{"id":181616,"date":"2025-12-09T16:08:17","date_gmt":"2025-12-09T16:08:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181616\/"},"modified":"2025-12-09T16:08:17","modified_gmt":"2025-12-09T16:08:17","slug":"o-ativismo-que-funciona-segundo-um-jovem-de-23-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181616\/","title":{"rendered":"o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\">Com apenas 23 anos, Jo\u00e3o Maria Botelho j\u00e1 conta com um percurso profissional que poderia facilmente pertencer a algu\u00e9m com o dobro da sua idade. Licenciado em Direito pela Nova School of Law, o jurista, distinguido, em 2024, pela Forbes Under 30 como um dos \u2018distinguished under 30 achievers\u2019 na categoria de Sustentabilidade &amp; Inova\u00e7\u00e3o Social, conta ao SAPO que o \u2018bichinho da sustentabilidade sempre o acompanhou\u2019, mas foi o est\u00e1gio na Global Alliance for a Sustainable Planet, realizado durante o segundo ano da faculdade, que o fez entender que era nisso que se queria dedicar profissionalmente. \u201cA partir desse momento, virei totalmente o meu foco para esta \u00e1rea. Entrei em centros de investiga\u00e7\u00e3o na faculdade dedicados \u00e0 sustentabilidade, escolhi cadeiras de Direito que se relacionassem com o tema, como Law and Technology ou Law and Sustainability, e, mesmo na licenciatura, pedi autoriza\u00e7\u00e3o para fazer cadeiras de mestrado, como Direito da Energia ou Transi\u00e7\u00e3o Justa. Portanto, foi realmente no segundo ano que percebi o caminho que queria seguir\u201d, explica.<strong> <\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Orador em v\u00e1rios f\u00f3runs nacionais e internacionais, nomeadamente no Parlamento Europeu, Na\u00e7\u00f5es Unidas e Confer\u00eancia Clim\u00e1tica de Bonn, Jo\u00e3o Maria Botelho acredita que \u00e9 atrav\u00e9s do di\u00e1logo que se caminha na dire\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a. \u201cEu adoro falar, mas tamb\u00e9m adoro ouvir. E acho que os maiores projetos em que estive envolvido nasceram de pequenas conversas que depois levaram \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Um dos meus lemas \u00e9 mesmo \u2018Impacto Local para Impacto Global\u2019.&#8221; No entendimento do jovem jurista, a solu\u00e7\u00e3o para a crise clim\u00e1tica passa longe de bloquear estradas e vandalizar espa\u00e7os p\u00fablicos com tinta verde: \u201cAcredito que muitos desses movimentos mais disruptivos produzem ru\u00eddo, aparecem nas not\u00edcias, sem d\u00favida, mas, se perguntar \u00e0s pessoas que l\u00e1 est\u00e3o porqu\u00ea, o que procuram, o que querem alcan\u00e7ar ou o que as motiva, rapidamente se percebe que a base nem sempre \u00e9 s\u00f3lida\u201d, declara. \u201cQuando surgem r\u00f3tulos como \u2018ativista\u2019, eu n\u00e3o me revejo totalmente. Considero-me um actionist [agente de a\u00e7\u00e3o]. Normalmente levo solu\u00e7\u00f5es, falo quando sei, ou\u00e7o quando n\u00e3o sei e reconhe\u00e7o isso. Acredito muito no poder da intergeracionalidade, de ouvir os mais velhos. N\u00e3o \u00e9 aquela vis\u00e3o de que \u2018eles fizeram tudo mal e n\u00f3s \u00e9 que sabemos\u2019. Muitas das coisas que fa\u00e7o, fa\u00e7o pedindo ajuda. Por isso, a minha abordagem \u00e9 mais direcionada para construir pontes do que para erguer muros de divis\u00e3o\u201d, confessa ao SAPO.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Desde o in\u00edcio dos seus estudos, Jo\u00e3o Maria Botelho j\u00e1 coleciona uma vasta lista de projetos e distin\u00e7\u00f5es: foi <strong>reconhecido pelo Presidente da Assembleia da Rep\u00fablica<\/strong> pelas suas contribui\u00e7\u00f5es ao Direito Constitucional e aos Direitos Fundamentais, no \u00e2mbito de uma investiga\u00e7\u00e3o parlamentar intitulada \u201cChecks and Balances &#8211; Freios e contrapesos num parlamento unicameral: o caso portugu\u00eas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controlo parlamntar\u201d, foi\u00a0<strong>reconhecido pelo Financial Times<\/strong>\u00a0pelo seu impacto social e <strong>conquistou uma bolsa para uma forma\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada em ESG<\/strong> pela Wharton Business School, <strong>fundou a Generation Resonance<\/strong>, uma plataforma internacional de jovens l\u00edderes protocolado com United Nations