{"id":181969,"date":"2025-12-09T21:47:39","date_gmt":"2025-12-09T21:47:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181969\/"},"modified":"2025-12-09T21:47:39","modified_gmt":"2025-12-09T21:47:39","slug":"morreu-clara-pinto-correia-escritora-tinha-65-anos-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/181969\/","title":{"rendered":"Morreu Clara Pinto Correia. Escritora tinha 65 anos \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Morreu a escritora Clara Pinto Correia aos 65 anos. A informa\u00e7\u00e3o foi avan\u00e7ada pelo <a href=\"https:\/\/www.cmjornal.pt\/portugal\/detalhe\/escritora-clara-pinto-correia-encontrada-morta\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Correio da Manh\u00e3<\/a> e confirmada por nota publicada no site da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Segundo o jornal quando as autoridades chegaram \u00e0 sua casa, em Estremoz, no Alentejo, a escritora estava j\u00e1 sem vida.<\/p>\n<p>O Presidente da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa, envia as condol\u00eancias \u00e0 \u201cfam\u00edlia, amigos e admiradores\u201d da escritora no comunicado publicado no <a href=\"https:\/\/www.presidencia.pt\/atualidade\/toda-a-atualidade\/2025\/12\/presidente-da-republica-evoca-clara-pinto-correia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">site da Presid\u00eancia<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cClara Pinto Correia juntava \u00e0 alegria de viver, uma intelig\u00eancia e um brilho que se expressaram na interven\u00e7\u00e3o oral e escrita, no magist\u00e9rio cient\u00edfico e na comunica\u00e7\u00e3o com os outros. N\u00e3o deixou nunca ningu\u00e9m indiferente. Da\u00ed o sentido de aus\u00eancia por todos partilhado neste momento\u201d, pode ler-se.<\/p>\n<p>Escritora, bi\u00f3loga e professora universit\u00e1ria, a autora do romance Adeus Princesa, publicado aos 25 anos, destacou-se tanto ao n\u00edvel das ci\u00eancias, como da literatura, tendo ainda sido cronista, jornalista, apresentadora e at\u00e9 atriz, no filme Kiss me (2004), de Ant\u00f3nio Cunha Telles.<\/p>\n<p>Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa, em 1984, doutorou-se em 1992 em Biologia Celular, pelo Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas Abel Salazar da Universidade do Porto, embora j\u00e1 estivesse integrada no corpo docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na \u00e1rea de biologia celular e histologia e embriologia.<\/p>\n<p>Viveu nos Estados Unidos, onde continuou os estudos, fez investiga\u00e7\u00e3o e publicou obras cient\u00edficas, regressando a Portugal em 1996, para se dedicar \u00e0 doc\u00eancia universit\u00e1ria. A par da biologia, \u00e1rea por que se apaixonou ainda na inf\u00e2ncia, durante o per\u00edodo em que viveu com os pais em Angola, Clara Pinto Correia desenvolveu uma prof\u00edcua carreira de escritora.<\/p>\n<p>Muito para l\u00e1 dos livros cient\u00edficos, Clara Pinto Correia cedo se come\u00e7ou a dedicar \u00e0 literatura, tendo publicado aos 23 anos, em parceria com outras escritoras, o livro Anda uma m\u00e3e a criar filhas para isto.<\/p>\n<p>Dois anos depois publicou aquele que se tornaria o seu mais conhecido romance, Adeus, Princesa, que teve na altura, um grande impacto junto da cr\u00edtica, que chegou a classific\u00e1-lo como \u201cum dos livros not\u00e1veis de 1985\u201d.<\/p>\n<p>Ponto P\u00e9 de Flor, A Mulher Gorda, Domingo de Ramos, Clonai e Multiplicai-vos, A Ilha dos P\u00e1ssaros Doidos, A Deriva dos Continentes e Mais que Perfeito\u00a0s\u00e3o apenas alguns dos t\u00edtulos da quase meia centena que publicou.<\/p>\n<p>Durante muitos anos, a autora foi uma figura p\u00fablica marcante em Portugal, quer pelas suas obras, como pelo cruzamento que fez entre ci\u00eancia, literatura e comunica\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela sua presen\u00e7a medi\u00e1tica. No entanto, sofreria uma queda do palco medi\u00e1tico para uma vida de dificuldades pessoais e profissionais, tendo perdido o emprego e enfrentado problemas financeiros, vendo-se obrigada a sair da sua casa de longa data, em Sintra.<\/p>\n<p>Clara Pinto Correia contou esta sua hist\u00f3ria, numa entrevista \u00e0 revista S\u00e1bado em janeiro de 2025: \u201cFiquei sem emprego, sem qualquer esp\u00e9cie de trabalho. Primeiro que come\u00e7asse a receber o subs\u00eddio de desemprego foram quase dois anos. Nas filas da Seguran\u00e7a Social olhavam para mim de esguelha. A minha senhoria da casa no Penedo [perto de Colares, Sintra] p\u00f4s-me uma ordem de despejo. H\u00e1 30 anos que lhe arrendava a casa e dava-me lindamente com ela\u201d.<\/p>\n<p>Em 2003, foi acusada de pl\u00e1gio relativo a um artigo de opini\u00e3o publicado na revista Vis\u00e3o, a que na altura reagiu afirmando nem sequer saber do que se estava a falar. No ano passado publicou Antares, um romance que decorre ao longo de uma \u00fanica noite, sob o brilho constante da estrela vermelha que lhe d\u00e1 nome, e que a pr\u00f3pria autora diz ter escrito como uma \u201cmensagem de esperan\u00e7a\u201d, para \u201cque as pessoas n\u00e3o se esquecessem de todas as coisas boas que a vida lhes ofereceu\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Morreu a escritora Clara Pinto Correia aos 65 anos. 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