{"id":184380,"date":"2025-12-11T17:24:10","date_gmt":"2025-12-11T17:24:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/184380\/"},"modified":"2025-12-11T17:24:10","modified_gmt":"2025-12-11T17:24:10","slug":"uma-mumia-os-ultimos-dias-da-jornalista-ucraniana-morta-em-cativeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/184380\/","title":{"rendered":"&#8220;Uma m\u00famia&#8221;. Os \u00faltimos dias da jornalista ucraniana morta em cativeiro"},"content":{"rendered":"<p>Viktoria Roshchina, a jornalista ucraniana que morreu ap\u00f3s mais de um ano sob cust\u00f3dia das autoridades russas, &#8220;estava muito, muito magra&#8221; e &#8220;mal se conseguia manter de p\u00e9&#8221;, durante os seus \u00faltimos dias de cativeiro.\u00a0<\/p>\n<p>O relato \u00e9 de um soldado ucraniano do regimento de Azov, libertado este ver\u00e3o, em declara\u00e7\u00f5es ao &#8220;Projecto Viktoria&#8221;, uma iniciativa de v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o internacionais criada para investigar o desaparecimento da jornalista de 27 anos.<\/p>\n<p>Mykyta Semenov contou que se cruzou com Roshchina durante o transporte para uma pris\u00e3o no interior da R\u00fassia, confirmando que as suspeitas de que a jornalista morreu depois de ter sido transportada para Sizo-3, uma pris\u00e3o na cidade de Kizel, perto dos Montes Urais.<\/p>\n<p>Ambos viajaram no mesmo comboio e o soldado viu a jornalista pela primeira vez num corredor, quando a jovem ia para a casa de banho. &#8220;Eu vi-a. Ela passou pelo nosso compartimento. Ela usava um vestido de ver\u00e3o azul claro com flores. Tamb\u00e9m usava t\u00e9nis de ver\u00e3o com sola branca, um modelo desportivo. E levava um pequeno espelho de maquilhagem&#8221;, recordou.<\/p>\n<p>Roshchina andava com as m\u00e3os atr\u00e1s das costas e j\u00e1 estava visivelmente debilitada, ap\u00f3s ter feito greve de fome quando estava detida noutro estabelecimento russo.<\/p>\n<p>&#8220;Parecia que tudo era dif\u00edcil para ela: caminhar era dif\u00edcil, comer era dif\u00edcil, falar era dif\u00edcil. Parecia que aquele vestido\u2026 que o vestido a carregava. A sustent\u00e1-la&#8221;, disse Semenov.<\/p>\n<p>&#8220;Estava muito, muito magra. Mal se conseguia manter de p\u00e9. Conseguia ver que j\u00e1 fora uma rapariga bonita, mas transformaram-na numa m\u00famia: pele amarelada, cabelo que parecia\u2026 sem vida&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>O soldado disse que, depois, foi colocado na cela ao lado e que identificou quem era a jovem ao ouvir as suas conversas com os guardas prisionais. Segundo contou, Roshchina conseguiu trocar comida com outros prisioneiros \u00a0com ajuda dos guardas.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Lembro-me que ela n\u00e3o comia carne. N\u00e3o sei porqu\u00ea. Dizia que tinha algum problema de sa\u00fade e j\u00e1 n\u00e3o conseguia digerir carne. Ent\u00e3o, dava-nos a carne da sua refei\u00e7\u00e3o e n\u00f3s d\u00e1vamos-lhe legumes, pasta de courgette, coisas desse g\u00e9nero&#8221;, recordou.<\/p>\n<p>                                                    Viktoria Roshchina morreu mais de um ano ap\u00f3s ter desaparecido\u00a0<\/p>\n<p>Segundo a imprensa ucraniana, Viktoria nasceu a 6 de outubro de 1996 e a 19 de setembro de 2024, aos 27 anos, mais de um ano ap\u00f3s ter sido dada como desaparecida.<\/p>\n<p>Trabalhava como jornalista freelancer para v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es ucranianas independentes, incluindo o Ukrainska Pravda e o Hromadske, onde se dedicou \u00e0 cobertura dos territ\u00f3rios ocupados pela R\u00fassia, incluindo Enerhodar, cidade onde est\u00e1 localizada a central nuclear de Zapor\u00edjia, contou o The New York Times.<\/p>\n<p>Roshchina foi detida pela primeira vez pelas tropas russas em mar\u00e7o de 2022, quando fazia uma reportagem no sudeste da Ucr\u00e2nia, mas foi libertada ao fim de 10 dias. Voltou a desaparecer em agosto de 2023, depois de ter viajado para os territ\u00f3rios ocupados no leste da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O paradeiro da jornalista permaneceu desconhecido durante nove meses, at\u00e9 \u00e0 primavera de 2024, altura em que a Uni\u00e3o dos Jornalistas Ucranianos anunciou que o seu pai, Volodymyr, tinha recebido a confirma\u00e7\u00e3o das autoridades russas que Viktoria Roshchina estava &#8220;detida no territ\u00f3rio da Federa\u00e7\u00e3o Russa&#8221;.<\/p>\n<p>Em outubro do mesmo ano, o meio russo independente Mediazona, revelou que <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/economia\/2648814\/morreu-em-cativeiro-jornalista-ucraniana-detida-pelas-tropas-russas\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Roshchina morreu durante uma transfer\u00eancia de uma pris\u00e3o de Taganrog, no sudoeste da Federa\u00e7\u00e3o Russa, para Moscovo<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>                                                    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/naom_670949295b136.jpg\" border=\"0\" alt=\"Quem era Viktoria, a jornalista ucraniana que morreu em cativeiro russo?