar\u00e1 a consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas, com um cen\u00e1rio futuro devastado por altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, destrui\u00e7\u00e3o da natureza e da biodiversidade, degrada\u00e7\u00e3o da terra e desertifica\u00e7\u00e3o, e ainda uma polui\u00e7\u00e3o mortal persistente. Se nada for feito, a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica continuar\u00e1 a reclamar mais de oito milh\u00f5es de vidas por ano e os custos de sa\u00fade atingir\u00e3o bili\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Ao longo de mais de mil p\u00e1ginas, este relat\u00f3rio de refer\u00eancia mostra que a concretiza\u00e7\u00e3o dos objectivos que resultam dos acordos internacionais, como o Acordo de Paris sobre o clima ou o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, ainda \u00e9 poss\u00edvel, mas exigir\u00e1 uma ac\u00e7\u00e3o sem precedentes. Isto implica transforma\u00e7\u00f5es radicais e abordagens de &#8220;toda a sociedade&#8221; e &#8220;todo o governo&#8221; nos cinco &#8220;sistemas humanos interligados&#8221;: economia e finan\u00e7as, materiais e res\u00edduos, energia, alimenta\u00e7\u00e3o e ambiente.<\/p>\n<p>Em mat\u00e9ria de economia e finan\u00e7as, uma mudan\u00e7a crucial \u00e9 mover-se para al\u00e9m do PIB, utilizando m\u00e9tricas de riqueza inclusivas que tamb\u00e9m contabilizem o capital humano e natural. A reforma financeira \u00e9 identificada, ali\u00e1s, como a &#8220;pedra angular da transforma\u00e7\u00e3o&#8221;, numa reorienta\u00e7\u00e3o que incentivaria as economias \u00e0s mudan\u00e7as nos outros sistemas interligados: a circularidade, a descarboniza\u00e7\u00e3o, a agricultura sustent\u00e1vel e a restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas.<\/p>\n<p>No que diz respeito aos materiais e res\u00edduos, o relat\u00f3rio recomenda a integra\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios de economia circular (como o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/04\/16\/azul\/noticia\/ecodesign-bruxelas-quer-novas-regras-ecologicas-aco-aluminio-vestuario-mobiliario-2130067\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ecodesign dos produtos<\/a>) e a transpar\u00eancia das cadeias. A transi\u00e7\u00e3o exigir\u00e1, em particular nos pa\u00edses mais desenvolvidos, a implementa\u00e7\u00e3o de &#8220;ecotaxas&#8221;, assim como o incentivo ao consumo mais sustent\u00e1vel e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o, em geral, dos padr\u00f5es de consumo.<\/p>\n<p>J\u00e1 as mudan\u00e7as profundas do sistema energ\u00e9tico global exigem a diversifica\u00e7\u00e3o do mix de gera\u00e7\u00e3o de energia, a descarboniza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida atrav\u00e9s de energias renov\u00e1veis e alternativas como o hidrog\u00e9nio verde e combust\u00edveis sustent\u00e1veis,\u200b e ainda a gest\u00e3o da procura atrav\u00e9s do aumento da efici\u00eancia energ\u00e9tica e do combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica\u200b. As ac\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias recomendadas pelo relat\u00f3rio para os pa\u00edses mais desenvolvidos incluem o fim dos subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis &#8211; algo a que a Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, j\u00e1 se comprometeu a fazer &#8211; e a implementa\u00e7\u00e3o de redes inteligentes (smart grids).<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o do sistema alimentar \u00e9 crucial, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o tem sido amea\u00e7ada por fen\u00f3menos clim\u00e1ticos. Pr\u00e1ticas como a agricultura regenerativa, a mudan\u00e7a para dietas vegetais e a redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio alimentar devem fazer parte deste mix. A implementa\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza, por fim, \u00e9 considerada um imperativo, sendo essencial melhorar a monitoriza\u00e7\u00e3o global dos ecossistemas.<\/p>\n<p>Retorno a longo prazo<\/p>\n<p>Investir na transforma\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica, ao inv\u00e9s de interven\u00e7\u00f5es pontuais, trar\u00e1 um retorno claro a longo prazo. O relat\u00f3rio prev\u00ea que os benef\u00edcios macroecon\u00f3micos globais resultantes desta mudan\u00e7a radical comecem a surgir por volta de 2050, cres\u00e7am para 20 bili\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 17 bili\u00f5es de euros) por ano at\u00e9 2070 e aumentem ainda mais, podendo atingir 100 bili\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 85 bili\u00f5es de euros) por ano\u200b.