{"id":181464,"date":"2025-12-09T14:02:11","date_gmt":"2025-12-09T14:02:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181464\/"},"modified":"2025-12-09T14:02:11","modified_gmt":"2025-12-09T14:02:11","slug":"por-que-pais-pressionam-filhos-por-netos-especialistas-explicam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181464\/","title":{"rendered":"Por que pais pressionam filhos por netos? Especialistas explicam"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente, Xuxa Meneghel, de 62 anos, revelou o desejo de ser av\u00f3. Em entrevista ao \u201cFofocalizando\u201d, do SBT, a eterna Rainha dos Baixinhos declarou que j\u00e1 pediu netos \u00e0 sua \u00fanica filha, Sasha, de 27 anos. \u201cDigo isso a ela o tempo todo: n\u00e3o gostaria de for\u00e7ar uma barra, mas eu estou preparada para ser av\u00f3\u201d, disse ao programa durante a inaugura\u00e7\u00e3o da loja da Sasha, no Shopping Leblon, Zona Sul do Rio.<\/p>\n<p>Sasha, por sua vez, j\u00e1 manifestou vontade ter filhos, mas afirma que a <strong><a href=\"https:\/\/www.otempo.com.br\/interessa\/2025\/4\/15\/mae-aos-40-maternidade-tardia-cresce-no-brasil-entenda-o-fenomeno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">maternidade ainda \u00e9 um plano distante<\/a><\/strong>. Casada com o cantor Jo\u00e3o Lucas desde 2021, a empres\u00e1ria revelou ao \u201cPodDelas\u201d, em mar\u00e7o deste ano, que quer viver essa fase com \u201ccalma e profundidade.\u201d \u201cE, agora, a minha vida n\u00e3o est\u00e1 calma, ent\u00e3o acho que prefiro esperar um pouco mais\u201d, disse.<\/p>\n<p>A fala de Xuxa revela uma velha tens\u00e3o familiar: a press\u00e3o imposta aos filhos, especialmente \u00e0s mulheres, em gerar crian\u00e7as para atender um desejo das av\u00f3s. E, mesmo que Xuxa diga n\u00e3o \u201cfor\u00e7ar uma barra\u201d, coment\u00e1rios como os dela acabam exercendo uma exig\u00eancia velada sobre a maternidade.<\/p>\n<p>Psic\u00f3loga cl\u00ednica, Isabela Coura analisa que expressar o desejo de ter netos n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, um problema. \u201cMas a fronteira saud\u00e1vel \u00e9 clara: os pais podem compartilhar seu desejo, mas n\u00e3o devem insistir, repetir o tema de forma recorrente ou interpretar a decis\u00e3o dos filhos como ego\u00edsmo ou desamor. Respeitar o tempo, o momento e at\u00e9 as dificuldades dos filhos \u00e9 fundamental para que o di\u00e1logo permane\u00e7a saud\u00e1vel e n\u00e3o se transforme em press\u00e3o emocional\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Mas quando figuras p\u00fablicas como Xuxa expressam publicamente seu desejo urgente de se tornarem av\u00f3s, elas acabam refor\u00e7ando normas sociais que j\u00e1 est\u00e3o presentes no imagin\u00e1rio coletivo, sobretudo a ideia de que o percurso \u201cnatural\u201d da vida feminina inclui a maternidade, segundo o professor de Ci\u00eancias Sociais do Centro Universit\u00e1rio Arnaldo Janssen, Luciano Gomes dos Santos.<\/p>\n<p>\u201cMesmo que a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja pressionar, esse tipo de discurso pode normalizar ainda mais a expectativa de que todas as mulheres devam desejar esse caminho. No Brasil, onde celebridades t\u00eam grande influ\u00eancia simb\u00f3lica, falas desse tipo contribuem para perpetuar padr\u00f5es tradicionais de g\u00eanero e dificultam que escolhas alternativas como n\u00e3o ter filhos ou adiar indefinidamente essa decis\u00e3o sejam vistas como leg\u00edtimas\u201d, explica o professor.<\/p>\n<p>A expectativa sobre a maternidade alheia vem de um modelo tradicional de fam\u00edlia, no qual a identidade feminina ainda \u00e9 associada \u00e0 maternidade e ao cuidado, avalia a psic\u00f3loga Isabela Coura. \u201cNesse imagin\u00e1rio social, a \u2018plenitude\u2019 da mulher estaria ligada \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o. Mesmo com avan\u00e7os importantes na igualdade de g\u00eanero, e diante de novas configura\u00e7\u00f5es familiares, essa press\u00e3o ainda aparece. Ela \u00e9 refor\u00e7ada por discursos familiares conservadores, por certas institui\u00e7\u00f5es sociais, religiosas e por redes sociais que continuam a promover um roteiro de vida pr\u00e9-determinado para as mulheres\u201d, percebe a especialista.