{"id":189235,"date":"2025-12-15T12:46:33","date_gmt":"2025-12-15T12:46:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/189235\/"},"modified":"2025-12-15T12:46:33","modified_gmt":"2025-12-15T12:46:33","slug":"viciados-em-agua-mais-de-40-de-espanha-em-risco-de-desertificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/189235\/","title":{"rendered":"&#8220;Viciados em \u00e1gua&#8221;: mais de 40% de Espanha em risco de desertifica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Almeria_02.jpg\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" class=\"ext-link\">Graeme Maclean\/Flickr<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-716796 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4bdc2c42f8a28c8d9b69df6c0111e33b-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Almer\u00eda, Espanha.<\/p>\n<p><strong>Agricultura de regadio, abandono \u201cde forma precipitada\u201d do mundo rural e desperd\u00edcio extremo de \u00e1gua na origem do problema.<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Mais de 40% do territ\u00f3rio espanhol est\u00e1 num processo de degrada\u00e7\u00e3o devido \u00e0 atividade humana que pode conduzir a <strong>desertifica\u00e7\u00e3o<\/strong>, segundo o primeiro \u201cAtlas da Desertifica\u00e7\u00e3o em Espanha\u201d, elaborado por cientistas de diversas universidades e publicado recentemente.<\/p>\n<p>\u201cEm Espanha, um dos pa\u00edses europeus mais vulner\u00e1veis \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da terra, a desertifica\u00e7\u00e3o avan\u00e7a em sil\u00eancio, mas com consequ\u00eancias palp\u00e1veis: <strong>perda de fertilidade do solo, retrocesso da vegeta\u00e7\u00e3o natural, incremento de inc\u00eandios florestais, diminui\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos e abandono de usos tradicionais do territ\u00f3rio<\/strong>\u201c, l\u00ea-se no atlas, coordenado pela Universidade de Alicante e pelo Conselho Superior de Investiga\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas de Espanha (CSIC), financiado por fundos europeus e que conta com contributos de dezenas de investigadores de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O que \u00e9 desertifica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Os coordenadores da publica\u00e7\u00e3o sublinham que desertifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de deserto ou de paisagens sem vegeta\u00e7\u00e3o e sem \u00e1reas verdes e que \u201cpara desencadear processos de degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso uma atividade humana inadequada, ou seja, aquela que utiliza recursos naturais acima da sua taxa de regenera\u00e7\u00e3o permanente\u201d.<\/p>\n<p>As Na\u00e7\u00f5es Unidas, lembram, definiram desertifica\u00e7\u00e3o como \u201cdegrada\u00e7\u00e3o das zonas \u00e1ridas, semi\u00e1ridas e sub-h\u00famidas secas como consequ\u00eancia de varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e atividades humanas\u201d.<\/p>\n<p>A culpa \u00e9 nossa<\/p>\n<p>No caso de Espanha, segundo este atlas, <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/file:\/\/\/Users\/tg\/Downloads\/Atlas%20de%20la%20desertificaci%C3%B3n%20de%20Espa%C3%B1a%20(web).pdf\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">publicado<\/a> no final de novembro, <strong>mais de 70% do territ\u00f3rio \u201cest\u00e1 em risco<\/strong> de sofrer processos de degrada\u00e7\u00e3o do solo e uma parte significativa j\u00e1 mostra sintomas preocupantes\u201d: 206.217 quil\u00f3metros quadrados <strong>(40,9% do pa\u00eds) sofrem j\u00e1 este tipo de degrada\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Os cientistas espanh\u00f3is chamam a aten\u00e7\u00e3o para os efeitos de atividades como a <strong>agricultura de regadio<\/strong>, mas tamb\u00e9m o <strong>abandono \u201cde forma precipitada\u201d do mundo rural.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA disponibilidade de \u00e1gua renov\u00e1vel numa regi\u00e3o espec\u00edfica\u201d \u00e9 \u201cum dos indicadores que melhor mostra esta press\u00e3o\u201d, neste caso, sobre os recursos h\u00eddricos, com Espanha a ter \u201cextensas \u00e1reas com <strong>\u2018stress\u2019 h\u00eddrico extremo alto\u201d<\/strong>, sendo o 29.\u00ba pa\u00eds a n\u00edvel mundial com maior valor neste indicador (3,94 numa escala at\u00e9 5).