{"id":190075,"date":"2025-12-16T00:25:22","date_gmt":"2025-12-16T00:25:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/190075\/"},"modified":"2025-12-16T00:25:22","modified_gmt":"2025-12-16T00:25:22","slug":"italia-tem-um-perfil-demografico-semelhante-ao-de-portugal-so-evitamos-falta-de-mao-de-obra-gracas-aos-muitos-imigrantes-que-chegaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/190075\/","title":{"rendered":"\u201cIt\u00e1lia tem um perfil demogr\u00e1fico semelhante ao de Portugal: s\u00f3 evitamos falta de m\u00e3o de obra gra\u00e7as aos muitos imigrantes que chegaram\u201d"},"content":{"rendered":"<p class=\"category\"><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/podcasts\/o-mundo-a-seus-pes\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">O Mundo a seus P\u00e9s<\/a><\/p>\n<p class=\"status custom podcast\">Podcast<\/p>\n<p>A crise demogr\u00e1fica em It\u00e1lia j\u00e1 est\u00e1 a afetar a economia e a obrigar e o Governo anti-imigra\u00e7\u00e3o de Giorgia Meloni a ter de atrair imigrantes. Oi\u00e7a aqui o \u00faltimo epis\u00f3dio do podcast O Mundo A Seus P\u00e9s com Pedro G\u00f3is, soci\u00f3logo da Universidade de Coimbra e investigador na \u00e1rea das migra\u00e7\u00f5es internacionais<\/p>\n<p>Em It\u00e1lia, a crise no mercado de trabalho est\u00e1 a obrigar o Governo de direita radical de Giorgia Meloni \u2014 que \u00e9 anti-imigra\u00e7\u00e3o \u2014 a precisar de atrair imigrantes. Foi o pr\u00f3prio Observat\u00f3rio de Contas P\u00fablicas italiano que alertou para este problema no in\u00edcio deste m\u00eas de dezembro, uma vez que o pa\u00eds est\u00e1 de bra\u00e7os dados com uma crise demogr\u00e1fica que j\u00e1 est\u00e1 a afetar a economia.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito envelhecida, a taxa de natalidade est\u00e1 a cair a pique e os jovens italianos est\u00e3o a emigrar. O impacto destes tr\u00eas fen\u00f3menos j\u00e1 est\u00e1 a fazer-se sentir no mercado de trabalho e no sistema de pens\u00f5es, que est\u00e1 \u201cem risco de colapso\u201d. \u201cA situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser combatida com a chegada de imigrantes em n\u00fameros bem mais significativos do que aqueles que se registam atualmente\u201d, de acordo com os economistas italianos que fizeram o estudo do Observat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ora uma das grandes bandeiras do partido de Meloni (Irm\u00e3os de It\u00e1lia) \u2014 e tamb\u00e9m dos que fazem parte da coliga\u00e7\u00e3o governamental \u2014 \u00e9 precisamente as ideias e as pol\u00edticas anti-imigra\u00e7\u00e3o. No entanto, o pr\u00f3prio Governo j\u00e1 reconheceu o problema da falta de m\u00e3o de obra imigrante para sustentar o mercado de trabalho, entrando num paradoxo entre a sua ideologia pol\u00edtica e a necessidade real de ter pessoas a trabalhar e a contribuir para a seguran\u00e7a social.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica forma de conciliar esse discurso\u201d da extrema-direita com a realidade \u201c\u00e9 voltar ao pragmatismo e compreender as migra\u00e7\u00f5es atuais, que s\u00e3o sobretudo migra\u00e7\u00f5es laborais\u201d, afirma Pedro G\u00f3is, soci\u00f3logo da Universidade de Coimbra e investigador na \u00e1rea das migra\u00e7\u00f5es internacionais. \u201cQuando os migrantes chegam respondem a necessidades do mercado de trabalho. E quando o mercado de trabalho n\u00e3o necessita de migrantes, imediatamente h\u00e1 uma resposta suspendendo esses fluxos migrat\u00f3rios. It\u00e1lia devia ter percebido isto h\u00e1 algum tempo. Mas a realidade mostrou que a pol\u00edtica n\u00e3o se faz em gabinetes, faz-se reagindo \u00e0 realidade\u201d, diz.