<\/p>\n<p>No fundo, esta \u00e9 uma forma de reduzir a complexidade da experi\u00eancia feminina a um modelo \u00fanico, desconsiderando projetos pessoais, profissionais e desejos individuais. \u201cE isso gera impacto direto na autonomia e no bem-estar das mulheres\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Na estrutura brasileira, impacto \u00e9 ainda maior<\/p>\n<p>O sentimento de culpa relatado por muitos jovens ao dizer \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 fam\u00edlia \u00e9 universal, mas no Brasil assume contornos particulares. Isso porque a cultura brasileira \u201cvaloriza intensamente a fam\u00edlia, a proximidade emocional e a reciprocidade afetiva.\u201d \u201cPais investem muito nos filhos e esperam, muitas vezes, retribui\u00e7\u00e3o em forma de dedica\u00e7\u00e3o ou continuidade familiar\u201d, explica o professor de Ci\u00eancias Sociais do Centro Universit\u00e1rio Arnaldo Janssen, Luciano Gomes dos Santos.<\/p>\n<p>O especialista aponta ainda que, em pa\u00edses com culturas mais individualistas, como os do Norte da Europa, a autonomia pessoal costuma prevalecer sobre as expectativas familiares. \u201cJ\u00e1 no Brasil, onde h\u00e1 fronteiras mais fluidas entre autonomia e obriga\u00e7\u00e3o, a culpa emerge com mais for\u00e7a. Logo, trata-se de uma din\u00e2mica universal, mas acentuada pela cultura brasileira, marcada por la\u00e7os familiares intensos e expectativas interpessoais profundas\u201d, sintetiza o soci\u00f3logo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o especialista avalia que o Brasil valoriza \u201ca fam\u00edlia extensa e a conviv\u00eancia intergeracional.\u201d Isso faz com que a chegada de um neto seja percebida por muitos pais como um marco simb\u00f3lico do ciclo familiar. \u201cAssim, a press\u00e3o n\u00e3o surge apenas como um desejo individual, mas como um comportamento socialmente legitimado, alimentado por tradi\u00e7\u00f5es, religiosidade e um modelo de fam\u00edlia ainda bastante normativo\u201d, explica.<\/p>\n<p>Soma-se a isso a busca por n\u00e3o ferir os sentimentos alheios. \u201cDe alguma forma, todos n\u00f3s temos, em maior ou menor grau, a necessidade de agradar, ser validados e corresponder ao que a fam\u00edlia espera\u201d, sintetiza a psic\u00f3loga Isabela Coura.<\/p>\n<p>Quando a cobran\u00e7a ultrapassa os limites<\/p>\n<p>Existe um limite entre manifestar desejo em que os filhos se tornem pais e a cobran\u00e7a invasiva. Isso acontece quando a necessidade dos pais passa a se sobrepor ao desejo e ao tempo dos filhos e ocorre quando come\u00e7am a aparecer cobran\u00e7as recorrentes, perguntas insistentes, \u201cbrincadeiras\u201d sobre o assunto, compara\u00e7\u00f5es com outros familiares e at\u00e9 chantagem emocional para tentar acelerar decis\u00f5es relacionadas a ter filhos.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de press\u00e3o gera desconforto e costuma refletir diretamente na rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos. Podem surgir brigas, sentimento de culpa, insatisfa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de evita\u00e7\u00e3o de conversas e, em alguns casos, at\u00e9 dos pr\u00f3prios encontros familiares. Esses sinais indicam claramente que os limites foram ultrapassados e que a privacidade do casal n\u00e3o est\u00e1 sendo respeitada\u201d, explica a psic\u00f3loga Isabela Coura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a press\u00e3o por netos pode gerar conflitos intergeracionais, e isso aparece de diversas maneiras nas fam\u00edlias brasileiras. \u201cDesde brincadeiras insistentes que escondem cobran\u00e7as, passando por compara\u00e7\u00f5es com parentes que j\u00e1 tiveram filhos, at\u00e9 tens\u00f5es expl\u00edcitas em almo\u00e7os de fam\u00edlia ou mesmo afastamento tempor\u00e1rio de jovens que desejam evitar o tema\u201d, aponta o professor de Ci\u00eancias Sociais do Centro Universit\u00e1rio Arnaldo Janssen, Luciano Gomes dos Santos.<\/p>\n<p>\u201cEsses conflitos refletem um choque de valores entre gera\u00e7\u00f5es: enquanto os mais velhos cresceram sob normas r\u00edgidas de fam\u00edlia e maternidade como destino, os mais jovens vivem em um contexto que valoriza autonomia, estabilidade financeira, projetos individuais e sa\u00fade mental. Quando essas perspectivas se chocam, surgem frustra\u00e7\u00f5es, m\u00e1goas e incompreens\u00f5es m\u00fatuas, que expressam essa transi\u00e7\u00e3o entre diferentes formas de entender a vida familiar\u201d, salienta o professor.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Recentemente, Xuxa Meneghel, de 62 anos, revelou o desejo de ser av\u00f3. 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