{"id":191911,"date":"2025-12-17T11:40:14","date_gmt":"2025-12-17T11:40:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/191911\/"},"modified":"2025-12-17T11:40:14","modified_gmt":"2025-12-17T11:40:14","slug":"bahia-tem-39-cidades-em-alto-risco-para-chikungunya-saiba-quais-e-como-se-prevenir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/191911\/","title":{"rendered":"BAHIA TEM 39 CIDADES EM ALTO RISCO PARA CHIKUNGUNYA; SAIBA QUAIS E COMO SE PREVENIR"},"content":{"rendered":"<p>A Bahia tem 39 munic\u00edpios classificados como de alto risco para a Chikungunya. A doen\u00e7a, que \u00e9 transmitida por mosquitos do g\u00eanero Aedes infectados pelo v\u00edrus CHIKV, foi registrada em 387 das 417 cidades baianas entre 2014 e 2023. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de um estudo in\u00e9dito desenvolvido pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e pela Universidade de Guarulhos (UNG), que foi publicado na revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.<\/p>\n<p>O estudo monitorou, entre setembro de 2014 e dezembro de 2023, os casos confirmados da doen\u00e7a registrados no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), banco de dados da Secretaria de Sa\u00fade do Estado da Bahia (Sesab). A partir dessas informa\u00e7\u00f5es, foi calculada a taxa de incid\u00eancia em cada munic\u00edpio, assim como analisadas e integradas informa\u00e7\u00f5es adicionais, como temperaturas e n\u00edveis de precipita\u00e7\u00e3o, cobertura vegetal e saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>De acordo com Maur\u00edcio Lamano Ferreira, professor do Departamento de Ci\u00eancias B\u00e1sicas e Ambientais da USP, orientador e um dos porta-vozes do estudo, a lista com os munic\u00edpios com maior risco de dissemina\u00e7\u00e3o da Chikungunya foi constru\u00edda, inicialmente, a partir da identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas onde houve concentra\u00e7\u00e3o anormal de casos ao longo do tempo, usando an\u00e1lises espaciais e espa\u00e7o-temporais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s priorizamos os munic\u00edpios que fizeram parte de agrupamentos com risco significativamente maior que o esperado, especialmente aqueles que se repetiram entre 2014 e 2023 ou apresentaram tend\u00eancia de crescimento da doen\u00e7a, mesmo quando o cen\u00e1rio geral do estado indicava queda. Tamb\u00e9m teve peso importante a sazonalidade, com maior risco nos meses de ver\u00e3o, principalmente em fevereiro e mar\u00e7o\u201d, explica Lamano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da observa\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias e caracter\u00edsticas consistentes na ocorr\u00eancia da doen\u00e7a, o estudo comandado pela pesquisadora Maryly Weyll Sant\u2019Anna tamb\u00e9m notou que os munic\u00edpios de maior risco compartilhavam condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas favor\u00e1veis ao mosquito, como temperaturas m\u00ednimas mais altas, menor varia\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica ao longo do ano e maiores volumes de chuva, especialmente no ver\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsse conjunto de fatores criaram um ambiente ideal para a reprodu\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia do Aedes, aumentando a chance de transmiss\u00e3o do v\u00edrus. Do ponto de vista ambiental, essas \u00e1reas estavam mais urbanizadas, com paisagens fragmentadas e menor cobertura de biomas como a Caatinga, o que favorece a presen\u00e7a de criadouros artificiais\u201d, aponta o professor.<\/p>\n<p>Na publica\u00e7\u00e3o, outro ponto que chamou aten\u00e7\u00e3o foi a preval\u00eancia da doen\u00e7a em cidades com melhor estrutura socioecon\u00f4mica. Segundo Maur\u00edcio Lamano, apesar de parecer contradit\u00f3rio, h\u00e1 maior recorr\u00eancia de casos de Chikungunya em locais mais urbanizados, densamente povoados e com intensa mobilidade de pessoas, uma vez que esses munic\u00edpios funcionam como polos regionais de servi\u00e7os, com\u00e9rcio e transporte, o que facilita a introdu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e acelera sua dissemina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAssim, mesmo com melhores condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dias de infraestrutura, a circula\u00e7\u00e3o intensa de pessoas aumenta significativamente o risco de transmiss\u00e3o. Al\u00e9m disso, o estudo mostra que melhor saneamento n\u00e3o elimina os criadouros do Aedes. Em \u00e1reas urbanas mais desenvolvidas, predominam criadouros artificiais, como caixas d\u2019\u00e1gua, recipientes, ralos, res\u00edduos mal descartados e quintais urbanizados, que s\u00e3o justamente os preferidos pelo mosquito\u201d, detalha o professor da USP.