{"id":190472,"date":"2025-12-16T10:43:50","date_gmt":"2025-12-16T10:43:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/190472\/"},"modified":"2025-12-16T10:43:50","modified_gmt":"2025-12-16T10:43:50","slug":"e-se-em-vez-de-destruir-a-estacao-espacial-alguem-a-reciclasse-vale-15-mil-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/190472\/","title":{"rendered":"E se em vez de destruir a Esta\u00e7\u00e3o Espacial, algu\u00e9m a reciclasse? Vale 1,5 mil milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Em vez de destruir a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS) em 2030, h\u00e1 quem queira recicl\u00e1-la no espa\u00e7o. A proposta passa por algo in\u00e9dito: reciclar a esta\u00e7\u00e3o em \u00f3rbita e transformar a infraestrutura envelhecida numa fonte de mat\u00e9rias-primas para o futuro da explora\u00e7\u00e3o espacial.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iss_reciclagem00.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iss_reciclagem00-720x404.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1093430\"  \/><\/a><\/p>\n<p>A Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/ciencia\/nasa-vai-desativar-a-estacao-espacial-internacional-em-2030-e-o-que-vem-a-seguir\/\" rel=\"nofollow noopener\">tem os dias contados<\/a>. O plano oficial aponta para a sua desorbita\u00e7\u00e3o em 2030, mas uma startup norte-americana defende que <strong>destruir a ISS ser\u00e1 um erro estrat\u00e9gico<\/strong>, econ\u00f3mico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Uma esta\u00e7\u00e3o envelhecida e cheia de problemas<\/p>\n<p>A Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional orbita a Terra desde 1998 e ficou completa em 2011. Inicialmente, previa-se a sua retirada em 2024, mas <strong>dificuldades or\u00e7amentais levaram a NASA a adiar a decis\u00e3o para 2030<\/strong>. Ainda assim, a preocupa\u00e7\u00e3o cresce.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, multiplicaram-se os problemas t\u00e9cnicos: fugas de ar, fissuras em v\u00e1rios m\u00f3dulos, falta de pe\u00e7as de substitui\u00e7\u00e3o para sistemas cr\u00edticos e or\u00e7amentos cada vez mais apertados. As v\u00e1rias ag\u00eancias envolvidas t\u00eam recorrido a solu\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias para manter a ISS operacional.<\/p>\n<p>A NASA <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/ciencia\/spacex-opta-por-uma-dragon-em-esteroides-para-desorbitar-a-estacao-espacial-internacional\/\" rel=\"nofollow noopener\">j\u00e1 adjudicou \u00e0 SpaceX<\/a> o desenvolvimento de um ve\u00edculo capaz de rebocar a esta\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao chamado \u201ccemit\u00e9rio espacial\u201d no Pac\u00edfico, o remoto <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/ciencia\/ponto-nemo-cemiterio-aquatico-da-terra-naves-espaciais\/\" rel=\"nofollow noopener\">Ponto Nemo<\/a>. A quest\u00e3o \u00e9 simples: far\u00e1 sentido afundar uma estrutura de 450 toneladas que <strong>custou cerca de 150 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/strong>?<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iss_reciclagem01.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1093434\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iss_reciclagem01-720x404.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"wp-image-1093434 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1093434\" class=\"wp-caption-text\">A partir de 2026, a ISS ser\u00e1 deixada cair sob os efeitos do arrasto atmosf\u00e9rico at\u00e9 atingir uma altitude de cerca de 320 km.<\/p>\n<p>Reciclar a ISS como se fosse uma mina orbital<\/p>\n<p>Para Greg Vialle, fundador da startup Lunexus Space, a resposta \u00e9 claramente n\u00e3o. A empresa prop\u00f5e reutilizar a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional como fonte de mat\u00e9rias-primas, evitando o desperd\u00edcio de toneladas de materiais valiosos j\u00e1 colocados em \u00f3rbita.<\/p>\n<p>Segundo Vialle, a ISS cont\u00e9m cerca de <strong>430 toneladas de alum\u00ednio de alta qualidade<\/strong>, tit\u00e2nio e outros metais de grau espacial.<\/p>\n<p>O <strong>valor estimado desses materiais ronda os 1.500 milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/strong>, que acabariam no fundo do oceano caso o plano atual avance. A isto somam-se quase 1.000 milh\u00f5es de d\u00f3lares que a NASA dever\u00e1 gastar apenas para desorbitar a esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas palavras do CEO da Lunexus Space, trata-se de \u201cum plano fiscalmente irrespons\u00e1vel que desperdi\u00e7a um recurso estrat\u00e9gico e uma oportunidade \u00fanica\u201d.