{"id":191223,"date":"2025-12-16T21:29:10","date_gmt":"2025-12-16T21:29:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/191223\/"},"modified":"2025-12-16T21:29:10","modified_gmt":"2025-12-16T21:29:10","slug":"cientistas-podem-ter-descoberto-a-primeira-supernova-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/191223\/","title":{"rendered":"Cientistas podem ter descoberto a primeira supernova do Universo"},"content":{"rendered":"<p>Os astr\u00f4nomos pode, ter identificado a supernova mais distante j\u00e1 observada e que teria se formado quando o universo tinha apenas 730 milh\u00f5es de anos. A descoberta, feita por meio Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST), oferece novas perspectivas sobre a origem de um intenso surto de raios gama registrado em mar\u00e7o. Essas explos\u00f5es s\u00fabitas e breves s\u00e3o consideradas algumas das mais poderosas do cosmos.<\/p>\n<p>Identificado como GRB 250314A, o surto foi detectado pelo Monitor de Objetos Vari\u00e1veis Espaciais, um pequeno telesc\u00f3pio de raios-X desenvolvido por equipes da China e da Fran\u00e7a. Em quest\u00e3o de dias ap\u00f3s o alerta inicial, os cientistas estimaram que a intensa emiss\u00e3o energ\u00e9tica se originou de um objeto muito distante, que teria se formado apenas 730 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Big Bang<\/a>.<\/p>\n<p>Dado que poucos eventos dessa magnitude energ\u00e9tica foram observados nos primeiros bilh\u00f5es de anos do universo, essa situa\u00e7\u00e3o representa uma oportunidade rara para os astr\u00f4nomos investigarem a evolu\u00e7\u00e3o das estrelas e gal\u00e1xias que surgiram na inf\u00e2ncia do cosmos.<\/p>\n<p>Ao analisarem as caracter\u00edsticas desse surto de raios gama, duas equipes de pesquisa encontraram ind\u00edcios que sugerem que ele pode ter sido gerado por uma estrela em explos\u00e3o nas fronteiras do universo, validando uma das previs\u00f5es formuladas por uma das equipes envolvidas no estudo.<\/p>\n<p><strong>A.J. Levan<\/strong>, professor na <a href=\"https:\/\/www.ru.nl\/en\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade Radboud<\/a> na Holanda e na <a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/?homepage\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade de Warwick no Reino Unido<\/a>, e autor principal de um dos artigos publicados, declarou: \u201cFicamos impressionados que nossas previs\u00f5es funcionaram t\u00e3o bem e que conseguimos demonstrar que o JWST poderia ver estrelas em explos\u00e3o individuais a dist\u00e2ncias t\u00e3o extremas\u201d, comentou em entrevista ao Live Science. Os resultados dessas pesquisas foram divulgados em 9 de dezembro na <a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2025\/12\/aa56581-25\/aa56581-25.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revista Astronomy &amp; Astrophysics<\/a>.<\/p>\n<p>Os surtos curtos de raios gama, que duram menos de dois segundos, s\u00e3o geralmente associados \u00e0 fus\u00e3o de estrelas de n\u00eautrons, os remanescentes ultradensos de estrelas extintas. Por outro lado, os surtos longos acontecem quando estrelas massivas colapsam para formar uma estrela de n\u00eautron ou um buraco negro.<\/p>\n<p>O surto inicial do GRB 250314A teve dura\u00e7\u00e3o aproximada de dez segundos, categorizando-o como um evento de longa dura\u00e7\u00e3o. Isso levou os pesquisadores a investigarem se o surto era resultante de uma supernova \u2014 a morte catastr\u00f3fica de uma estrela massiva.<\/p>\n<p>Embora esses surtos sejam breves, eles deixam um brilho residual \u2014 uma luz que decai gradualmente com energias inferiores \u00e0s dos raios gama (incluindo raios-X, luz \u00f3ptica, r\u00e1dio e infravermelho) que pode durar v\u00e1rios dias. A maioria das informa\u00e7\u00f5es sobre esses fen\u00f4menos \u00e9 obtida atrav\u00e9s desses p\u00f3s-brilhos mais duradouros.<\/p>\n<p>Para validar suas hip\u00f3teses, os pesquisadores precisaram separar a luz proveniente do p\u00f3s-brilho, da supernova e da gal\u00e1xia hospedeira. O GRB 250314A gerou um p\u00f3s-brilho detect\u00e1vel em infravermelho e raios-X; entretanto, esse brilho havia diminu\u00eddo consideravelmente quando o JWST observou a regi\u00e3o meses depois. Assim, ficou claro que outro fator deveria contribuir para a luz observada.