{"id":184712,"date":"2025-12-11T22:37:15","date_gmt":"2025-12-11T22:37:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/184712\/"},"modified":"2025-12-11T22:37:15","modified_gmt":"2025-12-11T22:37:15","slug":"este-sitio-documenta-um-dos-maiores-horrores-da-historia-da-humanidade-e-envolve-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/184712\/","title":{"rendered":"Este s\u00edtio documenta um dos maiores horrores da hist\u00f3ria da Humanidade &#8211; e envolve Portugal"},"content":{"rendered":"<p>\t                Por exemplo, envolve Portugal desta maneira: o s\u00edtio em causa documenta parte da atividade de \u00c1lvaro de Carvalho Matoso, um portugu\u00eas que escravizou tantas pessoas que se diz ter ganho uma condecora\u00e7\u00e3o por esse facto<\/p>\n<p>O museu da escravatura em Angola confronta-nos com os horrores do tr\u00e1fico humano &#8211; e homenageia os que lutaram contra ele <\/p>\n<p>por <strong>Griffin Shea<\/strong>, CNN<\/p>\n<p>NOTA DO EDITOR Esta s\u00e9rie da CNN Travel pode ter an\u00fancios adjacentes do pa\u00eds que destaca. A CNN mant\u00e9m o controlo editorial total sobre o assunto, as reportagens e a frequ\u00eancia dos artigos e v\u00eddeos, <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/world\/sponsorships-policy\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">em conformidade com as nossas regras<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nos arredores de Luanda, numa casa branca centen\u00e1ria situada numa colina, um pequeno museu documenta um dos maiores horrores da hist\u00f3ria da Humanidade. Luanda, a capital angolana, foi o epicentro do tr\u00e1fico atl\u00e2ntico de escravos. Agora, o seu Museu Nacional da Escravatura est\u00e1 a trabalhar para se tornar um local onde os descendentes de escravos possam regressar \u2014 n\u00e3o s\u00f3 para aprenderem sobre a hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m para vasculharem arquivos que possam ajudar a encontrar os seus antepassados.<\/p>\n<p>O Museu Nacional da Escravatura situa-se no local da antiga propriedade de \u00c1lvaro de Carvalho Matoso, um portugu\u00eas que escravizou tantas pessoas que se diz ter ganho uma condecora\u00e7\u00e3o por esse facto.<\/p>\n<p>Entre os anos 1400 e 1867, estima-se que 12,5 milh\u00f5es de pessoas foram escravizadas em \u00c1frica e transportadas atrav\u00e9s do Atl\u00e2ntico. Os investigadores acreditam que quase metade \u2014 cerca de 45% \u2014 veio da regi\u00e3o em torno da atual Angola.<\/p>\n<p>Pelo menos 1,6 milh\u00f5es de pessoas foram transportadas \u00e0 for\u00e7a de Luanda, principalmente para o Brasil. Mas os primeiros escravos a chegarem \u00e0s col\u00f3nias americanas da Gr\u00e3-Bretanha, em 1619, tamb\u00e9m vieram de Angola. Os registos reproduzidos nas paredes do museu mostram pessoas escravizadas enviadas n\u00e3o s\u00f3 para o que viria a ser os estados do Sul, mas tamb\u00e9m para lugares como Nova Iorque e Rhode Island.<\/p>\n<p>Um punhado de museus da escravatura circunda a costa africana, do Senegal ao Gana, passando pela \u00c1frica do Sul e pela Tanz\u00e2nia. Tal como a maioria dos outros, o museu de Luanda foi outrora uma pris\u00e3o para africanos escravizados, situada num penhasco com vista para o mar \u2014 um ponto de n\u00e3o retorno concebido em torno de uma geografia imponente para impedir qualquer hip\u00f3tese de fuga.<\/p>\n<p>Instrumentos de opress\u00e3o <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765492634_558_600.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <strong>Um caldeir\u00e3o batismal no Museu Nacional da Escravatura: as pessoas eram baptizadas \u00e0 for\u00e7a na capela antes de serem enviadas para o estrangeiro<\/strong> foto Dogukan Keskinkilic\/Anadolu Agency\/Getty Images <\/p>\n<p>Atualmente, o lado do museu virado para o mar \u00e9 t\u00e3o austero como teria sido h\u00e1 s\u00e9culos. O outro lado j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma propriedade colonial, mas um grande parque de estacionamento pavimentado para autocarros de turismo, com um mercado de artesanato e um heliporto para visitantes VIP.