\"\/><\/p>\n<p>Viktoria Roshchina morreu no passado dia 19 de setembro, aos 27 anos, mais de um ano ap\u00f3s ter sido dada como desaparecida. Segundo a Ucr\u00e2nia, a jovem jornalista estava sob cust\u00f3dia de autoridades russas.<\/p>\n<p>                                                     M\u00e1rcia Gu\u00edmaro Rodrigues | 16:55 &#8211; 11\/10\/2024 <\/p>\n<p>                                                    Corpo da jornalista tinha &#8220;numerosos sinais de tortura&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 em abril deste ano foi revelado que, &#8220;de acordo com os resultados do exame m\u00e9dico forense&#8221;, foram <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/mundo\/2776340\/jornalista-ucraniana-tera-sido-torturada-em-cativeiro-acusa-kyiv\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">encontrados &#8220;numerosos sinais de tortura e maus-tratos no corpo&#8221; da jornalista<\/a>, &#8220;nomeadamente escoria\u00e7\u00f5es e hemorragias em v\u00e1rias partes do corpo, e uma costela partida&#8221;, segundo adiantou o chefe do departamento de crimes de guerra do Procurador-Geral da Ucr\u00e2nia, Yurii Bielousov, num v\u00eddeo divulgado pelo meio de comunica\u00e7\u00e3o ucraniano Ukrainska Pravd.<\/p>\n<p>Os globos oculares, o c\u00e9rebro e parte da laringe tinham sido retirados antes de o corpo ser devolvido \u00e0 Ucr\u00e2nia, e o osso hioide foi partido. Uma fonte policial ucraniana disse que poderia tratar-se de uma tentativa de encobrir a tortura, enquanto a R\u00fassia alegou que a remo\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os poder\u00e1 ter-se devido a procedimentos no tratamento de cad\u00e1veres.<\/p>\n<p>                                                    Zelensky atribuiu a Ordem da Liberdade a Viktoria Roshchina<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/mundo\/2831964\/zelensky-homenageia-jornalista-que-morreu-em-cativeiro-na-russia-em-2024\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, homenageou, em agosto, a mem\u00f3ria da jornalista ucraniana<\/a>, atribuindo-lhe postumamente a Ordem da Liberdade.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje prestamos homenagem p\u00f3stuma a Viktoria Roshchina. Foi agraciada com a Ordem da Liberdade pela sua convic\u00e7\u00e3o inabal\u00e1vel de que a liberdade vencer\u00e1 tudo. Eterna honra e mem\u00f3ria para Viktoria Roshchina&#8221;, escreveu Zelensky na sua conta da rede social X, onde recordou que a morte da jornalista foi &#8220;dolorosa e injusta&#8221;.<\/p>\n<p>E prosseguiu: &#8220;J\u00e1 tinha sido inclu\u00edda na lista de troca de prisioneiros. A R\u00fassia tinha prometido libert\u00e1-la, mas n\u00e3o cumpriu a sua palavra&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Viktoria foi uma das pessoas que contou a verdade sobre a guerra. Trabalhou na frente de batalha e nos territ\u00f3rios temporariamente ocupados, arriscando a vida&#8221;, recordou Zelesnky na sua mensagem, na qual incluiu uma fotografia da jornalista.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\"><p>&#13;<\/p>\n<p dir=\"ltr\" lang=\"en\">In October 2024, we learned of a painful and unjust loss: Ukrainian journalist Viktoriia Roshchyna died in Russian captivity. She had already been included in the prisoner exchange list. Russia had pledged to release her but broke its word.<\/p>\n<p>Viktoriia was one of those who spoke\u2026 <a href=\"https:\/\/t.co\/QhZtxbtVU9\" rel=\"nofollow\">pic.twitter.com\/QhZtxbtVU9<\/a><\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                                                    \u2014 Volodymyr Zelenskyy \/ \u0412\u043e\u043b\u043e\u0434\u0438\u043c\u0438\u0440 \u0417\u0435\u043b\u0435\u043d\u0441\u044c\u043a\u0438\u0439 (@ZelenskyyUa) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ZelenskyyUa\/status\/1951547768641642967?ref_src=twsrc%5Etfw\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">August 2, 2025<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/economia\/2902684\/adesao-da-ucrania-a-ue-e-inevitavel-e-hungria-nao-deve-interferir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 UE \u00e9 &#8220;inevit\u00e1vel&#8221; e Hungria n\u00e3o deve interferir <\/a><\/p>\n<p>                                            <script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Viktoria Roshchina, a jornalista ucraniana que morreu ap\u00f3s mais de um ano sob cust\u00f3dia das autoridades russas, &#8220;estava&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":184381,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-184380","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115702102071199403","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=184380"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184380\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/184381"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=184380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=184380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=184380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}