{"id":187563,"date":"2025-12-14T07:49:10","date_gmt":"2025-12-14T07:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/187563\/"},"modified":"2025-12-14T07:49:10","modified_gmt":"2025-12-14T07:49:10","slug":"a-melhor-prevencao-da-prematuridade-e-o-bom-pre-natal-diz-especialista-em-gravidez-de-alto-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/187563\/","title":{"rendered":"&#8216;A melhor preven\u00e7\u00e3o da prematuridade \u00e9 o bom pr\u00e9-natal&#8217;, diz especialista em gravidez de alto risco"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" content-text__container theme-color-primary-first-letter\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A prematuridade afeta mais de 15 milh\u00f5es de beb\u00eas todos os anos no mundo. No Brasil, cerca de 30% dos nascimentos s\u00e3o prematuros e a prematuridade est\u00e1 entre as principais causas de interna\u00e7\u00e3o em UTIs neonatais. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Entre especialistas, h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que esse n\u00famero vem crescendo devido a diversos fatores, incluindo o crescimento de gesta\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas, doen\u00e7as cr\u00f4nicas da gestante e condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas da gravidez. Para entender melhor esse cen\u00e1rio, assim como as poss\u00edveis consequ\u00eancias da prematuridade para o futuro da crian\u00e7a, assim como as formas de preveni-la, O GLOBO conversou com o ginecologista e obstetra, Bruno Alencar, diretor da Perinatal, no Rio de Janeiro. Confira a entrevista na \u00edntegra. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Qual \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de prematuridade? <\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Prematuridade \u00e9 todo aquele beb\u00ea que nasce antes das 37 semanas. Depois entre 37 e 42 \u00e9 o que a gente chama de beb\u00ea a termo. Esse per\u00edodo de \u201ctermo\u201d \u00e9 subdividido em termo precoce, entre 37 e 39 semanas; termo ideal, que \u00e9 de 39 a 41 semanas, e o termo tardio, que \u00e9 ap\u00f3s 41 semanas e isso tem muito impacto nas interna\u00e7\u00f5es de UTI neonatal, principalmente falando em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, ou pa\u00edses que t\u00eam \u00edndices de ces\u00e1rea muito altos. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Voc\u00ea poderia explicar melhor o por qu\u00ea disso?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A gente acaba fazendo ces\u00e1rias agendadas de pacientes que s\u00e3o considerados termos porque j\u00e1 passaram as 37 semanas. Mas nesse per\u00edodo, os beb\u00eas ainda n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o maduros e acabam precisando de interna\u00e7\u00e3o em UTI neonatal para fazer adapta\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, porque foram tirados antes do tempo ideal. Isso \u00e9 uma propor\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m importante e, infelizmente, um ponto negativo de um pa\u00eds em que se ainda fazem muitas ces\u00e1rias eletivas, sem trabalho de parto, sem indica\u00e7\u00e3o absoluta, e acaba acarretando em mais interna\u00e7\u00f5es em UTI neonatal. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>A prematuridade est\u00e1 aumentando no Brasil? <\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Sim, a prematuridade est\u00e1 aumentando no Brasil e no mundo por v\u00e1rios fatores. Um dos principais hoje \u00e9 um pouco da mudan\u00e7a de idade da m\u00e3e. Antigamente, voc\u00ea tinha as mulheres tendo filho mais jovens, na faixa dos 20 e tantos, 30 e poucos anos. Hoje, a gente observa que as mulheres est\u00e3o tendo filho p\u00f3s 35, 37, 38, anos. No ano passado, eu fiz tr\u00eas partos acima dos 50 anos de idade, por exemplo. Infelizmente, a idade traz um aumento no risco de complica\u00e7\u00e3o. Uma mulher mais madura tem mais risco de ter press\u00e3o alta na gravidez, de ter diabetes, que s\u00e3o as doen\u00e7as que acabam acarretando e provocando o parto prematuro. Outra coisa \u00e9 o aumento de crian\u00e7as vindas de fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro. A fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro, apesar de estar super evolu\u00edda e ter melhorado muito os resultados, tamb\u00e9m est\u00e1 associada a um aumento de risco cl\u00ednico, aumento de insufici\u00eancia placent\u00e1ria, press\u00e3o alta e mesmo de diabetes. Ent\u00e3o, a mulher que fez uma fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro tem que ter um pr\u00e9-natal mais r\u00edgido. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Tem outros fatores de risco que aumentam a o risco de prematuridade? <\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> As doen\u00e7as cl\u00ednicas, principalmente diabetes e pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia &#8211; que \u00e9 a hipertens\u00e3o da gravidez &#8211; est\u00e1 muito associada \u00e0 prematuridade. Na diabetes gestacional, quando identificada precocemente e bem controlada, conseguimos levar a gesta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o termo. A pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia, que \u00e9 a hipertens\u00e3o, tamb\u00e9m tende a ser controlada, mas n\u00e3o t\u00e3o bem quanto a diabetes porque a pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia \u00e9 um dist\u00farbio da placenta e, infelizmente, tende a sempre piorar. Ent\u00e3o, o nosso trabalho como obstetra numa paciente que sofre com hipertens\u00e3o, \u00e9 de tentar levar o mais longe poss\u00edvel sem oferecer risco para o beb\u00ea. Tamb\u00e9m t\u00eam outras situa\u00e7\u00f5es situa\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas que aumentam o risco, como m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es uterinas, quem passou por uma cirurgia no colo de \u00fatero. Outras situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais corriqueiras, como infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria, que \u00e9 um fator importante para desencadear um par prematuro porque a infec\u00e7\u00e3o da bexiga pode gerar uma infec\u00e7\u00e3o uterina que desencadeia contra\u00e7\u00e3o ou ruptura da bolsa. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Mas esse alerta n\u00e3o deveria vir do pr\u00f3prio m\u00e9dico, mesmo que a gestante queira marcar o parto nesse per\u00edodo? <\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Sim. \u00c9 um dever do obstetra tamb\u00e9m proteger o beb\u00ea. No pr\u00e9-natal, eu converso muito com as minhas pacientes. \u00c0s vezes a paciente chega no final da gesta\u00e7\u00e3o cansada por conta do peso da barriga, muita azia, falta de ar e vontade de fazer xixi freq\u00fcente. Ent\u00e3o elas pedem \u201cpelo amor de Deus, faz o meu parto, n\u00e3o aguento mais\u201d. Mas eu refor\u00e7o que eu tenho um dever com o beb\u00ea, com a maturidade do beb\u00ea. Ent\u00e3o, para fazermos um parto a pedido, e deixando claro que isso hoje \u00e9 considerado \u00e9tico pelo Conselho Federal de Medicina e a Sociedade de Ginecologia e Obstetr\u00edcia, a boa pr\u00e1tica determina que s\u00f3 seja feito ap\u00f3s 39 semanas. Dessa forma, tem uma garantia melhor de maturidade do sistema respirat\u00f3rio, que \u00e9 \u00faltimo que fica pronto antes de nascer. \u00c0s vezes o beb\u00ea t\u00e1 todo prontinho, tem peso bom e tudo, mas o pulm\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente amadurecido e ele sofre com adapta\u00e7\u00e3o quando vem respirar o ar ambiente. Quando fazemos isso p\u00f3s 39 semanas, h\u00e1 maior chance de o beb\u00ea n\u00e3o precisar de nenhum suporte respirat\u00f3rio. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>\u00c9 poss\u00edvel prevenir o parto prematuro? <\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A melhor preven\u00e7\u00e3o \u00e9 o bom pr\u00e9-natal. Acho que n\u00e3o existe outra a\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje no cuidado da mulher gr\u00e1vida que teve tanto impacto na melhora da mortalidade materna e neonatal quanto consulta de pr\u00e9-natal. No caso da infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria, por exemplo, que \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o comum na mulher e mais ainda na mulher gr\u00e1vida, fazer exames peri\u00f3dicos de urina e examinar a paciente para ver se ela n\u00e3o tem uma vaginite, secre\u00e7\u00e3o ou irrita\u00e7\u00e3o vaginal que possa provocar uma infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria ou uterina \u00e9 muito importante para prevenir o parto prematuro. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>E o que seria um bom pr\u00e9-natal? <\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Um bom pr\u00e9-natal \u00e9 voc\u00ea conseguir fazer pelo menos 7 a 10 consultas durante a gravidez, \u00e9 fazer exames peri\u00f3dicos laboratoriais de sangue e de urina e ter a medida da press\u00e3o e da glicose aferidas. Se voc\u00ea faz isso periodicamente durante os 9 meses da gravidez, voc\u00ea vai garantir que o m\u00e9dico poder\u00e1 identificar qualquer altera\u00e7\u00e3o na sua sa\u00fade precocemente, podendo agir e te tratar prevenindo o parto prematuro. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Quais s\u00e3o os riscos do parto prematuro para o beb\u00ea e tamb\u00e9m para a m\u00e3e?