{"id":190788,"date":"2025-12-16T15:38:17","date_gmt":"2025-12-16T15:38:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/190788\/"},"modified":"2025-12-16T15:38:17","modified_gmt":"2025-12-16T15:38:17","slug":"jovem-esfaqueada-mais-de-cem-vezes-foi-perseguida-meses-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/190788\/","title":{"rendered":"Jovem esfaqueada mais de cem vezes foi perseguida meses \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>\u201cTivemos casos em que <strong>enviam encomendas para a casa<\/strong>, se n\u00e3o da v\u00edtima, da m\u00e3e, do pai ou de quem for; <strong>tiram fotografias da porta de casa<\/strong>; <strong>enviam mensagens e emails, para o pessoal e at\u00e9 o de trabalho<\/strong>, que \u00e9 mais dif\u00edcil para uma pessoa alterar\u201d, exemplifica Carolina Soares. \u201cE vamos supor que a empresa at\u00e9 consegue reagir a isto e faz a altera\u00e7\u00e3o, depois come\u00e7am a enviar para o e-mail geral da empresa, h\u00e1 casos em que at\u00e9 j\u00e1 usam o fax\u201d, relata. Tudo isso gera uma \u201cenorme\u201d press\u00e3o sobre a v\u00edtima, principalmente quando os epis\u00f3dios se prolongam por v\u00e1rios meses, acrescenta.<\/p>\n<p>No estudo da Universidade do Minho, as investigadoras conclu\u00edram que <strong>a maior parte das v\u00edtimas s\u00e3o mulheres<\/strong>. Al\u00e9m disso, notam que <strong>\u00e9 mais frequente que os epis\u00f3dios de persegui\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 seja de que forma for \u2014 <strong>se prolongam entre um<\/strong> (27,3%) <strong>a seis meses<\/strong> (38,5%). Mas tamb\u00e9m se verificam casos que duraram mais de um ano (12,8%) e, tamb\u00e9m com bastante frequ\u00eancia, at\u00e9 dois anos (27,3%). Identificaram tamb\u00e9m que os ex-parceiros \u00edntimos s\u00e3o o grupo mais frequente nos casos de stalking e da modalidade h\u00edbrida; e que, por outro lado, quando est\u00e1 em causa exclusivamente uma persegui\u00e7\u00e3o digital (cyberstalking), ela \u00e9 mais frequentemente praticada por pessoas com quem as v\u00edtimas n\u00e3o tiveram necessariamente uma rela\u00e7\u00e3o pessoal (s\u00e3o apenas seus conhecidos ou podem, at\u00e9, ser-lhes totalmente desconhecidos).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es nos v\u00e1rios tipos de persegui\u00e7\u00e3o, as autoras dizem que a mais recorrente \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o de provocar mal-estar ps\u00edquico e f\u00edsico na v\u00edtima, seguida da tentativa de estabelecer ou retomar uma rela\u00e7\u00e3o amorosa e, ainda, de constranger ou persuadir a v\u00edtima. No caso espec\u00edfico do stalking, referem que o mais comum \u00e9 o perfil do stalker ser o de algu\u00e9m que foi rejeitado, que est\u00e1 ressentido ou em busca de intimidade. J\u00e1 o que descrevem como perfis de \u201ccortejador inadequado\u201d e de \u201cpredador sexual\u201d s\u00e3o menos frequentes.<\/p>\n<p>Outro dado relevante do estudo s\u00e3o as condena\u00e7\u00f5es. As investigadoras referem que, dos 296 processos analisados, 54,7% resultaram em condena\u00e7\u00e3o pelo crime de persegui\u00e7\u00e3o e que cerca de 11% dos casos foram arquivados por desist\u00eancia da v\u00edtima. Em apenas nove dos processos foram os arguidos considerados inimput\u00e1veis, sendo que um deles foi absolvido e os restantes sujeitos \u00e0 pena de internamento.<\/p>\n<p>Segundo as autoras, dos 221 arguidos considerados imput\u00e1veis, 59,7% foram condenados pelo crime de persegui\u00e7\u00e3o e 29% absolvidos. O desfecho mais comum foi a suspens\u00e3o da pena de pris\u00e3o (47,3%), seguido do pagamento de uma multa (41,9%). A pena de pris\u00e3o aconteceu em 10% dos casos, ficando apenas \u00e0 frente da presta\u00e7\u00e3o de trabalho a favor da comunidade (0,8%).<\/p>\n<p>As autoras tamb\u00e9m deixam uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es, destacando, desde logo, a import\u00e2ncia de mais estudos nesta \u00e1rea. \u201cPropomos para Portugal, quer no sistema de justi\u00e7a quer nos servi\u00e7os de apoio a v\u00edtimas (onde a APAV tem um papel central), uma abordagem mais centrada na v\u00edtima, assente na defini\u00e7\u00e3o de protocolos de atua\u00e7\u00e3o para uma efetiva valoriza\u00e7\u00e3o da prova testemunhal e digital, bem como na avalia\u00e7\u00e3o de risco em contextos de persegui\u00e7\u00e3o\u201d, l\u00ea-se. \u201cAl\u00e9m disso, exige-se o desenvolvimento de programas de interven\u00e7\u00e3o para ofensores com condutas persecut\u00f3rias, a monitoriza\u00e7\u00e3o efetiva das medidas de afastamento para melhorar a prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas e a avalia\u00e7\u00e3o das respostas efetivamente prestadas a estas v\u00edtimas\u201d.<\/p>\n<p>O desfecho sobre o caso de Raquel, que se torna muito mais grave uma vez que al\u00e9m da persegui\u00e7\u00e3o envolveu uma acusa\u00e7\u00e3o de ofensa \u00e0 integridade f\u00edsica qualificada e homic\u00eddio qualificado na forma tentada, ainda est\u00e1 longe. Carolina Soares, da APAV, destaca que quando se trata do crime de persegui\u00e7\u00e3o h\u00e1 ainda um caminho a fazer, lembrando que nem sempre os casos s\u00e3o t\u00e3o \u201crobustos\u201d como o do recente caso da universit\u00e1ria condenada a dois anos de pris\u00e3o, pela quantidade de provas e o tempo prolongado em que os crimes ocorreram. \u201cH\u00e1 a\u00ed uma robustez do pr\u00f3prio processo, que felizmente conseguiu chegar a t\u00e9rmino, com a identifica\u00e7\u00e3o da pessoa e com a condena\u00e7\u00e3o, funcionando bem a\u00ed. Mas ainda estamos muito atr\u00e1s em casos em que n\u00e3o \u00e9 assim\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cTivemos casos em que enviam encomendas para a casa, se n\u00e3o da v\u00edtima, da m\u00e3e, do pai ou&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":190789,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,604,15,16,14,300,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,58,17,18,12757,29,30,31],"class_list":{"0":"post-190788","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-crime","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-justiu00e7a","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-portugal","24":"tag-principais-noticias","25":"tag-principaisnoticias","26":"tag-pt","27":"tag-sociedade","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-tribunais","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115729996587518109","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=190788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190788\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/190789"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=190788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=190788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=190788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}