{"id":187216,"date":"2025-12-14T00:16:39","date_gmt":"2025-12-14T00:16:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/187216\/"},"modified":"2025-12-14T00:16:39","modified_gmt":"2025-12-14T00:16:39","slug":"martin-parr-fotografou-a-classe-media-de-maneira-caustica-07-12-2025-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/187216\/","title":{"rendered":"Martin Parr fotografou a classe m\u00e9dia de maneira c\u00e1ustica &#8211; 07\/12\/2025 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Martin Parr \u00e9 um artista de muitos predicados. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/12\/morre-martin-parr-que-revolucionou-fotografia-ao-retratar-rotina-aos-73-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Morto neste s\u00e1bado (6), aos 73 anos<\/a>, o brit\u00e2nico foi um dos \u00faltimos grandes nomes a mudar a fotografia de maneira profunda, e em diferentes \u00e1reas. Al\u00e9m de fot\u00f3grafo de imensa influ\u00eancia, foi curador, pesquisador, presidente da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs01039806.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Magnum, a ag\u00eancia mais m\u00edtica entre todas as ag\u00eancias<\/a>, e algu\u00e9m com o poder de impulsionar a carreira de jovens apenas por elogiar um trabalho.<\/p>\n<p>A maioria dos obitu\u00e1rios de Parr vai, com certa raz\u00e3o, destacar o protagonismo das fotografias que fez em praias por mais de quatro d\u00e9cadas em diversas partes do mundo, da Tail\u00e2ndia \u00e0 China, do Brasil \u00e0 It\u00e1lia, dos EUA ao Jap\u00e3o e, claro, no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/reino-unido\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Reino Unido<\/a>, onde produziu <a href=\"https:\/\/www-magnumphotos-com.translate.goog\/arts-culture\/society-arts-culture\/martin-parr-the-last-resort\/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=tc\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#8220;Last Resort&#8221;, uma de suas s\u00e9ries mais conhecidas<\/a>.<\/p>\n<p>No balne\u00e1rio de New Brighton, Parr fez um retrato melanc\u00f3lico das fam\u00edlias inglesas da classe trabalhadora, explorando o contraste entre um espa\u00e7o que deveria oferecer divers\u00e3o \u2014ou onde h\u00e1 press\u00e3o para se divertir\u2014 e pessoas que pouco sorriem em meio a lixo por todo lado, poses desconfort\u00e1veis e choro de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Ali ele j\u00e1 usava o recurso do flash estourado, mesmo em locais ensolarados, uma marca da vis\u00e3o c\u00e1ustica que definiu sua carreira. A luz for\u00e7ada trazia comicidade \u00e0s fotos, sem sutilezas, e expunha a situa\u00e7\u00e3o das classes m\u00e9dia e baixa do Reino Unido que enfrentavam uma economia deteriorada na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>Essa abordagem, claro, tamb\u00e9m gerou cr\u00edticas de que Parr era cruel ao, de certa forma, rir daquele cen\u00e1rio, embora dissesse que seu interesse era menos pelo tema das classes e mais pelo do lazer, &#8220;das banalidades do dia a dia com as quais todas as pessoas t\u00eam de lidar, como gritos de beb\u00eas e um dia de tempo ruim&#8221;.<\/p>\n<p>De fato, nas d\u00e9cadas seguintes Parr expandiu os assuntos que abordou nas praias, focando a ind\u00fastria do turismo e absurdos est\u00e9ticos de todo tipo, sempre cheio de cores e formas curiosas, como nas imagens do rosto de uma mulher tomando sol na Espanha com um protetor nos olhos e de uma sunga com a bandeira dos EUA numa bundinha murcha em Miami, dispostas lado a lado na colet\u00e2nea &#8220;Life&#8217;s a Beach&#8221;, de 2013.<\/p>\n<p>No decorrer dos anos, tamb\u00e9m intensificou o contraste das imagens, e seu flash ficou ainda mais forte. Se nos anos 1980 e no in\u00edcio dos 1990 as fotos eram mais &#8220;lavadas&#8221;, agora elas apareciam ultrav\u00edvidas, o que tamb\u00e9m fez a cr\u00edtica social perder for\u00e7a frente \u00e0 abordagem mais pop. Ficou mais f\u00e1cil de digerir sua obra.<\/p>\n<p>A morte precoce, logo depois de inaugurar <a href=\"https:\/\/www.nmn.de\/en\/program\/ausstellungen\/grand-hotel-parr.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">uma grande mostra em Nuremberg, na Alemanha, toda baseada em mais de seus 200 fotolivros<\/a>, deve impulsionar um novo olhar para a carreira de Parr, resgatando s\u00e9ries menos conhecidas, como as do <a href=\"https:\/\/www.magnumphotos.com\/theory-and-practice\/ordinary-made-extraordinary-martin-parr-black-and-white-ireland-photobook\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">in\u00edcio dos anos 1970, em que curiosamente fotografou em preto e branco<\/a>.<\/p>\n<p>Nada ali \u00e9 muito diferente do que fez na sequ\u00eancia. Pelo contr\u00e1rio, explica a g\u00eanese do olhar atento ao que \u00e9 ordin\u00e1rio e que, por isso, muitas vezes passa despercebido. S\u00e3o registros de pequenos gestos e de poses que captam o absurdo do dia a dia. Chama a aten\u00e7\u00e3o uma fotografia de 1972, de uma piscina na Inglaterra, da s\u00e9rie &#8220;Butlin&#8217;s by the Sea&#8221;, que parece ter sido atualizada numa praia artificial lotada no Jap\u00e3o em 1996.<\/p>\n<p>Ao ser um dos respons\u00e1veis por consolidar o fotolivro como a principal plataforma de difus\u00e3o da fotografia, Parr tamb\u00e9m teve uma atua\u00e7\u00e3o prol\u00edfica em outras \u00e1reas da pr\u00e1tica, editando livros, curando exposi\u00e7\u00f5es e \u00e0 frente de pesquisas que organizaram ou revelaram a produ\u00e7\u00e3o de diferentes partes do mundo. Com Gerry Badger, lan\u00e7ou os tr\u00eas volumes de <a href=\"https:\/\/www.martinparrfoundation.org\/product\/the-photobook-a-history-volume-i-signed\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#8220;The Photobook: A History&#8221;, grande refer\u00eancia aos interessados no tema<\/a>.<\/p>\n<p>Sua influ\u00eancia era t\u00e3o forte que, em 2014, <a href=\"https:\/\/www.lewisbush.com\/martin-parrs-money\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o fot\u00f3grafo Lewis Bush publicou &#8220;Martin Parr&#8217;s Money&#8221;<\/a>, um chiste com a fama do brit\u00e2nico no mundo dos fotolivros. De capa dourada e encadernada com fios de ouro, a obra tirava sarro do impulso que artistas ganhavam cada vez que Parr os citava entre as melhores publica\u00e7\u00f5es do ano. Ao abrir o livro, o leitor encontrava apenas uma nota de 20 libras, o que certamente divertiu o seu homenageado, um cr\u00edtico do consumismo global desenfreado e, ao mesmo tempo, algu\u00e9m que o refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>O legado de Parr ainda repercutir\u00e1 por anos, pois seu olhar, embora imposs\u00edvel de ser copiado, foi emulado \u00e0 exaust\u00e3o por fot\u00f3grafos e revistas atuais, que por vezes o repetem sem nem mesmo conhec\u00ea-lo a fundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Martin Parr \u00e9 um artista de muitos predicados. 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