<\/p>\n<p>\u201c<strong>Em mais de 42% do territ\u00f3rio, este \u2018stress\u2019 \u00e9 extremamente alto<\/strong>\u201d (consumo de mais de 80% dos recursos de \u00e1gua doce dispon\u00edveis) e em outros 25% do territ\u00f3rio espanhol h\u00e1 \u201c\u2018stress\u2019 alto\u201d (consumo de mais de 40%), l\u00ea-se no atlas.<\/p>\n<p>Os autores do estudo sublinham que \u201cboa parte da \u00e1gua \u00e9 consumida no setor agr\u00e1rio\u201d (22.500 hect\u00f3metros c\u00fabicos por ano) e 40% das massas de \u00e1gua subterr\u00e2neas em Espanha \u201cest\u00e3o degradadas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEm algumas demarca\u00e7\u00f5es hidrogr\u00e1ficas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante. Na do Guadiana, 86% dos aqu\u00edferos est\u00e3o desertificados\u201d, l\u00ea-se no estudo, em que os autores real\u00e7am que as sociedades como a espanhola \u201cs\u00e3o <strong>viciadas na \u00e1gua<\/strong>\u201d sem que at\u00e9 agora se tenham encontrado respostas adequadas para responder a um consumo t\u00e3o elevado.<\/p>\n<p>\u201cUsamos sem muito crit\u00e9rio recursos cada vez mais escassos, guiados por crit\u00e9rios econ\u00f3micos de curto prazo que substituem o senso comum. Confiamos em que uma nova proposta tecnol\u00f3gica resolva o problema, enquanto ca\u00edmos em padr\u00f5es que vistos de fora resultam tragic\u00f3micos: entre 2018 e 2024, os registos oficiais indicam que foram descartadas 483.624 toneladas de frutas e hortali\u00e7as, o que representa uma pegada h\u00eddrica de quase 36 hect\u00f3metros c\u00fabicos\u201d, sublinham.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em causa um <strong>desperd\u00edcio que tem como \u201cprincipal raz\u00e3o\u201d o baixo pre\u00e7o<\/strong>, por causa de se produzir mais do que o necess\u00e1rio, acrescentam.<\/p>\n<p>Os cientistas chamam tamb\u00e9m a aten\u00e7\u00e3o para o aumento da agricultura de regadio em Espanha e de como se est\u00e3o, por exemplo, a regar culturas de sequeiro, como a oliveira.<\/p>\n<p>Quanto ao abandono do espa\u00e7o rural e concentra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em zonas urbanas, os autores sublinham que \u201cdesertifica\u00e7\u00e3o, por vezes, \u00e9 consequ\u00eancia do sub-uso do territ\u00f3rio\u201d, que pode ter \u201ct\u00e3o m\u00e1s consequ\u00eancias como a sobre-explora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cO meio rural foi abandonado de forma precipitada ap\u00f3s milhares de anos\u201d de presen\u00e7a humana<\/strong> e \u201ceste tr\u00e2nsito\u201d para zonas urbanas \u201ctem as suas portagens\u201d: \u201cO que se observa atualmente \u00e9 uma paisagem propensa aos inc\u00eandios florestais, onde as altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1ticas favorecem o estabelecimento de esp\u00e9cies que nunca antes habitaram esse territ\u00f3rio e no qual, apesar tudo, o impacto humano ainda \u00e9 relevante\u201d, como acontece com a instala\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos ou solares, a prolifera\u00e7\u00e3o de estradas e outras infraestruturas.<\/p>\n<p>Em zonas florestais que se t\u00eam expandido na sequ\u00eancia desse abandono do meio rural, sem limpeza de matas ou qualquer gest\u00e3o, e de novo numa alian\u00e7a com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, est\u00e3o a produzir-se inc\u00eandios florestais cada vez maiores e mais incontrol\u00e1veis, alguns com capacidade para mudan\u00e7as das condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas da zona e que contribuem, tamb\u00e9m eles, para a degrada\u00e7\u00e3o dos solos que pode conduzir \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em paralelo, sublinham os coordenadores do atlas, zonas \u00e1ridas do Mediterr\u00e2neo, por exemplo, sofrem o impacto negativo a n\u00edvel de consumo de recursos h\u00eddricos, por exemplo, da alta concentra\u00e7\u00e3o populacional a que somam o elevado turismo.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_545_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389371_770_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765389372_556_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Graeme Maclean\/Flickr Almer\u00eda, Espanha. 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