Association Portugal (UNA), que mais tarde deu origem ao podcast <strong>\u201cTomorrow Talks\u201d<\/strong>. Em fevereiro de 2024, <strong>foi galardoado com o Pr\u00e9mio Nacional de Literacia Financeira e Empreendedorismo<\/strong> atribu\u00eddo pela Funda\u00e7\u00e3o Santander pelo sucesso do Projeto \u201cDecoding Sustainable Finance\u201d, foi <strong>shortlisted\u00a0na categoria Young Leader Award<\/strong>\u00a0pela World Federation of United Nations Associations (WFUNA) e em 2025, <strong>apresentou uma palestra TEDx<\/strong> intitulada \u201cSustainability with Purpose\u201d e <strong>moderou o debate principal<\/strong> \u201cWhere\u2019s<strong> <\/strong>the Leader\u201d no Leadership Summit Portugal, realizado no Casino Estoril. Foi ainda <strong>reconhecido pela Randstad como uma voz de autoridade no panorama ESG em Portugal<\/strong> e integrou v\u00e1rios j\u00faris de inova\u00e7\u00e3o social e empreendedorismo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">No meio de um dia-a-dia atribulado, o jovem jurista publicou ainda, em julho deste ano, o livro\u00a0<strong>Estudos Sobre ESG (Environmental, Social &amp; Governance) \u2013 Desafios Atuais e Futuros<\/strong>, editado pela Almedina, onde reuniu mais de vinte especialistas num volume com mais de 500 p\u00e1ginas, atualmente considerado uma refer\u00eancia nacional para empresas, reguladores e juristas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><a href=\"https:\/\/sapo.pt\/artigo\/e-portugues-tem-22-anos-e-faz-capa-da-forbes-por-promover-a-prosperidade-economica-e-justica-social-de-maos-dadas-com-a-saude-ambiental-12ff-68a49e7f2765c02fac72b1ed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><strong>Leia aqui: \u00c9 portugu\u00eas, tem 22 anos e est\u00e1 na lista da Forbes por promover a &#8220;prosperidade econ\u00f3mica e justi\u00e7a social de m\u00e3os dadas com a sa\u00fade ambiental&#8221;<\/strong><\/a><\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765296493_990_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"\u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      \u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>A vontade de transformar o discurso em a\u00e7\u00e3o reflete-se no livro Estudos sobre ESG: Desafios Atuais e Futuro. De onde surgiu a ideia de criar o primeiro manual portugu\u00eas sobre sustentabilidade e ESG, e o que faltava no debate que o motivou a avan\u00e7ar com este projeto?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Quando comecei a estudar os temas da sustentabilidade, n\u00e3o havia um manual claro. Desde 2020, a sustentabilidade tem tido um desenvolvimento r\u00e1pido, quase desenfreado, com um puzzle regulat\u00f3rio sempre em evolu\u00e7\u00e3o. Estamos num momento de transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono, com temas de justi\u00e7a social e regenera\u00e7\u00e3o ambiental. Hoje, isto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma ambi\u00e7\u00e3o ou uma moda passageira, s\u00e3o requisitos de viabilidade \u2014 empresariais, institucionais e sociais. Por isso, acredito que este conhecimento e estes valores s\u00e3o necess\u00e1rios para atuar de forma consciente. Foi assim que decidi que precisava de fixar este conhecimento por escrito. Queria reunir as principais mentes para escrever sobre aquilo que elas mais fazem no dia a dia de forma consciente. Na minha cabe\u00e7a, era como juntar os \u201cAvengers da sustentabilidade\u201d para escrever sobre o que fazem de melhor. O objetivo era criar um manual ou livro que eu pr\u00f3prio queria ter h\u00e1 cinco anos, mas que n\u00e3o existia. O resultado \u00e9 um volume de quase 600 p\u00e1ginas, cobrindo diversos temas do ESG, desde energia nuclear, social e mercados financeiros. Por exemplo, contamos com a Paula Redondo Pereira, da Bolsa de Valores de Luxemburgo, a partilhar a pr\u00e1tica de emiss\u00e3o de um Green Bond num pa\u00eds em desenvolvimento. Eu fa\u00e7o uma contextualiza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da sustentabilidade, mostrando que o ESG n\u00e3o \u00e9 um conceito novo: fa\u00e7o uma viagem no tempo, desde o relat\u00f3rio Limits to Growth, passando pelo relat\u00f3rio de Brundtland, pelo relat\u00f3rio Who Cares Wins das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o Acordo de Paris e a Agenda dos ODS.