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 particularmente chocante no museu de Luanda \u00e9 o facto de parte dele estar instalado no que foi outrora uma capela cat\u00f3lica na antiga propriedade de \u00c1lvaro de Carvalho Matoso. Est\u00e3o expostas rel\u00edquias desse tempo, nomeadamente o crucifixo de madeira e uma pia batismal. A pia batismal foi um instrumento utilizado pelos colonizadores portugueses para retirar a identidade dos angolanos escravizados, batizando-os \u00e0 for\u00e7a antes de os colocarem em navios para atravessarem o Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>&#8220;Eram baptizados aqui, na capela&#8221;, diz Marlene Ananias Rodrigues Pedro, chefe do Departamento de Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do museu. &#8220;Era durante o batismo que os escravizados tinham os seus nomes alterados. Os seus nomes verdadeiros eram retirados e eram-lhes dados nomes de origem portuguesa.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A maior parte deles adoptou &#8216;Angola&#8217; como apelido para designar a origem do povo escravizado&#8221;, conta Marlene Ananias Rodrigues Pedro. &#8220;Os portugueses n\u00e3o queriam que eles mantivessem a sua identidade, que mantivessem o seu nome pessoal.&#8221;<\/p>\n<p>Antes de serem for\u00e7ados a embarcar nos navios, os portugueses tentaram distorcer passagens b\u00edblicas para justificar a escravatura e convencer os angolanos a aceit\u00e1-la, acrescenta Marlene Ananias Rodrigues Pedro.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos brutais de for\u00e7ar as pessoas \u00e0 escravatura est\u00e3o expostos numa sala ao lado da capela: armas, grilhetas, correntes. Desenhos da \u00e9poca mostram esclavagistas a baterem nas palmas das m\u00e3os dos angolanos com p\u00e1s espetadas com pregos. Outras imagens mostram mulheres brancas ricas a alimentar crian\u00e7as negras com restos debaixo da mesa, como c\u00e3es, com coleiras de metal \u00e0 volta do pesco\u00e7o. Angolanos adultos, possivelmente os seus pais, servem aos brancos a sua refei\u00e7\u00e3o em pratos de prata.<\/p>\n<p>Se os espancamentos e a religi\u00e3o n\u00e3o fossem suficientes, o \u00e1lcool era outra ferramenta para tentar for\u00e7ar os angolanos \u00e0 submiss\u00e3o. Dois alambiques de metal encontram-se na varanda com vista para o oceano.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m foi ideia do colonizador obrigar os escravizados a beber&#8221;, diz Marlene Ananias Rodrigues Pedro. Mant\u00ea-los b\u00eabados, pensava-se, tornava-os mais f\u00e1ceis de controlar e de embalar ombro a ombro nos por\u00f5es de carga dos navios.<\/p>\n<p>Resist\u00eancia feroz <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"391\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765492634_966_600.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <strong>Os angolanos trocaram os produtos locais por armas de fogo durante a resist\u00eancia<\/strong> foto Dogukan Keskinkilic\/Anadolu Agency\/Getty Images <\/p>\n<p>Este museu faz mais do que mostrar os angolanos como v\u00edtimas. As exposi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m documentam a longa e feroz resist\u00eancia tanto \u00e0 escravatura como ao colonialismo. As armas usadas pelos angolanos alinham-se numa sala, mostrando como usavam flechas envenenadas e trocavam produtos locais por armas de fogo para ripostar.<\/p>\n<p>&#8220;Eles lutaram. E muito. A independ\u00eancia em \u00c1frica n\u00e3o foi entregue numa bandeja de prata. Houve resist\u00eancia&#8221;, disse Marlene Ananias Rodrigues Pedro.<\/p>\n<p>Esse esp\u00edrito de resist\u00eancia perdurou durante s\u00e9culos, passando pelo tr\u00e1fico de escravos e pela era colonial, com a Guerra da Independ\u00eancia de Angola contra os portugueses, que durou de 1961 a 1974. O pa\u00eds conquistou finalmente a sua independ\u00eancia em novembro de 1975.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 parte da hist\u00f3ria que Marlene Ananias Rodrigues Pedro e o diretor do museu, \u00a0Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Fazenda, esperam que os visitantes levem consigo. E est\u00e3o a trabalhar com investigadores nos Estados Unidos e no Brasil para tornar os registos dos arquivos de Angola acess\u00edveis a quem os quiser encontrar.<\/p>\n<p>Num edif\u00edcio modesto no sop\u00e9 da colina onde se situa o museu, Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Fazenda e \u00a0Marlene Ananias Rodrigues Pedro est\u00e3o a trabalhar com o governo para criar uma vers\u00e3o digitalizada dos arquivos de Luanda.