{"id":187257,"date":"2025-12-14T00:50:19","date_gmt":"2025-12-14T00:50:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/187257\/"},"modified":"2025-12-14T00:50:19","modified_gmt":"2025-12-14T00:50:19","slug":"exposicao-a-luz-durante-a-noite-pode-estar-associada-a-principal-causa-de-morte-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/187257\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz durante a noite pode estar associada \u00e0 principal causa de morte no mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom:11px\">Sabemos, h\u00e1 muito, que desligar as luzes \u00e0 noite ajuda a ter um sono reparador. H\u00e1, contudo, um estudo recente que sugere que tal a\u00e7\u00e3o pode ter outro benef\u00edcio significativo. Dormir na escurid\u00e3o total pode reduzir o risco de doen\u00e7as cardiovasculares, que \u00e9 a principal causa de morte em todo o mundo.<\/p>\n<p>As pessoas que dormiram com maior luminosidade \u2013 em condi\u00e7\u00f5es semelhantes a ter as luzes do quarto acesas \u2013 tiveram um risco 56% maior de desenvolver insufici\u00eancia card\u00edaca. Aqueles que dormiram sujeitos a uma luz t\u00e3o intensa tamb\u00e9m tiveram um risco 32% maior de doen\u00e7a arterial coron\u00e1ria e um risco 28% maior de acidente vascular cerebral.<\/p>\n<p>Os participantes no estudo foram monitorizados atrav\u00e9s de pulseiras, que mediam a intensidade da luz entre as 00:30 e as 06:00, segundo Daniel Windred, coautor do estudo publicado na revista JAMA Network Open.<\/p>\n<p>\u201cUma das limita\u00e7\u00f5es est\u00e1 no facto de n\u00e3o sabermos quais as fontes de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz, apenas a sua intensidade\u201d, refere o tamb\u00e9m investigador associado do Flinders University\u2019s College of Medicine and Public Health, na Austr\u00e1lia. \u201cCompreender quais as fontes t\u00edpicas de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz durante a noite pode permitir chegar a recomenda\u00e7\u00f5es mais informadas, al\u00e9m de evitar esta exposi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">\u00a0<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/media.cnn.com\/api\/v1\/images\/stellar\/prod\/gettyimages-1375054935.jpg\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   O seu n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz durante a noite, enquanto dorme, pode afetar a sua sa\u00fade cardiovascular (Tero Vesalainen\/iStockphoto\/Getty Images) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">A luz pode bloquear a produ\u00e7\u00e3o da hormona que induz o sono, a melatonina, no c\u00e9rebro. Para reduzir a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz durante a noite pode come\u00e7ar com pequenas mudan\u00e7as na sua rotina de relaxamento. Limite o tempo de exposi\u00e7\u00e3o aos ecr\u00e3s tanto quanto poss\u00edvel e desligue as luzes da casa que n\u00e3o sejam necess\u00e1rias quatro horas antes de se deitar, recomenda Julio Fernandez-Mendoza, psic\u00f3logo cl\u00ednico e diretor da \u00e1rea de medicina comportamental e do sono no Penn State Health Sleep Research and Treatment Center, numa resposta por email. Este especialista n\u00e3o participou no estudo referido neste artigo.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o for poss\u00edvel desligar as luzes, procure utilizar ilumina\u00e7\u00e3o fraca ou quente, em vez de luzes fortes no teto, aponta Windred. No seu quarto, evite usar despertadores com brilho ou, se poss\u00edvel, dormir perto das janelas. As cortinhas opacas ou que bloqueiam a luz podem ser \u00fateis, bem como uma m\u00e1scara de dormir sobre os olhos.<\/p>\n<p>Segundo apuraram os autores do estudo, este trabalho representa \u201co maior estudo conhecido\u201d a fazer associa\u00e7\u00f5es de longo prazo entre a exposi\u00e7\u00e3o individual \u00e0 luz e o risco de doen\u00e7as cardiovasculares, escrevem.<\/p>\n<p>\u201cAnalis\u00e1mos 13 milh\u00f5es de horas de dados relativos \u00e0 luz, para quase 89 mil pessoas\u201d, descreve Windred por e-mail. A investiga\u00e7\u00e3o assenta em estudos anteriores, que encontraram associa\u00e7\u00f5es semelhantes, tendo estabelecido a perturba\u00e7\u00e3o dos ritmos circadianos como um fator de risco conhecido para uma sa\u00fade cardiovascular deficiente.<\/p>\n<p>Os ritmos circadianos s\u00e3o ciclos de 24 horas \u201cem praticamente todas as c\u00e9lulas e tecidos do nosso corpo, incluindo o nosso sistema cardiovascular\u201d, simplifica Windred. Este rel\u00f3gio interno controla os ciclos de sono e vig\u00edlia, utilizando a luz como um sinal para ficar acordado e a escurid\u00e3o como um sinal para adormecer.