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Qual a mensagem principal do livro e os pr\u00f3ximos passos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Esta viagem temporal mostra que a sustentabilidade sempre integrou o nosso vocabul\u00e1rio e que j\u00e1 temos um roteiro definido: o que precisamos agora \u00e9 transpor isto para m\u00e9tricas audit\u00e1veis e planos estrat\u00e9gicos que permitam desenvolver estes conceitos de forma simples e acess\u00edvel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que tento sempre descomplicar os temas da sustentabilidade: estes jarg\u00f5es t\u00e9cnicos t\u00eam repercuss\u00f5es diretas na vida das pessoas. A sustentabilidade n\u00e3o \u00e9 abstrata nem segregada; est\u00e1 em tudo \u2014 nos mercados financeiros, no dia a dia, no setor do luxo, na mobilidade, na forma como vivemos. O livro foi um projeto que j\u00e1 queria realizar h\u00e1 algum tempo e que teve bastante sucesso. Al\u00e9m dos autores, quis que o pref\u00e1cio contextualizasse a obra, contando com contributos de pessoas como Filipa Pantale\u00e3o, do BCSD, e M\u00f3nica Ferro, do UNFPA, cujas vis\u00f5es considero essenciais. Numa altura em que a Comiss\u00e3o Europeia foca na competitividade e sustentabilidade, este livro demonstra que sustentabilidade tamb\u00e9m pode ser competitiva. J\u00e1 estou a pensar na pr\u00f3xima obra, tamb\u00e9m na \u00e1rea da sustentabilidade, mas com uma vertente diferente. Enquanto ningu\u00e9m me disser que n\u00e3o, as coisas v\u00e3o acontecendo.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765296494_239_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"\u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      \u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Disse que um dos objetivos era descomplicar a sustentabilidade. O que o irrita ou preocupa na forma como o tema \u00e9 tratado ainda hoje?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Se a nossa literacia em sustentabilidade n\u00e3o for generalizada, corremos o risco de ter a\u00e7\u00f5es superficiais, de greenwashing, ou seja, de dizermos ser mais sustent\u00e1veis do que realmente somos, decis\u00f5es mal calibradas ou incapacidade institucional para responder aos desafios. Por isso, tanto a minha trajet\u00f3ria pessoal como este livro pretendem transmitir uma mensagem central: o conhecimento e a literacia s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto o qu\u00ea e o quanto precisamos de fazer no futuro. Muitas vezes, os temas do dia a dia e a forma como as not\u00edcias tratam a sustentabilidade n\u00e3o mostram a sua verdadeira amplitude. Eu costumo dizer que a abordagem deve ser 360\u00ba, hol\u00edstica. \u00c9 preciso estarmos conscientes da nossa jornada e do que \u00e9 necess\u00e1rio fazer, seja numa grande empresa, numa PME, enquanto indiv\u00edduo ou organiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o de sustentabilidade &#8220;tamanho \u00fanico&#8221;; andamos a velocidades diferentes no mesmo mundo. Diferentes geografias e pa\u00edses tamb\u00e9m n\u00e3o evoluem ao mesmo ritmo: pa\u00edses em desenvolvimento n\u00e3o avan\u00e7am com a mesma amplitude, e pa\u00edses desenvolvidos tamb\u00e9m n\u00e3o atingem o mesmo grau de maturidade. Pode parecer redundante, mas muitas vezes esquecemo-nos disto e tomamos decis\u00f5es com uma vis\u00e3o limitada, que considero errada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Como v\u00ea a implementa\u00e7\u00e3o destas solu\u00e7\u00f5es na pr\u00e1tica, dentro e fora de Portugal?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Quando participo em f\u00f3runs internacionais, como COPs, Parlamento ou institui\u00e7\u00f5es internacionais, percebo isso claramente. No ano passado, fui \u00e0 IE falar com alguns alunos do mestrado em Sustentabilidade e Impacto, e percebi exatamente este ponto: sabemos o que funciona, mas muitas vezes ficamos frustrados por n\u00e3o ver isso a acontecer. Vemos as mesmas solu\u00e7\u00f5es com nomes diferentes, quando na verdade precisamos \u00e9 de mais a\u00e7\u00e3o. Mas l\u00e1 est\u00e1, acredito que o caminho se faz caminhando. Aos meus olhos, Portugal est\u00e1 bem, n\u00e3o somos dos pa\u00edses europeus em pior situa\u00e7\u00e3o. Temos a nossa jornada, e, a n\u00edvel de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, estamos a avan\u00e7ar e a fazer o nosso percurso.