{"id":188583,"date":"2025-12-15T00:18:14","date_gmt":"2025-12-15T00:18:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/188583\/"},"modified":"2025-12-15T00:18:14","modified_gmt":"2025-12-15T00:18:14","slug":"cientistas-desenvolvem-mini-coracao-humano-para-estudos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/188583\/","title":{"rendered":"Cientistas desenvolvem mini cora\u00e7\u00e3o humano para estudos"},"content":{"rendered":"<p class=\"fitec-embcmp\"><a href=\"https:\/\/profile.google.com\/cp\/CgsvZy8xMjFqY2oxMw\" target=\"_blank\" class=\"ftecmp-button\" rel=\"nofollow noopener\">Siga o Olhar Digital no Google Discover<\/a><\/p>\n<p>Cientistas da Michigan State University (MSU) (EUA) desenvolveram um <strong>mini cora\u00e7\u00e3o humano<\/strong> em laborat\u00f3rio capaz de <strong>reproduzir<\/strong> a <strong>fibrila\u00e7\u00e3o atrial<\/strong>, conhecida como A-fib, um tipo de arritmia caracterizada por <strong>batimentos irregulares e frequentemente acelerados<\/strong>.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o afeta cerca de <strong>60 milh\u00f5es<\/strong> de pessoas em todo o mundo, mas n\u00e3o recebe novos tratamentos h\u00e1 pelo menos <strong>30 anos<\/strong>, em grande parte pela falta de modelos precisos do cora\u00e7\u00e3o humano para pesquisa.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o \u00e9 resultado de estudos liderados pelo pesquisador <strong>Aitor Aguirre<\/strong>, professor associado de engenharia biom\u00e9dica e chefe da divis\u00e3o de biologia do desenvolvimento e de c\u00e9lulas-tronco do Institute for Quantitative Health Science and Engineering da MSU, que desde <strong>2020<\/strong> trabalha no desenvolvimento de pequenos modelos tridimensionais funcionais do cora\u00e7\u00e3o humano, conhecidos como <strong>organoides<\/strong>.<\/p>\n<p>Recentemente, esses organoides passaram a ser modificados para replicar a fibrila\u00e7\u00e3o atrial, abrindo novas possibilidades para o estudo da doen\u00e7a e o desenvolvimento de terapias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/mini_coracao_2-1024x1024.jpg\" alt=\"Esquema relatando os avan\u00e7os no mini cora\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-1233320\"  \/>Este esquema resume os principais avan\u00e7os e descobertas do artigo recente publicado na revista Cell Stem Cell . Gr\u00e1fico cedido pelo laborat\u00f3rio Aguirre da Universidade Estadual de Michigan (Imagem: Michigan State University)Organoides do tamanho de uma lentilha<\/p>\n<ul>\n<li>Com aproximadamente o tamanho de uma <strong>lentilha<\/strong>, os organoides card\u00edacos s\u00e3o t\u00e3o precisos que permitem aos pesquisadores estudar o desenvolvimento do cora\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as e respostas a medicamentos de maneiras que antes n\u00e3o eram poss\u00edveis, explica o <a href=\"https:\/\/medicalxpress.com\/news\/2025-12-scientists-mini-human-heart-organoid.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">MedicalXpress<\/a>;<\/li>\n<li>O batimento r\u00edtmico dessas estruturas \u00e9 suficientemente forte para ser observado a olho nu, <strong>sem o uso de microsc\u00f3pio<\/strong>;<\/li>\n<li>Os organoides s\u00e3o produzidos a partir de <strong>c\u00e9lulas-tronco humanas<\/strong> doadas, capazes de se diferenciar em diversos tipos celulares e fundamentais para o crescimento e a repara\u00e7\u00e3o de tecidos ao longo da vida;<\/li>\n<li>Segundo os pesquisadores, trata-se de verdadeiros <strong>mini cora\u00e7\u00f5es<\/strong>, com estruturas semelhantes a c\u00e2maras e redes vasculares que incluem art\u00e9rias, veias e capilares.