<\/p>\n<p>\u201cIsso nos deixa com a tarefa de desvendar a [luz da] gal\u00e1xia e da supernova\u201d, explicou <strong>Levan<\/strong>. Se a maior parte da luz fosse oriunda da gal\u00e1xia hospedeira, esta teria caracter\u00edsticas incomuns como uma gal\u00e1xia compacta e notavelmente antiga com estrelas formadas aproximadamente 200 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. \u201cEsse resultado seria intrigante por si s\u00f3, pois n\u00e3o encontramos muitas gal\u00e1xias assim e essa n\u00e3o \u00e9 o tipo esperado para abrigar um surto de raios gama\u201d, acrescentou. Diante disso, os pesquisadores conclu\u00edram que as propriedades do surto s\u00f3 poderiam ser explicadas pela ocorr\u00eancia de uma supernova.<\/p>\n<p>A luminosidade de uma supernova depende da quantidade de material radioativo expelido durante sua explos\u00e3o, sendo esta quantidade diretamente relacionada \u00e0 massa do n\u00facleo da estrela no momento da explos\u00e3o.<\/p>\n<p>Por v\u00e1rias raz\u00f5es, acredita-se que as estrelas no universo primordial possu\u00edam n\u00facleos mais massivos em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s observadas atualmente. A supernova vinculada ao GRB 250314A representou uma oportunidade \u00edmpar para estudar as caracter\u00edsticas das estrelas daquela \u00e9poca inicial do universo. Surpreendentemente, ao compar\u00e1-la com supernovas contempor\u00e2neas observadas nas proximidades, descobriram que apresentava semelhan\u00e7as not\u00e1veis com essas explos\u00f5es estelares modernas.<\/p>\n<p>\u201cEssa pode ser uma exce\u00e7\u00e3o; afinal, estamos lidando com um \u00fanico objeto\u201d, afirmou <strong>Levan<\/strong>. \u201cNo entanto, isso tamb\u00e9m pode sugerir que as estrelas em explos\u00e3o [no universo primitivo] \u2014 e assim toda a popula\u00e7\u00e3o estelar \u2014 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o diferentes quanto pensamos.\u201d<\/p>\n<p>Para confirmar se realmente se tratava de uma supernova, os pesquisadores ainda precisam reavaliar quanta luz observada prov\u00e9m da supernova em si e quanto vem do p\u00f3s-brilho ou da <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/james-webb-identifica-galaxia-em-espiral-que-questiona-modelos-atuais-de-cosmologia.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">gal\u00e1xia<\/a> hospedeira. Eles planejam realizar observa\u00e7\u00f5es complementares no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>        <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/author\/giovanna-gomes\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n          <img loading=\"lazy\" alt=\"Giovanna Gomes\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1765920550_89_33b368a526ac26c2f7de6462fce3004285811f04809ed05857f30d16a462d4c5\"  class=\"avatar avatar-115 photo rounded-circle mr-3\" height=\"115\" width=\"115\" decoding=\"async\"\/>        <\/a><\/p>\n<p>Giovanna Gomes \u00e9 jornalista e estudante de Hist\u00f3ria pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito \u00e0 cultura e \u00e0 hist\u00f3ria do ser humano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os astr\u00f4nomos pode, ter identificado a supernova mais distante j\u00e1 observada e que teria se formado quando o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":191224,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[443,109,107,108,32,33,38518,105,103,104,38519,106,110,12211,2077],"class_list":{"0":"post-191223","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-astronomia","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-raios-gama","15":"tag-science","16":"tag-science-and-technology","17":"tag-scienceandtechnology","18":"tag-supernova","19":"tag-technology","20":"tag-tecnologia","21":"tag-telescopio-espacial-james-webb","22":"tag-universo"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115731377005752155","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191223\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/191224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}