{"id":184945,"date":"2025-12-12T02:37:16","date_gmt":"2025-12-12T02:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/184945\/"},"modified":"2025-12-12T02:37:16","modified_gmt":"2025-12-12T02:37:16","slug":"maior-pesquisa-da-america-latina-sobre-saude-das-mulheres-esta-sendo-realizada-no-recife","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/184945\/","title":{"rendered":"Maior pesquisa da Am\u00e9rica Latina sobre sa\u00fade das mulheres est\u00e1 sendo realizada no Recife"},"content":{"rendered":"<p>Em menos de dez anos, Pernambuco viveu duas novas epidemias, a da zika e a da covid-19. Desde 2020, uma pesquisa investiga os impactos dessas epidemias na sa\u00fade reprodutiva de mulheres pernambucanas. Na atual etapa, o estudo DeCode Zika e Covid (DZC) pretende entrevistar mais de duas mil mulheres de 23 a 39 anos, de v\u00e1rias localidades do Grande Recife.<\/p>\n<p>O estudo, que segue at\u00e9 2029, \u00e9 financiado pela Universidade da Pensilv\u00e2nia e liderado pela dem\u00f3grafa brasileira Let\u00edcia Marteleto e coordenado no Brasil pela soci\u00f3loga Ana Paula Portella. \u201cO estudo come\u00e7ou com a crise da microcefalia, que atingiu as mulheres gr\u00e1vidas na epidemia de zika. Quando a pandemia da covid come\u00e7ou em 2020 t\u00ednhamos duas op\u00e7\u00f5es: ou desistir da pesquisa ou incorporar a covid ao estudo. A pesquisa foi ent\u00e3o reformulada para incluir a covid-19 e outras arboviroses, investigando como essas crises de sa\u00fade p\u00fablica afetam as decis\u00f5es reprodutivas e o acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, diz Portella.<\/p>\n<p>Como a pandemia da covid-19 teve mais impacto na popula\u00e7\u00e3o, a pesquisa ganhou mais profundidade. \u201cDurante a pandemia, por exemplo, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) foi intensamente afetado, o que pode ter levado \u00e0 falta de contraceptivos ou \u00e0 impossibilidade de atendimento m\u00e9dico e de enfermagem para procedimentos como o uso de implantes hormonais\u201d, diz a soci\u00f3loga, sobre uma das investiga\u00e7\u00f5es da pesquisa. \u201cO medo de sair de casa ou o fechamento\/redirecionamento de postos de sa\u00fade para o atendimento de pacientes com covid durante os per\u00edodos de lockdown, fez com que mulheres deixassem de usar m\u00e9todos contraceptivos\u201d, diz.<\/p>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o no uso de contraceptivos deixou as mulheres pernambucanas mais expostas ao risco de uma gravidez n\u00e3o planejada. \u201cA pesquisa tamb\u00e9m investiga o que aconteceu quando essas gesta\u00e7\u00f5es indesejadas surgiram, e se foram levadas a termo ou n\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n<p>As pesquisadoras afirmam que a DZC \u00e9 o maior estudo em painel com mulheres da Am\u00e9rica Latina. \u201cA pesquisa em painel \u00e9 um tipo de estudo que se caracteriza por acompanhar o mesmo grupo de participantes em diferentes momentos ao longo do tempo. No contexto da nossa pesquisa, isso significa que o mesmo grupo de mulheres est\u00e1 sendo acompanhado desde a primeira onda de coleta de dados em 2020, com planos de continuar at\u00e9 2029\u201d, explica Ana Paula.<\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica inerente a esse tipo de pesquisa \u00e9 que h\u00e1 uma perda de participantes ao longo do tempo, que pode acontecer desde mudan\u00e7a no contato e desinteresse em continuar respondendo \u00e0 pesquisa at\u00e9 adoecimento ou falecimento das participantes. Para mitigar essa perda e manter a representatividade da amostra, \u00e9 comum em estudos de painel realizar uma renova\u00e7\u00e3o da amostra. \u201cEstamos na quarta onda desta pesquisa e, al\u00e9m de continuar acompanhando as mulheres desde 2020, uma nova amostra de 2.400 mulheres come\u00e7ou a ser