{"id":19156,"date":"2025-08-07T00:58:06","date_gmt":"2025-08-07T00:58:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/19156\/"},"modified":"2025-08-07T00:58:06","modified_gmt":"2025-08-07T00:58:06","slug":"os-cientistas-descobriram-de-onde-vieram-as-batatas-e-a-resposta-e-curiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/19156\/","title":{"rendered":"Os cientistas descobriram de onde vieram as batatas \u2013 e a resposta \u00e9 curiosa"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>Do tomate para a batata? Parece que podemos agradecer ao tomate pela nossa adorada batata.<\/p>\n<p>Um recente estudo publicado na revista Cell, encontrou a <a href=\"http:\/\/www.cell.com\/cell\/fulltext\/S0092-8674(25)00736-6\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">origem gen\u00e9tica das batatas modernas<\/a>. Os resultados mostraram que um <strong>cruzamento ocorrido h\u00e1 entre oito e nove milh\u00f5es de anos<\/strong> entre um antepassado do tomate e outra planta antiga deu origem \u00e0 primeira batata. Esse romance vegetal resultou numa combina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que se tornou um <strong>tub\u00e9rculo denso e amil\u00e1ceo<\/strong>\u2013 o nascimento da ic\u00f3nica batata que todos conhecemos e adoramos.<\/p>\n<p><strong>Como os investigadores descobriram a linhagem da batata<\/strong><\/p>\n<p>Mais do que um ingrediente delicioso nas nossas refei\u00e7\u00f5es preferidas, as batatas s\u00e3o <strong>a terceira cultura <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s12571-012-0220-1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">essencial mais importante do mundo<\/a><\/strong>. Podem ser cultivadas colocando parte de um tub\u00e9rculo no solo, que cresce e se transforma numa nova planta \u2013 um clone da primeira, que pode acumular <strong>muta\u00e7\u00f5es nocivas ao longo do tempo<\/strong>.<\/p>\n<p>A batata, tal como a conhecemos actualmente, cont\u00e9m muitas muta\u00e7\u00f5es que podem tornar a planta mais delicada. \u201cGostar\u00edamos de purific\u00e1-la\u201d, diz <a href=\"http:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Sanwen-Huang-2\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sanwen Huang<\/a>, especialista gen\u00f3mico do Instituto de Gen\u00f3mica Agr\u00edcola de Shenzhen, na China, que participou no estudo. A sua miss\u00e3o \u00e9 desenvolver <strong>uma nova batata h\u00edbrida<\/strong>, com menos muta\u00e7\u00f5es nocivas, que possa ser cultivada <strong>a partir de sementes<\/strong>, ao contr\u00e1rio das batatas modernas \u2013 que n\u00e3o podem.<\/p>\n<p>Se mais batatas fossem cultivadas a partir de sementes, os cientistas poderiam remover as muta\u00e7\u00f5es nocivas, bem como os <strong>riscos de doen\u00e7a aos quais os clones s\u00e3o propensos<\/strong>. Afinal, ningu\u00e9m quer outra Fome da Batata como a que aconteceu na Irlanda.<\/p>\n<p>As batatas pertencem ao <strong>g\u00e9nero Solanum<\/strong>, o mesmo g\u00e9nero dos tomates, das beringelas e dos pimentos, para mencionar apenas alguns. \u00c9 \u201cum dos g\u00e9neros de<strong> plantas angiosp\u00e9rmicas<\/strong> que tem mais de mil esp\u00e9cies\u201d, explica <a href=\"http:\/\/www.nhm.ac.uk\/our-science\/people\/sandra-knapp.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sandra Knapp<\/a>, taxonomista vegetal no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres, que participou no estudo.<\/p>\n<p>Knapp est\u00e1 interessada em descobrir as rela\u00e7\u00f5es entre as plantas do g\u00e9nero, por isso juntou-se a Huang. \u201cEle est\u00e1 interessado nas batatas. N\u00f3s estamos interessados na Solanum\u201d, diz Knapp. \u201cApercebemo-nos de que havia aqui algo interessante.\u201d<\/p>\n<p>Utilizando <strong>sequ\u00eancias gen\u00f3micas completas<\/strong>, Knapp e os seus colegas constru\u00edram uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica com seis esp\u00e9cies de batata e compararam-na com 21 outras esp\u00e9cies de Solanum. Tamb\u00e9m compararam 128 outros genomas a fim de descobrirem a proximidade entre a esp\u00e9cie das batatas e as restantes.<\/p>\n<p><strong>As batatas s\u00e3o parentes do grupo dos tomates e de um outro grupo de plantas chamado Etuberosum.<\/strong> \u201c\u00c9 uma linhagem pequenina, com apenas tr\u00eas esp\u00e9cies\u201d, diz Knapp.<\/p>\n<p>Acima do solo, a Etuberosum \u00e9 igual \u00e0s batatas, mas, ao contr\u00e1rio das batatas modernas, as Etuberosum antigas e modernas e os tomates n\u00e3o produzem tub\u00e9rculos.