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Um beb\u00ea menor tem menos defesa. Ele ainda n\u00e3o tem o seu sistema imunol\u00f3gico nem respirat\u00f3rio totalmente desenvolvido. Ent\u00e3o, ele tem mais risco de infec\u00e7\u00e3o, tem mais necessidade de suporte para se alimentar porque ele ainda n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a para sugar. N\u00e3o t\u00eam for\u00e7a, \u00e0s vezes, para respirar. Usamos a musculatura intercostal para respirar, a gente expande o t\u00f3rax. O beb\u00ea que \u00e9 muito pequenininho, mais fraco, cansa de respirar porque a musculatura n\u00e3o est\u00e1 bem desenvolvida. Ent\u00e3o, precisa de suporte ventilat\u00f3rio. E tudo que a gente acaba precisando invadir, incrementa risco de infec\u00e7\u00e3o, de hemorragia. Para a m\u00e3e, os riscos est\u00e3o mais associados \u00e0quilo que provocou o parto prematuro, ent\u00e3o \u00e0 pr\u00e9-ecl\u00e2ncia, \u00e0 diabetes, a uma infec\u00e7\u00e3o uterina. E tem um pouco de incremento de risco tamb\u00e9m do pr\u00f3prio parto, quando \u00e9 ces\u00e1rea porque como o \u00fatero ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente expandido, tem mais risco de sangramento do que uma ces\u00e1rea num \u00fatero \u00e0 termo porque ele est\u00e1 mais distendido, \u00e9 mais fino mais f\u00e1cil de abrir. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>A prematuridade deixa sequelas para a crian\u00e7a? <\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Nesse ponto entra a quest\u00e3o do cuidado perinatal. Tem que ter uma estrutura de UTI neonatal que permita entregar todo um cuidado multidisciplinar para esse beb\u00ea para que ele n\u00e3o tenha sequela e, hoje, isso \u00e9 totalmente normal. Tem todo um time que vai cuidar desse beb\u00ea, que vai aliment\u00e1-lo, que vai ajud\u00e1-lo a respirar, que vai prevenir infec\u00e7\u00e3o, que vai hidrat\u00e1-lo para que ele, quando chegue no ponto ideal, tenha alta sem nenhuma sequela. Os pr\u00e9-requisitos para liberar um beb\u00ea para casa s\u00e3o ter mais de 2 kg, estar conseguindo mamar sozinho e respirando ar ambiente. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Todo beb\u00ea prematuro vai para a UTI neonatal?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Sim, porque o beb\u00ea prematuro exige uma vigil\u00e2ncia mais rigorosa, e isso a gente s\u00f3 consegue dar em UTI neonatal. Quando falamos em UTI, sempre pensamos em complexidade. Mas a UTI neonatal \u00e9 organizada em clusters. Ent\u00e3o, a gente tem os beb\u00eas de mais gravidade, de m\u00e9dia gravidade e de baixa gravidade. Por exemplo, um beb\u00ea que nasceu com 35 semanas, pesa 1,8 kg e que est\u00e1 ali fazendo uma adapta\u00e7\u00e3o, principalmente da parte digestiva e que respira o mesmo ar que n\u00f3s estamos respirando. E tem um beb\u00ea de 27 semanas, que pesa 750 gramas e est\u00e1 precisando de aux\u00edlio para respirar com tubo, nutri\u00e7\u00e3o parenteral ou que tem uma gastrostomia. Ent\u00e3o, eles ficam em ambientes diferentes na UTI neonatal, onde as necessidades de cuidado para cada paciente \u00e9 dividida. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Na sua opini\u00e3o, quais foram os avan\u00e7os que mais ajudaram na quest\u00e3o da prematuridade? <\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Eu diria que s\u00e3o dois caminhos. O primeiro \u00e9 o pr\u00f3prio cuidado dentro da UTI neonatal. A taxa de sucesso das UTIs neonatais hoje \u00e9 muito melhor e maior do que h\u00e1, 10, 20 anos. Hoje, quando eu recebo um beb\u00ea de 1kg, eu sei que a sobrevida dele \u00e9 muito alta comparada ao que era h\u00e1 15 anos atr\u00e1s. Por exemplo, para um beb\u00ea que nasce de 25 semanas, a taxa de sobrevida na d\u00e9cada de 90 era de 40%. Hoje, est\u00e1 em 70%, segundo dados da Rede Vermont de Neonatologia. Isso \u00e9 importante porque melhorou o cuidado do UTI neonatal, melhorou o que a gente tem de equipamento, melhorou o conhecimento sobre suporte nutricional e ventilat\u00f3rio. Isso faz muita diferen\u00e7a no desfecho do beb\u00ea prematuro. E a segunda coisa que melhoramos \u00e9 o cuidado obst\u00e9trico. Hoje, temos a capacidade de fazer mais exames que identificam o risco de parto prematuro, que s\u00e3o exames de sangue, de ultrassonografia at\u00e9 do l\u00edquido amni\u00f3tico, para entender a maturidade do beb\u00ea, do pulm\u00e3o do beb\u00ea para tentar diminuir a chance de parto prematuro. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A prematuridade afeta mais de 15 milh\u00f5es de beb\u00eas todos os anos no mundo. 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