entrevistada para renovar o grupo de estudo. A partir da onda n\u00famero 5, as duas amostras ser\u00e3o combinadas em uma \u00fanica\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>Com a pesquisa nesta fase concentrada na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife, os condom\u00ednios verticais t\u00eam sido um obst\u00e1culo para encontrar as participantes. \u201cPorteiros ou s\u00edndicos frequentemente barram a entrada da equipe de pesquisa antes mesmo que eles consigam falar com os moradores dos apartamentos sorteados. Para tentar contornar isso, temos enviado cartas, ido aos pr\u00e9dios para conversar com s\u00edndicos e empresas, e tamb\u00e9m s\u00e3o disponibilizados telefones e o site da pesquisa para garantir a seguran\u00e7a e a \u00e9tica do trabalho\u201d, diz Portella, que faz um apelo para que as mulheres contactadas atendam as entrevistadoras. <\/p>\n<p>A DZC contratou a empresa Datam\u00e9trica, cujas entrevistadoras usam crach\u00e1 com nome e foto, e portam uma carta de apresenta\u00e7\u00e3o da Universidade da Pensilv\u00e2nia. H\u00e1 tamb\u00e9m um QR Code com informa\u00e7\u00f5es da pesquisa para que as pessoas possam verificar a autenticidade e se sintam seguras em participar. Essa etapa de entrevistas segue at\u00e9 dezembro deste ano.<\/p>\n<p>Ainda que o estudo final s\u00f3 saia em 2029, a pesquisa DZC j\u00e1 publicou 18 artigos sobre o tema. Um deles se debru\u00e7ou sobre o impacto da perda de renda das mulheres durante a pandemia de covid e a inten\u00e7\u00e3o de ter ou n\u00e3o filhos. A pesquisa concluiu que a ideia de adiar a gravidez ou de n\u00e3o ter mais filhos dependia, parcialmente, se a mulher j\u00e1 havia sido m\u00e3e ou n\u00e3o. As que n\u00e3o tinham filhos, eram mais inclinadas a engravidar logo e a perda de renda n\u00e3o fazia diferen\u00e7a. As que j\u00e1 eram m\u00e3es, tinham diferentes opini\u00f5es, a depender da perda ou n\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m constatou que as mulheres que eram m\u00e3es e perderam renda eram mais inclinadas tanto a desistir de ter filhos quanto a adiar uma nova gravidez. E m\u00e3es de duas ou tr\u00eas crian\u00e7as que tiveram perda na renda eram as mais propensas a desistir de ter outra crian\u00e7a. Todos os artigos j\u00e1 publicados est\u00e3o dispon\u00edveis no site, <a href=\"https:\/\/web.sas.upenn.edu\/dzc-en\/papers\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">somente na vers\u00e3o em ingl\u00eas<\/a>.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 de que a pesquisa ajude a fomentar pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a sa\u00fade reprodutiva das mulheres brasileiras e seja um guia no caso de futuras epidemias. Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a pesquisa est\u00e3o dispon\u00edveis no site do projeto em portugu\u00eas: <a href=\"https:\/\/web.sas.upenn.edu\/dzc-pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">https:\/\/web.sas.upenn.edu\/dzc-pt\/<\/a><\/p>\n<p>AUTOR<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/c76b784ef7ea434ef095303a346c1abbccc82d42da19b2b8c410afb4edc9eef5\" alt=\"Foto Maria Carolina Santos\"\/><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/marcozero.org\/author\/carolsantos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Maria Carolina Santos<\/a><\/p>\n<p class=\"m-0\">Jornalista pela UFPE. Fez carreira no Diario de Pernambuco, onde foi de estagi\u00e1ria a editora do site, com passagem pelo caderno de cultura.  Contribuiu para ve\u00edculos como Correio Braziliense, O Globo e Revista Continente.<br \/>\nContato: carolsantos@marcozero.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em menos de dez anos, Pernambuco viveu duas novas epidemias, a da zika e a da covid-19. 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