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>A proposta de um roteiro para abandonar os combust\u00edveis f\u00f3sseis, defendida pelo Brasil e apoiada por mais de 80 pa\u00edses, acabou por ser retirada devido \u00e0 press\u00e3o de grandes economias como China, \u00cdndia e pa\u00edses \u00e1rabes. O que revela esta decis\u00e3o sobre o poder real dos blocos f\u00f3sseis nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A retirada da proposta confirma o funcionamento estrutural do processo multilateral no \u00e2mbito da UNFCCC. As decis\u00f5es dependem de consenso e isso atribui capacidade de bloqueio a pa\u00edses cuja matriz econ\u00f3mica, fiscal e social permanece ligada aos combust\u00edveis f\u00f3sseis. O ponto central n\u00e3o \u00e9 ideologia. \u00c9 a assimetria de ritmos de desenvolvimento, a depend\u00eancia industrial e o papel que a energia tem na seguran\u00e7a interna de economias como a China, a \u00cdndia e v\u00e1rios pa\u00edses exportadores de petr\u00f3leo. Estes Estados leem qualquer calend\u00e1rio global como uma interven\u00e7\u00e3o direta sobre a sua competitividade e sobre a estabilidade das suas sociedades.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Como o multilateralismo clim\u00e1tico funciona perante a assimetria de interesses?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Este epis\u00f3dio em concreto evidencia um facto estrutural. O multilateralismo clim\u00e1tico s\u00f3 avan\u00e7a quando existe um cruzamento m\u00ednimo entre grandes emissores e grandes produtores. Na aus\u00eancia dessa converg\u00eancia, o sistema desloca o debate para formatos paralelos. A pr\u00e1tica \u00e9 antiga e recorre a instrumentos volunt\u00e1rios, coliga\u00e7\u00f5es restritas ou documentos t\u00e9cnicos desenvolvidos fora do mecanismo decis\u00f3rio formal. N\u00e3o substituem a decis\u00e3o vinculativa, mas permitem manter trabalho t\u00e9cnico vivo at\u00e9 surgir uma janela pol\u00edtica mais favor\u00e1vel. A presid\u00eancia brasileira adotou uma solu\u00e7\u00e3o que &#8220;protegeu&#8221; o processo. Ao retirar a proposta e sugerir que o trabalho t\u00e9cnico avance noutros espa\u00e7os, evitou o bloqueio total do pacote negocial da COP e preservou o equil\u00edbrio entre ambi\u00e7\u00e3o e viabilidade pol\u00edtica. O resultado n\u00e3o altera o rumo internacional j\u00e1 assumido. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 em curso, apoiada por mercados, tecnologia e legisla\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica em v\u00e1rios continentes. O epis\u00f3dio mostra, no entanto, que esta transi\u00e7\u00e3o avan\u00e7ar\u00e1 de forma desfasada no tempo e condicionada pelas realidades econ\u00f3micas de cada bloco. \u00c9 um lembrete de que a geopol\u00edtica da energia ainda molda os limites materiais do consenso clim\u00e1tico e continuar\u00e1 a faz\u00ea-lo durante a pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>A Uni\u00e3o Europeia apoiou o acordo, apesar de consider\u00e1-lo pouco ambicioso. Como interpreta a posi\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia neste acordo clim\u00e1tico?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A posi\u00e7\u00e3o europeia na COP30 resulta de um c\u00e1lculo pol\u00edtico baseado em dois elementos centrais. O primeiro \u00e9 a necessidade de preservar a credibilidade externa ap\u00f3s a atualiza\u00e7\u00e3o da sua NDC e a defini\u00e7\u00e3o das metas interm\u00e9dias para 2035. A Uni\u00e3o apresentou uma narrativa de \u201ccontinuidade\u201d, sustentada na previsibilidade regulat\u00f3ria e na articula\u00e7\u00e3o entre competitividade e transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Esta mensagem foi consistente ao longo da confer\u00eancia, tanto por parte das institui\u00e7\u00f5es como dos Estados-Membros. O segundo elemento \u00e9 estrutural. A UE negocia sempre com uma margem limitada devido \u00e0s diverg\u00eancias internas sobre energia, depend\u00eancia de f\u00f3sseis e impacto econ\u00f3mico de calend\u00e1rios mais r\u00edgidos. Esta heterogeneidade condiciona a assertividade que pode assumir e explica a prud\u00eancia com que abordou o debate sobre o roteiro global para combust\u00edveis f\u00f3sseis. A dificuldade n\u00e3o \u00e9 nova e permanece