<\/p>\n<p>No entanto, quando aquele tomate ancestral e uma Etuberosum se cruzaram h\u00e1 muitos, muitos anos, formou-se um <strong>grupo h\u00edbrido denominado \u201cPetota\u201d<\/strong>. Este novo grupo deu origem ao<strong> tub\u00e9rculo<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>A ci\u00eancia da batata<\/strong><\/p>\n<p>Mas se o tomate ancestral e a Etuberosum n\u00e3o conseguiam produzir tub\u00e9rculos saborosos, porque conseguiu a Petota? Os cientistas descobriram que <strong>o novo grupo herdou uma mistura de genes dos dois grupos ancestrais, dando origem a uma batata robusta<\/strong>. Por exemplo, o tomate doou o SP6A, um gene que activa a tuberiza\u00e7\u00e3o (sim, \u00e9 este o termo t\u00e9cnico), e a Etuberosum contribuiu com o IT1, que controla o crescimento do tub\u00e9rculo.<\/p>\n<p><strong>Esta combina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica ocorreu na altura certa. <\/strong>O grupo dos tomateiros costuma preferir condi\u00e7\u00f5es quentes e secas, comenta Knapp, enquanto a Etuberosum gosta de frio e humidade. H\u00e1 cerca de 10 milh\u00f5es de anos, a <strong>cordilheira dos Andes<\/strong> come\u00e7ou a elevar-se na costa ocidental da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>As novas altitudes proporcionaram condi\u00e7\u00f5es frias, mas secas. Os tub\u00e9rculos capazes de armazenar energia da Petota \u201cpermitiram que as novas plantas se expandissem para estes novos ambientes nas terras altas dos Andes\u201d, explica Knapp.<\/p>\n<p><strong>O futuro das batatas<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes, a hibridiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem bons resultados, diz <a href=\"http:\/\/www.oeb.harvard.edu\/people\/james-mallet\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">James Mallet<\/a>, bi\u00f3logo evolutivo da Universidade de Harvard, que n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 bom fazer mix\u00f3rdias de genes daquela maneira\u201d, afirma. Contudo, \u201cde vez em quando, acontecem combina\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas estranhas, que n\u00e3o poderiam ter evolu\u00eddo dentro de cada linhagem \u2013 \u00e9 como agitar os dados novamente\u201d. Estas novas combina\u00e7\u00f5es podem fazer uma grande diferen\u00e7a se houver novos habitats para colonizar, podendo dar origem a uma nova esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>E foi isso que aconteceu. Actualmente, <strong>existem <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/B9780128229255000037\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">107 esp\u00e9cies de batata selvagem<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aqua.iee.unibe.ch\/about_us\/team\/ole_seehausen\/prof_dr_seehausen_ole\/index_eng.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ole Seehausen<\/a>, ecologista evolutivo da Universidade de Berna, na Su\u00ed\u00e7a, diz que o estudo foi <strong>o primeiro a demonstrar uma inven\u00e7\u00e3o evolutiva essencial \u2013 o tub\u00e9rculo \u2013 resultante da hibridiza\u00e7\u00e3o de duas esp\u00e9cies<\/strong>. Esses tub\u00e9rculos poder\u00e3o ter ajudado as batatas a serem bem-sucedidas ap\u00f3s aquele agitar dos dados gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>A reprodu\u00e7\u00e3o exclusiva atrav\u00e9s de tub\u00e9rculos tem desvantagens devido \u00e0s doen\u00e7as, mas tamb\u00e9m fez com que a nova Petota n\u00e3o precisasse de acasalar imediatamente para transmitir a sua nova composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. A <strong>capacidade de se clonarem<\/strong> \u201cpermite \u00e0s linhagens h\u00edbridas que n\u00e3o conseguem reproduzir-se sexualmente sobreviverem\u201d, comenta, at\u00e9 recuperarem a fertilidade.<\/p>\n<p>Huang espera usar este novo conhecimento do caminho percorrido entre o tomate e a batata para criar batateiras mais saud\u00e1veis. Ele poder\u00e1 utilizar o <strong>tomateiro como plataforma para novos genes <\/strong>e reintroduzi-los na batata, \u201cuma vez que o tomate \u00e9 praticamente isento de muta\u00e7\u00f5es prejudiciais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No final, ele espera criar sementes de batata \u2013 uma hibridiza\u00e7\u00e3o feita pelos seres humanos para ajudarmos as nossas batatas fritas a eliminarem as suas muta\u00e7\u00f5es nocivas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. Do tomate para a batata? 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