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iss_reciclagem02.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1093435\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iss_reciclagem02-720x404.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"wp-image-1093435 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1093435\" class=\"wp-caption-text\">A Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional \u00e9 um dos projetos cient\u00edficos mais caros alguma vez constru\u00eddos. No total, o programa da ISS ultrapassa largamente os 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, refletindo a complexidade t\u00e9cnica, log\u00edstica e humana de manter uma infraestrutura habitada permanentemente no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Economia circular em \u00f3rbita baixa<\/p>\n<p>A Lunexus Space aposta no desenvolvimento de uma verdadeira economia circular em \u00f3rbita baixa. A ideia passa por reutilizar estruturas e sucata espacial para fabricar novos componentes diretamente no espa\u00e7o, reduzindo a depend\u00eancia de lan\u00e7amentos a partir da Terra.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos s\u00e3o claros. Colocar <strong>um quilograma de material em \u00f3rbita custa, em m\u00e9dia, 3500 d\u00f3lares<\/strong> (cerca de 2900 euros). Aproveitar materiais j\u00e1 existentes na ISS permitiria reduzir drasticamente esses custos.<\/p>\n<p>Vialle estima que o processo de reciclagem poderia ser realizado por cerca de 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares, acrescidos de um empr\u00e9stimo governamental para lan\u00e7ar a infraestrutura necess\u00e1ria. Mesmo assim, o valor ficaria muito abaixo do custo previsto para a destrui\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7a espacial dos Estados Unidos em jogo<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da vertente econ\u00f3mica, a proposta tem um forte argumento geopol\u00edtico. Vialle <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/spacenews.com\/utilize-the-iss-as-a-resource-a-common-sense-fiscally-responsible-plan-leveraging-the-international-space-station\/\" rel=\"nofollow noopener\">defende<\/a> que reciclar a ISS permitiria lan\u00e7ar as <strong>bases de uma nova ind\u00fastria espacial liderada pelos Estados Unidos<\/strong>, refor\u00e7ando a sua posi\u00e7\u00e3o face a concorrentes como a China, que tamb\u00e9m investe fortemente em esta\u00e7\u00f5es espaciais e infraestrutura orbital.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel compara esta estrat\u00e9gia a momentos hist\u00f3ricos decisivos, como a mobiliza\u00e7\u00e3o industrial dos EUA antes da Segunda Guerra Mundial, o salto tecnol\u00f3gico do Jap\u00e3o nos anos 70 ou o papel de Taiwan com a TSMC na ind\u00fastria dos semicondutores.<\/p>\n<p>Na sua vis\u00e3o, quem dominar a gest\u00e3o de recursos no espa\u00e7o dominar\u00e1 o futuro do com\u00e9rcio e da defesa em \u00f3rbita.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iss_reciclagem03.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/iss_reciclagem03-720x404.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1093437\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Obst\u00e1culos t\u00e9cnicos e pouco entusiasmo da ind\u00fastria<\/p>\n<p>Apesar da ambi\u00e7\u00e3o, o plano enfrenta resist\u00eancias. A NASA j\u00e1 revelou que, ap\u00f3s avaliar a possibilidade de reutilizar componentes da ISS, n\u00e3o recebeu propostas concretas de interesse por parte da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a Ag\u00eancia Espacial Europeia considera que a <strong>reciclagem em \u00f3rbita \u00e9 \u201cum verdadeiro desafio\u201d<\/strong>, levantando d\u00favidas sobre a rentabilidade de capturar e processar materiais no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O tempo, contudo, n\u00e3o joga a favor de ningu\u00e9m. Faltam cerca de quatro anos para a data prevista de desorbita\u00e7\u00e3o e a ISS aproxima-se rapidamente do fim da sua vida \u00fatil.<\/p>\n<p>O movimento \u201cRecycle the ISS\u201d ganha visibilidade, mas a decis\u00e3o ter\u00e1 de ser tomada em breve, sob pena de a esta\u00e7\u00e3o simplesmente n\u00e3o aguentar at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em vez de destruir a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS) em 2030, h\u00e1 quem queira recicl\u00e1-la no espa\u00e7o. 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