{"id":190839,"date":"2025-12-16T16:19:08","date_gmt":"2025-12-16T16:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/190839\/"},"modified":"2025-12-16T16:19:08","modified_gmt":"2025-12-16T16:19:08","slug":"glaciares-dos-alpes-devem-atingir-pico-de-extincao-ja-em-2033-alteracoes-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/190839\/","title":{"rendered":"Glaciares dos Alpes devem atingir \u201cpico de extin\u00e7\u00e3o\u201d j\u00e1 em 2033 | Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>O desaparecimento de glaciares devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas dever\u00e1 atingir o pico em meados do s\u00e9culo, com uma perda de dois a quatro mil glaciares por ano. Sob as pol\u00edticas clim\u00e1ticas actuais, os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/05\/29\/azul\/noticia\/aldeia-suica-soterrada-lama-rochas-apos-colapso-glaciar-ha-desaparecido-2134775\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">glaciares dos Alpes<\/a>, na Europa Central, dever\u00e3o atingir &#8220;velocidade de cruzeiro&#8221; de extin\u00e7\u00e3o em 2033, quando se prev\u00ea que cerca de 106 glaciares desapare\u00e7am todos os anos &#8211; e apenas 110 glaciares restar\u00e3o na regi\u00e3o at\u00e9 o ano de 2100\u200b.<\/p>\n<p>Um estudo publicado na revista Nature Climate Change esta segunda-feira especifica que o n\u00famero de glaciares que desaparecem depende do n\u00edvel de aquecimento no mundo acima dos valores pr\u00e9-industriais.<\/p>\n<p>Actualmente, existem mais de 200 mil glaciares a n\u00edvel global, com uma perda anual entre 750 e 800 glaciares. Os investigadores utilizaram tr\u00eas modelos globais de glaciares para quantificar o desaparecimento de cada um dos corpos de gelo e estimam que a taxa m\u00e1xima de perda ser\u00e1 de tr\u00eas a cinco vezes superior \u00e0 actual, introduzindo o conceito de &#8220;pico de extin\u00e7\u00e3o dos glaciares&#8221;, o ano em que desaparece o maior n\u00famero de glaciares.<\/p>\n<p>O momento e a magnitude deste &#8220;pico de extin\u00e7\u00e3o de glaciares&#8221; dependem fortemente do n\u00edvel de aquecimento global.<\/p>\n<p>Apenas 40 mil sobrevivem at\u00e9 2100<\/p>\n<p>As ac\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas actuais dos governos projectam que as temperaturas globais atinjam cerca de 2,7 graus Celsius acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, as perdas anuais de glaciares atingiriam cerca de tr\u00eas mil por ano em 2040, mantendo-se neste patamar at\u00e9 2060, o que resultaria na sobreviv\u00eancia de apenas cerca de 20% da contagem inicial de glaciares at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Ou seja, a diferen\u00e7a entre perder dois mil e quatro mil glaciares anualmente ser\u00e1 determinada pelas pol\u00edticas e decis\u00f5es societais tomadas hoje.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas clim\u00e1ticas fazem a diferen\u00e7a<\/p>\n<p>Os autores notam que limitar o aquecimento a 1,5 graus celsius pode mais do que duplicar o n\u00famero de glaciares restantes em 2100, em compara\u00e7\u00e3o com um cen\u00e1rio de aquecimento de 2,7\u00b0C e evitando a perda quase total de glaciares previs\u00edvel com um aquecimento de 4\u00b0\u200bC.<\/p>\n<p>Sob um cen\u00e1rio limitado a 1,5 graus Celsius, um dos objectivos do Acordo de Paris), o desaparecimento atinge o pico com cerca de dois mil glaciares por ano por volta de 2041, o que poderia levar \u00e0 sobreviv\u00eancia de quase 50% dos glaciares at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Se o aquecimento atingir 4 graus Celsius &#8211; uma traject\u00f3ria de emiss\u00f5es mais elevadas -, este pico intensifica-se para aproximadamente quatro mil glaciares por ano, ocorrendo mais tarde, em meados da d\u00e9cada de 2050.<\/p>\n<p>Diferen\u00e7as regionais<\/p>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de glaciares varia significativamente por regi\u00e3o, reflectindo as diferen\u00e7as no tamanho m\u00e9dio dos glaciares e no clima local.