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Inclus\u00e3o de c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico no mini cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O mais recente marco do laborat\u00f3rio de Aguirre foi alcan\u00e7ado pelo estudante de medicina osteop\u00e1tica e pesquisador <strong>Colin O\u2019Hern<\/strong>, que <strong>adicionou<\/strong> c\u00e9lulas do <strong>sistema imunol\u00f3gico<\/strong> aos organoides. No desenvolvimento do cora\u00e7\u00e3o humano, essas c\u00e9lulas imunes, chamadas <strong>macr\u00f3fagos<\/strong>, ajudam a garantir o crescimento e a forma\u00e7\u00e3o adequados do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a inclus\u00e3o dessas c\u00e9lulas, os pesquisadores conseguiram induzir <strong>inflama\u00e7\u00e3o<\/strong> nos organoides, provocando um batimento card\u00edaco irregular que imita a fibrila\u00e7\u00e3o atrial. De acordo com O\u2019Hern, o novo modelo permite <strong>observar diretamente<\/strong> o funcionamento de tecido card\u00edaco humano vivo, algo que <strong>n\u00e3o era poss\u00edvel at\u00e9 agora<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cQuando adicionamos mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias, as c\u00e9lulas card\u00edacas come\u00e7aram a bater irregularmente. Ent\u00e3o, introduzimos um <strong>medicamento<\/strong> anti-inflamat\u00f3rio e o ritmo <strong>normalizou parcialmente<\/strong>. Foi <strong>incr\u00edvel<\/strong> ver isso acontecer\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Atualmente, os tratamentos dispon\u00edveis para fibrila\u00e7\u00e3o atrial tendem a atuar apenas nos <strong>sintomas<\/strong>, e n\u00e3o nos mecanismos subjacentes da doen\u00e7a. O desenvolvimento de novos medicamentos enfrenta dificuldades porque <strong>n\u00e3o existem<\/strong> modelos animais confi\u00e1veis que reproduzam com precis\u00e3o a condi\u00e7\u00e3o. Para Aguirre, o novo modelo pode mudar esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cEste novo modelo consegue replicar uma condi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no cerne dos problemas m\u00e9dicos de muitas pessoas\u201d, disse o pesquisador. \u201cEle vai possibilitar muitos avan\u00e7os m\u00e9dicos, de modo que os pacientes podem esperar um desenvolvimento terap\u00eautico acelerado, mais medicamentos chegando ao mercado, medicamentos mais seguros e tamb\u00e9m mais baratos, porque as empresas poder\u00e3o desenvolver mais op\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"660\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/celulas-tronco-1024x660.jpg\" alt=\"Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de c\u00e9lulas tronco\" class=\"wp-image-1226869\"  \/>\u00d3rg\u00e3os s\u00e3o produzidos a partir de c\u00e9lulas-tronco humanas (Imagem: Anusorn Nakdee\/Shutterstock)Avan\u00e7os no entendimento do cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>No estudo, O\u2019Hern e os demais pesquisadores demonstraram que c\u00e9lulas imunes inatas de longa dura\u00e7\u00e3o, residentes em \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos, ajudam a <strong>orientar<\/strong> o desenvolvimento e o ritmo do cora\u00e7\u00e3o. Essas descobertas tamb\u00e9m contribuem para a compreens\u00e3o das <strong>origens<\/strong> de dist\u00farbios card\u00edacos cong\u00eanitos, que est\u00e3o entre os defeitos de nascimento <strong>mais comuns<\/strong> em humanos.<\/p>\n<p>Os cientistas avan\u00e7aram ainda mais ao desenvolver um sistema capaz de \u201c<strong>envelhecer<\/strong>\u201d os organoides, fazendo com que se assemelhem a cora\u00e7\u00f5es adultos. Isso foi alcan\u00e7ado pela exposi\u00e7\u00e3o das estruturas a n\u00edveis de inflama\u00e7\u00e3o semelhantes aos que levam \u00e0 fibrila\u00e7\u00e3o atrial.<\/p>\n<p>Para demonstrar a utilidade pr\u00e1tica do modelo, a equipe introduziu um medicamento anti-inflamat\u00f3rio que, com base nos resultados do estudo, era previsto como eficaz no tratamento da A-fib. O tratamento restaurou o ritmo card\u00edaco normal nos organoides.