{"id":182857,"date":"2025-12-10T14:34:31","date_gmt":"2025-12-10T14:34:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/182857\/"},"modified":"2025-12-10T14:34:31","modified_gmt":"2025-12-10T14:34:31","slug":"bruxelas-anuncia-hoje-revisao-da-proibicao-dos-motores-de-combustao-o-que-podera-mudar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/182857\/","title":{"rendered":"Bruxelas anuncia hoje revis\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o dos motores de combust\u00e3o: o que poder\u00e1 mudar?"},"content":{"rendered":"<p>A Uni\u00e3o Europeia prepara-se para anunciar esta quarta-feira uma revis\u00e3o da regra que prev\u00ea o fim da produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis com motores de combust\u00e3o interna a partir de 2035. A medida, votada em 2023, enfrenta agora forte contesta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios Estados-membros e de toda a ind\u00fastria autom\u00f3vel, que alertam para o risco de um colapso econ\u00f3mico no setor. Segundo o \u2018El Economista\u2019, a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o \u00e9 significativa e envolve pa\u00edses que tinham apoiado o plano inicial.<\/p>\n<p>O chanceler alem\u00e3o, Friedrich Merz, defende abertamente um relaxamento da legisla\u00e7\u00e3o e enviou uma carta \u00e0 Comiss\u00e3o Europeia a solicitar um prazo mais longo e a exclus\u00e3o de h\u00edbridos plug-in, motores a gasolina e g\u00e1s altamente eficientes da proibi\u00e7\u00e3o. Em 2023, a Alemanha tinha condicionado o seu apoio \u00e0 inclus\u00e3o dos combust\u00edveis sint\u00e9ticos neutros em carbono, mas, desta vez, as d\u00favidas s\u00e3o mais profundas e partilhadas por v\u00e1rios aliados.<\/p>\n<p>It\u00e1lia, Eslov\u00e1quia e outros pa\u00edses dependentes da ind\u00fastria autom\u00f3vel alinham agora com a posi\u00e7\u00e3o alem\u00e3, enquanto Fran\u00e7a e Espanha surgem como os principais defensores da manuten\u00e7\u00e3o das regras de 2035.<\/p>\n<p><strong>Bruxelas admite altera\u00e7\u00f5es, mas mant\u00e9m incerteza sobre alcance da revis\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O comiss\u00e1rio Europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, afirmou ao jornal \u2018Handelsblatt\u2019 que est\u00e1 a ser preparado um pacote de medidas de apoio \u00e0 ind\u00fastria que incluir\u00e1 altera\u00e7\u00f5es ao calend\u00e1rio da elimina\u00e7\u00e3o gradual dos motores de combust\u00e3o. O respons\u00e1vel admitiu que as novas regras poder\u00e3o ser anunciadas este m\u00eas, embora o processo possa prolongar-se at\u00e9 janeiro de 2026.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o acolheu positivamente a carta de Merz e garantiu estar \u201caberta a todas as tecnologias\u201d. No entanto, especialistas antecipam negocia\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e um confronto diplom\u00e1tico que dever\u00e1 ser resolvido nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n<p><strong>O plano atual: emiss\u00f5es zero em novos ve\u00edculos a partir de 2035<\/strong><\/p>\n<p>Se nada for alterado, a legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea que, a partir de 2035, todos os novos autom\u00f3veis vendidos na UE tenham de emitir zero CO2. Os ve\u00edculos existentes poder\u00e3o continuar a circular, mas deixar\u00e1 de ser poss\u00edvel fabricar carros ou carrinhas com motor de combust\u00e3o, exceto os alimentados por combust\u00edveis sint\u00e9ticos neutros.<\/p>\n<p>As motocicletas ficam fora deste enquadramento e mant\u00eam-se num limbo regulat\u00f3rio. A proibi\u00e7\u00e3o total dos motores de combust\u00e3o est\u00e1 prevista para 2050, embora o calend\u00e1rio ainda n\u00e3o esteja fechado.