{"id":186647,"date":"2025-12-13T13:54:22","date_gmt":"2025-12-13T13:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/186647\/"},"modified":"2025-12-13T13:54:22","modified_gmt":"2025-12-13T13:54:22","slug":"gripe-aviaria-10-perguntas-e-respostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/186647\/","title":{"rendered":"Gripe Avi\u00e1ria: 10 perguntas e respostas"},"content":{"rendered":"<p>\t\t<strong>Gripe Avi\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os dados da Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Alimenta\u00e7\u00e3o e Veterin\u00e1ria (DGAV) relevam que desde o in\u00edcio deste ano foram confirmados 46 focos de infe\u00e7\u00e3o por v\u00edrus da gripe avi\u00e1ria de alta patogenicidade, sendo:<\/p>\n<ul>\n<li>44 do subtipo H5N1<\/li>\n<li>um do subtipo H5<\/li>\n<li>um do subtipo H5N6<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os focos registaram-se em<\/p>\n<ul>\n<li>10 em estabelecimentos av\u00edcolas comerciais<\/li>\n<li>2 em estabelecimentos av\u00edcolas de pequena dimens\u00e3o<\/li>\n<li>4 em capoeiras dom\u00e9sticas<\/li>\n<li>3 em aves em cativeiro<\/li>\n<li>2 em estabelecimentos com capoeira dom\u00e9stica e cole\u00e7\u00e3o de aves<\/li>\n<li>1 numa exposi\u00e7\u00e3o de aves<\/li>\n<li>24 em aves selvagens.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em Portugal, as aves selvagens mais afetadas t\u00eam sido as gaivotas.<\/p>\n<p>Dos 46 casos, 8 registaram-se no concelho de Torres Vedras, o \u00faltimo num estabelecimento av\u00edcola comercial situado na Uni\u00e3o das Freguesias de Campelos e Outeiro da Cabe\u00e7a (<a href=\"https:\/\/jornaldemafra.pt\/sobe-para-8-os-focos-de-gripe-aviaria-no-concelho-de-torres-vedras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">ver artigo<\/a>).<\/p>\n<p>Numa altura em que a gripe avi\u00e1ria est\u00e1 em \u201cgrave situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica\u201d a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) publicou \u201cGripe Avi\u00e1ria: 10 perguntas e respostas\u201d.<\/p>\n<p>A SPEA afirma que \u201cos observadores de aves e as pessoas que visitam, trabalham ou vivem perto de habitats naturais podem, de forma segura, ajudar aos esfor\u00e7os de conten\u00e7\u00e3o de surtos, reportando rapidamente situa\u00e7\u00f5es suspeitas \u00e0s autoridades competentes. A notifica\u00e7\u00e3o c\u00e9lere \u00e9 essencial para proteger as aves e, em \u00faltima an\u00e1lise, tamb\u00e9m a sa\u00fade p\u00fablica.\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Gripe Avi\u00e1ria: 10 perguntas e respostas<br \/>\n1. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 pior do que em anos anteriores?<\/p>\n<p>Segundo a Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Alimenta\u00e7\u00e3o e Veterin\u00e1ria (DGAV), os focos de infe\u00e7\u00e3o por v\u00edrus da gripe avi\u00e1ria s\u00e3o mais elevados do que os dos anos anteriores e por isso a Autoridade Europeia para a Seguran\u00e7a Alimentar (EFSA) declara \u201cN\u00edvel sem precedentes de gripe avi\u00e1ria altamente patog\u00e9nica em aves selvagens na Europa durante a migra\u00e7\u00e3o de aves no outono de 2025\u201d. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem clara ao serem analisados os focos ativos em territ\u00f3rio nacional, revelando um risco muito elevado de infe\u00e7\u00e3o a partir do contacto com aves selvagens.<\/p>\n<p>A fim de salvaguardar a sa\u00fade das aves, bem como a sa\u00fade p\u00fablica, a DGAV deu continuidade \u00e0 ordem de confinamento das aves dom\u00e9sticas em todo o territ\u00f3rio do continente e a proibi\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de eventos de exposi\u00e7\u00e3o e concurso de aves em cativeiro, nomeadamente aves ornamentais e ex\u00f3ticas, bem como a proibi\u00e7\u00e3o de ajuntamentos de aves dom\u00e9sticas, em feiras e mercados, exceto aqueles que cumpram as condi\u00e7\u00f5es de biosseguran\u00e7a prescritas.<\/p>\n<p>2. H\u00e1 motivo para preocupa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Segundo a DGAV n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias epidemiol\u00f3gicas de que a gripe avi\u00e1ria possa ser transmitida aos seres humanos atrav\u00e9s do consumo de alimentos, nomeadamente de carne de aves de capoeira e ovos. Contudo, ocasionalmente, algumas estirpes de v\u00edrus da gripe avi\u00e1ria podem infetar outros animais, nomeadamente mam\u00edferos, e tamb\u00e9m o ser humano. No entanto, para que tal aconte\u00e7a ter\u00e1 que haver um contacto muito pr\u00f3ximo entre as aves infetadas e as pessoas ou entre aves e outros animais.