<\/p>\n<p>O poss\u00edvel impacto da luz na sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Os participantes deste estudo, com idade m\u00e9dia de 62 anos, tinham integrado o estudo UK Biobank, que acompanha indicadores de sa\u00fade de mais de meio milh\u00e3o de pessoas com idades entre os 40 e 69 anos no Reino Unido desde 2006.<\/p>\n<p>Estes participaram usaram rastreadores de luz durante uma semana, entre 2013 e 2022. De seguida, foram monitorados no que respeita a determinados indicadores de sa\u00fade, em m\u00e9dia, durante nove anos. \u00c9, segundo Fernandez-Mendoza, um dos fatores que torna \u201co estudo \u00fanico e altamente inovador\u201d. Foram exclu\u00eddas as pessoas que j\u00e1 tinham problemas cardiovasculares antes do per\u00edodo de rastreamento.<\/p>\n<p>Os participantes expostos a uma luz mais intensa tamb\u00e9m apresentaram um risco 47% maior de ter um ataque card\u00edaco bem como um risco 32% maior de desenvolver fibrila\u00e7\u00e3o atrial. A fibrila\u00e7\u00e3o atrial \u00e9 um ritmo card\u00edaco irregular, tr\u00e9mulo ou frequentemente r\u00e1pido, que resulta de um batimento dessincronizado das c\u00e2maras superiores do cora\u00e7\u00e3o, os chamados \u00e1trios, com as c\u00e2maras inferiores, os ventr\u00edculos. As mulheres tinham maior probabilidade de insufici\u00eancia card\u00edaca e doen\u00e7a arterial coron\u00e1ria. J\u00e1 os jovens eram mais afetados pela insufici\u00eancia card\u00edaca e pela fibrila\u00e7\u00e3o atrial.<\/p>\n<p>Como a luz pode afetar o seu ritmo circadiano<\/p>\n<p>O estudo s\u00f3 mostra, contudo, uma liga\u00e7\u00e3o: n\u00e3o prova que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz cause problemas cardiovasculares. \u201cPode haver outras diferen\u00e7as nas pessoas expostas \u00e0 luz durante a noite que s\u00e3o respons\u00e1veis pelo maior risco de doen\u00e7as card\u00edacas\u201d, refere Tim Chico, professor de medicina cardiovascular da University of Sheffield, em Inglaterra, numa declara\u00e7\u00e3o fornecida pelo Science Media Centre. Chico n\u00e3o participou no estudo referido neste artigo.<\/p>\n<p>Ainda assim, as associa\u00e7\u00f5es continuaram a ser significativas depois de terem sido considerados os n\u00edveis de atividade f\u00edsica, o tabagismo, o consumo de \u00e1lcool, a dieta, o trabalho por turnos, bem como outros fatores potencialmente influentes, afirmam os autores. A curta dura\u00e7\u00e3o do sono s\u00f3 afetou algumas das conclus\u00f5es, como as relativas ao AVC.<\/p>\n<p>O estudo \u00e9 tamb\u00e9m \u201cum dos poucos a apresentar evid\u00eancias convincentes de que a alta exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz durante o dia, por exemplo, ap\u00f3s acordar de manh\u00e3, est\u00e1 associada \u00e0 boa sa\u00fade cardiovascular\u201d, afirma Fernandez-Mendoza.<\/p>\n<p>J\u00e1 se tinha descoberto que a perturba\u00e7\u00e3o dos ritmos circadianos pela luz desregula v\u00e1rios processos cardiovasculares e metab\u00f3licos, por exemplo, ao danificar as c\u00e9lulas que ajudam as art\u00e9rias a funcionar corretamente, causando hipertens\u00e3o arterial e aumentando o risco de doen\u00e7as associadas, referem os autores. A perturba\u00e7\u00e3o circadiana tamb\u00e9m pode contribuir para uma maior tend\u00eancia de o sangue formar co\u00e1gulos, o que pode levar a acidentes vasculares cerebrais e ataques card\u00edacos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que o corpo responda \u00e0 luz durante a noite \u201ccomo um fator de stress, um evento indesejado\u201d, o que o leva a ativar uma \u201cfrequ\u00eancia card\u00edaca elevada e anormal, hormonas de stress, glicose, insulina e inflama\u00e7\u00e3o\u201d, aponta Fernandez-Mendoza.<\/p>\n<p>Dois dos autores do estudo s\u00e3o cofundadores da Circadian Health Innovations, que fabrica um sensor de luz utilizado no pulso. Contudo, a empresa n\u00e3o teve qualquer papel no estudo nem fabricou o monitor utilizado pelos participantes do estudo \u2014 nem a outra empresa com a qual um cofundador da Circadian Health Innovations tem uma patente relevante pendente na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Dada a falta de diversidade dos participantes \u2014 97% eram brancos \u2014 e de detalhes sobre a qualidade do sono, bem como o breve per\u00edodo de monitoriza\u00e7\u00e3o da luz, s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos para compreender como as altera\u00e7\u00f5es na ilumina\u00e7\u00e3o podem reduzir o risco de doen\u00e7as cardiovasculares, escrevem os investigadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sabemos, h\u00e1 muito, que desligar as luzes \u00e0 noite ajuda a ter um sono reparador. 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