{"id":191786,"date":"2025-12-17T09:29:22","date_gmt":"2025-12-17T09:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/191786\/"},"modified":"2025-12-17T09:29:22","modified_gmt":"2025-12-17T09:29:22","slug":"o-silencio-da-china-nas-negociacoes-para-a-paz-na-ucrania-dw-15-12-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/191786\/","title":{"rendered":"O sil\u00eancio da China nas negocia\u00e7\u00f5es para a paz na Ucr\u00e2nia \u2013 DW \u2013 15\/12\/2025"},"content":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es para uma paz duradoura na <a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/ucr\u00e2nia\/t-17450030\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ucr\u00e2nia<\/a>, que <a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/zelenski-desiste-de-ades\u00e3o-\u00e0-otan-em-troca-de-salvaguardas\/a-75153877\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">prosseguem em Berlim<\/a> neste domingo e nesta segunda-feira (15\/12), ressurgiram os apelos para que a <a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/china\/t-36343070\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">China<\/a> desempenhe um papel mais construtivo para p\u00f4r fim \u00e0 <a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/guerra-na-ucr\u00e2nia\/t-60942474\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">guerra<\/a>.<\/p>\n<p>O ministro do Exterior da Alemanha, Johann Wadephul, est\u00e1 em visita \u00e0 China e pediu ao regime chin\u00eas que use sua influ\u00eancia para pressionar a R\u00fassia a negociar seriamente o fim da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. &#8220;Se existe um pa\u00eds que exerce forte influ\u00eancia sobre a R\u00fassia, esse pa\u00eds \u00e9 a China&#8221;, disse Wadephul ap\u00f3s se reunir com o ministro chin\u00eas do Exterior, Wang Yi, em Pequim.<\/p>\n<p>A China tem alegado neutralidade durante a guerra na Ucr\u00e2nia, mas \u00e9 acusada por pa\u00edses ocidentais de apoiar a R\u00fassia ao comprar petr\u00f3leo russo e exportar materiais de dupla utiliza\u00e7\u00e3o (que podem ser usados tanto para fins civis como militares).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 por isso [com\u00e9rcio com a <a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/r\u00fassia\/t-17476645\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">R\u00fassia<\/a>] que a China tem muito cuidado para n\u00e3o ser vista como parte das negocia\u00e7\u00f5es&#8221;, diz a professora Zsuzsa Anna Ferenczy, da Universidade Nacional Dong Hwa, de Taiwan, destacando os reiterados esfor\u00e7os de Pequim para projetar uma imagem de neutralidade. &#8220;Se essa definitivamente n\u00e3o \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o no Ocidente, pode ser a percep\u00e7\u00e3o no Sul Global&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>China se mant\u00e9m \u00e0 parte<\/p>\n<p>Tr\u00eas dias de negocia\u00e7\u00f5es na Fl\u00f3rida entre autoridades ucranianas e dos Estados Unidos para debater o plano de paz apoiado pelo presidente Donald Trump aparentemente n\u00e3o produziram nenhum avan\u00e7o na resolu\u00e7\u00e3o das disputas territoriais entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Originalmente, o plano <a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/o-que-se-sabe-sobre-o-plano-de-paz-de-trump-para-a-ucr\u00e2nia\/a-74824510\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">continha 28 pontos<\/a>\u00a0e se alinhava fortemente \u00e0s exig\u00eancias russas, o que for\u00e7aria a Ucr\u00e2nia a ceder grandes partes de seu territ\u00f3rio, a limitar o tamanho de suas For\u00e7as Armadas e a desistir do ingresso na Otan.<\/p>\n<p>Essa reda\u00e7\u00e3o gerou protestos do governo ucraniano e dos seus aliados europeus, que afirmaram ser necess\u00e1rio considerar mais o lado ucraniano e exigiram <a class=\"internal-link\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/europa-prop\u00f5e-texto-alternativo-a-plano-dos-eua-para-ucr\u00e2nia\/a-74855638\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mudan\u00e7as no plano<\/a>, o que foi feito durante uma rodada de conversa\u00e7\u00f5es em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>O Kremlin tamb\u00e9m n\u00e3o aceitou o documento de 28 pontos, mas disse estar disposto a aceit\u00e1-lo como &#8220;a base para um acordo de paz final&#8221; e alertou contra mudan\u00e7as significativas no texto em favor de Kiev.<\/p>\n<p>Em meio a esses esfor\u00e7os, o regime em Pequim, como parceiro estrat\u00e9gico mais importante de Moscou, permaneceu relativamente silencioso. Na semana passada, o presidente chin\u00eas, Xi Jinping, resumiu a posi\u00e7\u00e3o oficial do seu governo ao dizer, durante um encontro em Pequim com o presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron,\u00a0que a China apoia &#8220;todos os esfor\u00e7os destinados a alcan\u00e7ar um acordo de paz justo, duradouro e vinculativo que seja aceit\u00e1vel para todas as partes&#8221;.<\/p>\n<p>Uma paz que sirva aos interesses da China<\/p>\n<p>Em 2023, a China prop\u00f4s um plano de paz que refletia como o pa\u00eds esperava que a guerra na Ucr\u00e2nia terminasse, mas o documento foi criticado por n\u00e3o apresentar medidas espec\u00edficas e por n\u00e3o condenar a agress\u00e3o cometida pela\u00a0R\u00fassia.