como um dos fatores que mais reduz a capacidade europeia de impor linguagem mais incisiva no processo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>E de que forma a geopol\u00edtica global influencia estas negocia\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A fragmenta\u00e7\u00e3o crescente do multilateralismo acentuou estas limita\u00e7\u00f5es. A influ\u00eancia combinada da China, da \u00cdndia e dos grandes produtores de petr\u00f3leo estabilizou o texto e reduziu espa\u00e7o para solu\u00e7\u00f5es mais ambiciosas. Neste contexto, a UE optou por apoiar o acordo final por considerar que um veto implicaria um custo diplom\u00e1tico elevado sem ganhos substanciais. Esta escolha n\u00e3o representa perda s\u00fabita de influ\u00eancia. Revela, sim, a adapta\u00e7\u00e3o a uma geopol\u00edtica da energia em mudan\u00e7a, onde a capacidade europeia de liderar depende cada vez mais da forma\u00e7\u00e3o de coliga\u00e7\u00f5es fora do seu c\u00edrculo tradicional e da compatibiliza\u00e7\u00e3o entre ambi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e estabilidade econ\u00f3mica interna.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>O que este epis\u00f3dio diz sobre a lideran\u00e7a europeia no clima e o futuro da coopera\u00e7\u00e3o internacional?<\/strong><\/p>\n<p>Do ponto de vista diplom\u00e1tico, a decis\u00e3o teve l\u00f3gica pr\u00f3pria. Garantiu avan\u00e7os poss\u00edveis num ambiente adverso e evitou um impasse com impacto pol\u00edtico negativo. A leitura do Parlamento Europeu resume este equil\u00edbrio. O resultado oferece uma base m\u00ednima para a coopera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica global, mas a dist\u00e2ncia entre o ritmo atual e a urg\u00eancia cient\u00edfica permanece significativa. Do meu ponto de vista, este epis\u00f3dio confirma que a lideran\u00e7a europeia j\u00e1 n\u00e3o pode assentar apenas na ambi\u00e7\u00e3o normativa e necessita de se reconstruir com base em alian\u00e7as estrat\u00e9gicas mais amplas. Mostra tamb\u00e9m que a capacidade da UE para moldar o regime clim\u00e1tico depender\u00e1, cada vez mais, da coer\u00eancia entre o que decide internamente e o que consegue mobilizar no plano internacional.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765296496_335_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"\u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      \u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>A COP30 trouxe de volta a participa\u00e7\u00e3o massiva da sociedade civil e dos povos ind\u00edgenas. Como avalia este regresso e o impacto desta presen\u00e7a nas negocia\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A COP30 registou a maior participa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena na hist\u00f3ria das confer\u00eancias clim\u00e1ticas, com cerca de 2.500 a 3.000 representantes ind\u00edgenas presentes em Bel\u00e9m, embora apenas 14% tenham obtido acredita\u00e7\u00e3o para a Zona Azul das negocia\u00e7\u00f5es formais. Esta tens\u00e3o entre presen\u00e7a massiva vs acesso limitado aos espa\u00e7os de decis\u00e3o cristaliza um paradoxo estrutural. Como afirmou Toya Manchineri, Coordenador da COIAB: &#8220;Idealmente, participar\u00edamos como negociadores dentro da delega\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds. Isso faria toda a diferen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Houve tamb\u00e9m protestos e incidentes de seguran\u00e7a durante a COP. O que estes acontecimentos revelam sobre a rela\u00e7\u00e3o entre ativistas e diplomacia clim\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Os protestos foram significativos: cerca de 90 membros do povo Munduruku bloquearam pacificamente a entrada da COP. Exigia a cessa\u00e7\u00e3o de projetos que amea\u00e7am popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Houve tamb\u00e9m uma invas\u00e3o da Zona Azul que resultou em confrontos com pessoal de seguran\u00e7a, que at\u00e9 levou o Secret\u00e1rio Executivo da UNFCCC, Simon Stiell, a expressar formalmente preocupa\u00e7\u00f5es sobre o bem-estar dos delegados. A avalia\u00e7\u00e3o desta tens\u00e3o pode ser ent\u00e3o vista de 2 prismas: Por um lado, representa um avan\u00e7o democr\u00e1tico significativo, o &#8220;C\u00edrculo dos Povos&#8221;, liderado pela Ministra S\u00f4nia