{"id":183735,"date":"2025-12-11T06:16:10","date_gmt":"2025-12-11T06:16:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/183735\/"},"modified":"2025-12-11T06:16:10","modified_gmt":"2025-12-11T06:16:10","slug":"estudo-sugere-que-reducao-gradual-aliada-a-terapia-e-a-forma-mais-eficaz-de-deixar-antidepressivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/183735\/","title":{"rendered":"Estudo sugere que redu\u00e7\u00e3o gradual aliada \u00e0 terapia \u00e9 a forma mais eficaz de deixar antidepressivos"},"content":{"rendered":"<p>Os antidepressivos n\u00e3o t\u00eam de ser tomados para sempre, sugere uma nova an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Todos os anos, um n\u00famero crescente de pessoas em toda a Europa toma antidepressivos para ajudar a tratar sintomas associados \u00e0 depress\u00e3o e \u00e0 ansiedade. Embora as orienta\u00e7\u00f5es atuais recomendem que se mantenham nestes f\u00e1rmacos durante seis a nove meses ap\u00f3s o desaparecimento dos sintomas iniciais, o tratamento \u00e9 muitas vezes prolongado muito para al\u00e9m desse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o receio de reca\u00edda mant\u00e9m muitos doentes a tomar estes f\u00e1rmacos, mesmo quando enfrentam efeitos secund\u00e1rios problem\u00e1ticos a longo prazo, como disfun\u00e7\u00e3o sexual ou entorpecimento emocional, a incapacidade de sentir plenamente emo\u00e7\u00f5es positivas e negativas.<\/p>\n<p>Para ajudar doentes e psic\u00f3logos a tomarem decis\u00f5es informadas sobre parar os antidepressivos, um grupo de investigadores em Fran\u00e7a e It\u00e1lia reuniu aquilo a que chama a revis\u00e3o mais rigorosa do tema at\u00e9 agora, publicada esta semana na <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanpsy\/article\/PIIS2215-0366%2825%2900330-X\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\"><strong>revista The Lancet Psychiatry<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Depois de analisarem 76 ensaios aleatorizados, representando mais de 17.000 participantes, conclu\u00edram que reduzir gradualmente a medica\u00e7\u00e3o, mantendo o apoio psicol\u00f3gico, &#8220;parece ser t\u00e3o eficaz como continuar a tomar antidepressivos&#8221; para evitar o regresso dos sintomas a curto prazo.<\/p>\n<p>Os investigadores disseram que as conclus\u00f5es podem mudar a forma como, em todo o mundo, se deixa de tomar antidepressivos.<\/p>\n<p>&#8220;Para provavelmente a maioria dos doentes, deixar de tomar antidepressivos \u00e9 vi\u00e1vel, mas isto deve ser discutido com um especialista e as melhores estrat\u00e9gias poss\u00edveis devem ser adaptadas \u00e0s caracter\u00edsticas individuais de cada pessoa&#8221;, disse Giovanni Ostuzzi, autor principal da revis\u00e3o e professor na Universidade de Verona, em It\u00e1lia, numa confer\u00eancia de imprensa.<\/p>\n<p>Dois fatores-chave para o sucesso<\/p>\n<p>A an\u00e1lise centrou-se no que \u00e9 necess\u00e1rio para prevenir reca\u00eddas no primeiro ano ap\u00f3s um doente deixar os antidepressivos. Entre os fatores determinantes contaram-se o tempo necess\u00e1rio para reduzir a dose e se os doentes receberam apoio psicol\u00f3gico durante o processo, concluiu a revis\u00e3o.<\/p>\n<p>Os autores definiram redu\u00e7\u00e3o lenta como deixar a medica\u00e7\u00e3o ao longo de um per\u00edodo superior a quatro semanas, e muito lenta como qualquer per\u00edodo superior a 12 semanas.<\/p>\n<p>Estimaram que uma redu\u00e7\u00e3o lenta dos antidepressivos, associada a apoio psicol\u00f3gico como terapia, poderia evitar reca\u00eddas em um em cada cinco doentes, em compara\u00e7\u00e3o com parar de uma vez ou reduzir a dose em menos de quatro semanas.<\/p>\n<p>Estas conclus\u00f5es abrem uma janela de esperan\u00e7a para doentes que sentem que recuperaram da depress\u00e3o e querem tentar viver sem medica\u00e7\u00e3o, disseram os investigadores.<\/p>\n<p>&#8220;Tratamentos alternativos seguros, como apoio psicol\u00f3gico, incluindo terapias cognitivo-comportamentais e baseadas em mindfulness, podem ser uma ferramenta promissora, mesmo a curto prazo&#8221;, disse em comunicado a coautora Debora Zaccoletti, da Universidade de Verona.<\/p>\n<p>Ainda assim, os autores salientaram que os resultados n\u00e3o sugerem que os antidepressivos sejam dispens\u00e1veis nem que a psicoterapia, por si s\u00f3, seja suficiente.<\/p>\n<p>Em vez disso, sublinharam a import\u00e2ncia de adaptar cada estrat\u00e9gia a cada doente e de desenvolver abordagens de psicoterapia que sejam eficazes em termos de custo-benef\u00edcio e pass\u00edveis de alargar a mais pessoas.<\/p>\n<p>Limita\u00e7\u00f5es e alertas de especialistas<\/p>\n<p>O estudo tem limita\u00e7\u00f5es, nomeadamente devido \u00e0 evid\u00eancia insuficiente sobre psicoterapia, que, segundo os autores, requer mais investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sublinharam tamb\u00e9m que a evid\u00eancia para a ansiedade \u00e9 menos robusta do que para a depress\u00e3o: apenas cerca de 20% dos ensaios inclu\u00eddos exploraram a ansiedade, face a cerca de 80% centrados na depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Especialistas que n\u00e3o participaram no estudo apelaram \u00e0 prud\u00eancia na interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados, salientando a efic\u00e1cia comprovada dos antidepressivos e o risco real de reca\u00edda para pessoas que j\u00e1 tiveram epis\u00f3dios depressivos.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos, a partir de dados de coortes de longo prazo, que cerca de 60% a 70% das pessoas que t\u00eam um primeiro epis\u00f3dio de depress\u00e3o ter\u00e3o outro epis\u00f3dio ao longo do tempo, e bons ensaios de continua\u00e7\u00e3o sugerem que os antidepressivos de manuten\u00e7\u00e3o reduzem aproximadamente esse risco para metade&#8221;, disse Sameer Jauhar, professor associado cl\u00ednico em perturba\u00e7\u00f5es afetivas e psicose no Imperial College London.<\/p>\n<p>&#8220;Esses dados, portanto, n\u00e3o mostram que o apoio psicol\u00f3gico possa substituir a medica\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o; mostram que uma redu\u00e7\u00e3o gradual com acompanhamento cuidadoso resulta para alguns, enquanto muitos continuam a necessitar de tratamento farmacol\u00f3gico continuado&#8221;, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os antidepressivos n\u00e3o t\u00eam de ser tomados para sempre, sugere uma nova an\u00e1lise. 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