{"id":183884,"date":"2025-12-11T09:55:09","date_gmt":"2025-12-11T09:55:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/183884\/"},"modified":"2025-12-11T09:55:09","modified_gmt":"2025-12-11T09:55:09","slug":"george-clooney-vive-crise-de-identidade-em-novo-filme-da-netflix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/183884\/","title":{"rendered":"George Clooney vive crise de identidade em novo filme da Netflix"},"content":{"rendered":"<p>O novo filme de Noah Baumbach, Jay Kelly (Netflix), apresenta-nos um George Clooney \u201cigual\u201d a si mesmo, assumindo a personagem de um c\u00e9lebre ator de Hollywood que atravessa uma peculiar crise de identidade, angustiada, ma non troppo. Na companhia do seu agente, Ron (Adam Sandler), Jay prepara-se para viajar at\u00e9 It\u00e1lia onde, na Toscana, ser\u00e1 alvo de uma homenagem. <strong>A sugest\u00e3o de alguns ecos autobiogr\u00e1ficos parece refor\u00e7ar-se quando, precisamente na sess\u00e3o em que \u00e9 homenageado, vemos uma montagem de imagens da carreira de Jay Kelly que, afinal, pertencem a filmes protagonizados pelo pr\u00f3prio Clooney<\/strong> &#8211; Tr\u00eas Reis (David O. Russell, 1999), Syriana (Stephen Gaghan, 2005), Nas Nuvens (Jason Reitman, 2009), etc.<\/p>\n<p>Enfim, n\u00e3o simplifiquemos. Ali\u00e1s, para evitar confus\u00f5es, Clooney tem referido que a personagem de Jay Kelly n\u00e3o foi concebida como um reflexo, ainda que amb\u00edguo, da sua trajet\u00f3ria pessoal. \u00c9 verdade que <strong>Baumbach escreveu o argumento (com a colabora\u00e7\u00e3o de Emily Mortimer, que interpreta a cabeleireira pessoal de Jay) a pensar em Clooney<\/strong>, mas n\u00e3o \u00e9 menos verdade que, ao l\u00ea-lo, a sua primeira rea\u00e7\u00e3o foi de clara demarca\u00e7\u00e3o. Numa entrevista \u00e0 r\u00e1dio p\u00fablica dos EUA (NPR), lembrou mesmo aquilo que disse a Baumbach: \u201cEste tipo \u00e9 meio pateta!\u201d<\/p>\n<p>Para l\u00e1 da fama<\/p>\n<p>Na mesma entrevista, Clooney sublinha o valor pedag\u00f3gico da hist\u00f3ria que Baumbach lhe prop\u00f4s: <strong>\u201cPara mim, foi uma boa li\u00e7\u00e3o compreender como o sucesso pouco tem a ver com a pr\u00f3pria pessoa.\u201d<\/strong> Dito de outro modo: \u201cQuando as coisas correm bem, isso n\u00e3o quer dizer que sejamos t\u00e3o brilhantes como nos dizem &#8211; mas eles dizem. E n\u00e3o seremos t\u00e3o horr\u00edveis como nos dizem quando as coisas n\u00e3o correm bem &#8211; mas eles dizem.\u201d Integrando a heran\u00e7a cr\u00edtica de alguns cl\u00e1ssicos da produ\u00e7\u00e3o americana &#8211; lembremos a obra-prima The Bad and Beautiful\/ Cativos do Mal (1952), de Vincente Minnelli, com Kirk Douglas e Lana Turner -, Jay Kelly possui o didatismo, e tamb\u00e9m a ironia, de uma vis\u00e3o capaz de relativizar as ostenta\u00e7\u00f5es correntes da fama e do sucesso.<\/p>\n<p>Autor de t\u00edtulos como A Lula e a Baleia (2005) e Frances Ha (2012), este protagonizado por sua mulher, Greta Gerwig (tamb\u00e9m presente no novo filme, no papel da mulher de Ron), <strong>Baumbach continua a procurar os ecos nost\u00e1lgicos de uma heran\u00e7a melodram\u00e1tica que, obviamente n\u00e3o por acaso, agora se cruza com as pessoas e os lugares da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica.<\/strong><\/p>\n<p>Dois vetores do argumento s\u00e3o especialmente significativos da sua desencantada vis\u00e3o, sempre filtrada por um inabal\u00e1vel amor pelo cinema. Em primeiro lugar, o confronto de Jay com Timothy (Billy Crudup), companheiro da juventude, tamb\u00e9m ator, cuja amizade permanece contaminada por uma rivalidade dif\u00edcil de superar. Depois, <strong>o di\u00e1logo dif\u00edcil, para n\u00e3o dizer imposs\u00edvel, de Jay com as duas filhas, Jessica e Daisy (Riley Keough e Grace Edwards, ambas magn\u00edficas)<\/strong>, numa clivagem de gera\u00e7\u00f5es que redobra a primordial solid\u00e3o do ator.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, as din\u00e2micas dram\u00e1ticas desta cole\u00e7\u00e3o de personagens (os filmes de Baumbach exp\u00f5em, quase sempre, os la\u00e7os inst\u00e1veis de uma pequena tribo mais ou menos familiar) s\u00e3o tamb\u00e9m reflexo de uma genu\u00edna dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s nuances do trabalho dos atores. N\u00e3o esque\u00e7amos, por isso, que <strong>no elenco deparamos ainda com Jim Broadbent, Laura Dern, Patrick Wilson, Alba Rohrwacher e o bem reaparecido Stacy Keach<\/strong> (no papel quase burlesco, mas n\u00e3o caricatural, do pai de Jay).<\/p>\n<p>Hollywood ou Netflix?<\/p>\n<p>Para l\u00e1 dos paralelismos j\u00e1 referidos, \u00e9 claro que Jay Kelly n\u00e3o surge como revis\u00e3o cr\u00edtica (nem autocr\u00edtica) do percurso art\u00edstico de George Clooney. Em qualquer caso, far\u00e1 tamb\u00e9m sentido lembrar que, <strong>aos 64 anos, ele vive um processo de reinven\u00e7\u00e3o que, curiosamente, passou pela sua estreia na Broadway.<\/strong> Assim, este ano, Clooney j\u00e1 produziu e protagonizou em palco a adapta\u00e7\u00e3o de um dos filmes que interpretou e dirigiu, o admir\u00e1vel Boa Noite, e Boa Sorte (2005), sobre a defesa da liberdade de express\u00e3o por Edward R. Murrow, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1950, nos ecr\u00e3s da CBS.<\/p>\n<p>Enfim, o lan\u00e7amento de Jay Kelly acontece num contexto de muitas tens\u00f5es no interior do cinema americano, motivadas pela poss\u00edvel aquisi\u00e7\u00e3o de um dos grandes est\u00fadios cl\u00e1ssicos, Warner Bros., pela Netflix. Mesmo considerando que Jay Kelly \u00e9 um objeto anterior a tais atribula\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel omitir a bizarra ironia: <strong>celebrando a heran\u00e7a art\u00edstica e emocional de Hollywood, Jay Kelly \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o com chancela&#8230; Netflix!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O novo filme de Noah Baumbach, Jay Kelly (Netflix), apresenta-nos um George Clooney \u201cigual\u201d a si mesmo, assumindo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":183885,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[140],"tags":[4503,470,306,114,115,4502,147,148,146,32,33],"class_list":{"0":"post-183884","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-filmes","8":"tag-as-estreias-da-semana","9":"tag-cinema","10":"tag-edicao-impressa","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-estreias-da-semana","14":"tag-film","15":"tag-filmes","16":"tag-movies","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115700337979811738","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183884\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/183885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}