{"id":188986,"date":"2025-12-15T09:19:11","date_gmt":"2025-12-15T09:19:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/188986\/"},"modified":"2025-12-15T09:19:11","modified_gmt":"2025-12-15T09:19:11","slug":"modelo-brasileiro-simula-vida-microbiana-em-lagos-de-marte-15-12-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/188986\/","title":{"rendered":"Modelo brasileiro simula vida microbiana em lagos de Marte &#8211; 15\/12\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores associados ao Laborat\u00f3rio de Astrobiologia da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de S\u00e3o Paulo (AstroLab-<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/usp\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">USP<\/a>) desenvolveram um novo modelo que permite estimar a sobreviv\u00eancia de vida microbiana sujeita a radia\u00e7\u00e3o ultravioleta em \u00e1gua l\u00edquida com diferentes concentra\u00e7\u00f5es de \u00edons de ferro. A ferramenta te\u00f3rica \u00e9 relevante para simular a habitabilidade de lagos que devem ter existido na superf\u00edcie marciana primitiva, h\u00e1 mais de 3 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.liebertpub.com\/doi\/abs\/10.1177\/15311074251399206\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo <\/a>foi publicado no m\u00eas passado na revista Astrobiology e desenvolvido no \u00e2mbito de dois projetos financiados pela Fapesp, um aux\u00edlio regular e um tem\u00e1tico. Os pesquisadores exploraram como \u00edons de ferro (Fe+3) podem proteger microrganismos em \u00e1gua l\u00edquida ao absorver radia\u00e7\u00e3o ultravioleta de tipo C, que a atmosfera rarefeita marciana n\u00e3o bloqueia \u2013e \u00e9 especialmente nociva \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Desenvolvido a partir de experimentos com a levedura Saccharomyces boulardii, um probi\u00f3tico comumente utilizado na restaura\u00e7\u00e3o da flora intestinal, o modelo mostra que microrganismos poderiam ter sobrevivido \u00e0 incid\u00eancia de ultravioleta nos antigos lagos de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/marte\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Marte<\/a>.<\/p>\n<p>A literatura cient\u00edfica j\u00e1 vem detalhando a capacidade protetiva do ferro presente no regolito que cobre a atual superf\u00edcie seca de Marte. &#8220;E pesquisas tamb\u00e9m j\u00e1 examinaram a prote\u00e7\u00e3o ao ultravioleta dada pelo ferro em solu\u00e7\u00f5es aquosas, mas utilizando uma modelagem muito complexa, dif\u00edcil de ser aplicada&#8221;, explica o engenheiro qu\u00edmico Gabriel Gon\u00e7alves Silva, pesquisador no AstroLab.<\/p>\n<p>Primeiro autor do artigo, Silva esclarece que esses modelos anteriores n\u00e3o permitiam estimativas detalhadas da viabilidade de microrganismos com ajustes finos para n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00f5es de \u00edons. &#8220;Quer\u00edamos uma modelagem simples que servisse a esses prop\u00f3sitos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para desenvolver o modelo, os pesquisadores colocaram amostras de S. boulardii em solu\u00e7\u00f5es aquosas com diferentes concentra\u00e7\u00f5es de Fe+3. Depois, submeteram as amostras a crescentes n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o ultravioleta para medir a taxa de sobreviv\u00eancia dos microrganismos. A levedura foi escolhida como modelo porque \u00e9 bastante sens\u00edvel ao ultravioleta e suporta alta acidez \u2013tanto \u00e9 que passa pelo suco g\u00e1strico quando aplicada em tratamentos da sa\u00fade digestiva.<\/p>\n<p>Os experimentos mostraram que mesmo uma concentra\u00e7\u00e3o relativamente baixa de \u00edons de ferro \u00e9 capaz de proteger a levedura da radia\u00e7\u00e3o ultravioleta perto da superf\u00edcie. Os microrganismos foram capazes de sobreviver \u00e0 incid\u00eancia do ultravioleta o suficiente para que sua taxa de reprodu\u00e7\u00e3o compensasse as mortes causadas pela radia\u00e7\u00e3o. &#8220;Nessa conta, entra n\u00e3o apenas quanto o ferro protege, mas tamb\u00e9m quanto os microrganismos demoram para se reproduzir e manter a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1vel&#8221;, ressalta Ana Paula Schiavo, p\u00f3s-doutoranda no Instituto de Qu\u00edmica da USP e coautora do estudo.<\/p>\n<p>Para testar a validade do modelo, os pesquisadores compararam suas predi\u00e7\u00f5es de viabilidade dos microrganismos com as observa\u00e7\u00f5es da taxa de sobreviv\u00eancia da levedura nos experimentos. Aplicado a simula\u00e7\u00f5es dos lagos marcianos, o modelo aponta que sua profundidade m\u00ednima habit\u00e1vel pode ter sido de apenas 1 cent\u00edmetro para a levedura testada \u2013muito pr\u00f3xima da superf\u00edcie\u2013 e de cerca de 1 metro para outro microrganismo muito estudado no contexto marciano, o Acidithiobacillus ferrooxidans. &#8220;O modelo nos d\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade dos lagos marcianos&#8221;, diz Schiavo.<\/p>\n<p>Na superf\u00edcie marciana atual, a presen\u00e7a de jarosita, um mineral formado em \u00e1gua l\u00edquida com alta acidez, \u00e9 um dos ind\u00edcios de que Marte j\u00e1 teve lagos em um passado remoto. A cratera Jezero, explorada pelo rover Perseverance da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/nasa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nasa<\/a>, provavelmente j\u00e1 abrigou um lago de at\u00e9 30 metros de profundidade. A jarosita tamb\u00e9m indica que os lagos marcianos tinham um teor consider\u00e1vel de Fe+3, que acidificam a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Por isso, o resultado do estudo refor\u00e7a a hip\u00f3tese de que lagos marcianos primitivos foram habit\u00e1veis, pois provavelmente forneciam prote\u00e7\u00e3o contra o ultravioleta.<\/p>\n<p>Para Dimas Zaia, professor da Universidade Estadual de Londrina e pesquisador em qu\u00edmica prebi\u00f3tica, o estudo demonstra que microrganismos poderiam ter sobrevivido no ambiente marciano apesar das condi\u00e7\u00f5es extremas de radia\u00e7\u00e3o existentes. &#8220;\u00c9 um relevante suporte cient\u00edfico para a procura de formas de vida em Marte&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso grupo de pesquisa tem dado grande enfoque a organismos resistentes \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ultravioleta, pois essa fonte de estresse \u00e9 importante em regi\u00f5es de alta atmosfera da Terra e em ambientes extraterrestres, como Marte&#8221;, explica Fabio Rodrigues, diretor do AstroLab e coautor do artigo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos pesquisadores da USP, tamb\u00e9m assinam o trabalho cientistas da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFScar) e da Universidade Paulista (Unip).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadores associados ao Laborat\u00f3rio de Astrobiologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (AstroLab-USP) desenvolveram um novo modelo que permite&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":188987,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[9298,109,107,108,236,2559,1149,3536,2078,32,33,105,103,104,2560,106,110,3062],"class_list":{"0":"post-188986","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-agencia-fapesp","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-folha","13":"tag-marte","14":"tag-nasa","15":"tag-pesquisa-cientifica","16":"tag-planetas","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-science","20":"tag-science-and-technology","21":"tag-scienceandtechnology","22":"tag-sistema-solar","23":"tag-technology","24":"tag-tecnologia","25":"tag-universidade"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115722843959808599","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188986","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=188986"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/188986\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/188987"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=188986"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=188986"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=188986"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}