Guajajara, criou um espa\u00e7o consultivo sem precedentes para vozes ind\u00edgenas junto da presid\u00eancia. O Presidente Lula reconheceu explicitamente a necessidade de &#8220;reconhecer o papel dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e das comunidades tradicionais nos esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o&#8221;. Em segundo lugar, subsistem limites evidentes no funcionamento da diplomacia clim\u00e1tica. As negocia\u00e7\u00f5es continuam a depender de linguagem t\u00e9cnica fechada, de ritmos decis\u00f3rios opacos e de din\u00e2micas que favorecem atores estatais com capacidade institucional consolidada. A Amnistia Internacional sintetizou esta cr\u00edtica ao sublinhar que a falta de processos participativos e transparentes afastou tanto a sociedade civil como os povos ind\u00edgenas dos espa\u00e7os onde se definem compromissos concretos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>O multilateralismo clim\u00e1tico s\u00f3 avan\u00e7a quando existe um cruzamento m\u00ednimo entre grandes emissores e grandes produtores.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>E que li\u00e7\u00f5es podemos tirar sobre a influ\u00eancia real dos povos ind\u00edgenas nas negocia\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Que participa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica aumentou, mas a influ\u00eancia substantiva permanece-me ainda insuficiente. A demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas como pol\u00edtica clim\u00e1tica (a principal reivindica\u00e7\u00e3o da A Coliga\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil) n\u00e3o foi inclu\u00edda no acordo final.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Muitos governos qualificaram o resultado da COP30 como \u201co acordo poss\u00edvel\u201d. Em plena emerg\u00eancia clim\u00e1tica, como interpreta o conceito de \u201cacordo poss\u00edvel\u201d?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">O conceito de \u201cacordo poss\u00edvel\u201d deve ser lido \u00e0 luz do funcionamento do processo multilateral. As confer\u00eancias clim\u00e1ticas operam por consenso e qualquer decis\u00e3o necessita de um n\u00edvel m\u00ednimo de converg\u00eancia entre pa\u00edses com perfis energ\u00e9ticos, econ\u00f3micos e estrat\u00e9gicos muito distintos. Quando esse equil\u00edbrio \u00e9 dif\u00edcil de alcan\u00e7ar, o resultado reflete inevitavelmente o ponto onde as diverg\u00eancias se tornam menos impeditivas. Neste contexto, \u201co acordo poss\u00edvel\u201d descreve um compromisso que preserva avan\u00e7os t\u00e9cnicos relevantes, como decis\u00f5es no dom\u00ednio da adapta\u00e7\u00e3o, mecanismos de coopera\u00e7\u00e3o e elementos de financiamento, mas deixa de fora aspetos cuja negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o reuniu consenso suficiente. Trata-se de uma pr\u00e1tica comum no regime clim\u00e1tico internacional e traduz a natureza incremental do processo.\u00a0A express\u00e3o tamb\u00e9m cumpre uma fun\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica. Permite aos governos reconhecer que o resultado n\u00e3o corresponde integralmente \u00e0s suas prefer\u00eancias, mas que representa um passo aceit\u00e1vel dentro das condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas existentes. N\u00e3o implica desvaloriza\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia clim\u00e1tica, mas sim uma leitura pragm\u00e1tica das limita\u00e7\u00f5es reais do sistema. H\u00e1, por fim, uma distin\u00e7\u00e3o fundamental. A ci\u00eancia estabelece um conjunto claro de trajet\u00f3rias e limites f\u00edsicos. A pol\u00edtica opera sobre constrangimentos econ\u00f3micos, sociais e geoestrat\u00e9gicos que variam de pa\u00eds para pa\u00eds. A dist\u00e2ncia entre o \u201cnecess\u00e1rio\u201d e o \u201cposs\u00edvel\u201d n\u00e3o decorre de desconhecimento dos riscos, mas de assimetrias estruturais na capacidade de transi\u00e7\u00e3o. O desafio central da pr\u00f3xima d\u00e9cada ser\u00e1 aproximar estas duas dimens\u00f5es atrav\u00e9s de financiamento adequado, mecanismos de implementa\u00e7\u00e3o cred\u00edveis e estruturas de coopera\u00e7\u00e3o que reduzam o custo pol\u00edtico de aumentar a ambi\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765296496_632_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"\u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      \u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Considerando os temas que ficaram de fora da COP30, qual deveria ser a prioridade absoluta da COP31, na Turquia, para recuperar confian\u00e7a e acelerar a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A COP31, prevista para novembro de 2026 em Antalya, num arranjo in\u00e9dito em que a Turquia assume a presid\u00eancia formal e a Austr\u00e1lia lidera o processo de negocia\u00e7\u00f5es, dever\u00e1 recentrar o processo clim\u00e1tico internacional em tr\u00eas prioridades operacionais. O objetivo ser\u00e1 restaurar previsibilidade, refor\u00e7ar a confian\u00e7a entre Estados e criar condi\u00e7\u00f5es para que a implementa\u00e7\u00e3o avance com maior consist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Quais s\u00e3o os principais desafios relacionados com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que a COP31 dever\u00e1 abordar?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Uma prioridade central ser\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o formal do processo de Roteiro de Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica. O desenvolvimento deste roteiro, lan\u00e7ado pela presid\u00eancia brasileira em Bel\u00e9m e apoiado pela \u201cBel\u00e9m Declaration\u201d, requer enquadramento institucional claro. A confer\u00eancia internacional de Santa Marta, na Col\u00f4mbia, em abril de 2026, coorganizada com os Pa\u00edses Baixos, foi mandatada para produzir propostas t\u00e9cnicas e de governa\u00e7\u00e3o. A COP31 n\u00e3o se centrar\u00e1 em fixar novas metas, mas em transformar este esfor\u00e7o volunt\u00e1rio num processo reconhecido pelas Partes, com calend\u00e1rios, par\u00e2metros t\u00e9cnicos e crit\u00e9rios de monitoriza\u00e7\u00e3o compat\u00edveis com realidades energ\u00e9ticas nacionais muito diferentes.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>O conhecimento e a literacia s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto o qu\u00ea e o quanto precisamos de fazer no futuro.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Mas como poder\u00e1 fortalecer o financiamento clim\u00e1tico e o acompanhamento do progresso global?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A COP31 ter\u00e1 de<strong> <\/strong>executar o financiamento clim\u00e1tico, clarificando metodologias de contabiliza\u00e7\u00e3o, crit\u00e9rios de elegibilidade e padr\u00f5es de reporte, consolidando a interpreta\u00e7\u00e3o do Artigo 9.\u00ba, n.\u00ba 1, do Acordo de Paris, para garantir previsibilidade nos contributos dos pa\u00edses desenvolvidos. Al\u00e9m disso, dever\u00e1 preparar de forma estruturada o segundo Global Stocktake, garantindo que o pacote acordado em Bel\u00e9m sobre o Objetivo Global de Adapta\u00e7\u00e3o entra efetivamente em fase de implementa\u00e7\u00e3o e reporte, em articula\u00e7\u00e3o com o trabalho t\u00e9cnico de 2026. O contributo cient\u00edfico do S\u00e9timo Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o do IPCC ser\u00e1 central, e iniciativas como a Miss\u00e3o de Bel\u00e9m para 1,5 \u00b0C e o Acelerador de Implementa\u00e7\u00e3o Global poder\u00e3o fornecer coer\u00eancia adicional, desde que integradas num quadro institucional claro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>Apesar do maior espa\u00e7o dado aos jovens nas negocia\u00e7\u00f5es, como avalia o papel real que movimentos juvenis podem ter no processo clim\u00e1tico internacional?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">O espa\u00e7o concedido aos jovens no processo clim\u00e1tico internacional tem aumentado, mas permanece concentrado na esfera da observa\u00e7\u00e3o e da mobiliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A cria\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o de Youth Climate Champion na COP30 e a introdu\u00e7\u00e3o de f\u00f3runs intergeracionais representam avan\u00e7os relevantes, mas n\u00e3o alteram a arquitectura decis\u00f3ria central, que continua a ser dominada pelos Estados e pelas institui\u00e7\u00f5es multilaterais. A COP30 evidenciou sinais positivos. A presid\u00eancia refor\u00e7ou o di\u00e1logo com plataformas juvenis, lan\u00e7ou programas de capacita\u00e7\u00e3o e abriu canais para contributos t\u00e9cnicos nos momentos preparat\u00f3rios. Redes como a Commonwealth Youth Climate Change Network apresentaram recomenda\u00e7\u00f5es formais, o que revela um movimento gradual de profissionaliza\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o juvenil e uma maior integra\u00e7\u00e3o no trabalho pr\u00e9-negocial.