{"id":185779,"date":"2025-12-12T19:06:13","date_gmt":"2025-12-12T19:06:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/185779\/"},"modified":"2025-12-12T19:06:13","modified_gmt":"2025-12-12T19:06:13","slug":"hiv-e-envelhecimento-menos-remedios-podem-ser-mais-saude-12-12-2025-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/185779\/","title":{"rendered":"HIV e envelhecimento: menos rem\u00e9dios podem ser mais sa\u00fade &#8211; 12\/12\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>O m\u00eas de dezembro \u00e9 dedicado a promover a conscientiza\u00e7\u00e3o quanto ao risco representado pela epidemia de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/aids\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Aids<\/a>, doen\u00e7a que afeta globalmente mais de 40 milh\u00f5es de pessoas. No Brasil e no mundo, \u00e9 poss\u00edvel constatar que muitos<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/12\/com-avancos-no-tratamento-casais-em-que-so-um-tem-hiv-vivem-vidas-normais.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> indiv\u00edduos infectados com o HIV t\u00eam conseguido preservar sua sa\u00fade<\/a> e alcan\u00e7ar idades mais maduras, e \u00e9 necess\u00e1rio que o tratamento acompanhe essas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Os medicamentos antirretrovirais, introduzidos a partir de 1996 pelo Programa Nacional de DST\/Aids do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ministerio-da-saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>, asseguraram a longevidade da primeira gera\u00e7\u00e3o de pessoas vivendo com HIV. O resultado \u00e9 que os indiv\u00edduos que est\u00e3o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/envelhecimento\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">envelhecendo<\/a> se veem diante de novos desafios para o cuidado com a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Um estudo conduzido por pesquisadores da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/unesp\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Unesp<\/a>, em parceria com o Center for Global Health, da Georgetown University, nos<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/estados-unidos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Estados Unidos<\/a>, mostrou que pessoas com 50 anos ou mais com HIV t\u00eam alcan\u00e7ado melhores resultados cl\u00ednicos e qualidade de vida quando tratadas com regimes simplificados de terapia antirretroviral (TARV). Os resultados da pesquisa ser\u00e3o publicados na revista cient\u00edfica Brazilian Journal of Medical and Biological Research.<\/p>\n<p>A pesquisa analisou 1.018 pacientes atendidos no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sus\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/a> entre 2020 e 2023. O grupo com idade mais avan\u00e7ada, de 50 anos ou mais, representou 56,6% da amostra total, enquanto os mais jovens (18 a 49 anos), 43,4%. De acordo com os resultados do estudo, praticamente 90% do grupo 50+ apresentaram<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/09\/brasileiro-fica-curado-de-hiv-por-um-ano-e-meio-apos-tratamento-inovador-em-sp.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> carga viral indetect\u00e1vel<\/a>, frente a 83,3% dos mais jovens, e uma taxa de falha virol\u00f3gica (quando o v\u00edrus volta a se multiplicar no sangue) quatro vezes menor (2,5% vs. 10,1%).<\/p>\n<p>Os 50+ tamb\u00e9m mostraram melhor recupera\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica, medida pela contagem de linf\u00f3citos T CD4, c\u00e9lulas essenciais para a defesa do organismo e alvos diretos do HIV. Apenas 7% dos pacientes acima de 50 anos tinham menos de 350 c\u00e9lulas\/mm\u00b3, contra 13,3% dos mais jovens, indicando resposta imunol\u00f3gica mais robusta e menor vulnerabilidade a infec\u00e7\u00f5es. &#8220;A vari\u00e1vel que mais se associou a esses resultados foi, justamente, o regime simplificado de medica\u00e7\u00e3o&#8221;, comentaram os autores.<\/p>\n<p>Os dados utilizados pelo estudo foram obtidos no Servi\u00e7o de Atendimento Especializado em Infectologia Domingos Alves Meira (SAEI-DAM), da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), um centro de refer\u00eancia que acompanha h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas pessoas vivendo com HIV.<\/p>\n<p>De acordo com o infectologista Alexandre Naime Barbosa, coordenador da pesquisa, \u00e9 o primeiro servi\u00e7o do pa\u00eds onde a maioria dos pacientes tem mais de 50 anos. &#8220;O v\u00edrus HIV, antes associado a pessoas jovens, tornou-se uma condi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica que exige um olhar geri\u00e1trico. O envelhecimento da epidemia j\u00e1 altera o perfil dos atendimentos: as pessoas fazem acompanhamento h\u00e1 muitos anos, mant\u00eam ades\u00e3o ao tratamento e convivem com outras doen\u00e7as associadas \u00e0 idade, como hipertens\u00e3o, diabetes e aterosclerose, que surgem mais cedo devido a um estado de inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica provocado pela infec\u00e7\u00e3o, mesmo controlada&#8221;, diz Naime, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu.<\/p>\n<p>A pesquisa adotou o marco de 50 anos para definir os &#8220;adultos mais velhos vivendo com HIV&#8221;. Isso porque, mesmo sob tratamento eficaz, o HIV mant\u00e9m o corpo em um estado cont\u00ednuo de inflama\u00e7\u00e3o e ativa\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica, levando a um desgaste precoce do sistema imune e favorecendo o surgimento antecipado de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como hipertens\u00e3o, diabetes e problemas cardiovasculares. O uso prolongado de antirretrovirais e o risco de intera\u00e7\u00f5es entre medicamentos tamb\u00e9m contribuem para esse envelhecimento celular acelerado.<\/p>\n<p>Combina\u00e7\u00f5es potentes de medicamentos<\/p>\n<p>Os pesquisadores estudaram os efeitos de duas combina\u00e7\u00f5es de regimes de TARV simplificados: lamivudina + dolutegravir (3TC+DTG) e lamivudina + darunavir\/ritonavir (3TC+DRV\/r), utilizadas com maior frequ\u00eancia pelos pacientes mais velhos.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos resultados revelou que o uso desses esquemas e o tempo prolongado de tratamento \u2014acima de 11 anos\u2014 estiveram fortemente associados \u00e0 supress\u00e3o viral sustentada, quando o v\u00edrus permanece indetect\u00e1vel de forma cont\u00ednua. A lamivudina (3TC) atua bloqueando a enzima transcriptase reversa, respons\u00e1vel por converter o RNA do v\u00edrus causador da Aids em DNA dentro da c\u00e9lula humana \u2014 etapa fundamental para que o invasor se replique. Ao ocupar o lugar de uma base do DNA, a lamivudina interrompe a c\u00f3pia do material gen\u00e9tico viral e impede a forma\u00e7\u00e3o de novas part\u00edculas do v\u00edrus. O dolutegravir (DTG) age em outro ponto do ciclo: ele inibe a enzima integrase, que o v\u00edrus utiliza para &#8220;colar&#8221; o seu DNA ao c\u00f3digo gen\u00e9tico da c\u00e9lula hospedeira. Sem essa integra\u00e7\u00e3o, o v\u00edrus HIV n\u00e3o consegue se multiplicar nem produzir novas c\u00f3pias de si mesmo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de potente, o dolutegravir tem alta barreira gen\u00e9tica, o que significa que o v\u00edrus encontra mais dificuldade para desenvolver resist\u00eancia. J\u00e1 o darunavir (DRV) \u00e9 um inibidor de protease, enzima necess\u00e1ria para montar as prote\u00ednas que formam as novas part\u00edculas virais. Ele impede a matura\u00e7\u00e3o do HIV, tornando-o incapaz de infectar outras c\u00e9lulas. O darunavir \u00e9 administrado junto com o ritonavir (r), que n\u00e3o age diretamente contra o v\u00edrus, mas potencializa o efeito do darunavir ao retardar sua metaboliza\u00e7\u00e3o no f\u00edgado e prolongar sua a\u00e7\u00e3o no sangue.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a mais marcante em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento tradicional est\u00e1 na retirada do tenofovir (TDF), um dos pilares hist\u00f3ricos da terapia antirretroviral (TARV) no Brasil desde o final dos anos 1990. O tenofovir, assim como a lamivudina, bloqueia a enzima transcriptase reversa, impedindo o v\u00edrus de copiar seu RNA em DNA \u2014um passo essencial para que o HIV se multiplique. O rem\u00e9dio continua essencial para pessoas rec\u00e9m-diagnosticadas, que precisam reduzir rapidamente a carga viral, e para casos em que h\u00e1 resist\u00eancia a outros f\u00e1rmacos. Mas, com o uso prolongado, o tenofovir pode causar efeitos renais e \u00f3sseos, o que preocupa especialmente pacientes com mais de 50 anos.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O m\u00eas de dezembro \u00e9 dedicado a promover a conscientiza\u00e7\u00e3o quanto ao risco representado pela epidemia de Aids,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":185780,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[9397,1031,13063,1029,13061,13062,1490,236,116,1175,1491,15379,1208,32,33,117,1030,896,4483,15380,13064],"class_list":{"0":"post-185779","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-aids","9":"tag-autocuidado","10":"tag-camisinha","11":"tag-cuide-se","12":"tag-doenca-sexualmente-transmissivel","13":"tag-dst","14":"tag-envelhecimento","15":"tag-folha","16":"tag-health","17":"tag-hiv","18":"tag-idoso","19":"tag-jornal-da-unesp","20":"tag-medicina","21":"tag-portugal","22":"tag-pt","23":"tag-saude","24":"tag-saude-mental","25":"tag-saude-publica","26":"tag-sus","27":"tag-unesp","28":"tag-virus-hiv"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115708165137020561","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185779","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=185779"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185779\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/185780"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=185779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=185779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=185779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}