{"id":185072,"date":"2025-12-12T08:05:13","date_gmt":"2025-12-12T08:05:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/185072\/"},"modified":"2025-12-12T08:05:13","modified_gmt":"2025-12-12T08:05:13","slug":"carro-eletrico-percorre-seis-vezes-mais-do-que-um-a-combustao-com-a-mesma-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/185072\/","title":{"rendered":"carro el\u00e9trico percorre seis vezes mais do que um a combust\u00e3o com a mesma energia"},"content":{"rendered":"<p>O f\u00edsico alem\u00e3o Johannes K\u00fcckens reacende o debate energ\u00e9tico ao questionar a narrativa dos supostos \u201cmotores de combust\u00e3o eficientes\u201d. As declara\u00e7\u00f5es surgem ap\u00f3s propostas pol\u00edticas na Alemanha para adiar o fim dos motores t\u00e9rmicos para al\u00e9m de 2035. \u00c9 hora de investir tudo no carro el\u00e9trico.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/carregar_eletrico_1.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/carregar_eletrico_1-720x405.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1089072\"  \/><\/a>\n<\/p>\n<p>Mais do que ser eficiente, tem de parecer eficiente<\/p>\n<p>Para K\u00fcckens, o termo &#8220;eficientes&#8221; \u00e9 diretamente enganador: n\u00e3o corresponde a nenhuma grandeza f\u00edsica. Os motores t\u00e9rmicos s\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, m\u00e1quinas t\u00e9rmicas sujeitas a limites que nenhuma engenharia pode contornar.<\/p>\n<p>Recorda que o segundo princ\u00edpio da termodin\u00e2mica estabelece uma fronteira inamov\u00edvel: a convers\u00e3o de calor em movimento <strong>nunca pode ser total<\/strong>. Haver\u00e1 sempre uma parte importante que se perde sob a forma de calor residual.<\/p>\n<p>Mesmo nos motores mais avan\u00e7ados, <strong>o limite te\u00f3rico ronda os 65%<\/strong>, mas a estrada imp\u00f5e outra realidade.<\/p>\n<p>Em condi\u00e7\u00f5es reais, os atuais motores a gas\u00f3leo e gasolina raramente ultrapassam 25% de efici\u00eancia \u00fatil. O resto dissipa-se como calor que n\u00e3o move o ve\u00edculo.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/motor-de-carro.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/motor-de-carro-720x405.jpg\" alt=\"Motor de combust\u00e3o interna\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1092954\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Motores el\u00e9tricos, esses, sim, s\u00e3o eficientes<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, a ind\u00fastria aperfei\u00e7oou cada v\u00e1lvula, cada sensor, cada sistema de inje\u00e7\u00e3o. No entanto, <strong>esse caminho chegou ao fim<\/strong>. K\u00fcckens resume com franqueza: n\u00e3o existe uma via que leve um motor t\u00e9rmico aos 80% ou 90%.<\/p>\n<p>Esse n\u00famero pertence a outro mundo: o dos <strong>motores el\u00e9tricos<\/strong>, com rendimentos superiores a <strong>90% em condi\u00e7\u00f5es ideais<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contraste que o f\u00edsico coloca o centro da discuss\u00e3o: a efici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o, mas sim o pilar de qualquer transforma\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica com sentido.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/biocombustivel00.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/biocombustivel00-720x405.jpg\" alt=\"Imagem ilustrativa de biocombust\u00edveis\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-911964\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Ser\u00e1 o e-fuel uma alternativa?<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, frequentemente debatida, sobre se a engenharia poderia continuar a aumentar a efici\u00eancia \u00e9 descartada por K\u00fcckens.