<\/p>\n<p>&#8220;A China est\u00e1 interessada no fim desta guerra, mas num fim que coloque a R\u00fassia numa posi\u00e7\u00e3o de vantagem e satisfa\u00e7a o objetivo da R\u00fassia, que \u00e9 manter o territ\u00f3rio que conquistou&#8221;, diz Ferenczy.<\/p>\n<p>Um acordo com essas caracter\u00edsticas indicaria que &#8220;um regime autorit\u00e1rio pode violar o direito internacional e sair impune&#8221;, acrescenta. &#8220;Isso serve aos interesses da China,&#8221; diz Ferenczy, referindo-se \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o chinesa sobre o territ\u00f3rio de Taiwan.<\/p>\n<p>Um acordo de paz que exija que a Ucr\u00e2nia ceda territ\u00f3rio \u00e0 R\u00fassia pode ter grandes implica\u00e7\u00f5es para a ordem global e a seguran\u00e7a internacional. O regime em Pequim reivindica Taiwan, uma regi\u00e3o aut\u00f4noma e democr\u00e1tica, como parte de seu territ\u00f3rio e n\u00e3o descarta o uso da for\u00e7a militar para fazer valer\u00a0essa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, desde que a R\u00fassia iniciou a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, em fevereiro de 2022, tanto Taiwan quanto a China t\u00eam monitorado de perto o desenrolar do conflito.<\/p>\n<p>&#8220;A norma dos \u00faltimos 70 anos nas rela\u00e7\u00f5es internacionais \u00e9 que n\u00e3o se devem fazer altera\u00e7\u00f5es territoriais pela for\u00e7a militar&#8221;, explica o cientista pol\u00edtico Raymond Kuo, do think tank de defesa Rand, dos EUA. &#8220;A grande quest\u00e3o \u00e9: essa norma est\u00e1 sendo quebrada?&#8221;<\/p>\n<p>Moscou teria concordado em treinar e equipar um batalh\u00e3o paraquedista chin\u00eas para uma poss\u00edvel invas\u00e3o de Taiwan, conforme noticiado inicialmente pelo site The Kyiv Independent, que citou documentos vazados pelo grupo de hackers Black Moon.<\/p>\n<p>Em paralelo \u00e0s demonstra\u00e7\u00f5es de for\u00e7a militar pela China, Taiwan enfrenta ainda fortes dificuldades diplom\u00e1ticas, com sua soberania n\u00e3o sendo reconhecida pela maioria dos governos devido \u00e0 press\u00e3o, por parte de Pequim, contra o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es oficiais com Taipei.<\/p>\n<p>&#8220;O acordo [para a paz na Ucr\u00e2nia] tem potencial para aumentar as dificuldades&#8221; que Taiwan j\u00e1 enfrenta, diz Kuo.<\/p>\n<p>China amplia coopera\u00e7\u00e3o militar com a R\u00fassia<\/p>\n<p>Apesar da press\u00e3o contr\u00e1ria cada vez maior por parte dos governos ocidentais, a coopera\u00e7\u00e3o da China com a R\u00fassia s\u00f3 se aprofundou.<\/p>\n<p>\u00c0 medida em que passou a enfrentar um isolamento pol\u00edtico e econ\u00f4mico cada vez maior devido \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia, a R\u00fassia passou tamb\u00e9m a se apoiar cada vez mais na China para o com\u00e9rcio, e os la\u00e7os militares entre os dois pa\u00edses se expandiram.<\/p>\n<p>Durante a visita do ministro chin\u00eas do Exterior, Wang Yi, a Moscou, no in\u00edcio deste m\u00eas, China e R\u00fassia afirmaram ter chegado a um amplo consenso sobre uma s\u00e9rie de quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Em maio, os dois pa\u00edses emitiram uma declara\u00e7\u00e3o conjunta em prol de uma coopera\u00e7\u00e3o militar refor\u00e7ada, incluindo mais exerc\u00edcios conjuntos, compartilhamento de tecnologia e coordena\u00e7\u00e3o para combater amea\u00e7as e manter a seguran\u00e7a global.<\/p>\n<p>Quatro anos ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra, o que se percebe \u00e9 que a China n\u00e3o tem interesse em enfraquecer seu apoio \u00e0 R\u00fassia, analisa Ferenczy. Ela enfatiza que manter a R\u00fassia por perto serve aos interesses estrat\u00e9gicos de Pequim.<\/p>\n<p>A principal raz\u00e3o \u00e9 que a press\u00e3o que a guerra na Ucr\u00e2nia exerce sobre a Europa e os EUA beneficia a China ao minar a democracia como sistema de governo e uma ordem mundial liderada pelo Ocidente, diz.<\/p>\n<p>Apesar de os pa\u00edses-membros da UE terem abordagens diferentes em rela\u00e7\u00e3o a Pequim, espera-se que o bloco se mantenha firme no apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia para garantir um acordo que ofere\u00e7a garantias de seguran\u00e7a a longo prazo aos ucranianos e que, como explica Ferenczy, prevale\u00e7a o atual consenso de que o futuro da Ucr\u00e2nia \u00e9 determinante para a seguran\u00e7a de toda a Europa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em meio \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es para uma paz duradoura na Ucr\u00e2nia, que prosseguem em Berlim neste domingo e nesta&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":191787,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-191786","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-mundo","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-top-stories","25":"tag-topstories","26":"tag-ultimas","27":"tag-ultimas-noticias","28":"tag-ultimasnoticias","29":"tag-world","30":"tag-world-news","31":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115734207736193449","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191786","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191786"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191786\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/191787"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}