<\/p>\n<p>\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765296497_446_thumbs.web.sapo.io\"  alt=\"\u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos\" loading=\"true\"\/><\/p>\n<p>      \u201cImpacto local para uma transforma\u00e7\u00e3o global\u201d: o ativismo que funciona segundo um jovem de 23 anos<br \/>\n      Cr\u00e9ditos: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>O que est\u00e1 a limitar a influ\u00eancia direta dos jovens na implementa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos compromissos clim\u00e1ticos?<\/strong><\/p>\n<p>As limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o sobretudo estruturais: a participa\u00e7\u00e3o depende de recursos, acredita\u00e7\u00e3o e capacidade institucional. Muitos grupos juvenis funcionam com estruturas informais e t\u00eam dificuldade em acompanhar processos prolongados e tecnicamente exigentes, como os ciclos de revis\u00e3o das NDC, os trabalhos de implementa\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris ou os mecanismos de financiamento clim\u00e1tico. Estas barreiras explicam porque a influ\u00eancia direta continua limitada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><strong>E, na pr\u00e1tica, de que forma os jovens podem contribuir para que os compromissos clim\u00e1ticos se tornem mais concretos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">No meu entendimento existem tr\u00eas \u00e1reas com maior potencial de impacto: <strong>Transpar\u00eancia das pol\u00edticas clim\u00e1ticas, <\/strong>em que os<strong> <\/strong>jovens podem acompanhar estrat\u00e9gias nacionais, participar em consultas p\u00fablicas e elaborar contributos escritos para revis\u00f5es das NDC, colaborando com centros de investiga\u00e7\u00e3o para garantir continuidade entre confer\u00eancias; <strong>Inova\u00e7\u00e3o<\/strong>, em que os jovens investigadores e empreendedores se destacam em efici\u00eancia energ\u00e9tica, agricultura inteligente e tecnologias de baixo carbono. A Agenda de Empregos e Compet\u00eancias para a Nova Economia reconhece que a inova\u00e7\u00e3o muitas vezes ocorre fora das estruturas governamentais tradicionais e valoriza a sua integra\u00e7\u00e3o nos instrumentos de implementa\u00e7\u00e3o; <strong>Participa\u00e7\u00e3o estruturada em pol\u00edticas p\u00fablicas. <\/strong>\u00a0Debates em Bel\u00e9m abordaram propostas como incluir educa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nas NDC (Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas), criar linhas de financiamento espec\u00edficas para projetos juvenis e definir crit\u00e9rios m\u00ednimos para presen\u00e7a juvenil nas delega\u00e7\u00f5es nacionais. O desafio \u00e9 transformar estas propostas em mecanismos est\u00e1veis, com regras claras e responsabilidades definidas, garantindo integra\u00e7\u00e3o efetiva nos procedimentos formais da UNFCCC. O sistema encontra-se num ponto de transi\u00e7\u00e3o: a participa\u00e7\u00e3o simbolicamente reconhecida come\u00e7a a dar lugar a um modelo que procura ganhar peso operacional. A COP31 ser\u00e1 um teste importante para avaliar se esta evolu\u00e7\u00e3o pode consolidar estruturas capazes de gerar contributos consistentes, tecnicamente fundamentados e com impacto real no processo multilateral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com apenas 23 anos, Jo\u00e3o Maria Botelho j\u00e1 conta com um percurso profissional que poderia facilmente pertencer a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":181617,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-181616","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115690478745907644","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181616","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181616"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181616\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/181617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=181616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}