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos ganhos financeiros, as vias de transforma\u00e7\u00e3o prev\u00eaem que nove milh\u00f5es de mortes prematuras podem ser evitadas at\u00e9 2050, e que quase 200 milh\u00f5es de pessoas poder\u00e3o ser retiradas da subnutri\u00e7\u00e3o e mais de 100 milh\u00f5es da pobreza extrema at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>Publicado por ocasi\u00e3o da s\u00e9tima sess\u00e3o da Assembleia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente, em Nairobi, o relat\u00f3rio sublinha que o sucesso das solu\u00e7\u00f5es transformadoras depende da colabora\u00e7\u00e3o e da co-implementa\u00e7\u00e3o paralela das solu\u00e7\u00f5es por diversos actores, incluindo governos, organiza\u00e7\u00f5es multilaterais, o sector privado, a academia, as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e as comunidades locais. A considera\u00e7\u00e3o de diversos sistemas de conhecimento, em particular o conhecimento ind\u00edgena e das comunidades tradicionais, \u00e9 crucial para garantir transi\u00e7\u00f5es justas que conciliem a sustentabilidade ambiental com o bem-estar humano.<\/p>\n<p>Pa\u00edses desenvolvidos em foco<\/p>\n<p>A regi\u00e3o da Europa Ocidental e Outros Estados, onde predominam as economias desenvolvidas (incluindo Portugal), tamb\u00e9m enfrenta crises ambientais interligadas, como a perda de biodiversidade, a altera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, eventos clim\u00e1ticos extremos e o aumento da polui\u00e7\u00e3o e res\u00edduos.<\/p>\n<p>Prev\u00ea-se uma perda substancial de biodiversidade na Am\u00e9rica do Norte, no norte da Europa e em partes da Austr\u00e1lia. As altera\u00e7\u00f5es nos recursos h\u00eddricos, por seu lado, ser\u00e3o dr\u00e1sticas, com o sul da Europa e a Austr\u00e1lia a enfrentarem secas e ondas de calor mais graves. Se a regi\u00e3o mantiver as tend\u00eancias actuais, a deteriora\u00e7\u00e3o ambiental pode levar a problemas socioecon\u00f3micos significativos, alertam os investigadores.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses do grupo representam cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas det\u00eam quase 60% da riqueza global &#8211; uma posi\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica mais favor\u00e1vel que coloca sobre estes pa\u00edses a responsabilidade de facilitar as transi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es recomendadas incluem a introdu\u00e7\u00e3o das j\u00e1 referidas &#8220;ecotaxas&#8221; e impostos sobre o carbono para compensar as chamadas &#8220;externalidades&#8221;, ou seja, os custos ambientais que de outra forma n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddos no valor monet\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o e dos produtos finais.<\/p>\n<p>Os governos devem ainda reorientar os investimentos de actividades de consumo de curto prazo para bens p\u00fablicos de longo prazo, como o restauro de ecossistemas, a gest\u00e3o sustent\u00e1vel de res\u00edduos ou a descarboniza\u00e7\u00e3o do sector energ\u00e9tico e de \u00e1reas como a mobilidade. No plano internacional, sugere-se a redu\u00e7\u00e3o dos riscos associados ao investimento estrangeiro directo em pa\u00edses de baixo rendimento e a expans\u00e3o de instrumentos como as obriga\u00e7\u00f5es verdes.<\/p>\n<p>Os investigadores alertam que a janela de oportunidade para liderar a transforma\u00e7\u00e3o global est\u00e1 a fechar-se, o que exige ac\u00e7\u00f5es coordenadas em todos os sistemas para garantir um futuro sustent\u00e1vel, sendo preciso haver vontade pol\u00edtica, coopera\u00e7\u00e3o regional e coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f3micas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que estamos a fazer ao planeta \u00e9 um pouco como ignorar de prop\u00f3sito os problemas do carro&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":181439,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[17718,785,27,28,2271,786,788,476,2270,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-181438","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-acordo-de-paris","9":"tag-azul","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-clima","13":"tag-combustiveis-fosseis","14":"tag-crise-climatica","15":"tag-economia","16":"tag-energia","17":"tag-featured-news","18":"tag-featurednews","19":"tag-headlines","20":"tag-latest-news","21":"tag-latestnews","22":"tag-main-news","23":"tag-mainnews","24":"tag-mundo","25":"tag-news","26":"tag-noticias","27":"tag-noticias-principais","28":"tag-noticiasprincipais","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-top-stories","32":"tag-topstories","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/181439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=181438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}