{"id":181696,"date":"2025-12-09T17:22:12","date_gmt":"2025-12-09T17:22:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181696\/"},"modified":"2025-12-09T17:22:12","modified_gmt":"2025-12-09T17:22:12","slug":"so-6-paises-em-todo-o-mundo-tem-submarinos-nucleares-sera-que-a-europa-precisa-mesmo-de-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181696\/","title":{"rendered":"S\u00f3 6 pa\u00edses em todo o mundo t\u00eam submarinos nucleares. Ser\u00e1 que a Europa precisa mesmo de mais?"},"content":{"rendered":"<p>O debate sobre o papel dos submarinos nucleares no futuro da defesa europeia ganhou novo f\u00f4lego \u00e0 medida que aumentam as tens\u00f5es entre grandes pot\u00eancias e crescem as preocupa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre capacidades militares avan\u00e7adas. A tecnologia, detida atualmente apenas por seis pa\u00edses \u2014 Fran\u00e7a, Reino Unido, Estados Unidos, R\u00fassia, China e \u00cdndia \u2014 volta a estar no centro da discuss\u00e3o, especialmente perante epis\u00f3dios recentes envolvendo infraestruturas sens\u00edveis.<\/p>\n<p>Na semana passada, for\u00e7as militares francesas abriram fogo contra drones n\u00e3o identificados que sobrevoavam uma instala\u00e7\u00e3o de submarinos nucleares em Inglaterra. O caso acentuou a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica deste tipo de equipamento e coincidiu com outra novidade relevante: em novembro, Washington declarou estar disposto a apoiar a Coreia do Sul na constru\u00e7\u00e3o de submarinos de ataque movidos a energia nuclear, uma altera\u00e7\u00e3o significativa face \u00e0 pol\u00edtica tradicional norte-americana de limitar a transfer\u00eancia deste tipo de tecnologia. At\u00e9 ent\u00e3o, os EUA apenas tinham partilhado capacidades nucleares navais com o Reino Unido, desde 1958, e abriram essa exce\u00e7\u00e3o \u00e0 Austr\u00e1lia em 2021.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Moscovo tem refor\u00e7ado o seu arsenal submarino. No \u00faltimo m\u00eas, a R\u00fassia colocou ao servi\u00e7o uma nova classe de submarinos, designada Khabarovsk, refor\u00e7ando o quadro de rivalidade tecnol\u00f3gica que alimenta a atual discuss\u00e3o europeia.<\/p>\n<p><strong>O que distingue os submarinos nucleares?<\/strong><br \/>O conceito de submarino nuclear abrange dois tipos distintos de plataformas: os que s\u00e3o movidos por um reator nuclear e os que transportam armamento nuclear, independentemente do tipo de propuls\u00e3o. Esta duplicidade, usada frequentemente de forma vaga, contribui para ambiguidades na an\u00e1lise p\u00fablica.<\/p>\n<p>Os submarinos de propuls\u00e3o nuclear destacam-se pela autonomia praticamente ilimitada. Utilizam o calor gerado pelo reator para produzir vapor e acionar turbinas, permitindo-lhes permanecer submersos durante meses. A capacidade de operar longos per\u00edodos sem necessidade de reabastecimento \u2014 exceto para suprimentos da tripula\u00e7\u00e3o \u2014 torna-os especialmente dif\u00edceis de detetar.<\/p>\n<p>\u201cTer esta enorme quantidade de energia dispon\u00edvel durante muito tempo \u00e9 o que torna estes submarinos t\u00e3o importantes para os pa\u00edses que os possuem\u201d, explicou Hans Liw\u00e5ng, professor de ci\u00eancia de sistemas para defesa e seguran\u00e7a na Universidade de Defesa da Su\u00e9cia, em declara\u00e7\u00f5es ao Euronews Next.<\/p>\n<p>J\u00e1 um submarino equipado com armas nucleares n\u00e3o tem necessariamente de ser nuclear em termos de propuls\u00e3o. Pode tratar-se de um modelo convencional a diesel-el\u00e9trico com capacidade para lan\u00e7ar m\u00edsseis nucleares. O especialista assinalou ainda que \u201c\u00e9 preciso assumir que [o Khabarovsk russo] pode transportar armas nucleares\u201d.<\/p>\n<p><strong>A Europa deve apostar em mais submarinos de propuls\u00e3o nuclear?