<\/p>\n<p>O impacto estimado no setor \u00e9 significativo. A BMW j\u00e1 alertou que, com o prazo atual, a ind\u00fastria europeia \u201cpode entrar em colapso\u201d, com perdas potencialmente superiores a dezenas de milhares de empregos. A ACEA considera que as metas s\u00e3o \u201cextremamente r\u00edgidas\u201d e \u201cj\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o realistas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Setor sob press\u00e3o econ\u00f3mica e concorr\u00eancia internacional<\/strong><\/p>\n<p>Os motores de combust\u00e3o representam ainda 40% das vendas num mercado que recuou 4% no \u00faltimo ano e enfrenta tarifas de 15% sobre ve\u00edculos norte-americanos, ao mesmo tempo que os fabricantes chineses ganham quota e j\u00e1 representam 13% das vendas de el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>A Coface alerta que os produtores europeus \u201cenfrentam uma reconfigura\u00e7\u00e3o das cadeias de valor\u201d e que a transi\u00e7\u00e3o mal gerida pode fragilizar toda a ind\u00fastria. A McKinsey indica que 7% do PIB europeu e 14 milh\u00f5es de empregos dependem do setor, estimando que uma m\u00e1 implementa\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o arrisque 440 mil milh\u00f5es de euros at\u00e9 2035.<\/p>\n<p>O comportamento dos consumidores constitui outro obst\u00e1culo: apenas 20% consideram adquirir um el\u00e9trico no curto prazo, enquanto 40% preferem h\u00edbridos e outros 40% autom\u00f3veis de combust\u00e3o. Os el\u00e9tricos continuam, em m\u00e9dia, 20% a 30% mais caros.<\/p>\n<p>A ACEA estima ainda que, at\u00e9 2030, o setor possa enfrentar 25 mil milh\u00f5es de euros em multas por incumprimento das metas atuais.<\/p>\n<p><strong>As mudan\u00e7as pedidas por Berlim e pela ind\u00fastria<\/strong><\/p>\n<p>A carta de Merz prop\u00f5e manter o princ\u00edpio da proibi\u00e7\u00e3o, mas com regras menos estritas. Entre as altera\u00e7\u00f5es defendidas est\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2013 extens\u00e3o dos prazos;<br \/>\u2013 exclus\u00e3o dos h\u00edbridos plug-in e dos ve\u00edculos el\u00e9tricos de autonomia estendida;<br \/>\u2013 autoriza\u00e7\u00e3o para registo de ve\u00edculos com combust\u00edveis neutros em carbono;<br \/>\u2013 aceita\u00e7\u00e3o de motores de combust\u00e3o altamente eficientes.<\/p>\n<p>A ACEA tamb\u00e9m reclama ajustes estruturais, incluindo metas mais alcan\u00e7\u00e1veis, redu\u00e7\u00e3o do custo dos el\u00e9tricos, garantias de concorr\u00eancia justa, isen\u00e7\u00f5es por incumprimento entre 2028 e 2032, transpar\u00eancia regulat\u00f3ria e harmoniza\u00e7\u00e3o fiscal no setor.<\/p>\n<p>A S&amp;P Global Mobility j\u00e1 considera prov\u00e1vel um relaxamento das proibi\u00e7\u00f5es e aponta a revis\u00e3o como cen\u00e1rio base.<\/p>\n<p><strong>Fran\u00e7a e Espanha mant\u00eam oposi\u00e7\u00e3o total<\/strong><\/p>\n<p>Paris e Madrid enviaram uma carta \u00e0 Comiss\u00e3o a rejeitar qualquer flexibiliza\u00e7\u00e3o e a apelar \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da meta de 2035, considerando que a exclus\u00e3o dos h\u00edbridos plug-in \u00e9 \u201cinaceit\u00e1vel\u201d. Os dois governos defendem mais financiamento, refor\u00e7o da cadeia de valor europeia e medidas contra a concorr\u00eancia internacional desleal, rejeitando uma altera\u00e7\u00e3o s\u00fabita ap\u00f3s investimentos p\u00fablicos j\u00e1 realizados na eletrifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou a regra como \u201cideol\u00f3gica e absurda\u201d, enquanto o l\u00edder eslovaco, Robert Fico, argumenta que o plano atual s\u00f3 funcionaria \u201cnuma utopia verde\u201d e amea\u00e7a a ind\u00fastria do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o final ser\u00e1 tomada nas pr\u00f3ximas semanas, num dos debates mais sens\u00edveis para o futuro da pol\u00edtica industrial europeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Uni\u00e3o Europeia prepara-se para anunciar esta quarta-feira uma revis\u00e3o da regra que prev\u00ea o fim da produ\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":73824,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,89,90,32,33],"class_list":{"0":"post-182857","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economy","10":"tag-empresas","11":"tag-portugal","12":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115695771022218992","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=182857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182857\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=182857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=182857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=182857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}