<\/p>\n<p>Embora a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica desde as primeiras m\u00e1quinas a vapor at\u00e9 aos motores de combust\u00e3o atuais tenha alcan\u00e7ado avan\u00e7os enormes, agora, diz, o percurso chegou ao fim:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Hoje estamos em torno de 45% de efici\u00eancia e chocamos com limites f\u00edsicos. Nunca ser\u00e1 poss\u00edvel atingir os 80% ou 90%\u201d. A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: \u201cJ\u00e1 existem motores com mais de 90% de efici\u00eancia. S\u00e3o os motores el\u00e9tricos\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O f\u00edsico observa com especial ceticismo a esperan\u00e7a pol\u00edtica de que os <strong>e-fuels possam salvar o motor de combust\u00e3o<\/strong> no futuro.<\/p>\n<p>K\u00fcckens descreve a sua produ\u00e7\u00e3o como um processo de tr\u00eas etapas extremamente intensivo em energia: eletr\u00f3lise para obter hidrog\u00e9nio, captura de CO\u2082 do ar e posterior s\u00edntese de hidrocarbonetos.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Infelizmente, estes combust\u00edveis cont\u00eam, devido \u00e0 complexidade da sua fabrica\u00e7\u00e3o, apenas metade da energia da eletricidade renov\u00e1vel que se investiu no in\u00edcio.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ainda mais grave, acrescenta, \u00e9 que depois s\u00e3o queimados num motor ineficiente:<\/p>\n<blockquote>\n<p>No final, apenas pouco mais de dez por cento da energia utilizada chega realmente \u00e0 estrada\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A sua conclus\u00e3o \u00e9 contundente:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Com a mesma quantidade de eletricidade, um carro el\u00e9trico percorre seis vezes mais do que um motor de combust\u00e3o alimentado com e-fuels.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/motor_carro_eletrico_renault.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/motor_carro_eletrico_renault-720x405.jpg\" alt=\"Motor de carro el\u00e9trico\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1092953\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Carro el\u00e9trico percorre seis vezes mais do que um motor com e-fuel<\/p>\n<p>Uma parte essencial do argumento de K\u00fcckens n\u00e3o est\u00e1 apenas nas matem\u00e1ticas energ\u00e9ticas, mas na sua tradu\u00e7\u00e3o para o quotidiano.<\/p>\n<p>Se existe uma quantidade limitada de eletricidade renov\u00e1vel, far\u00e1 sentido gast\u00e1-la num combust\u00edvel que reduzir\u00e1 a energia dispon\u00edvel a uma fra\u00e7\u00e3o antes de mover um \u00fanico quil\u00f3metro?<\/p>\n<p>Pa\u00edses como a Alemanha, Espanha ou Portugal trabalham na expans\u00e3o solar e e\u00f3lica, mas a <strong>oferta renov\u00e1vel continua a ser um recurso valioso<\/strong> que deve ser usado com crit\u00e9rio. E a\u00ed, a diferen\u00e7a entre 10% e 70% muda completamente o tabuleiro.<\/p>\n<p>Custo do e-fuel poder\u00e1 nunca chegar a compensar<\/p>\n<p>Uma ado\u00e7\u00e3o alargada de e-fuels exigiria, al\u00e9m disso, i<strong>nfraestruturas industriais que hoje n\u00e3o existem em escala<\/strong>,\u00a0 nem na Europa nem fora, e <strong>custos<\/strong> que, segundo v\u00e1rias an\u00e1lises independentes, <strong>continuariam elevados<\/strong> mesmo com economias de escala.<\/p>\n<p>K\u00fcckens aponta um motivo simples: <strong>produzir um litro de e-fuel n\u00e3o exige apenas energia; exige horas de eletricidade renov\u00e1vel<\/strong> que t\u00eam outros usos priorit\u00e1rios, desde eletrificar ind\u00fastrias at\u00e9 descarbonizar o aquecimento.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria europeia vive este debate por dentro. Enquanto a China avan\u00e7a sem pausa com modelos el\u00e9tricos mais baratos e cadeias de fornecimento consolidadas, a Europa continua a gerir uma transi\u00e7\u00e3o mais lenta e, por vezes, contradit\u00f3ria.