{"id":183739,"date":"2025-12-11T06:21:00","date_gmt":"2025-12-11T06:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/183739\/"},"modified":"2025-12-11T06:21:00","modified_gmt":"2025-12-11T06:21:00","slug":"queriam-mostrar-gratidao-e-ser-medicos-no-sns-mas-aima-vai-afasta-los-acho-que-vou-ficar-ilegal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/183739\/","title":{"rendered":"Queriam mostrar gratid\u00e3o e ser m\u00e9dicos no SNS, mas AIMA vai afast\u00e1-los. \u201cAcho que vou ficar ilegal\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Alunos afetados desenvolveram \u201capatia\u201d pela escola<\/p>\n<p>Quando as cartas da AIMA come\u00e7aram a chegar em outubro foi um grande choque para os alunos<strong>. \u201cDepois disto \u00e9 dif\u00edcil viver, continuar a viver. H\u00e1 muitas consequ\u00eancias e efeitos negativos de toda esta situa\u00e7\u00e3o\u201d, explica Khalid.<\/strong>\n<\/p>\n<p>Na FMUL, o n\u00famero de alunos que chegou em 2022 era muito superior, garante o estudante. <strong>As saudades da fam\u00edlia, a falta de condi\u00e7\u00f5es financeiras ou o obst\u00e1culo da l\u00edngua foram encolhendo o grupo.<\/strong> Pelo menos 19 desistiram, contabiliza Khalid, que, tal como muitos dos seus colegas, j\u00e1 n\u00e3o v\u00ea a sua fam\u00edlia h\u00e1 v\u00e1rios anos.\n<\/p>\n<p>Quem ficou j\u00e1 passou por muito, explica o nigeriano: \u201cEstamos aqui, a tentar dar o nosso melhor, para continuar os estudos. <strong>As pessoas tiveram de repetir os anos, come\u00e7ar de novo, mas mesmo assim n\u00e3o desistiram, tentaram aprender a l\u00edngua, ir \u00e0s aulas, passar nos exames\u2026<\/strong> E agora chegados a este ponto dizem-nos que tudo isto foi um desperd\u00edcio e que temos de abandonar o pa\u00eds. N\u00e3o faz qualquer sentido. Depois de dar tudo, ficar nesta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito perturbador. \u00c9 cruel e desumano.\u201d\n<\/p>\n<p>Os alunos, garante a dirigente do NEM\/AAC, \u201cest\u00e3o bem inseridas\u201d na institui\u00e7\u00e3o de Ensino Superior. \u201cAcabam por se envolver com os colegas, partilham turmas connosco e t\u00eam inclusivamente amigos aqui\u201d, assegura Raquel Peguinho, mas est\u00e3o a viver \u201cuma situa\u00e7\u00e3o complicada\u201d do ponto de vista emocional e psicol\u00f3gico.<strong> \u201cEles est\u00e3o bastante desanimados\u201d,<\/strong> confirma Carolina Bargado, da AEML.\n<\/p>\n<p>\u201cAcho que nem h\u00e1 palavras com que possamos descrever o que se passa, principalmente para quem est\u00e1 a ver de fora, porque n\u00e3o estamos a viver a situa\u00e7\u00e3o na pele\u201d, aponta Pedro Azevedo, do N\u00facleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho NEM-UM.\n<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<strong>As pessoas tiveram de repetir os anos, come\u00e7ar de novo, mas mesmo assim n\u00e3o desistiram, tentaram aprender a l\u00edngua, ir \u00e0s aulas, passar nos exames\u2026<\/strong> E agora chegados a este ponto dizem-nos que tudo isto foi um desperd\u00edcio e que temos de abandonar o pa\u00eds. Depois de dar tudo, ficar nesta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito perturbador. \u00c9 cruel e desumano\u201d, diz Khalid\n<\/p><\/blockquote>\n<p>O impacto sente-se no aproveitamento escolar. <strong>\u201cPor que haveriam de estudar para um teste se n\u00e3o sabem se v\u00e3o estar c\u00e1, no pa\u00eds, quando sa\u00edrem as notas?\u201d, questiona Khalid. <\/strong>Para este estudante da Nig\u00e9ria, os alunos afetados desenvolveram uma \u201capatia\u201d pela escola. \u201cImagina ires \u00e0s aulas, mas estares sempre a pensar se vais receber alguma carta da AIMA a dizer-te para abandonar o pa\u00eds.\u201d\n<\/p>\n<p>\u201cNo aspeto psicol\u00f3gico, h\u00e1 muitos alunos afetados com tudo isto\u201d, garante, dando o seu pr\u00f3prio exemplo. \u201cJ\u00e1 fui ao meu psic\u00f3logo muito mais vezes. Basicamente, todas as semanas, porque preciso de falar de certos assuntos e sentir-me melhor.\u201d\n<\/p>\n<p>Alguns n\u00e3o est\u00e3o mesmo a conseguir lidar com a situa\u00e7\u00e3o. <strong>\u201cConhe\u00e7o o caso de uma pessoa que recebeu a carta de cancelamento da prote\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e que se tem comportado de forma muito estranha. Tentei abord\u00e1-lo, falar com ele algumas vezes, mas ele simplesmente isolou-se\u201d.<\/strong>\n<\/p>\n<p>No entanto, o mais dif\u00edcil para Khalid s\u00e3o as promessas n\u00e3o cumpridas. \u201cH\u00e1 uma grande trai\u00e7\u00e3o\u201d, conclui. \u201cEu sabia que chegaria o dia em que a prote\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria seria cancelada\u201d, mas n\u00e3o se \u201ccompreende como se diz aos alunos que t\u00eam de abandonar o pa\u00eds e n\u00e3o v\u00e3o poder terminar os seus estudos.\u201d\n<\/p>\n<p>Ele sublinha que<strong> n\u00e3o quer comparar o sofrimento do povo ucraniano ao dos imigrantes que estavam naquele pa\u00eds quando a guerra come\u00e7ou,<\/strong> mas sublinha que estes \u00faltimos tamb\u00e9m sofreram os impactos do conflito.\n<\/p>\n<p>\u201cAlgu\u00e9m pensar que aquilo que perdemos na Ucr\u00e2nia \u00e9 insignificante, tratar-nos como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos nada a ver com a guerra\u2026 N\u00e3o, n\u00f3s temos muito a ver com a guerra. N\u00f3s est\u00e1vamos na Ucr\u00e2nia, t\u00ednhamos a nossa vida, t\u00ednhamos neg\u00f3cios, as pessoas viviam l\u00e1 pacificamente e faz\u00edamos dinheiro ou est\u00e1vamos a estudar\u201d, enfatiza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alunos afetados desenvolveram \u201capatia\u201d pela escola Quando as cartas da AIMA come\u00e7aram a chegar em outubro foi um&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":183740,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-183739","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115699494607733035","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183739"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183739\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/183740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}