<\/strong><br \/>A utilidade operacional destes submarinos para o contexto europeu \u00e9 tema de debate. Liw\u00e5ng considera que, embora sejam plataformas poderosas em miss\u00f5es de vigil\u00e2ncia e opera\u00e7\u00f5es furtivas, podem n\u00e3o corresponder \u00e0s necessidades impostas pelos conflitos mais prov\u00e1veis no continente.<\/p>\n<p>Ao analisar a guerra na Ucr\u00e2nia, o acad\u00e9mico sublinhou que os cen\u00e1rios mais cr\u00edticos para a Europa e os aliados da NATO s\u00e3o terrestres e mar\u00edtimos, mas sobretudo em ambientes \u201cmais rasos e pr\u00f3ximos da costa\u201d. Para essas miss\u00f5es, afirmou, o desenvolvimento de um submarino nuclear \u201cn\u00e3o \u00e9 a atividade central\u201d das marinhas europeias.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, as \u00e1guas pouco profundas e a geografia confinada do B\u00e1ltico tornam dif\u00edcil operar submarinos nucleares sem comprometer a discri\u00e7\u00e3o. J\u00e1 no Mediterr\u00e2neo, apesar de maiores profundidades, a natureza das miss\u00f5es raramente exige a dimens\u00e3o, a autonomia ou a complexidade destas embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Liw\u00e5ng destacou igualmente as vantagens dos submarinos convencionais, que tendem a ser mais pequenos e mais econ\u00f3micos. Para muitos pa\u00edses europeus, argumentou, \u201c\u00e9 muito mais importante ter v\u00e1rios submarinos convencionais do que as especifica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que estes submarinos [nucleares] t\u00eam\u201d.<\/p>\n<p>A tecnologia nuclear traz ainda desafios log\u00edsticos significativos: os reatores ocupam grande parte do espa\u00e7o interno e o processo de reabastecimento pode prolongar-se por um ano, dado exigir a desmontagem parcial da embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Submarinos nucleares continuam a ter um papel no Atl\u00e2ntico<\/strong><br \/>Apesar das limita\u00e7\u00f5es identificadas para opera\u00e7\u00f5es em zonas costeiras, Liw\u00e5ng entende que este tipo de plataforma mant\u00e9m relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica para miss\u00f5es de longo alcance, sobretudo no Atl\u00e2ntico. A press\u00e3o crescente da R\u00fassia \u2014 que tem intensificado t\u00e1ticas h\u00edbridas e a\u00e7\u00f5es de influ\u00eancia em regi\u00f5es como a Gronel\u00e2ndia e a Isl\u00e2ndia \u2014 refor\u00e7a a import\u00e2ncia de garantir presen\u00e7a europeia em \u00e1guas distantes.<\/p>\n<p>\u201cVejo necessidade de garantir que os pa\u00edses europeus podem assumir um papel na defesa do Atl\u00e2ntico\u201d, afirmou o professor. \u201cOs submarinos de propuls\u00e3o nuclear podem fazer parte desse esfor\u00e7o, mas s\u00e3o necess\u00e1rios outros meios\u201d, incluindo submarinos convencionais e navios de superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o considere urgente que a Europa invista de imediato na expans\u00e3o da sua frota nuclear, Liw\u00e5ng alertou que a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica global pode influenciar o ambiente de seguran\u00e7a no continente. \u201cO submarino nuclear \u00e9 sobretudo uma ferramenta de proje\u00e7\u00e3o de poder \u00e0 escala mundial\u201d, afirmou. \u201cPa\u00edses como a R\u00fassia t\u00eam essa vis\u00e3o, e isso afeta a sua postura perante os EUA. E, naturalmente, a postura da R\u00fassia perante os EUA influencia a forma como os EUA atuam na Europa.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O debate sobre o papel dos submarinos nucleares no futuro da defesa europeia ganhou novo f\u00f4lego \u00e0 medida&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":181697,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-181696","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181696\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/181697"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=181696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}