<\/p>\n<p>Regi\u00f5es dominadas por glaciares pequenos e de resposta r\u00e1pida, como os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/05\/29\/azul\/noticia\/aldeia-suica-soterrada-lama-rochas-apos-colapso-glaciar-ha-desaparecido-2134775\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alpes Europeus<\/a> (Europa Central), o C\u00e1ucaso e os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/07\/azul\/noticia\/glaciar-perito-moreno-resistir-derreter-rapido-2143175\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Andes Subtropicais<\/a>, dever\u00e3o atingir o pico de extin\u00e7\u00e3o mais cedo, antes ou por volta de 2040, com mais de metade dos glaciares a desaparecer nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Na Europa Central, os glaciares dever\u00e3o atingir o pico de extin\u00e7\u00e3o em 2033, quando se prev\u00ea que cerca de 106 glaciares desapare\u00e7am todos os anos na regi\u00e3o. Os investigadores projectam uma redu\u00e7\u00e3o de 97% dos seus glaciares at\u00e9 ao final do s\u00e9culo sob o cen\u00e1rio de 2,7\u00b0C (sob as pol\u00edticas actuais), mas mesmo que o aquecimento global seja limitado a 1,5\u00b0C espera-se que os glaciares da Europa Central encolham 87% at\u00e9 2100. Num cen\u00e1rio de aquecimento de 4\u00b0C, apenas cerca de 20 glaciares v\u00e3o sobreviver na Europa Central, uma redu\u00e7\u00e3o de 99% em rela\u00e7\u00e3o ao presente.<\/p>\n<p>Regi\u00f5es com maior propor\u00e7\u00e3o de glaciares maiores, como a periferia da Gronel\u00e2ndia e o \u00c1rctico Russo, mostram um pico de extin\u00e7\u00e3o mais tardio no s\u00e9culo XXI. Na Gronel\u00e2ndia, embora o pico de extin\u00e7\u00e3o ocorra por volta de 2063, a fus\u00e3o est\u00e1 projectada para continuar a acontecer para al\u00e9m de 2100.<\/p>\n<p>Implica\u00e7\u00f5es profundas<\/p>\n<p>O estudo denota ainda que o desaparecimento de glaciares tem implica\u00e7\u00f5es profundas que v\u00e3o al\u00e9m da perda de massa e \u00e1rea, que tradicionalmente t\u00eam sido o foco dos estudos. Estes corpos de gelo s\u00e3o cruciais para o ecossistema, os recursos h\u00eddricos e o patrim\u00f3nio cultural.<\/p>\n<p>Em algumas comunidades os glaciares t\u00eam significado cultural e espiritual, podendo ser uma importante <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/11\/08\/fugas\/noticia\/crise-climatica-leva-chile-banir-turismo-glaciar-patagonia-2069528\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">fonte de rendimento<\/a> ao atrair milh\u00f5es de visitantes em cada ano\u200b, mas tamb\u00e9m uma fonte de \u00e1gua.<\/p>\n<p>O pico de extin\u00e7\u00e3o de glaciares marca um ponto de viragem, transformando a perda num &#8220;drama humano de paisagens a desaparecer, tradi\u00e7\u00f5es a esbaterem-se e rotinas di\u00e1rias interrompidas&#8221;, descrevem os cientistas no artigo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Em muitas regi\u00f5es, as comunidades j\u00e1 realizam rituais simb\u00f3licos, como os &#8220;funerais de glaciares&#8221; (por exemplo, Okj\u00f6kull na Isl\u00e2ndia e Pizol na Su\u00ed\u00e7a), para assinalar a perda e sublinhar as dimens\u00f5es emocionais e sociais deste fen\u00f3meno. O estudo destaca que a pol\u00edtica clim\u00e1tica ambiciosa pode fazer uma diferen\u00e7a substancial na preserva\u00e7\u00e3o dos glaciares. <strong>com Lusa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O desaparecimento de glaciares devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas dever\u00e1 atingir o pico em meados do s\u00e9culo, com uma&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":190840,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[17718,2335,5291,785,27,28,2271,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-190839","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-acordo-de-paris","9":"tag-alteracoes-climaticas","10":"tag-aquecimento-global","11":"tag-azul","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-clima","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-headlines","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-mundo","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias","34":"tag-world","35":"tag-world-news","36":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115730157687620430","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=190839"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/190839\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/190840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=190839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=190839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=190839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}