<\/p>\n<p>Riscos<\/p>\n<p>Quem \u00e9 infectado pelo v\u00edrus da Chikungunya sabe na pele as adversidades de viver com as sequelas da doen\u00e7a. Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da enfermeira aposentada Maria Rosely Rocha, 73 anos, que, no outono de 2020, foi ao m\u00e9dico com um quadro de dor de cabe\u00e7a, febre e dores nas articula\u00e7\u00f5es que a levaram ao diagn\u00f3stico da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 20 dias, teve piora acentuada no estado de sa\u00fade, com registro de bursite e tendinite nos ombros, al\u00e9m de edema nas m\u00e3os e articula\u00e7\u00f5es. Naquele per\u00edodo, ela ficou acamada e se viu vulner\u00e1vel, sem conseguir realizar atividades comuns sem ajuda. Mesmo depois do tratamento com medicamentos e at\u00e9 outro diagn\u00f3stico preocupante \u2013 o positivo para a Covid-19 na pandemia \u2013, Maria Rosely diz que nunca viveu nada parecido com a Chikungunya.<\/p>\n<p>\u201cFoi pior do que a Covid-19. Justamente por estar na pandemia, tive dificuldade para consultas, tratamento e cuidados. Al\u00e9m das fortes dores, incapacidade f\u00edsica, queimor e placas vermelhas nas pernas, o resultado do tratamento \u00e9 muito lento. Ap\u00f3s cinco anos, ainda sinto o efeito da doen\u00e7a com dores nas articula\u00e7\u00f5es, principalmente nos joelhos e edema nas m\u00e3os\u201d, relata.<\/p>\n<p>A infectologista Clarissa Cerqueira alerta que as sequelas incapacitantes, como as de Maria Rosely, s\u00e3o o principal risco das doen\u00e7as, principalmente entre pacientes idosos. \u201cA Chikungunya \u00e9 uma doen\u00e7a muito m\u00f3rbida. Ela n\u00e3o \u00e9 como a dengue, que leva a uma letalidade ou vai matar o paciente de forma r\u00e1pida. Ela, geralmente, deixa sequelas, como dores articulares muito intensas que podem persistir de meses a anos, o que \u00e9 incapacitante\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Alerta constante<\/p>\n<p>\u00c9 entre os meses de janeiro e junho que os casos de Chikungunya t\u00eam alta na Bahia, mas a preven\u00e7\u00e3o come\u00e7a antes. Em Itabuna, um dos munic\u00edpios que integram a lista daqueles que possuem alto risco para a doen\u00e7a, a prefeitura deu in\u00edcio \u00e0s atividades de tratamento de focos do Aedes aegypti desde o in\u00edcio de dezembro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma campanha de conscientiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da distribui\u00e7\u00e3o de panfletos, a gest\u00e3o municipal tem realizado um levantamento dos \u00cdndices de Infesta\u00e7\u00e3o Vetorial do Aedes Aegypti, que tem servido de alerta para combater poss\u00edveis focos, conforme afirma a coordenadora de Combate \u00e0s Endemias, Lucimar Ribeiro. \u201cO levantamento sinalizou que o momento \u00e9 de intensificar os trabalhos de conscientiza\u00e7\u00e3o, porque o combate ao Aedes depende tamb\u00e9m da coopera\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. [\u2026] Estamos enfatizando a import\u00e2ncia do manejo adequado\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Para a infectologista Clarissa Cerqueira, todos os munic\u00edpios classificados como de alto risco para a doen\u00e7a precisam investir em preven\u00e7\u00e3o. Ela destaca, como a\u00e7\u00e3o a longo prazo, a preserva\u00e7\u00e3o de coberturas vegetais. \u201cO mosquito que transmite a Chikungunya, dengue e Zika \u00e9 um mosquito urbano. Ent\u00e3o, quando degradamos o ambiente, estamos tendo mais \u00e1reas urbanas, o que aumenta o risco da doen\u00e7a\u201d, pontua.<\/p>\n<p>J\u00e1 como parte das a\u00e7\u00f5es imediatas, ela indica medidas que impe\u00e7am a reprodu\u00e7\u00e3o do mosquito, como controle de \u00e1gua parada, limpeza de recipientes, uso de repelentes e uso de fumac\u00eas, que devem ser implementadas em todas as cidades, principalmente no ver\u00e3o e outono, esta\u00e7\u00f5es que mais registram casos da doen\u00e7a por conta do calor e do alto volume de chuva.<\/p>\n<p>Em abril, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria tamb\u00e9m aprovou a primeira vacina para Chikungunya, indicada para pessoas com mais de 18 anos que estejam em risco aumentado de exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus. O imunizante de dose \u00fanica produziu quase 100% de anticorpos neutralizantes durante os testes, o que faz dela uma vacina altamente eficaz, mas que, segundo Clarissa, n\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel por ora. \u201cEla ainda n\u00e3o est\u00e1 sendo amplamente comercializada e n\u00f3s temos outras formas de preven\u00e7\u00e3o\u201d, frisa.(Correio)<\/p>\n<p>Cr\u00e9dito: Freepik<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Bahia tem 39 munic\u00edpios classificados como de alto risco para a Chikungunya. 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