<\/p>\n<p>As maiores preocupa\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 gripe avi\u00e1ria continuam a ser o impacto econ\u00f3mico de eventuais surtos em aves de cativeiro, e o impacto ecol\u00f3gico em esp\u00e9cies selvagens \u2014 sobretudo as que nidificam em col\u00f3nias, como muitas esp\u00e9cies de aves marinhas e aqu\u00e1ticas, onde o v\u00edrus pode espalhar-se rapidamente por um grande n\u00famero de aves e comprometer a popula\u00e7\u00e3o Surtos em anos consecutivos poder\u00e3o agravar a situa\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 amea\u00e7adas. Neste contexto, os especialistas a n\u00edvel europeu veem com alguma apreens\u00e3o o facto de que recentemente a gripe avi\u00e1ria tem sido detetada num maior n\u00famero de esp\u00e9cies, pois isso pode aumentar o risco de transmiss\u00e3o a ainda mais aves (tanto selvagens como de cativeiro), dado que diferentes esp\u00e9cies ter\u00e3o diferentes comportamentos e mover-se-\u00e3o entre diferentes habitats.<\/p>\n<p>3. Que esp\u00e9cies est\u00e3o a ser mais afetadas em Portugal?<\/p>\n<p>Em Portugal, as aves selvagens mais afetadas t\u00eam sido as gaivotas, com alguns casos confirmados tamb\u00e9m em aves aqu\u00e1ticas como gar\u00e7as e patos, bem como em cegonhas e alcatrazes. As aves marinhas e aqu\u00e1ticas s\u00e3o os grupos tipicamente afetados pela gripe avi\u00e1ria, por se concentrarem em grandes n\u00fameros em diversas fases do seu ciclo de vida (ex.: col\u00f3nias de reprodu\u00e7\u00e3o, dormit\u00f3rios durante a invernada ou \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o\/descanso durante a migra\u00e7\u00e3o), onde o contacto entre as aves \u00e9 muito intenso.<\/p>\n<p>4. H\u00e1 regi\u00f5es do pa\u00eds mais problem\u00e1ticas?<\/p>\n<p>Os casos em aves selvagens tendem a concentrar-se nas zonas costeiras e estu\u00e1rios, onde existem grandes concentra\u00e7\u00f5es de aves marinhas, nomeadamente gaivotas, mas podem surgir focos de gripe avi\u00e1ria um pouco por todo o pa\u00eds. A Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Alimenta\u00e7\u00e3o e Veterin\u00e1ria (DGAV) divulga os focos confirmados e as zonas de vigil\u00e2ncia refor\u00e7ada \u00e0 medida que os casos v\u00e3o surgindo.<\/p>\n<p>5. \u00c9 seguro passear e observar aves em estu\u00e1rios, zonas costeiras e zonas h\u00famidas (onde a gripe avi\u00e1ria \u00e9 mais prov\u00e1vel)?<\/p>\n<p>Sim, as atividades de observa\u00e7\u00e3o de aves e passeios de natureza mant\u00eam-se seguras para quem segue as recomenda\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas: manter dist\u00e2ncia de qualquer ave selvagem, especialmente de aves doentes ou mortas, n\u00e3o lhes tocar e reportar situa\u00e7\u00f5es an\u00f3malas. As pessoas podem continuar a desfrutar da Natureza, com aten\u00e7\u00e3o e responsabilidade.<\/p>\n<p>6. O que fazer se vir uma ave que n\u00e3o parece saud\u00e1vel?<\/p>\n<p>Perante uma ave que est\u00e1 viva, mas com sinais de doen\u00e7a (movimentos descoordenados, tremores, tor\u00e7\u00e3o do pesco\u00e7o, apatia extrema), as recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Contactar o SEPNA\/GNR: 808 200 520 (Portugal continental) \/ Rede SOS Vida Selvagem: 961957545 (Madeira) \/ Linha SOS Ambiente: 800292800 (A\u00e7ores), o centro de recupera\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3ximo ou o ICNF<\/li>\n<li>N\u00e3o manipular a ave e aguardar pelas equipas autorizadas para recolha e transporte<\/li>\n<li>Evitar o contacto direto com aves selvagens, especialmente aquelas encontradas moribundas ou mortas<\/li>\n<li>Se por alguma raz\u00e3o tiver tido algum tipo de contacto com aves suspeitas, lave muito bem as m\u00e3os<\/li>\n<li>Nunca levar aves doentes ou mortas para casa, e nunca deixar crian\u00e7as ou animais de companhia aproximar-se de aves mortas ou com sintomas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>7. O que fazer se vir uma ave morta?<\/p>\n<ol>\n<li>N\u00e3o tocar na ave, nem em penas ou dejetos.<\/li>\n<li>Nunca levar aves doentes ou mortas para casa, e nunca deixar crian\u00e7as ou animais de companhia aproximar-se de aves mortas ou com sintomas.<\/li>\n<li>Anotar o local com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel. O registo com fotografia, localiza\u00e7\u00e3o e data ajuda muito a cruzar informa\u00e7\u00e3o de campo e a identificar zonas onde o v\u00edrus est\u00e1 mais ativo.<\/li>\n<li>Reportar para:<br \/>\u2013 SEPNA\/GNR: 808 200 520 (Portugal continental) \/ Rede SOS Vida Selvagem: 961957545 (Madeira)\/ Linha SOS Ambiente: 800292800 (A\u00e7ores)<br \/>\u2013 os servi\u00e7os regionais da DGA<br \/>\u2013 servi\u00e7o veterin\u00e1rio municipal<br \/>\u2013 animas.icnf.pt (requer registo)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ao reportar \u00e0s autoridades competentes, permite a recolha segura da ave e an\u00e1lise laboratorial, sem colocar a sua sa\u00fade em risco.