<\/p>\n<p>Segundo Aguirre, a adi\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas torna os modelos <strong>mais fisiologicamente precisos do que nunca<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cAgora estamos vendo como o pr\u00f3prio sistema imunol\u00f3gico do cora\u00e7\u00e3o contribui tanto para a sa\u00fade quanto para a doen\u00e7a\u201d, afirmou. \u201cIsso nos d\u00e1 uma <strong>vis\u00e3o sem precedentes<\/strong> de como a inflama\u00e7\u00e3o pode causar arritmias e como os medicamentos podem interromper esse processo.\u201d<\/p>\n<p>Impacto para pesquisas e tratamentos futuros<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de modelos humanos fisiologicamente precisos e a impossibilidade de testar diretamente em cora\u00e7\u00f5es humanos t\u00eam limitado, por d\u00e9cadas, a descoberta de novas terapias para arritmias como a fibrila\u00e7\u00e3o atrial.<\/p>\n<p>\u201cNosso novo modelo de organoide de cora\u00e7\u00e3o humano est\u00e1 <strong>prestes a acabar<\/strong> com essa seca de 30 anos sem a necessidade de novos medicamentos ou terapias\u201d, disse Aguirre.<\/p>\n<p>As tecnologias de organoides humanos desenvolvidas pelo grupo est\u00e3o alinhadas \u00e0 miss\u00e3o <strong>New Approach Methodologies<\/strong>, do National Institutes of Health (NIH), que busca modernizar a pesquisa translacional e melhorar a capacidade preditiva de testes pr\u00e9-cl\u00ednicos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Atualmente, pesquisadores da MSU colaboram com empresas farmac\u00eauticas e de biotecnologia para testar compostos e <strong>garantir<\/strong> que eles <strong>n\u00e3o causem danos<\/strong> ao cora\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que <strong>previnem<\/strong> arritmias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/cardiologista-1024x683.jpg\" alt=\"M\u00e9dico cardiologista com modelo de cora\u00e7\u00e3o em mesa de cl\u00ednica\" class=\"wp-image-1133802\"  \/>Estudo tem potencial para pesquisas relacionadas ao cora\u00e7\u00e3o (Imagem: manassanant pamai \/ iStock)<\/p>\n<p>O grupo de Aguirre j\u00e1 publicou diversos estudos na \u00e1rea, consolidando a Michigan State University como uma refer\u00eancia global em pesquisas com organoides card\u00edacos humanos. Segundo o pesquisador, novos avan\u00e7os devem ser anunciados <strong>em breve<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cNossa vis\u00e3o a longo prazo \u00e9 <strong>desenvolver modelos card\u00edacos personalizados<\/strong> derivados de <strong>c\u00e9lulas de pacientes<\/strong> para medicina de precis\u00e3o e gerar tecidos card\u00edacos prontos para <strong>transplante<\/strong> um dia\u201d, afirmou Aguirre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Aguirre e O\u2019Hern, tamb\u00e9m participaram do estudo Christopher Contag, Nureddin Ashammakhi e Sangbum Park, do Institute for Quantitative Health Science and Engineering da MSU; Nagib Chalfoun, da Corewell Health; e Chao Zhou, da Washington University.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo foram publicados na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1934590925003674\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">Cell Stem Cell<\/a>.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Siga o Olhar Digital no Google Discover Cientistas da Michigan State University (MSU) (EUA) desenvolveram um mini cora\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":188584,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-188583","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115720716963320036","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=188583"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188583\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/188584"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=188583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=188583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=188583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}