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/carregar_vw_eletrico_1.jpg\" onclick=\"refreshIframe()\" class=\"foobox\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/carregar_vw_eletrico_1-720x405.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1080918\"  \/><\/a><\/p>\n<p>El\u00e9tricos? Ou sim&#8230; ou sopas!<\/p>\n<p>K\u00fcckens alerta que prolongar a vida do motor t\u00e9rmico n\u00e3o \u00e9 apenas um erro clim\u00e1tico, mas tamb\u00e9m um risco econ\u00f3mico: as empresas que n\u00e3o adaptarem a sua tecnologia hoje poder\u00e3o ficar para tr\u00e1s num mercado que j\u00e1 n\u00e3o espera.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 claro \u00e9 que um <strong>motor el\u00e9trico aproveita melhor cada quilowatt<\/strong>. Em estrada real, a efici\u00eancia ronda os 70%, mesmo considerando perdas na carga, convers\u00e3o e transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a <strong>simplicidade mec\u00e2nica do motor el\u00e9trico reduz a manuten\u00e7\u00e3o<\/strong>, e os materiais cr\u00edticos das baterias s\u00e3o reciclados e regressam \u00e0 cadeia de produ\u00e7\u00e3o, algo imposs\u00edvel com os combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>A Europa, de facto, j\u00e1 impulsiona uma rede de reciclagem para l\u00edtio, n\u00edquel e cobalto, essencial para reduzir a depend\u00eancia externa.<\/p>\n<p>O conforto \u00e9 um argumento a favor do motor de combust\u00e3o<\/p>\n<p>A resist\u00eancia social, contudo, persiste. Muitos condutores sentem ainda retic\u00eancias perante a mudan\u00e7a: autonomia, pre\u00e7o, pontos de carga.<\/p>\n<p>Boa <strong>parte dessas perce\u00e7\u00f5es formou-se h\u00e1 anos<\/strong>, quando os carros el\u00e9tricos eram caros, com baterias pequenas e pouca infraestrutura.<\/p>\n<p>Hoje o panorama come\u00e7a a mudar, com modelos mais acess\u00edveis, <strong>autonomias superiores a 400 km<\/strong> e uma rede de carregamento que avan\u00e7a em autoestradas e zonas urbanas. Mas a in\u00e9rcia cultural n\u00e3o \u00e9 trivial.<\/p>\n<p>K\u00fcckens acredita que <strong>adiar a elimina\u00e7\u00e3o do motor t\u00e9rmico seria um erro profundo<\/strong>. Um \u00fanico ano adicional de ve\u00edculos de combust\u00e3o significa mais emiss\u00f5es, mais calor retido na atmosfera e mais press\u00e3o sobre ecossistemas j\u00e1 fragilizados. E n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o clim\u00e1tica: os sinais econ\u00f3micos importam.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o <strong>pre\u00e7o do CO\u2082 subir<\/strong>, manter um ve\u00edculo de combust\u00e3o ser\u00e1 mais caro do que operar um el\u00e9trico. Quem comprar um <strong>carro de combust\u00e3o em 2035<\/strong>, alerta, poder\u00e1 deparar-se com um ve\u00edculo <strong>impossivelmente caro<\/strong> de manter.<\/p>\n<p>A sua conclus\u00e3o permanece firme: da f\u00edsica, da economia e da l\u00f3gica ambiental, o motor el\u00e9trico \u00e9 a tecnologia superior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O f\u00edsico alem\u00e3o Johannes K\u00fcckens reacende o debate energ\u00e9tico ao questionar a narrativa dos supostos \u201cmotores de combust\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":185073,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,744,89,90,32,33],"class_list":{"0":"post-185072","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-carro-eletrico","10":"tag-economy","11":"tag-empresas","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115705566310828557","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=185072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185072\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/185073"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=185072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=185072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=185072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}