<\/p>\n<p>Precisamente por ter consci\u00eancia do problema que tem em m\u00e3os, o Governo italiano anunciou, j\u00e1 em junho, a emiss\u00e3o de 500 mil novos vistos de trabalho para cidad\u00e3os de pa\u00edses n\u00e3o pertencentes \u00e0 Uni\u00e3o Europeia para o per\u00edodo 2026-2028. Mais recentemente, em novembro, o Executivo publicou tamb\u00e9m uma lei que permite aos descendentes de italianos de sete pa\u00edses (Brasil, Argentina, Estados Unidos, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, Venezuela e Uruguai) obterem vistos de trabalho sem limita\u00e7\u00f5es de n\u00famero, como acontecia at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Trata-se de uma forma de imigra\u00e7\u00e3o \u201cseletiva\u201d, aponta Pedro G\u00f3is. \u201cH\u00e1 aparentemente esta sensa\u00e7\u00e3o de que afinidades culturais do passado s\u00e3o mais facilmente e rapidamente integr\u00e1veis. As di\u00e1sporas, os descendentes de nacionais europeus que migram para outros continentes ser\u00e3o, seguramente, parte deste grupo de migrantes preferenciais\u201d, refere o convidado do epis\u00f3dio. \u201cEssa seletividade das origens visa contrariar algo que tamb\u00e9m \u00e9 real, que \u00e9 esta perce\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que os migrantes n\u00e3o s\u00e3o todos iguais\u201d, descreve.<\/p>\n<p>De acordo com os dados estat\u00edsticos, o n\u00famero de cidad\u00e3os estrangeiros a viver em It\u00e1lia cresceu muito pouco ao longo dos \u00faltimos anos: de 4,6 milh\u00f5es, em 2013, para 5,4 milh\u00f5es no in\u00edcio de 2025, incluindo j\u00e1 os filhos de imigrantes nascidos em It\u00e1lia. \u00c9 cerca de 9% da popula\u00e7\u00e3o total, de 58,9 milh\u00f5es de pessoas. J\u00e1 o total de entradas de estrangeiros registadas em 2024 (dados mais recentes) foi de 435 mil, um n\u00famero ligeiramente inferior ao de 2023, segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edstica italiano. J\u00e1 o relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio das Contas P\u00fablicas diz que o pa\u00eds precisa de receber 10 a 13 milh\u00f5es de imigrantes at\u00e9 2050 \u2014 s\u00e3o cerca de 400 mil a 520 mil por ano, at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cA nossa economia global, europeia, italiana, portuguesa, n\u00e3o vive sem trabalhadores. Se internamente a demografia n\u00e3o \u00e9 capaz de fornecer esses trabalhadores, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel, ou uma de duas, \u00e9 ir busc\u00e1-os aos exterior. A segunda \u00e9 fechar esses setores. Estamos a falar de setores de m\u00e3o de obra intensiva, como constru\u00e7\u00e3o, agricultura, alguma ind\u00fastria e pescas. Fech\u00e1-los n\u00e3o \u00e9, portanto, uma possibilidade\u201d, continua o investigador da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>Por isso, It\u00e1lia \u201cn\u00e3o funciona sem imigrantes\u201d, tal como \u201cmuitos pa\u00edses\u201d, sobretudo os \u201cmais envelhecidos\u201d. \u201cIt\u00e1lia tem perfil demogr\u00e1fico muito semelhante ao perfil portugu\u00eas, exceto que Portugal, nos \u00faltimos anos, recebeu muitas centenas de milhares de imigrantes e essas necessidades foram supridas no mercado de trabalho. Caso contr\u00e1rio, em algumas \u00e1reas j\u00e1 estar\u00edamos com car\u00eancia de trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>Este epis\u00f3dio foi conduzido pela jornalista Mara Tribuna e contou com a edi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de Jo\u00e3o Lu\u00eds Amorim. <strong>O Mundo a Seus P\u00e9s<\/strong> \u00e9 o podcast semanal da editoria Internacional do Expresso. A condu\u00e7\u00e3o do debate \u00e9 rotativa entre os jornalistas Ana Fran\u00e7a, H\u00e9lder Gomes, Mara Tribuna, Pedro Cordeiro e Catarina Maldonado Vasconcelos. Subscreva e ou\u00e7a mais epis\u00f3dios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Mundo a seus P\u00e9s Podcast A crise demogr\u00e1fica em It\u00e1lia j\u00e1 est\u00e1 a afetar a economia e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":190076,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-190075","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115726406500897234","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=190075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190075\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/190076"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=190075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=190075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=190075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}