<\/p>\n<p>8. A gripe avi\u00e1ria amea\u00e7a esp\u00e9cies de extin\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A mortalidade causada pela gripe avi\u00e1ria ao longo dos \u00faltimos anos j\u00e1 \u00e9 significativa em algumas popula\u00e7\u00f5es de aves marinhas, como o alcatraz e o garajau-de-bico-preto. Ao somar-se aos impactos de outras amea\u00e7as como a sobrepesca, as capturas acidentais e a polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1sticos, dificulta ainda mais a situa\u00e7\u00e3o das aves marinhas, que j\u00e1 s\u00e3o um dos grupos animais mais amea\u00e7ados do mundo. As aves marinhas demoram v\u00e1rios anos a atingir a maturidade sexual, e t\u00eam geralmente poucas crias por ano, portanto uma col\u00f3nia pode levar largos anos a recuperar de um surto que dizime os adultos reprodutores. A monitoriza\u00e7\u00e3o feita pela SPEA e parceiros nacionais e internacionais, em coordena\u00e7\u00e3o com as autoridades, \u00e9 essencial para perceber a dimens\u00e3o real deste impacto.<\/p>\n<p>9. Qual a rela\u00e7\u00e3o entre gripe avi\u00e1ria e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas?<\/p>\n<p>H\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias de que altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es de migra\u00e7\u00e3o de aves selvagens em consequ\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a concentra\u00e7\u00e3o de aves em locais com forte press\u00e3o humana e as mudan\u00e7as nos ecossistemas podem facilitar a circula\u00e7\u00e3o de v\u00edrus como os da gripe avi\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 um \u00fanico fator; \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o entre clima, uso do solo, intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e movimentos de animais. Assim, \u00e9 fundamental uma abordagem integrada n\u00e3o s\u00f3 na monitoriza\u00e7\u00e3o e alerta em casos suspeitos, mas tamb\u00e9m no ordenamento do territ\u00f3rio e no reconhecimento de que ecossistemas naturais saud\u00e1veis contribuem para a prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>10. Qual o papel da SPEA nestas situa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>A SPEA n\u00e3o \u00e9 autoridade competente para a recolha, an\u00e1lise e tratamento de aves, nem para a determina\u00e7\u00e3o de medidas de controlo. No entanto, e dado que est\u00e3o no terreno a proteger e acompanhar as popula\u00e7\u00f5es de aves selvagens, as equipas da SPEA e os seus parceiros e volunt\u00e1rios est\u00e3o sempre alerta para situa\u00e7\u00f5es como a gripe avi\u00e1ria. Quando, no decurso dos seus trabalhos, as equipas SPEA detetam aves com suspeita de gripe avi\u00e1ria, os t\u00e9cnicos da SPEA reportam \u00e0s autoridades competentes, seguindo os procedimentos aconselhados a todos os cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ao monitorizar regularmente as popula\u00e7\u00f5es de aves selvagens, a SPEA recolhe dados importantes para aferir o impacto de eventuais surtos nas diferentes esp\u00e9cies, permitindo, juntamente com parceiros nacionais e internacionais, identificar tend\u00eancias populacionais e assim avaliar o grau de amea\u00e7a para a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies. Paralelamente, a SPEA procura sempre manter informadas as pessoas em geral e os amantes de natureza em particular, de forma clara e baseada na ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Gripe Avi\u00e1ria \u00a0 Os dados da Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Alimenta\u00e7\u00e3o e Veterin\u00e1ria (DGAV) relevam que desde o in\u00edcio deste&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":186648,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[3861,116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-186647","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-gripe-aviaria","9":"tag-health","10":"tag-portugal","11":"tag-pt","12":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115712600543318856","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186647","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=186647"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186647\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/186648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=186647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=186647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=186647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}