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos criar uma biblioteca funcional nesta sala&#8221;, diz\u00a0Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Fazenda. &#8220;Estamos atualmente a trabalhar com um grupo de profissionais para preparar uma campanha de recolha de materiais para esta biblioteca. Este \u00e9 o nosso sonho. Queremos que as pessoas que est\u00e3o aqui e querem aprender mais tenham um s\u00edtio onde o possam fazer.&#8221;<\/p>\n<p>Descobrir o passado <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765492634_77_600.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <strong>Em exposi\u00e7\u00e3o no Museu Nacional da Escravatura: algemas usadas em pessoas escravizadas<\/strong> foto Dogukan Keskinkilic\/Anadolu Agency\/Getty Images <\/p>\n<p>Embora os nomes africanos das pessoas escravizadas nunca tenham sido registados, a documenta\u00e7\u00e3o indica para onde foram levadas e em que navios se encontravam. Com trabalho suficiente, podiam\u00a0existir pistas sobre o local onde foram capturados. Escondida nas entrelinhas est\u00e1 uma hist\u00f3ria mais rica sobre como os angolanos resistiram.<\/p>\n<p>Atualmente, estes registos est\u00e3o guardados no Arquivo Nacional, no centro de Luanda, acess\u00edvel apenas com autoriza\u00e7\u00e3o especial, em condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o as ideais.<\/p>\n<p>A \u00faltima vez\u00a0em que \u00a0Marlene Ananias Rodrigues Pedro l\u00e1 esteve, &#8220;saiu com os olhos vermelhos e constipada, devido ao frio que se fazia sentir&#8221;, conta Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Fazenda.<\/p>\n<p>&#8220;A equipa financeira da universidade e do ministro n\u00e3o tem dinheiro suficiente para pagar e fazer tudo o que tem de ser feito. O departamento precisa de um or\u00e7amento que exceda o que o museu tem&#8221;, afirma Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Fazenda\u00a0\u00a0.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que est\u00e3o a trabalhar com investigadores americanos e brasileiros para reunir talentos e recursos\u00a0e esperam angariar fundos de doadores privados para apoiar o seu trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos preservar esta cole\u00e7\u00e3o para as gera\u00e7\u00f5es futuras&#8221;, sublinha\u00a0Marlene Ananias Rodrigues Pedro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por exemplo, envolve Portugal desta maneira: o s\u00edtio em causa documenta parte da atividade de \u00c1lvaro de Carvalho&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":184713,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,611,37600,27,28,607,608,610,15,16,830,14,37595,37599,82,25,26,570,37597,37603,21,22,37602,62,37594,12,13,19,20,23,24,3813,37596,37601,839,17,18,37598,840,29,30,31,63,64,65,3814],"class_list":{"0":"post-184712","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-ao-minuto","10":"tag-arquivos-escravatura-angola","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-direto","16":"tag-featured-news","17":"tag-featurednews","18":"tag-guerra","19":"tag-headlines","20":"tag-historia-da-escravatura-angola","21":"tag-identidade-angolana","22":"tag-internacional","23":"tag-latest-news","24":"tag-latestnews","25":"tag-live","26":"tag-luanda-museu-escravatura","27":"tag-luta-contra-escravatura","28":"tag-main-news","29":"tag-mainnews","30":"tag-memoria-historica-angola","31":"tag-mundo","32":"tag-museu-da-escravatura-angola","33":"tag-news","34":"tag-noticias","35":"tag-noticias-principais","36":"tag-noticiasprincipais","37":"tag-principais-noticias","38":"tag-principaisnoticias","39":"tag-putin","40":"tag-resistencia-angolana","41":"tag-resistencia-colonial-angola","42":"tag-russia","43":"tag-top-stories","44":"tag-topstories","45":"tag-traficantes-portugueses-angola","46":"tag-ucrania","47":"tag-ultimas","48":"tag-ultimas-noticias","49":"tag-ultimasnoticias","50":"tag-world","51":"tag-world-news","52":"tag-worldnews","53":"tag-zelensky"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=184712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184712\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/184713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=184712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=184712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=184712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}